Jornais impressos expostos na banca da rodoviária. 23-01-209. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
Banca de jornais. Foto: Sérgio Lima/PODER 360
O Instituto Verificador de Comunicação (IVC) divulgou dados sobre a circulação de jornais dos principais veículos de comunicação do País. A pesquisa leva em conta números registrados de dezembro de 2014 a dezembro do ano passado. Segundo o estudo, as assinaturas digitais estão aumentando, enquanto a versão impressa segue em queda. As informações são do Poder360.
Segundo o portal, a Folha de S.Paulo foi o jornal com maior
número de assinaturas digitais, seguida de perto por O Globo. Destaque para o
Valor Econômico, que teve um aumento de 414% em suas assinaturas digitais. O
Correio Braziliense também teve um aumento significativo: 179%.
Todos os veículos analisados no estudo sofreram queda na
circulação de suas versões impressas desde dezembro de 2014 até 2019. O jornal
com maior tiragem média de impressos foi o mineiro Super Notícia, com pouco
menos de 140 mil, cerca de 50% a menos do que a média registrada em 2014, mesmo
sendo o “melhor colocado”. O Estado de Minas foi o que mais reduziu sua tiragem
média de impressos, com números 72% inferiores.
Na soma da média de tiragem mensal das versões impressa e
digital, a Folha de S.Paulo tem os maiores números do ano. O estudo também
mostra a variação de custo das assinaturas e o comportamento das revistas Época
e Veja, que estão em queda livre. Confira
a íntegra no Poder360.
A consultoria Llorente & Cuenca (LLYC) lançou um relatório sobre o comportamento dos consumidores ao redor do mundo em 2020, trazendo as dez principais tendências que devem se destacar no mercado ao longo do ano.
O estudo apresenta três abordagens que devem ser levadas em
conta ao analisar o perfil dos consumidores e suas tendências de consumo: o
desafio demográfico, que se refere ao envelhecimento da população e à obsessão
por evitá-lo o máximo possível; os critérios econômicos, como a crise mundial e
perfis de consumo específicos que variam para cada pessoa e região; e a
evolução da tecnologia e o uso de dados, que aumentam o consumo por informações
e as recomendações de produtos através de algoritmos e Inteligência Artificial.
As tendências apresentadas mostram um aumento no consumo da
indústria alimentícia (Foodemic) e de beleza, principalmente nos
produtos que desaceleram o envelhecimento (Forever Young), além de
consumidores “cautelosos” em tempos de crise (Consumidor em crise) e um
aumento na quantidade de idosos no ativismo − visto hoje como uma tendência
global − graças ao envelhecimento das redes sociais (Ativismo pós-geracional).
Confira
o relatório na íntegra.
Quando
soubemos, no caderno de Geral do Diário Popular, em meados de 1996, que o nosso
futuro chefe seria um sujeito chamado José
Luiz Longo, que desconhecíamos totalmente – a não ser o fato de que ele era
próximo do diretor de Redação Josemar
Gimenez, com quem havia trabalhado junto em O Globo –, certamente todo
mundo pensou algo parecido: mais um burocrata para nos infernizar. Brincávamos
dizendo que de uma coisa a gente tinha certeza: ele devia ser um cara alto e
longilíneo, com aquele sobrenome. Quando o vimos, semanas depois do anúncio,
todo mundo se surpreendeu com aquele homem baixinho, nervoso, com uma barba
permanente em um rosto que denotava inteligência e sagacidade. Ato contínuo,
ganhou dos repórteres-fotográficos, sob a liderança do gozador Rubens Gazeta (alguém que, com esse
sobrenome, nasceu para trabalhar em jornal), o apelido de Toulouse Lautrec – referência ao pintor francês que viveu
entre 1864 e 1901 e se tornou conhecido por ter revolucionado o estilo dos cartazes
publicitários em sua época e por sofrer de uma doença recessiva que o
transformou num homem adulto com pernas curtas de criança, medindo apenas
1,52m. De fato, ambos tinham características físicas em comum, como a barba, os
óculos e a pequena estatura.
