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segunda-feira, abril 13, 2026

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Repórter da CNN denuncia ameaças de seguranças de Bolsonaro

A repórter Carla Bridi, da CNN Brasil, denunciou em seu Twitter um episódio de hostilização e ameaças contra a imprensa por parte de seguranças do presidente Jair Bolsonaro, no Palácio da Alvorada. Eles pediram para que os jornalistas presentes não fizessem matérias sobre a confusão, em troca de não anotar os nomes deles. Um dos seguranças teria inclusive tirado a arma do cinto.

Repórter da CNN diz que seguranças de Bolsonaro ameaçaram imprensa no Palácio da Alvorada
Carla Bridi

Bridi escreveu no Twitter que, após o pronunciamento do presidente no último domingo (2/5), no Palácio da Alvorada, a equipe da CNN entrou no carro da emissora para seguir o comboio presidencial: “Ao entrarmos no carro, gritaria − segurança sem máscara começou a nos ameaçar, colocou a mão em cima da arma. Dois colegas de outros veículos foram ameaçados por outro segurança − esse de fato tirou a arma do cinto.

A imprensa não pôde ficar no carro para esperar o comboio sair, então os jornalistas retornaram para a sala de imprensa. Bridi contou que, ao sair do carro, um “segurança disse que iria anotar os nomes de todo mundo e perguntou o meu. Falei que não iria passar nome nenhum”. Em seguida, um dos apoiadores do presidente “usou os piores palavrões para se dirigir à imprensa”, descreveu Bridi.

Por fim, a repórter da CNN resumiu o episódio como “hostilização por parte de seguranças e apoiadores do presidente, em pleno domingo de plantão”. Em nota, a CNN Brasil declarou que “repudia intimidações a jornalistas e ameaças à liberdade de expressão, e defende a imprensa independente, garantida pela Constituição, como um alicerce do estado democrático de direito”.

Sobre o ocorrido, o Gabinete de Segurança Institucional (GSI), responsável pela segurança do presidente da República, escreveu que os jornalistas presentes não cumpriram os protocolos para esse tipo de evento e que o relato de Bridi “distorce o fato ocorrido e carece de credibilidade”.

Um trecho da nota diz que “alguns repórteres, julgando, erradamente, que o presidente sairia do Alvorada, tentaram se deslocar para seus carros, com o objetivo de segui-lo, sendo impedidos pela segurança no estacionamento. Ato contínuo, houve ofensas aos agentes de serviço que, corretamente, executaram as normas vigentes até o retorno do comboio para o interior da Residência Oficial”.

Webinar gratuito discute jornalismo local e liberdade de imprensa

Webinar gratuito discute jornalismo local e liberdade de imprensa
Webinar gratuito discute jornalismo local e liberdade de imprensa

A Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB-SP, a Associação Nacional de Editores de Revistas (Aner), a Associação Brasileira de Emissoras de Rádio e Televisão (Abert) e a Associação Nacional de Jornais (ANJ) promovem nesta segunda-feira (3/5), Dia Mundial da Liberdade de Imprensa, às 18h, o webinar gratuito Jornalismo Local e Liberdade de Imprensa.

Webinar gratuito discute jornalismo local e liberdade de imprensa

 

O evento terá abertura de Rafael Menin Soriano, presidente da Aner, ao lado de Caio Augusto Silva dos Santos, presidente da OAB-SP. Participam Vanessa Ribeiro Mateus, juíza de Direito no Estado de São Paulo; Rodolfo Schneider, diretor executivo de Jornalismo e âncora da Bandnews FM do Rio de Janeiro; e Fabrício Carareto, editor-executivo do Diário da Região, de São José do Rio Preto (SP). A moderação será do advogado constitucionalista André Marsiglia, e o encerramento, de Marina de Lima Draib, presidente da Comissão de Liberdade de Imprensa da OAB-SP.

O webinar será realizado via Zoom. Os inscritos receberão o link para acesso a sala do aplicativo assim que realizarem a inscrição. Os participantes receberão um certificado via e-mail. A organização do evento reitera que “fica sob total responsabilidade do participante renomear seu nickname (no Zoom). Não haverá nova emissão de certificado para nome declarado incompleto e ou errado”.

UOL lança espaço de conteúdo para cinco clubes do futebol brasileiro

O UOL Esporte lançou hoje (3/5) o espaço de conteúdo Meu Time Agora, voltado para cinco clubes do futebol brasileiro − Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo.
O UOL Esporte lançou hoje (3/5) o espaço de conteúdo Meu Time Agora, voltado para cinco clubes do futebol brasileiro − Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo.

