Regina Dourado passa a atuar como apresentadora titular do programa AgroNotícias, do AgroMais, projeto do Grupo Bandeirantes dedicado à cobertura do agronegócio. Ela estreou na nova função na segunda-feira (16/3).
A novidade marca o retorno de Regina à cobertura do setor. São anos de experiência cobrindo o agronegócio e passagens por Terra Viva, Canal Rural e o próprio AgroMais, atuando como repórter, produtora, editora executiva e apresentadora substituta. Nos últimos anos, atuou em outras editorias em projetos de jornalismo do Grupo Bandeirantes, como BandNews TV e na Bandeirantes da tevê aberta. Participou de programas como Melhor da Tarde e Bora Brasil, na reportagem e na apresentação dos projetos. Agora, no começo de 2026, assume a titularidade do AgroNotícias, que já havia apresentado anteriormente.
Em 2023, Regina esteve na lista dos +Admirados Jornalistas do Agronegócio, em eleição promovida por este Portal dos Jornalistas e Jornalistas&Cia. Também foi eleita uma das +Admiradas Jornalistas Negras da Imprensa Brasileira, em edições recentes da premiação. E no ano passado, ficou entre os TOP 100 +Admirados Profissionais do Brasil, em premiação especial de 30 anos do J&Cia.
Estão abertas as inscrições para o curso “Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar”, promovido pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública). A formação será realizada nos dias 21 e 28 de março, das 9h às 13h, em formato on-line, totalizando 8 horas/aula.
Ministrado pelo professor Wilson da Costa Bueno, referência nacional nas áreas de comunicação pública e científica, o curso aborda métodos, processos e experiências concretas de elaboração e gestão de políticas de comunicação em organizações públicas.
A proposta é discutir desde a construção coletiva do documento até sua implementação e atualização nas instituições, tema cada vez mais relevante para órgãos públicos que buscam organizar sua atuação comunicacional e fortalecer a transparência e o diálogo com a sociedade.
“O documento da Política de Comunicação deve ser resultado de um processo democrático que envolve a comunidade interna”, afirma Bueno. “Ele também precisa ser permanentemente atualizado, porque o universo da comunicação passa por mudanças rápidas e profundas.”
Durante o curso serão apresentados modelos de políticas de comunicação, etapas do processo de elaboração e experiências institucionais, com discussão de casos concretos envolvendo organizações como a Embrapa, a Câmara dos Deputados e o Instituto Federal de Santa Catarina.
Inscrições abertas para associados e público em geral
As inscrições estão abertas tanto para associados da ABCPública quanto para profissionais não associados interessados em aprofundar conhecimentos sobre gestão da comunicação no setor público.
Associados em dia com a entidade têm gratuidade na inscrição. Para não associados, o valor é R$ 360,00.
O curso também oferece um incentivo adicional: participantes recebem 10% de desconto na inscrição do Curso Completo de Comunicação Pública, realizado pela ABCPública em parceria com a Aberje.
A iniciativa integra o conjunto de ações da associação voltadas à qualificação de profissionais e gestores públicos, estimulando o desenvolvimento de práticas de comunicação alinhadas ao interesse público, à transparência institucional e à melhoria da relação entre Estado e sociedade.
Serviço
Curso: Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar Professor: Wilson da Costa Bueno Datas: 21 e 28 de março de 2026 Horário: 9h às 13h Carga horária: 8 horas Formato: On-line
Guilherme Amado, especializado na cobertura de política, anunciou sua saída do PlatôBR após 14 meses. Sua tradicional coluna, sobre os bastidores do poder e os principais assuntos da política nacional e internacional, migrará para o Amado Mundo, projeto editorial criado pelo próprio Amado no ano passado.
Amado, que agora estará 100% focado no Amado Mundo, levará também para o canal a equipe que o auxiliava com sua coluna no PlatôBR. São eles o subeditor João Pedroso de Campos (ex-Veja) e os repórteres Bruna Lima (ex-Metrópoles) e Gustavo Silva (ex-Veja e ex-O Globo). No Amado Mundo, eles farão parte de uma nova vertical focada em notícias e investigação.