Aos poucos, fomos descobrindo que, se Toulouse Lautrec foi um gênio em sua época, ao pintar os cartazes de aviso do famoso Moulin Rouge, casa de espetáculos da boemia parisiense, de um modo completamente incomum, poder-se-ia dizer algo semelhante de Longo, um gênio em encontrar novos e interessantes ângulos para as matérias. Eu, então um jovem jornalista recém-formado, estava substituindo um repórter mais velho e experiente que convalescia de uma doença e, de cara, senti que ele gostou de mim. Houve uma tragédia causada pelas chuvas na região do Ipiranga e, junto com a colega Montserrat González, fui lá cobrir. Descobri, depois, que ele havia pedido para que ela, uma excelente repórter, acompanhasse meu trabalho. “O rapaz veio de assessoria de imprensa, sabe como é”, justificou. No fim do dia, a colega ofereceu um relatório muito favorável sobre minha atuação na reportagem.
Ele
começou, então, a me encomendar matérias interessantes, boa parte ligadas a
questões históricas, que havia percebido que eu gostava. Fui fazendo-as da
melhor forma possível. Poucos meses depois que ele entrou, fiquei sabendo que o
colega adoentado ia voltar, já estava recuperado. Perderia, então, o emprego.
Coisas da vida, problema algum, sabia que seria provisória minha estada naquela
que era uma fábrica de fazer bons repórteres, o Dipo, como chamávamos o jornal
e estava feliz por ter aprendido em meses o que levaria muitos anos para
aprender. No entanto, outra colega, creio que a Alessandra Pereira, me disse que ele havia reagido
desfavoravelmente à ideia da volta do repórter. “Não vou abrir mão do Moacir,
de jeito nenhum”, afirmara. Acabei ficando… e me tornei, de fato, repórter
nessa época. Comprovei, na prática, a máxima de Gabriel García Márquez, segundo a qual jornalista é “a melhor
profissão do mundo”.
Aos
poucos, Longo tornava-se querido e admirado pelos repórteres do Dipo, uma turma
que não perdia para ninguém em termos de cobertura, batendo com folga,
especialmente em Cidades, Esporte e Polícia, os colegas de redações então
poderosas como Estadão e Folha. E o chefe, também ativista dos direitos humanos
e um dos fundadores do coletivo Democracia Corinthiana, sempre sugerindo pautas
interessantes e inéditas, como já fizera em O Globo e no O Estado de Minas,
onde trabalhou também. Lembro-me que, uma vez perguntou-me se Rego Freitas,
nome da rua onde fica o nosso sindicato, era parente do Bento Freitas, rua
vizinha. Queria fazer uma matéria com o mote “unidos para sempre”. Não eram,
viveram em épocas diferentes.
Longo,
que perdemos em 22 dezembro de 2019, aposentado, mas ainda em atividade, era de
fato um mestre na pauta jornalística. Sacava da cartola, como um mágico, ideias
geniais para transformar em texto de jornal. Dizia algo que repito para meus
alunos hoje: a notícia está em todo lugar, basta observar.
Pouco
mais de um ano depois, fez-me uma sugestão: queria criar uma pequena coluna no
jornal, que sairia todo sábado, na qual contaríamos a história de um bairro.
Morador da Zona Norte toda sua vida, ele sabia da importância dos bairros para
uma cidade gigante como São Paulo, na qual, muitas vezes, a pessoa vive em um
ou dois distritos, sem precisar deslocar-se para praticamente nada. Aceitei o
desafio e começamos pela Mooca, região emblemática da cidade que, uma década depois,
se tornaria quase uma parceira, já que comecei a ministrar aulas na
Universidade São Judas Tadeu, que fica na Mooca e é um marco da região. Foi uma
verdadeira aventura essa coluna, que batizamos de Conheça seu bairro. Em pouco
mais de dois anos, contamos a história de nada menos que 120 bairros da
capital. Descobri que tinha gente que colecionava os textos, outros que os
mandavam para parentes em outras regiões. Conheci personagens
interessantíssimos, muitos dos quais levei para o caderno Seu Bairro, do
Estadão, no qual iria trabalhar depois. Enfim, a coluna fez-me conhecer São
Paulo, algo que não tem preço.
