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domingo, abril 12, 2026

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Prêmio Aberje prorroga inscrições

O Prêmio Aberje 2021 prorrogou até 10/8 o prazo de inscrições. O objetivo de divulgar os esforços e as iniciativas na área da comunicação
O Prêmio Aberje 2021 prorrogou até 10/8 o prazo de inscrições. O objetivo de divulgar os esforços e as iniciativas na área da comunicação

O Prêmio Aberje 2021 prorrogou até 10/8 o prazo de inscrições e de envio dos projetos. Com o objetivo de divulgar os esforços e as iniciativas na área da comunicação empresarial em todo o País, a 47º edição será realizada de forma totalmente online, assim como em 2020.

Podem ser enviados programas, projetos, campanhas e/ou ações de comunicação de empresas, assessorias, agências e organizações associadas ou não à Aberje. Além do cadastro, o participante deverá preencher a ficha de identificação, acompanhada do trabalho e videocase.

Dividido em cinco regiões, cujos vencedores são automaticamente classificados para competir pelo Prêmio Brasil, apresentando o case à bancada de jurados em sessão aberta ao público, o prêmio conta com 16 categorias subdivididas em três eixos: Foco no Tema, Foco em Públicos e Foco em Meios.

Canal 32 será a TV Jovem Pan

Jovem Pan sofre ataque hacker e faz limpa de vídeos no YouTube

O canal 32 de TV aberta, que já abrigou a MTV e vinha transmitindo conteúdo de entretenimento da marca Loading, foi comprado pela Jovem Pan e se tornará a TV Jovem Pan, cuja estreia está prevista este semestre. A emissora de rádio venceu a CNN Brasil na concorrência pela compra do canal.

As instalações da nova emissora ficam em São Paulo, no bairro do Sumaré, no mesmo prédio onde já funcionou a antiga TV Tupi. A Jovem Pan planeja construir novos estúdios e já está trabalhando para definir as equipes de jornalismo.

Em abril, a Jovem Pan já havia anunciado que estrearia neste ano um canal de notícias 24 horas para a TV. À época, a emissora havia divulgado que a grade teria 16 horas de programas novos e oito de atrações já realizadas pela empresa, mas com visual e vinhetas repaginados.

“Vai ser um canal novo, para competir com BandNews, Record News, CNN, Globo”, declarou Tutinha, CEO da Jovem Pan, em abril. Antes, a estreia estava prevista para maio.

Os planos, porém, podem ser frustrados, porque o TRF-3 (Tribunal Regional Federal da 3ª Região) deve julgar em segunda instância no próximo dia 22/7 a legalidade da venda do canal 32. É que o MPF entrou em 2015 com ação civil pública pedindo a cassação do canal, sob a alegação de que a MTV não poderia ter vendido uma sintonia pública; a concessão foi cassada em primeira instância.

Leia também:

Juliana Perdigão deixa a Globo e anuncia novo rumo na carreira

Juliana Perdigão deixa a Globo e anuncia novo rumo na carreira

A apresentadora e repórter Juliana Perdigão, da TV Globo em Minas Gerais, anunciou sua saída da emissora após 21 anos de casa. Ela foi responsável por reportagens especiais para Fantástico, Jornal Nacional, Bom Dia Brasil e Jornal Hoje. Também apresentou e produziu o programa Terra de Minas.

Em suas redes, Juliana comentou que a saída se deu para realizar um sonho: “Começo agora o marco de uma mudança! Um ponto de virada! Depois de 21 anos como jornalista de TV decidi usar o conhecimento que adquiri para realizar um sonho”.

Ela vai agora iniciar carreira no ensino de produção de conteúdo. O objetivo é ajudar pessoas a pensarem em pautas, desenvolverem narrativas e contarem histórias. O projeto já tem um site, e interessados podem assinar uma newsletter na qual ela escreve sobre criação de conteúdo, narrativa, posicionamento de identidade e comunicação. Juliana também passou a compartilhar dicas em seu perfil no Instagram.

TV TEM estreia novo cenário

A TV TEM estreou um novo cenário nos estúdios onde são apresentados o TEM Notícias 1ª edição, o Bom dia Cidade e o TEM Notícias 2ª edição.
A TV TEM estreou um novo cenário nos estúdios onde são apresentados o TEM Notícias 1ª edição, o Bom dia Cidade e o TEM Notícias 2ª edição.

O novo visual é assinado pelo cenógrafo Zé Carratu, em parceria com Dhiego Bueno

A TV TEM estreou em 7/7 um novo cenário nos estúdios onde são apresentados o TEM Notícias 1ª edição, o Bom dia Cidade e o TEM Notícias 2ª edição. Filiada à Globo com presença em 318 municípios do interior do Estado de São Paulo, a mudança foi feita em Sorocaba, Bauru, São José do Rio Preto e Itapetininga.

Uma das novidades é o pacote gráfico que, atrelado ao cenário maior, oferece ao espectador uma experiência visual bem próxima da proporcionada pelos vídeos nos smartphones, com telas mais horizontais, dando mais lateralidade à TV.