O UOL Esporte lançou hoje (3/5) o espaço de conteúdo Meu Time Agora, voltado para cinco clubes do futebol brasileiro − Corinthians, Flamengo, Palmeiras, Santos e São Paulo. A ideia é deixar o torcedor completamente informado sobre tudo o que acontece no seu time em tempo real através de matérias, reportagens e posts.

A equipe do UOL Esporte vai abastecer o feed dos clubes diariamente com vídeos, posts de redes sociais, quizzes, fotos, enquetes, análises, estatísticas e agendas.

Por meio desse espaço, o leitor encontrará em um só lugar tudo aquilo que gira em torno do seu time do coração, desde o que aconteceu durante as partidas até os bastidores do jogo. Além de acompanhar também o dia a dia dos atletas.

E mais:

Depois de Guilherme Amado, Metrópoles anuncia Ricardo Noblat

Ricardo Noblat
Ricardo Noblat / Foto: Sergio Dutti/Veja

O portal Metrópoles, com sede no Distrito Federal, segue reforçando sua equipe de colunistas. Depois de anunciar na última semana a contratação de Guilherme Amado (ex-Época), agora é a vez Ricardo Noblat chegar à publicação comandada por Lilian Tahan.

O jornalista, que nos últimos anos manteve seu blog na Veja.com, onde era responsável pela maior audiência do site da revista, estreou no último sábado (1º/5). Com isso, seus textos deverão ganhar ainda mais amplitude, uma vez que o Metrópoles mantém todo seu conteúdo aberto, sem paywall, o que não ocorre no site da Veja.

Ricardo Noblat
Ricardo Noblat / Foto: Sergio Dutti/Veja

Segundo apuração do Comunique-se, assim como no caso de Guilherme Amado, Noblat leva consigo seus atuais colaboradores. “Ao lado de seus parceiros de coluna, o jornalista levará conteúdos como análises políticas, as tradicionais frases do dia e ainda abrirá espaço para veiculação de charges que, com bom humor, ajudam a explicar o que ocorre no Brasil e no mundo”, destacou a reportagem. “Além disso, há a expectativa de que a equipe da coluna editada por ele ganhe reforço no decorrer dos próximos meses”.

FIJ contabiliza o assassinato de 65 jornalistas em 2020

A Federação Internacional dos Jornalistas (FIJ) divulgou a 30ª edição de seu informe anual, que reúne informações sobre violência contra a imprensa. Segundo a entidade, 2020 registrou um total de 65 profissionais assassinados em todo o mundo, 17 a mais do que em 2019. Desde 1990, quando o levantamento começou a ser produzido, a entidade já registrou 2.680 jornalistas e trabalhadores dos meios de comunicação assassinados.

Pela quarta vez em cinco anos o México apareceu no topo da lista. Foram 14 assassinatos, seguido por Afeganistão (10), Paquistão (9), Índia (8), Filipinas (4), Síria (4), Nigéria (3), Iêmen (3), Iraque (2) e Somália (2). Bangladesh, Camarões, Honduras, Paraguai, Rússia e Suécia registraram um assassinato cada.

Região que compreende Ásia e Oceania lidera como a que mais matou jornalistas em 2020

Entre as principais razões da crise de segurança no jornalismo, o informe cita o crime organizado, os grupos extremistas e a violência sectária, que seguem semeando o terror entre os jornalistas, dezenas dos quais perderam sua vida por informar de forma independente em todas as partes do mundo.

“Neste sentido, 2020 não foi uma exceção”, explica Anthony Bellanger, secretário-geral da FIJ. “O poder do crime organizado no México, a violência de grupos extremistas no Paquistão, Afeganistão e Somália, assim como a intolerância dos grupos partidários das linhas mais duras na Índia e Filipinas têm contribuído para o contínuo derramamento de sangue nos meios de comunicação”.

O informe também ressalta o compromisso da Federação de seguir com sua campanha contra a impunidade, pressionando aos governos para que estejam à altura de suas responsabilidades e investiguem todos os assassinatos de jornalistas. A FIJ propõe a adoção de uma Convenção Internacional para a Proteção e a Segurança dos Jornalistas por parte da Assembleia Geral das Nações Unidas.