A coluna de Amado seguirá sendo publicada no PlatôBR até sexta-feira (20/3). A estreia no Amado Mundo está marcada para a próxima segunda-feira (23/3). A coluna manterá seus padrões e formato e será publicada diariamente, agora no Amado Mundo.
“O canal (Amado Mundo) está crescendo num ritmo bom, e é coerente a incorporação da coluna. Agradeço ao PlatôBR por esses 14 meses de parceria. Publicamos investigações
importantes, como a revelação de que o deputado Alexandre Ramagem havia
fugido para os Estados Unidos”, declarou Amado, em release sobre a mudança.
Criada em 2019, na revista Época, do Grupo Globo, a coluna de Guilherme Amado tornou-se referência de cobertura dos bastidores do poder e de política nacional e internacional. Posteriormente, Amado assinou com o Metrópoles, levando consigo sua coluna, que foi publicada no portal até dezembro de 2024, quando foi para o PlatôBR.
A ex-primeira-dama Michelle Bolsonaro compartilhou em suas redes sociais um vídeo no qual a influenciadora bolsonarista Cris Mourão afirma que repórteres que cobriam a hospitalização do ex-presidente Jair Bolsonaro estariam desejando a morte dele. As imagens não mostraram, porém, nenhuma declaração dos jornalistas. Após a publicação do vídeo, profissionais de imprensa que foram reconhecidos receberam ataques e ameaças de morte.
No vídeo em questão, Cris Mourão filma os repórteres que estavam em frente ao hospital DF Star, em Brasília, onde Bolsonaro está internado. A influenciadora grita contra os comunicadores e insinua, sem provas, que eles estariam desejando a morte do ex-presidente. Mourão chega a filmar o crachá de uma assessora. No Instagram, Michelle Bolsonaro compartilhou o vídeo, com o texto: “Jornalistas reunidos desejando a morte de Bolsonaro e comemorando por ser sexta-feira 13”.
A filmagem acabou viralizando e repórteres que apareceram na gravação sofreram ataques e ameaças de morte. Ao menos dois deles registraram boletim de ocorrência após terem sido intimidados. Duas repórteres foram reconhecidas na rua e sofreram ameaças presenciais. Fotos de filhos e familiares dos jornalistas também foram usadas como intimidação. Além de Michelle, deputados aliados a Bolsonaro também compartilharam o vídeo.
No domingo (15/3), Cris Mourão publicou um vídeo em suas redes sociais sobre o ocorrido, e escreveu: “Minha intenção nunca é prejudicar ninguém, mas sim defender com unhas e dentes quem luta pela nossa nação”.
Entidades defensoras do jornalismo e da liberdade de imprensa, repudiaram o vídeo e as ameaças contra os repórteres. Em nota, a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas do Distrito Federal (SJPDF) escreveram que “é inadmissível que jornalistas, no pleno exercício de sua atividade profissional, sejam cercados e hostilizados na portaria de uma unidade de saúde. Mais grave ainda é o fato de que a violência física e verbal no local tenha sido amplificada por ataques virtuais coordenados. Essa exposição irresponsável resultou no vazamento de informações pessoais dos repórteres, que passaram a receber centenas de mensagens ofensivas e ameaças de morte em suas redes sociais”.
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) classificou o ocorrido como um “ataque direto à liberdade de imprensa e à democracia”, destacando que a ex-primeira-dama e parlamentares compartilharam o vídeo “sem qualquer verificação, disseminando mentiras e expondo profissionais de imprensa que estavam simplesmente exercendo seu trabalho. É inadmissível que parlamentares e figuras com espaço no debate público utilizem sua influência para orquestrar campanhas de difamação e incitar agressões contra profissionais de imprensa”.
Para a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), “esse tipo de prática não ameaça apenas indivíduos, mas representa um ataque direto à liberdade de imprensa e ao direito da sociedade à informação. É inadmissível que figuras públicas utilizem sua influência para difundir conteúdo falso ou estimular campanhas de difamação contra jornalistas”.