Para deixar os telejornais mais dinâmicos, foram adicionados também monitores e um telão que exibem diferentes imagens simultaneamente, além de uma nova bancada que possibilita que os apresentadores tenham maior liberdade nos movimentos, permitindo circular pelo ambiente.

Osmar Chor, diretor da TV TEM, disse que o principal compromisso é com as notícias e “com a forma como elas são transmitidas ao nosso público. E a nova identidade visual dos novos cenários dos telejornais tornou essa nossa prática mais funcional e atrativa”.

Para promover maior interação entre o modo como as notícias são produzidas e apresentadas, a redação foi mantida no novo formato, sendo possível ver os jornalistas da equipe trabalhando ao fundo do cenário.

Outra novidade é que os telejornais ganharam uma nova trilha sonora e iluminação temática. Três tonalidades − azul, cinza e amarela − irão diferenciar cada um dos três programas, que também ganharão paletas de cores exclusivas para datas comemorativas, como Outubro Rosa e Novembro Azul, por exemplo.

E mais:

 

Entidades movimentam-se após ataque de Frederick Wassef contra Juliana Dal Piva

Julgamento de recurso de Juliana Dal Piva contra Frederick Wassef será em 20/4
www.paulovitale.com.br Foto Paulo Vitale Paulovitale2018©ALL RIGHTS RESERVED

A jornalista Juliana Dal Piva, colunista do UOL, foi atacada e ameaçada na última sexta-feira (9/7) por Frederick Wassef, advogado do presidente Jair Bolsonaro. O caso é mais um dos muitos episódios de ataque à imprensa por parte de Bolsonaro, seus filhos, aliados ou pessoas próximas de sua gestão.

Juliana, que tem se destacado na cobertura do esquema das rachadinhas envolvendo os filhos de Jair Bolsonaro, revelou na última semana, por meio de áudios e de uma apuração minuciosa, conexões diretas do presidente com a apropriação de salário de servidores na Câmara dos Deputados.

Como retaliação às informações publicadas, Wassef enviou uma mensagem via WhatsApp para a jornalista recomendando que ela mudasse para a China onde, nas palavras dele, “você desapareceria e não iriam nem encontrar o seu corpo”. A ameaça foi divulgada nas redes sociais pela própria jornalista, que publicou o print com o conteúdo da mensagem recebida.

Advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef enviou mensagem via whatsapp atacando a jornalista Juliana Dal Piva
Advogado da família Bolsonaro, Frederick Wassef enviou mensagem via whatsapp atacando a jornalista Juliana Dal Piva

Vale lembrar que Wassef defendeu o senador Flavio Bolsonaro no processo da rachadinha na Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro. No ano passado, porém, teve de abandonar o caso após a prisão de Fabrício Queiroz, ex-assessor do senador e pivô do esquema, em uma casa de Wassef, em Atibaia, no interior de São Paulo.

Em poucos minutos o caso ganhou grande repercussão e reação de entidades de direito e que defendem o jornalismo. O primeiro movimento veio do presidente da OAB (Ordem dos Advogados do Brasil) Felipe Santa Cruz, que solicitou à corregedoria da entidade para apurar o episódio e tomar as medidas cabíveis.

Abraji, ABI, Fenaj e Sindicato dos Jornalistas do Município do Rio de Janeiro também se manifestaram sobre o caso:

“Defendemos a liberdade de imprensa como direito garantido pela Constituição e pilar do Estado Democrático de Direito”, destacou o comunicado da Abraji. “Todo o apoio a Dal Piva, ao UOL e a todos os veículos e profissionais de imprensa que vêm sendo atacados sistematicamente desde que o governo Bolsonaro assumiu o poder, em janeiro de 2019. Exigimos que sejam tomadas as medidas legais cabíveis contra Wassef e todos os que vilipendiam o trabalho essencial da imprensa de levar à sociedade assuntos de interesse público. Esperamos que as instituições que defendem a democracia façam seu papel e resistam à destruição do espaço cívico promovida pelos autoritários de plantão e seus militantes”.

“Ao tomar conhecimento das ameaças feitas pelo advogado Frederick Wassef, hospedeiro do famigerado Fabrício Queiroz, entre outras proezas, expresso a solidariedade da Associação Brasileira de Imprensa (ABI), colocando-nos à disposição para a adoção de medidas que se fizerem necessárias à sua proteção”, garantiu o presidente da entidade Paulo Jeronimo.

Em nota conjunta, a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do Município do Rio de Janeiro e a Comissão Nacional de Mulheres da Fenaj repudiaram veementemente a ameaça e declararam apoio irrestrito e solidariedade a Juliana. “Não aceitaremos que o presidente e seus apoiadores sigam ameaçando jornalistas e colocando suas vidas em risco”, destacou a nota. “Exigimos dos órgãos responsáveis imediata apuração da ameaça e proteção à jornalista. Basta de ameaças às jornalistas, à imprensa, ao livre exercício do jornalismo e à liberdade de expressão, pilares de qualquer Estado Democrático”.