Pela primeira vez, o Informe inclui uma lista de jornalistas que estão detidos por suas reportagens e informações. Segundo os dados da FIJ, o número de jornalistas em prisões em março de 2021 é superior a 229. “Nenhuma democracia digna pode deter os mensageiros da liberdade de expressão. Todo dia, a FIJ trabalha ativamente pela liberação imediata e incondicional de todos os nossos companheiros injustamente encarcerados”, conclui Bellanger.

Confira a íntegra do relatório.

Faustão assinará contrato de cinco anos com a Band

Faustão assinará contrato de cinco anos com a Band
Faustão assinará contrato de cinco anos com a Band

O apresentador Fausto Silva, o Faustão, que deixará a Globo no final de 2021, após 33 anos de casa, assinará na próxima semana um contrato de cinco anos com a Bandeirantes, valendo a partir de 2022. A informação é de Daniel Castro, do Notícias da TV (UOL). A ideia é que ele apresente um programa semanal no início das noites de domingo ou um diário, encerrando o horário nobre.

Faustão retornará à Band, onde esteve de 1984 a 1988 no comando do Perdidos da Noite, programa que expunha bastidores e erros de produção, um marco para a época. O apresentador não aceitou a proposta da Globo de migrar para as noites de quintas-feiras, com uma projeção de faturamento menor. Ao Notícias da TV, a Band confirmou e celebrou a contratação de Faustão para seu quadro.

O último Domingão do Faustão irá ao ar em 26 de dezembro, com uma edição especial do Troféu Mario Lago, que homenageia quem se destaca nas artes populares.

Repórter esportivo do Estadão e de rádios como Jovem Pan e Globo nos anos 1970 e 1980, Faustão estreou na televisão na TV Gazeta em 1984, no comando do Perdidos na Noite, que na época fazia parte da programação da emissora. Depois, o programa passou pela Record antes de ingressar na Band, em abril de 1986. Em 1989, o apresentador estreou na Globo, já com o Domingão do Faustão. Em 1995, criou o quadro Melhores do Ano, que premia até hoje o elenco da Globo com categorias que vão da Dramaturgia ao Jornalismo.

Artigo 19 lança publicação sobre segurança de mulheres em protestos

A Artigo 19, organização que atua por direito ao acesso à informação, liberdade de expressão e manifestação lançou, neste mês de abril, a publicação Amiga, chegou? Cuidado e segurança de mulheres em protestos na América Latina.
A Artigo 19, organização que atua por direito ao acesso à informação, liberdade de expressão e manifestação lançou, neste mês de abril, a publicação Amiga, chegou? Cuidado e segurança de mulheres em protestos na América Latina.

A Artigo 19, organização que atua por direito ao acesso à informação, liberdade de expressão e manifestação lançou, neste mês de abril, a publicação Amiga, chegou? Cuidado e segurança de mulheres em protestos na América Latina. Escrito pela professora e antropóloga Rosana Pinheiro Machado, o documento traz resultados de uma pesquisa feita para identificar os principais desafios, riscos e vulnerabilidades que diferentes tipos de mulheres possuem em contextos de protestos. Aponta, também, as estratégias de cuidado que as ativistas têm desenvolvido para diminuir esses riscos.

A pesquisa qualitativa contou com a participação de várias organizações e foi realizada entre 20/8 de 2020 e 20/1 de 2021. Na primeira etapa, foi realizado um workshop com especialistas para e identificar os desafios enfrentados por mulheres em protestos. Logo depois, uma revisão bibliográfica com palavras-chave relacionadas ao tema central e, por último, entrevistas.

Foram entrevistadas ativistas argentinas, brasileiras e chilenas para que pudessem apresentar suas principais questões relacionadas à segurança no ato de se manifestar.

Uma das entrevistadas, a brasileira Amanda, 24 anos, militante autonomista, relatou que homens se sentem autorizados a bater nas mulheres que estão dentro da manifestação, principalmente nos atos feministas e pró-aborto. A brasileira diz já ter presenciado uma tentativa de atropelamento das meninas que se manifestavam, e que ela própria foi agredida e chamada de “vagabunda” por homens que tentavam tomar sua faixa.

O risco não está apenas nas ruas. O ato de chegar em casa não significa necessariamente estar segura. Muitas entrevistadas relataram desafios enfrentados dentro de casa, com familiares e, além disso, violências sofridas também dentro do ambiente virtual.

“Quando falamos de segurança das mulheres que protestam é preciso pensar para além dos atos de ir, atravessar e voltar de uma marcha, mas também refletir sobre todas as consequências – e punições sociais – que essa mulher poderá sofrer por exercer o seu direito à manifestação”, afirma o estudo. “Esse processo de retaliação, que muitas vezes corrói a subjetividade, o empoderamento e a autoestima proporcionada pelo coletivo de mulheres, ocorre simultaneamente online e off-line”.