(Crédito: Rodrigo Mozelli – gerada com IA/Olhar Digital)
Por Álvaro Bufarah (*)
Durante décadas, a indústria musical treinou máquinas para reconhecer padrões: batidas, timbres, gêneros, BPM, tonalidade. Agora, com a parceria entre a Universal Music Group e a NVIDIA, o objetivo muda de escala. A inteligência artificial não quer mais apenas classificar músicas. Ela quer compreender música.
A criação do modelo Music Flamingo simboliza essa virada. Não se trata de um algoritmo que identifica refrões ou separa rock de pop. Trata-se de um sistema capaz de analisar faixas completas, captar arcos emocionais, interpretar contextos culturais e traduzir camadas simbólicas da experiência musical. Em outras palavras, a IA começa a ouvir música de forma menos mecânica e mais… humana.
Não é apenas um avanço tecnológico. É uma mudança de paradigma: a música deixa de ser tratada como dado bruto e passa a ser tratada como linguagem emocional estruturada.
Historicamente, a descoberta musical foi baseada em taxonomias pobres: gênero, década, artista, popularidade. Mesmo os sistemas de recomendação mais sofisticados ainda dependem, em grande parte, de correlações estatísticas: quem ouviu isso, ouviu aquilo.
O Music Flamingo promete algo diferente: compreender a música pelo que ela expressa, não apenas por quem a consome. Harmonia, progressão narrativa, tensão emocional, atmosfera, estilo cultural, densidade simbólica. A IA passa a operar não apenas no campo da estatística, mas no campo do sentido.
Isso desloca a curadoria musical de um modelo de mercado (baseado em massa) para um modelo quase semiótico: baseado em afinidades subjetivas profundas.
O Spotify sugere o que você provavelmente vai gostar. O Music Flamingo tenta sugerir o que ressona com quem você é.
O artista como coautor da máquina
O aspecto mais interessante da parceria talvez não seja o modelo em si, mas a criação da incubadora criativa. Diferentemente de outras iniciativas de IA musical, aqui os artistas não são apenas usuários – são coprodutores da tecnologia.
A incubadora da UMG e da NVIDIA inverte a lógica típica da IA generativa: em vez de treinar máquinas em cima da cultura e depois oferecer o resultado pronto, a proposta é desenvolver ferramentas junto com quem cria.
É uma tentativa explícita de evitar o fenômeno que já assombra o setor: a enxurrada de conteúdo genérico, repetitivo, artificialmente competente e culturalmente vazio – o chamado AI slop.
Nesse modelo, a IA não substitui o gesto criativo. Ela amplia o campo de experimentação, funcionando como lente, espelho, laboratório e não como atalho.
Outro elemento estratégico é a catalogação. O Music Flamingo não serve apenas para criar ou recomendar. Ele serve para organizar o próprio patrimônio musical da humanidade.
Com um catálogo como o da Universal, a IA passa a funcionar como um sistema de memória cultural ativa: capaz de mapear relações entre obras, estilos, períodos históricos e influências cruzadas.
Não é apenas um buscador melhor. É um sistema de cartografia simbólica da música global.
No limite, esse tipo de tecnologia pode redefinir como arquivos, bibliotecas, museus sonoros e plataformas de streaming estruturam seus acervos. A IA deixa de ser ferramenta de consumo e passa a ser infraestrutura cognitiva da cultura.
(Crédito: Rodrigo Mozelli – gerada com IA/Olhar Digital)
A parceria também escancara uma disputa estrutural: quem controla os dados culturais controla o futuro da IA. Treinar modelos musicais exige acesso a repertórios gigantescos – e é aí que entram as grandes gravadoras.
Diferentemente de startups que treinaram modelos com conteúdo capturado sem licença (como Udio e Suno), a UMG aposta em um modelo regulado: IA treinada apenas com obras licenciadas, com mecanismos explícitos de atribuição e remuneração.