Outra
história curiosíssima, que o amigo Josmar
Jozino conta em seu livro Meio que em off (Letras
do Brasil), foi o texto que fiz sobre um bode fantástico que dava leite. Bicho
enorme e forte, ele era hemafrodita e vivia em um sítio na cidade de
Brazópolis, sul de Minas. Foi missão passada pelo Longo a partir de um sujeito
meio louco que apareceu no jornal – e foi conosco até o lugar. Ele me disse na
volta que havia sugerido ao prefeito da cidade que “desapropriasse” o animal.
Parecia história do Festival de Besteiras que Assola o País (Febeapá), do saudoso Stanislaw Ponte
Preta, que, em tempos de Bolsonaro, teria muito a escrever se estivesse por
aqui.
Em
1999, quando fui trabalhar no Estadão, o fato de ter passado pelo Dipo era uma
distinção importante. Os colegas que me conheciam da rua diziam que “se foi do
Dipo é bom, pode confiar” para os novos chefes que ainda não tinham tomado
contato comigo. Encontrei no Estadão e no JT gente como Josmar, Fábio Diamante, Marici Capitelli, Robson
Morelli, entre outros, que eram, como eu, egressos do Dipo. Entre os
motoristas, então, quase todos haviam trabalhado no matutino da Major Quedinho,
nome que relembra um personagem da Guerra do Paraguai. Estava em casa, enfim.
Voltei
a ouvir falar do Longo novamente porque ele havia mandado uma repórter, que
depois soube tratar-se da Marici, para “seguir uma nuvem de chuva”. A razão
para tão esquisito pedido era que o Dipo havia tomado um furo no dia anterior e
isso o Longo não admitia, ainda mais em tragédias da cidade, algo em que éramos
imbatíveis. A pobre repórter teve que ficar acompanhando, de carro, o
deslocamento de uma nuvem escura. E a história virou um folclore do jornalismo.
Era um pombo sem asa ou PSA, expressão com a qual Josmar designava as pautas
mais estranhas.
Quando
lancei o meu livro sobre a Revolução de 1924 – São Paulo deve ser
destruída, a história do bombardeio à cidade na Revolta de 1924 (Record) –, tive o prazer de contar com a
presença dele no debate na Livraria da Vila da Fradique Coutinho. Ele me falou,
então, a frase que jamais esquecerei: “Quando lia seus textos da história dos
bairros, pensava: esse rapaz é um historiador. Agora está aqui o historiador”.
Ainda me sugeriu escrevermos juntos um livro sobre a Mooca. Foi a última vez
que o vi com vida. Nos estertores de 2019, um choque: pelo Facebook a colega Gláucia Padilha avisava e, na
sequência, o também colega Dario
Palhares confirmava que ele havia morrido.
Longo, o grande repórter e chefe de Reportagem, uma das pessoas que mais reconheceu meu trabalho, jazia no velório de um cemitério da sua querida Zona Norte, na presença da mulher, Célia, dos filhos e da mãe. Mesmo adoentado, me disseram, não parava de bolar coisas para o jornalismo. Ainda era jovem, tinha apenas 62 anos, e se permitia sonhar. Foi enterrado em meio a palmas e sons da música Epitáfio, dos Titãs, que diz assim: “Devia ter amado mais, chorado mais, ter visto o sol nascer…”. Agora, como diz o colega Nelson Nunes, está seguindo nuvens no céu, na grande redação celestial. E, certamente, bolando pautas sensacionais. Abraço, amigo, siga em paz… tenha a certeza de que todos aprendemos muito com você.
Moacir Assunção
A história desta semana é uma colaboração de Moacir Assunção, jornalista, historiador e professor do curso de Jornalismo da Universidade São Judas Tadeu (SP).