O documento apontou ainda que a segurança das mulheres precisa ser pensada de forma holística, refletindo sobre os cuidados que envolvem o antes, o momento da manifestação, a volta pra casa e as violências que ainda seguem pós-protestos; precisa ser pensada de forma interseccional: mulheres singulares possuem demandas singulares e, por isso, a transversalidade das lutas é fundamental para que se possa tratar do tema de forma interseccional; e que a violência sexista é estrutural e as lutas também: a mais eficiente medida protetiva para mulheres que protagonizam protestos são os próprios protestos, pois é neles que, em última instância, se luta para acabar com a lógica autoritária, sexista, racista e heteronormativa.

E mais:

Jornalistas espanhóis são executados após sequestro na África

Os jornalistas espanhóis David Beriain e Roberto Fraile foram mortos enquanto produziam documentário sobre caça ilegal na África
Os jornalistas espanhóis David Beriain e Roberto Fraile foram mortos enquanto produziam documentário sobre caça ilegal na África

Foram encontrados na última terça-feira (27/3) os corpos dos jornalistas espanhóis David Beriain e Roberto Fraile. Eles estavam produzindo um documentário sobre a caça ilegal de animais em Burkina Faso, país do noroeste africano, quando foram sequestrados um dia antes.

Os jornalistas espanhóis David Beriain e Roberto Fraile foram mortos enquanto produziam documentário sobre caça ilegal na África
Os jornalistas espanhóis David Beriain e Roberto Fraile foram mortos enquanto produziam documentário sobre caça ilegal na África

Eles estavam em uma operação próximo à fronteira com o Benin, acompanhados por cerca de 40 policiais. Segundo informações iniciais, um grupo ainda mais numeroso de homens fortemente armados realizou uma emboscada e sequestrou diversas pessoas que participavam da operação. A região é conhecida pela forte presença de caçadores ilegais, grupos terroristas e jihadistas.

Especializado em coberturas de alto risco, David Beriain tinha 44 anos. Em seu currículo está a produção da série documental Clandestino, sobre organizações criminais mais perigosas do mundo. Um dos episódios mostrou a indústria de sequestros na Venezuela. Outras investigações da série incluíram países como Itália, Albânia, México, Guatemala, El Salvador e Colômbia.

Roberto Fraile tinha 47 anos e era um videomaker freelance com experiência em áreas de conflitos armados. Em 2012 ele se feriu na cidade de Alepo ao cobrir o conflito na Síria. Operado de urgência em um hospital da cidade, naquela ocasião acabou transferido para a Turquia.

 

E mais:

Obrigado, Alípio

Juro que pensei que Alípio Freire, jornalista que fez história por suas seriedade e inteligência, fosse escapar da Covid. A cada “boletim médico” que Rose Nogueira postou nos últimos dias no grupo ABI São Paulo logo batia um sentimento difuso de muita esperança e um certo desalento.

Assim, na manhã de 22 de abril, Dia da Terra, chegava a notícia: Alípio não resistiu. Imediatamente nossos grupos de zap foram tomados por mensagens de pesar e homenagens, partindo de jornalistas do Brasil inteiro. De Brasília, Helio Doyle; do Rio, Fichel Davit, presidente do Conselho Deliberativo da ABI; e boa parte do grupo de zap Liberdade de Expressão, como Cristina Tavares, Moema, entre tantos outros.

Cid Benjamin foi um dos primeiros a lembrar do velho amigo, com quem havia conversado dois dias antes da internação sem volta. Pude também acompanhar os muitos pesares e lembranças pelos grupos da Comissão Justiça e Paz de São Paulo e do Instituto Vladimir Herzog.

Bem que Alípio merece estas homenagens todas.

Alípio, aliás, deixou um vínculo fortíssimo com a ABI. Com a criação pelo doutor Barbosa Lima da representação da nossa entidade aqui em São Paulo, Alípio foi o primeiro presidente da diretoria (1978-1980). Participou, em nome da ABI, de todos os movimentos de oposição ao regime militar. Eu fui o segundo presidente da diretoria (1980-1982) e segui os mesmos passos.