É uma tentativa de transformar a IA musical em um sistema industrial legítimo, e não em uma economia paralela predatória.
No fundo, o acordo com a NVIDIA não é apenas tecnológico. É geopolítico dentro da indústria cultural: quem pode treinar, com quais dados, sob quais regras e com quem fica o valor gerado.
Talvez o maior risco da IA musical não seja estético, mas filosófico: a ideia de que a música poderia ser reduzida a um problema de engenharia. A parceria UMG-NVIDIA tenta responder a isso com uma tese clara: a música continua sendo humana, mas a inteligência artificial passa a ser parte do ambiente cognitivo da criação.
A IA não compõe sozinha. Ela sugere, analisa, contextualiza, expande, provoca.
Assim como o sintetizador não matou a música acústica, e o sampler não matou a composição, a IA tende a se tornar mais uma camada do ecossistema criativo – poderosa, ambígua, inevitável.
A diferença é que agora a tecnologia não apenas produz sons. Ela começa a entender por que eles importam.
E talvez seja exatamente aí que a música entra em sua fase mais radical desde o surgimento do fonógrafo: quando até as máquinas precisam aprender que, antes de ser dado, a música é experiência humana condensada em tempo.
Fonte primária
Universal Music Group (2026) – Press release parceria UMG + NVIDIA
IA e música
Stanford HAI – Generative AI in Creative Industries
MIT Technology Review – AI and the Future of Music
Berklee College of Music – AI in Music Production Report
Recomendação e descoberta
Spotify Engineering – How Recommendation Systems Work
Google DeepMind – Audio Representation Learning
Direitos autorais e IA
WIPO (World Intellectual Property Organization) – AI and IP
European Commission – Copyright in the Age of Generative AI
Recording Industry Association of America (RIAA)
Álvaro Bufarah
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
As desgraças do mundo foram tantas que quase desnecessário é dizer que já não cabem no balaio do passado. E por não caberem completamente nesse balaio, dificilmente caberão no espaço do presente que vivemos.
E as desgraceiras do futuro, hein?
Antes da cegueira dos olhos, a humanidade quase toda sempre foi cega. Metaforicamente falando, claro. Claríssimo, não é mesmo?
A história conta das pequenas e grandes guerras provocadas pela estupidez humana.
Pois é, a história se repete.
Na Antiguidade as pessoas portadoras de qualquer tipo de deficiência eram descartadas do meio social já logo ao nascer.
Essas pessoas já não são mais eliminadas como nos tempos de antanho, mas ainda assim comem o pão que o diabo amassa e torra nos fornos do Inferno.
As pessoas cegas hoje somam-se aos milhões mundo afora. E grave, mas gravíssimo mesmo, é sabermos dos números absurdos referentes às pessoas desprovidas de visão nos olhos que são violentadas de todas as formas no dia a dia cachorro que vivemos.
Saber que crianças cegas são violentadas física e sexualmente no seio familiar, mais das vezes, é nos deixar de crer no próximo, não é?
Tereza Batista Cansada de Guerra (1972), romance de Jorge Amado (1912-2001), começa de modo a nos sangrar o coração.
A Tereza do Jorge, órfã de pai e mãe aos 8 anos, é vendida pela tia Felipa ao capitão canalha Justiniano Duarte da Rosa. Esse tal é um pedófilo que deveria ter nascido morto. Rico e violento, compra meninas na flor da idade com o propósito de deflorá-las. E isso o faz dezenas e dezenas de vezes, impunemente. Mas seus dias estão contados, desde o momento que ele faz o que faz com a pequena Tereza, no tempo dos seus 12 anos de idade.
Até conseguir violentar a menina Tereza, apanha dela e quase sai cego, depois de atingido por suas unhas cravadas no rosto.
Enfim, dias contados…
Tereza finda por matar o seu algoz com uma bem dada facada nas costas, enquanto ele a esbofeteava.
Enfim, a vida passa que nem uva e como espinhoso cacto, duro, Tereza transforma-se numa espécie de heroína das mulheres até então desvalidas, como ela. Briguenta que só!