Jesse Nilson, o Jotinha, repórter cinematográfico da Band-RS, está impossibilitado de realizar suas funções há quase dois anos, devido a complicações pós-cirúrgicas no coração. Em janeiro de 2018, ele teve um infarto, e a intervenção médica resultou em três pontes de safena. Depois do ocorrido, ele teve dificuldades para dar continuidade ao tratamento, pois não obteve suporte do SUS e o INSS negou o benefício de saúde a ele. Com fortes dores, não conseguia mais trabalhar.
“Senti muita dor no peito e nos ombros, não conseguia mais segurar
uma câmera”, contou Jotinha em entrevista ao Coletiva.net. Ele explicou também
que, apesar de ainda ser funcionário da Rede Bandeirantes, não recebe o salário
desde maio por causa do INSS. Jotinha foi diagnosticado tendinopatia do
supraespinhal, uma evolução de uma tendinite no tendão do ombro.
Ele fez um desabafo em suas redes sociais, expondo sua
situação: “Saí vivo do hospital, mas sem vida. Falhas no tratamento,
diagnósticos equivocados, medicamentos prejudiciais, avaliações imprecisas,
desrespeito médico, descasos judiciais sucessivos, desamparo do INSS,
incapacidade de atendimento do SUS e outras tantas coisas”.
O desabafo comoveu amigos e ex-colegas, que organizaram uma
vaquinha online para ajudar Jotinha a dar continuidade ao tratamento, pagar as
contas e outras necessidades básicas. A meta é arrecadar R$ 5 mil. Até esta
quarta-feira (29/1), tinha obtido aproximadamente R$ 3.7 mil. Contribua!
O jornal norte-americano The News & Observer desenvolveu um guia para ajudar empresas de jornalismo independente a conseguir financiamento para seus projetos. Com o crescimento de mídias independentes, aumentou muito a busca por organizações nacionais e internacionais que apoiam o jornalismo de qualidade e que possam providenciar a verba necessária para a produção dos trabalhos. E, nesse processo, surgem algumas dúvidas sobre o passo a passo para candidatar-se e conquistar a verba. O objetivo é acabar com essas dúvidas.
O guia explica algumas etapas essenciais no processo de
financiamento, como um roteiro para encontrar os financiadores; os documentos
necessários e recomendados para preparar antes de se candidatar; o estilo de
texto que deve ser utilizado na candidatura para o financiamento; como calcular
os orçamentos; o que fazer antes de assinar o contrato, entre outros. Confira
o guia na íntegra (em inglês).
No momento em que a tecnologia elevou à estratosfera o volume de notícias disponíveis e democratizou a forma de acesso a elas, um dos riscos para o jornalismo pode ser justamente a saturação. Essa é uma das ameaças apontadas pela relatório anual Journalism, Media and Technology Trends and Predictions 2020, elaborado pelo Instituto Reuters, sediado na Universidade de Oxford.
O estudo consolida a opinião de
233 profissionais que ocupam posições de comando em redações de 32 países,
colhidas por meio de um questionário fechado e comentários livres. O fenômeno
da “fadiga de notícias” não é o único paradoxo. Os entrevistados sinalizaram
confiança no negócio, mas ao mesmo tempo expressaram incertezas quanto à
qualidade da produção jornalística.
Quase 3/4 dos participantes disseram-se otimistas ou muito otimistas com as perspectivas de sustentabilidade financeira das organizações em que trabalham, o que o Reuters atribui ao sucesso de novos modelos de geração de receita que começam a frutificar. Por outro lado, 46% estão menos confiantes com o futuro do jornalismo. E menos ainda com o jornalismo de interesse público, salientando o declínio da imprensa regional e pressões para travar a atuação de profissionais que denunciam ricos e poderosos.