Conheci Alípio na Redação da Folha de S.Paulo, na segunda metade dos anos 1970. Ele, subeditor de Internacional e eu, repórter político. Foi, inclusive, ao lado de Perseu Abramo, um dos principais mentores da nossa greve de 1979. Nessas reuniões preparatórias, muitas vezes realizadas na própria redação do jornal, para desespero do secretário de Redação, ficamos mais próximos. Ao lado de tantos outros profissionais, fomos também demitidos da Folha por causa da greve.

Sempre que possível encontrava Alípio em eventos políticos e quando precisei doar a minha cachorra boxer, a Xica (com x mesmo), porque ia me mudar para um apartamento, liguei para ele, que imediatamente topou adotá-la.

Antes que ele desistisse, coloquei Xica no carro e levei para a casa dele, pertinho do estádio do Pacaembu. Foi amor à primeira vista e a alegria dos dois – da Xica e do Alípio – quase fez com que eu desistisse, já morrendo de ciúmes. Gentilmente, Alípio deixou claro que eu poderia visitar Xica quando quisesse. Eu até que fui umas duas ou três vezes.

Aí, não teve jeito, o tempo passou e só o reencontrei em 2012, quando fui entrevistá-lo para o projeto Resistir é Preciso…, produzido pelo Instituto Vladimir Herzog e que tive a honra de dirigir, que conta, em uma série de dez documentários, a trajetória da imprensa alternativa, clandestina e a feita no exterior, durante o regime militar. Alípio fazia parte da equipe de jornalistas e fazedores de jornais que colocavam nas bancas, quando era possível, o jornal ABCD. E quando não era possível, por causa da repressão, saiam distribuindo o jornal pela rua, nos pontos de ônibus…

Fui recolher o depoimento na casa dele, na verdade no apartamento, e nem a Xica existia mais. Com uma incrível facilidade em narrar os fatos, como um ótimo contador de histórias, ele soube contextualizar com precisão o momento político com a resistência expressa nos jornais alternativos e clandestinos, quando, de repente, parou de falar.

Abaixou um pouco a cabeça e foi tomado por uma forte emoção embalada pelas lembranças. Eu também tomei um susto com a súbita interrupção e quando, uma eternidade depois, ele voltou a olhar para a câmera, veio enxugando algumas lágrimas que foram brotando sem, no entanto, embaralhar a sua fala, já deslocada para a importância de resgatar essas memórias.

Felizmente não parou mais de falar e chegou a dar uma sugestão que eu imediatamente acatei e coloquei em prática. Encerrar a série com Gonzaguinha cantando Começaria tudo outra vez

Você gostaria de conferir? Então é só clicar neste endereço (https://youtu.be/tuFFany8pqA) que poderá assistir ao capítulo da série em que Alípio e outros jornalistas transbordam a emoção.

Obrigado, Alípio.


Ricardo Carvalho

Usamos este espaço para reproduzir homenagem que Ricardo Carvalho (jornalista, documentarista, diretor da ABI em São Paulo) fez a Alípio Freire, falecido em 22/4.

Tem alguma história de redação interessante para contar? Mande para [email protected].

Emoção e homenagens marcam cerimônia dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2021

  • Zeca Chaves é eleito o +Admirado Jornalista da Imprensa Automotiva 2021

  • Automotive Business vence categoria Especial Pandemia

  • Boris Feldman (Colunista), Jorge Moraes (Influenciador Digital), CBN Automotores (Áudio/Rádio), Autorama (Áudio/Podcast), Jornal do Carro/Estadão (Caderno), Quatro Rodas (Revista), UOL Carros (Site), Carros com Camanzi (Vídeo/Canal) e Autoesporte (Vídeo/Programa) faturam categorias temáticas

Foram anunciados na noite dessa quarta-feira (28/4), no canal do Portal dos Jornalistas no YouTube, os profissionais e publicações premiados na terceira edição da eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva. A cerimônia online, promovida por Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva, foi marcada mais uma vez pela emoção e saudade dos encontros presenciais, tão frequentes neste setor, e por diversas homenagens aos jornalistas Henrique Neves (Ali Produções) e Daniel Messeder (Motor1), vítimas da Covid-19.

Comandada por Eduardo Ribeiro e Fernando Soares, respectivamente diretor e editor de J&Cia Auto, a cerimônia teve início com mensagens dos executivos de Comunicação representando as marcas Bosch, General Motors, Honda, Mercedes-Benz, Scania e Volkswagen, patrocinadoras da iniciativa.