Muitos livros do bom baiano Jorge Amado têm a mulher como heroína.
As heroínas de Jorge vêm sempre dos cafundós do Judas. Das quebradas, do bem longe que nem os olhos veem.
Dentre os livros com heroínas do Jorge destaque para, além da aqui já citada Tereza, Gabriela (1958), Dona Flor (1966) e Bernarda de Tocaia Grande (1984).
Claro, há também grandes heróis criados por Jorge. Entre esses, Joaquim, de A Morte e A Morte de Quincas Berro D’Água (1959).
O Anuário Brasileiro de Segurança Pública divulgou dados em 2025 dando conta de que em 2024 o Brasil bateu triste recorde de 87.545 estupros: 77% das vítimas tinham menos de 14 anos e 88% eram do sexo feminino.
Os romances de Jorge Amado quase sempre mostram as vivências do povo do Nordeste, especialmente de Bahia e Sergipe.
A citação a sergipanos e sergipanas deve-se certamente ao fato de o autor ter morado em Sergipe nos seus tempos de rapaz.
O machismo corre solto em Tocaia Grande, Dona Flor, Gabriela…
Gabriela Cravo e Canela começa com um duplo homicídio. O autor é traído pela mulher com um dentista. Os dois morrem na hora.
Pois é, não é só na literatura que o machismo encontra espaço.
Em 2024 registraram-se, no Brasil, 1.492 feminicídios e 3.870 tentativas de feminicídio.
Flavio Dino e Alexandre de Moraes (Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil)
Entidades defensoras da liberdade de imprensa consideraram preocupante a decisão do ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), Alexandre de Moraes, que determinou a realização de busca e apreensão na residência do comunicador maranhense Luís Pablo Conceição Almeida, responsável pelo site Blog do Luís Pablo. A medida, solicitada pela Polícia Federal, investiga um suposto crime de perseguição contra o também ministro do STF, Flávio Dino.
Em seu blog, Luís Pablo publicou reportagens sobre um automóvel utilizado por Flavio Dino. Nos textos, o comunicador afirma que o ministro estaria utilizando um veículo blindado do Tribunal de Justiça do Maranhão para viagens particulares em São Luís (MA). Junto aos textos, Luís Pablo publicou também fotos do carro.
Segundo a decisão, as postagens podem configurar crime de perseguição e exposição de informações que poderiam colocar em risco a segurança de Dino e sua família. Para Moraes, Luís Pablo pode ter realizado monitoramento e vigilância do veículo e divulgou dados que podem afetar a integridade física ou psicológica da vítima. O magistrado mencionou ainda a possibilidade de participação de outras pessoas na obtenção das informações.
Baseando-se nestes indícios, Moraes autorizou a realização de busca e apreensão na residência de Luís Pablo. Foram apreendidos computadores, tablets, documentos e outros dispositivos eletrônicos para análise. A decisão determinou ainda a coleta e preservação das publicações feitas pelo jornalista na internet e em redes sociais.
Entidades defensoras da liberdade de imprensa consideraram a decisão preocupante. Em nota conjunta, Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert), Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner) e Associação Nacional de Jornais (ANJ) escreveram que “a atividade jornalística, independentemente do veículo e de sua linha editorial, conta com a proteção constitucional do sigilo da fonte. Qualquer medida que eventualmente viole tal garantia deve ser entendida como um ataque ao livre exercício do jornalismo. O fato de a decisão se inserir no chamado inquérito das fake news, que não tem objeto determinado ou prazo de duração, e ainda ser aplicada a uma pessoa que não conta com prerrogativa de foro, torna ainda mais grave a situação”.
Para a Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji),”ainda que a informação divulgada fosse sigilosa, já ficou pacificado no Judiciário brasileiro que o jornalista tem o direito de publicar informações – sigilosas ou não – de interesse público. E não pode ser criminalizado por isso. O jornalismo deve ser exercido com responsabilidade, prezando pela verificação das informações e a preservação da segurança dos envolvidos. No entanto, ao autorizar a busca e apreensão de celulares e computadores de um jornalista, o ministro também pode acabar por violar o direito ao sigilo da fonte, garantia constitucional de jornalistas no Brasil”.