Karyn
Fleeting, do conglomerado de mídia britânico Reach, classificou
de “deprimentes e preocupantes” os ataques à mídia feitos por chefes de
estado, que se tornaram rotina aqui. A despeito de o primeiro-ministro Boris Johnson ter sido jornalista, a
relação de sua administração com a imprensa é tensa, com ameaças de suspender a
taxa obrigatória que sustenta a BBC e a licença do Channel 4.
O estudo revelou que 85% dos
consultados acham que a mídia deve fazer mais para esclarecer inverdades na
política, mas parte deles se ressente do baixo reconhecimento de iniciativas
nesse sentido pela audiência. E muitos observaram que tais iniciativas podem
ser em vão em um quadro em que líderes seguem a fórmula do presidente Donald
Trump, esvaziando a grande imprensa e dialogando com o público sem filtros por
redes sociais.
Os movimentos para regular as
plataformas tecnológicas, crescentes no Reino Unido e em outros países da
Europa, não são vistos como resposta para elevar a confiança geral. Mais da
metade (56%) dos editores que participaram da pesquisa acha que não haverá
impacto sobre o jornalismo. Mas 25% temem consequências negativas. O universo
pesquisado inclui representantes de mídias digitais, o que explica em parte
esse temor.
Inteligência artificial, a
próxima onda – Entre as tendências apontadas
pela estudo está o avanço da inteligência artificial, que o Reuters chama de “a
próxima onda de disrupção tecnológica”. As aplicações vão desde a apuração,
produção de textos e distribuição até o uso comercial, como otimização de paywall. Na visão de 52% dos
consultados, ela será muito importante este ano, mas empresas menores temem
ficar para trás.
Além dos questionamentos sobre
privacidade e democracia, entretanto, outra questão sobre inteligência
artificial emergiu. Um total de 24% dos participantes prevê dificuldades para
contratar e reter profissionais com expertise
em programação diante dos altos salários a eles oferecidos pelas empresas de
tecnologia. Por incrível que pareça, pode acabar sobrando vagas nas redações
por falta de gente qualificada.
A chave do cofre – E de
onde virá o dinheiro para a mídia? Para 50% dos que responderam ao
questionário, sairá direto do bolso de quem consome notícias. Apenas 14%
apostam em sustentabilidade financeira contando só com receitas publicitárias.
E 35% acham que será uma combinação das duas.
O relatório prevê que
organizações de mídia do mundo inteiro tentarão cada vez mais emular as
experiências das que já celebram crescimento como resultado de ações para
encantar leitores e espectadores, levando-os a pagar pelo conteúdo,
principalmente na Europa e nos Estados Unidos. Florescem aqui modelos criativos
que ressuscitaram títulos moribundos e deram origem a notáveis exemplos de bom
jornalismo.
Em contrapartida, há o risco de o
noticiário de qualidade ficar restrito à elite, restando aos menos abastados o
território caótico das redes sociais. O estudo registra ações já em curso
destinadas a neutralizar tal impacto, como eventos de engajamento e podcasts.
O
vigor do áudio é confirmado, mas o Instituto alerta para o desafio da
monetização. Muitos editores admitiram dificuldades para gerar receita com podcasts, ainda que reconheçam seu valor
no engajamento do público, sobretudo jovens. O Brasil é destacado como segundo
maior mercado consumidor de podcasts,
com citação ao projeto do Estadão em parceria com a Ford para criar um produto
diário no Spotify.
O documento do Instituto Reuters
é uma compilação de visões a partir de realidades nem sempre comparáveis à do
Brasil. Mas joga luz sobre tendências capazes de se estenderem para toda a
indústria, que merecem ser observadas tanto por executivos e editores
experientes como pelos que entram no mercado de trabalho.
Aprender programação pode ser a
diferença entre um futuro na redação do futuro ou um diploma guardado na
gaveta.
O Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira, que apontou nas últimas semanas os profissionais e veículos de comunicação que mais conquistaram prêmios de jornalismo em 2019 e na história, chega nesta edição ao seu último recorte: o dos Grupos de Comunicação. Maior conglomerado de mídia do Brasil, o Grupo Globo segue isolado na primeira colocação tanto do recorte histórico quanto no de 2019, e em ambos os casos tem a RBS, sua afiliada no Rio Grande do Sul, na segunda colocação.