Em seguida, foi a vez de ouvir as mensagens dos 25 jornalistas mais votados na eleição. Em ordem alfabética, enviaram suas mensagens Alzira Rodrigues (AutoIndústria), André Barros (AutoData), Antônio Meira Jr. (Correio/BA), Bob Sharp (Autoentusiastas), Boris Feldman (AutoPapo), Camila Torres (Mobiauto), Carlos Eduardo da Silva (Web Seminovos), Claudia Carsughi e Claudio Carsughi (Portal Carsughi), Cleide Silva (Estadão), Diego Ortiz (Jornal do Carro/Estadão), Emilio Camanzi (Carros com Camanzi), Fernando Calmon (Coluna do Fernando Calmon), Fernando Miragaya (Autorama/Webmotors), Giovanna Riato (Automotive Business), Guido Orlando Jr. (Vida Moderna), Jorge Moraes (CBN/UOL), Leonardo Felix (Mobiauto), Marcos Rozen (MIAU), Marcus Lauria (CarPoint News), Paulo Cruz (AutoNews MS), Sergio Dias (Alpha Autos), Tarcisio Dias (Mecânica Online), Tião Oliveira (Jornal do Carro/Estadão) e Zeca Chaves (Automotive Business).

O anúncio das categorias temáticas, que contou com as participações ao vivo dos premiados conversando com os apresentadores, começou com uma dupla conquista. Jorge Moraes faturou os troféus nas categorias Influenciador Digital e Áudio/Rádio, este segundo pelo seu trabalho à frente do programa CBN Automotores.

Na sequência, foram premiados Autorama, de Fernando Miragaya, na categoria Áudio/Podcast; Jornal do Carro/Estadão, representado pelo editor Tião Oliveira, na categoria Caderno; Quatro Rodas, representada pelo redator-chefe Paulo Campo Grande, na categoria Revista; UOL Carros, na categoria Site, representado pelo editor Daniel Neves; Boris Feldman, na categoria Colunista; o canal Carros com Camanzi, de Emílio Camanzi, na categoria Vídeo/Canal; e o programa Auto Esporte, na categoria Vídeo/Programa, representado pela produtora Milene Rios.

Chief Growth Officer e editora da Automotive Business, Giovanna Riato foi a seguinte a entrar ao vivo para receber o prêmio Especial Pandemia, pelo case Na pandemia, AB inovou para fortalecer o que faz de melhor: apontar caminhos para o ecossistema automotivo e da mobilidade. A ação, desenvolvida ao longo de 2020, marcou a digitalização dos eventos online da publicação, impedidos de serem realizados presencialmente por causa da pandemia.

Após uma rápida pausa para homenagear Luiz Carlos Secco, que celebrou em abril 60 anos de carreira na imprensa automotiva, o evento chegou ao seu momento mais esperado, em que foram anunciados os cinco mais admirados jornalistas do setor.

Nono colocado na primeira edição do concurso, em 2015, e TOP 25 no ano passado, Tarcísio Dias ganhou posições neste ano e terminou em quinto colocado. Na sequência foram homenageados, Boris Feldman, que repetiu a quarta colocação de 2020, Claudio Carsughi, em terceiro lugar, e Jorge Moraes, na segunda posição.

Eduardo Ribeiro, Fernando Soares e Zeca Chaves, durante anúncio do +Admirado Jornalista Automotivo 2021
Eduardo Ribeiro, Fernando Soares e Zeca Chaves, durante anúncio do +Admirado Jornalista Automotivo 2021

Vice-campeão em 2020, Zeca Chaves desta vez foi o grande vencedor nesta edição, terminando como o +Admirado Jornalista da Imprensa Automotiva 2021. “Quando anunciaram aqui deu aquele nervosismo, aquele momento incrédulo que você fala ‘sério, sou eu?’. Aquela sensação, sabe, de menino que ganha brinquedo da mãe. O coração dispara, você não acredita”, disse Zeca. “Enfim, fico muito feliz. Mais do que feliz, fico muito surpreso porque no ano passado, quando fiquei entre os finalistas, estava na Quatro Rodas, então foi basicamente por um trabalho que eu tinha feito ali, mas hoje eu me considerava como café com leite nessa lista, porque estava em carreira solo. Foi um ano em que me diverti muito, mas sinceramente não tinha na cabeça a menor chance de conseguir essa posição”.

Ao encerrar sua participação, Zeca frisou ainda a necessidade de parabenizar duas “instituições”. A primeira, a dos jornalistas, segundo ele essenciais neste momento de pandemia, fake news e pós-verdade; e ao J&Cia Auto, pela realização de uma iniciativa que permite “um momento de reflexão para avaliar a qualidade dos jornalistas”.

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