Enquanto outras guerras – em Gaza e agora no Irã – reduziram a atenção internacional sobre o conflito que já se estende há quatro anos na Ucrânia, seus efeitos devastadores para o jornalismo continuam no centro das preocupações com a liberdade de imprensa na Europa.
É o que aponta o relatório On the Tipping Point: Press Freedom 2025, publicado na semana passada pelo Conselho da Europa como resultado de um trabalho conjunto de 15 organizações, entre elas Federação Internacional de Jornalistas (IFJ), Repórteres Sem Fronteiras, Comitê para a Proteção de Jornalistas, PEN International, Article 19, Index on Censorship e European Broadcasting Union.
Segundo o documento, a liberdade de imprensa continuou sob pressão constante na Europa em 2025, afetada por intimidações jurídicas e digitais, ataques físicos, tentativas de captura da mídia e repressão transnacional.
A guerra entre Rússia e Ucrânia é apontada como a ameaça mais grave aos jornalistas na região. De acordo com registros do Conselho, quatro profissionais morreram, outros ficaram feridos, e muitos seguem detidos em territórios ocupados ou continuam desaparecidos.
Fora da zona de guerra, o cenário também é marcado pela violência física. O relatório afirma que jornalistas em diversos países europeus têm sido frequentemente agredidos durante protestos, por agentes policiais, ativistas políticos e manifestantes.
Esse tipo de ataque foi relatado em um quarto dos países abrangidos pelo levantamento, com os níveis mais altos registrados em Geórgia, Sérvia e Turquia.
O documento também reúne casos de prisões, espionagem com softwares de vigilância, processos judiciais intimidatórios (conhecidos como SLAPPs), interferências políticas em veículos de imprensa e um problema histórico que segue comprometendo a atividade jornalística: a falta de financiamento.
Leia a matéria completa e acesse o relatório em MediaTalks.
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Por Lília Gomes de Menezes, Vice-presidente de Comunicação da ABCPública
“Houve uma falha de comunicação!” Em quase todas as crises, no setor público ou privado, essa costuma figurar entre as causas diagnosticadas quando se busca entender por que uma ação não produziu os resultados esperados pela gestão. Mesmo sendo identificada e mencionada com frequência, há décadas, no âmbito organizacional, o seu índice de recorrência parece não baixar.
São vários os fatores que podem contribuir para esse cenário. Entre eles estão a estrutura precária das áreas de comunicação, o baixo investimento em qualificação profissional, o não posicionamento da área como estratégica. No âmbito da administração pública, o que se observa é que entre a lei e a prática, em geral, o caminho costuma ser longo.
Desde a Constituição de 1988, quando o direito à informação foi introduzido na categoria de direitos fundamentais, o poder público passou a ter o dever de assegurá-lo ao cidadão, tanto quanto outros direitos sociais como saúde, educação, lazer, trabalho digno. Os governos estão obrigados a assegurar ao cidadão esse direito em suas três perspectivas: “de ser informado, de se informar e de informar”, como descreveu o jurista portugues José Gomes Canotilho, em 1993. Isso porque o acesso a qualquer outro direito, depende necessariamente da plena oferta do direito à informação, por meio do qual o cidadão poderá conhecer as regras do jogo, cumprir seus deveres, exercer os direitos, ter voz para defender suas necessidades, fiscalizar a aplicação do dinheiro público.
A simples introdução do direito à informação na categoria de direito fundamental sinaliza a obrigatoriedade de os governos investirem na estruturação de canais de interação com o cidadão, que possibilitem a concretização dos direitos de ser informado e de se informar. Isso quer dizer que, para além de traduzir os serviços, atribuições, obrigações do órgão público, há que se estruturar e dar funcionamento efetivo aos canais de recebimento e oferta de respostas às demandas levadas pelo cidadão.