O terceiro lugar no levantamento dos +Premiados do Ano ficou com a Rede Record, que se valeu do ótimo desempenho de sua principal emissora de TV em 2019, enquanto que no recorte histórico os Diários Associados mantiveram-se na posição pelo segundo ano consecutivo.
O Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) fez para o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) um relatório sobre os efeitos da crise no jornalismo para os profissionais da área. Segundo o estudo, que analisou dados de 2004 a 2018, o número de jornalistas com carteira assinada vem diminuindo desde 2013: Em 2018, foram registrados aproximadamente 13 mil profissionais, número que corresponde a uma redução de 20% do total de empregos com carteira assinada registrados em 2013 (pouco mais de 16 mil – maior número registrado no estudo).
A pesquisa aponta que o setor mais afetado é o de Jornais e
Revistas, cujos empregos diminuíram drasticamente: Desde 2013, quando existiam
aproximadamente três mil empregados, o segmento perdeu mais de dois mil
empregos, e em 2018 registrava apenas 1.173 jornalistas com carteira assinada
na área. O setor de Rádio e TV é o que mais se manteve estável em relação ao
número de empregos registrados.
A função com maior índice de registro em carteira é a de
editor (23%). Com apenas 4%, repórteres de Rádio e TV e produtores de texto
representam os menores índices. Outro dado relevante é que a maioria absoluta
dos profissionais atua em empresas privadas, cerca de 76% do total. O setor
público corresponde a aproximadamente 10%.
A BBC anunciou nesta quarta-feira (29/1) centenas de demissões em sua divisão de notícias, como parte da mais dolorosa redução de custos dos últimos tempos. Serão cortados na BBC News 450 postos de trabalho, o que visa a economizar 80 milhões de libras até 2022. Ainda não se sabe se os cortes atingirão a empresa no Brasil.
“A ideia é reunir equipes de apuração e produção dos vários programas, que hoje funcionam de forma isolada e com muita redundância, pequenos feudos”, analisa Luciana Gurgel, colunista deste Portal dos Jornalistas que vive em Londres. “É uma pena, mas empresarialmente faz sentido, principalmente no momento em que eles precisam fazer algo para se defender na questão da taxa. Vai ser interessante observar se vão ficar apenas no jornalismo, ou vão tesourar também o entretenimento, que é onde tem mais gente, mais feudos e maiores salários”.
Segundo Luciana, o mais importante disso é o que está nas entrelinhas: “A mudança do modelo de broadcasting para o modelo digital, que está lá no meio do comunicado. Que demanda menos gente, menos equipamento, menos tempo de edição. É claro que o sistema de pool para os programas que ficam na grade da TV é uma forma de economizar muitos postos. Mas penso que é mais do que isso. É uma adaptação ao mundo em que vai ter mais gente consumindo notícias por meio digital do que assistindo TV. Estamos no meio de uma revolução”.
Luciana abordou a crise da BBC na semana passada, em sua coluna na edição 1.240. Confira!
Após 160 anos da Imperial Comissão Científica e Comissão Exploradora das Províncias do Norte – mais conhecida como “Comissão das Borboletas” –, O Povo refez os percursos dessa que foi a primeira expedição científica formada só por brasileiros (entre 1859 e 1861). O objetivo foi, segundo o jornal, “buscar as histórias, os vestígios, as transformações e os saberes de hoje, produzidos por quem se debruça, nas universidades, sobre o que produziu a comissão no século XIX. E também o conhecimento da própria gente do povo, naturalistas de hoje, formados pela experiência”.
O resultado começa a ser publicado com o primeiro volume de Expedição Borboletas – Quando a ciência brasileira descobriu o Ceará, disponível em diversas plataformas: online (http://especiais.opovo.com.br/borboletas), webdoc e vídeos (YouTube) e Instagram (#ExpediçõesBorboletas). Confira bastidores e mais informações nos stories.