A máquina pública brasileira movimenta um orçamento da ordem de trilhões. De acordo com o site do Senado, para 2025 foram previstos R$ 245 bilhões para despesas com a saúde pública, R$ 226 bilhões para a educação, R$ 972 bilhões da Previdência Social (LOA 15.121). Traduzir em ações comunicativas a avalanche de informações que perpassa a gestão de tantos orçamentos, desde a entrada do dinheiro em caixa até a sua entrega em forma de serviço ao cidadão, exige estruturas de comunicação pública qualificadas, independentes, multidisciplinares e, obrigatoriamente, capazes de entrar em relação com todos os segmentos da diversa população brasileira.
Seja na seleção do assunto e de fontes, no formato do conteúdo, na escolha da linguagem, colocar o cidadão no foco da agenda dos canais de comunicação dos órgãos públicos deve ser a escolha óbvia e consensual na administração pública.
No entanto, não se chega a esse patamar sem uma hierarquia normativa que sustente a independência de atuação das áreas de comunicação. A largada foi dada em 1988 com a Constituição Federal; depois fortalecida por legislações infraconstitucionais como a Lei da Transparência (LC nº 131/2009) e a Lei de Acesso à Informação (Lei nº 12.527/2011).
Agora, é a hora e a vez dos atos administrativos, como políticas de comunicação, que assegurem o cumprimento dos princípios da comunicação pública no âmbito de cada órgão ou ente público, dando perenidade a projetos, e protegendo as iniciativas de comunicação de mudanças apenas por receber uma nova administração.
A Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) acaba de publicar a Recomendação nº 1/2026, que trata da carreira do comunicador público, um documento que sinaliza pilares fundamentais para a entrega de comunicação fundada nos princípios da comunicação pública.
O documento pontua, dentre outras necessidades, a consolidação de políticas de comunicação, a formação contínua de profissionais, a estruturação de carreira com contratação por concurso público, a revisão de planos de cargos e salários, o posicionamento da comunicação como área estratégica.
Ao contrário de uma lógica arraigada na área pública, baseada na visibilidade pessoal ou a mera propaganda institucional, a efetiva interlocução com o cidadão, por meio de uma comunicação bem estruturada, pontual e estratégica, reforça a legitimidade e aumenta a credibilidade. Esse é o alicerce sólido que sustentará a instituição em situação de crise e, com certeza, tem potencial para reduzir a incidência do recorrente e desgastado diagnóstico: “houve uma falha na comunicação”.
A Agência Mural iniciou a votação para a 2ª edição do Prêmio Mural de Jornalismo Local 2026, que escolherá as melhores reportagens publicadas pela rede de correspondentes do veículo ao longo de 2025. Nesta edição, além da votação do júri, haverá também votação popular, na qual os leitores da Mural ajudarão a escolher os melhores trabalhos. A votação vai até 25/3.
São ao todo 55 reportagens divididas em sete grandes categorias: Democratize-se, sobre política e direitos humanos, com reportagens que abordam temas como moradia, enchentes e racismo ambiental; No Corre, voltada para economia e trabalho, com trabalhos que vão desde o cachorro-quente de Osasco até o futebol de várzea na zona leste; Ponto a Ponto, focada em transporte e mobilidade, com matérias sobre mudanças em itinerários de ônibus e histórias de apaixonados por kombis; Em Rolê, sobre cultura, gastronomia e esporte, com reportagens sobre memórias de bairro, artistas periféricos, cultura do skate e expressões das quebradas; Sobre-Viver, voltada ao meio ambiente e à saúde, com trabalhos envolvendo mudanças climáticas, aterros sanitários e famílias em situação de risco; e Vale Nota?, com foco em educação, que tem histórias sobre iniciativas de educadores, escolas improvisadas e o fechamento de unidades escolares.
Além do prêmio de votação popular, a Agência Mural reconhecerá a melhor reportagem em cada uma das categorias e premiará também o correspondente que mais publicou no período e também a reportagem com maior audiência.