Prêmio Jovem Jornalista abre inscrições

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Jovem Jornalista, que tem como tema Pautas para tratar questões do nosso tempo.
Estão abertas as inscrições para o Prêmio Jovem Jornalista, que tem como tema Pautas para tratar questões do nosso tempo.

Estão abertas as inscrições para o Prêmio Jovem Jornalista Fernando Pacheco Jordão 2021, que tem como tema Pautas para tratar questões do nosso tempo, abrangendo ataques a valores democráticos, reordenação econômica mundial, tecnologização, dataficação da experiência humana, questões de sustentabilidade do planeta, entre outros.

Criado em 2009, o prêmio é uma realização Instituto Vladimir Herzog e nesta 13ª edição conta com a parceria de Google, Abraji, Oboré, Intercom e Periferia em Movimento. As inscrições vão até 4/8 exclusivamente no site. A premiação para os estudantes selecionados é de microbolsas e de mentoria por jornalistas renomados, indicados pela organização do evento, para produzirem suas reportagens.

Haverá também um ciclo de videoconferências, aberto a todos os inscritos, com jornalistas, pensadores e outros nomes de referência nas reflexões sobre as complexidades dos tempos atuais.

Ed Wilson sofre ataques após reportagem sobre violação de sítios arqueológicos

Ed Wilson vem sofrendo ataques após a série de reportagens A nova pirataria francesa em terras quilombolas no Maranhão.
Ed Wilson vem sofrendo ataques após a série de reportagens A nova pirataria francesa em terras quilombolas no Maranhão.

O jornalista e professor Ed Wilson vem sofrendo ataques após a série de reportagens A nova pirataria francesa em terras quilombolas no Maranhão, que denunciam a retirada ilegal de objetos arqueológicos de comunidades quilombolas no litoral do estado. 

Em 30/6, o Sindicato dos Jornalistas de São Luís emitiu nota repudiando os ataques. “Ratificamos o nosso repúdio a tais atitudes, que atentam contra a liberdade de imprensa e ameaçam a democracia, e desagravamos o jornalista e professor Ed Wilson Ferreira de Araújo, exemplo de pessoa, jornalista e docente da nossa instituição de ensino mais importante”, afirmou Douglas Cunha, presidente do Sindjor-SLZ. 

Publicadas em 2019 no seu blog pessoal, uma das reportagens foi vencedora do Prêmio de Jornalismo do Ministério Público (MP) do Maranhão. A investigação jornalística revelou a perfuração ilegal de sítios arqueológicos e a retirada de objetos de valor histórico e cultural das comunidades quilombolas de São Félix e Mutaca, no município de Bacuri. 

Os autores dos crimes não têm formação em Arqueologia nem autorização de órgãos responsáveis. Um relatório apresentado pelo Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) mostrou que houve várias irregularidades durante as escavações e o transporte ilegal dos objetos. O caso está sendo investigado pela Polícia Federal.  

E mais:

 

Motor1 reformula equipe, inaugura estúdio e prepara terreno para novo podcast

O Motor1 anunciou uma série de novidades, entre elas uma intensa reformulação em sua equipe editorial, com reforços de peso e promoções.
O Motor1 anunciou uma série de novidades, entre elas uma intensa reformulação em sua equipe editorial, com reforços de peso e promoções.

O Motor1.com Brasil anunciou nos últimos dias uma série de novidades, entre elas uma intensa reformulação em sua equipe editorial, com reforços de peso e promoções. Nicolas Tavares e Leonardo Fortunatti, até agora repórteres, assumem como editores, respectivamente, de Home e de Testes.

Reforçam a equipe Jason Vogel (ex-O Globo), que chega para contribuir com reportagens especiais e avaliações; Diego Dias (ex-Auto+, Quatro Rodas e Momento Vox), como repórter; Helena Arida, recém-formada em Jornalismo, para administrar as redes sociais do Motor1.com e o canal da Motorsport.TV no YouTube; e Thiago Moreno (ex-iCarros, Jato Dynamics, Autoo e CNN Brasil), como novo colaborador para a área de motos. Mario Villaescusa, um dos mais experientes repórteres fotográficos de automobilismo no Brasil, é o novo colaborador de fotos e vídeo.

Novo estúdio – A Motorsport Network Brasil, empresa responsável pelas plataformas Motor1, Motorsports e InsideEVs, também ganhou um novo estúdio. A estrutura, que servirá como centro de gravações audiovisuais dos programas Semana Motor1.com, FastNews e dos podcasts, foi montada no mesmo prédio que abriga a redação, em São Paulo. O espaço receberá convidados para entrevistas e produção de conteúdos especiais para as plataformas do grupo.

Novo podcast – Depois dos podcasts Motor1.com, eleito em 2020 o +Admirado Podcast da Imprensa Automotiva, e Motorsport.com Brasil, a Motorsport Network deverá lançar nas próximas semanas seu terceiro programa nessa plataforma no Brasil. Desta vez será um programa dedicado ao conteúdo da plataforma InsideEVs Brasil, especializada em mobilidade elétrica.

E mais:

 

Prêmio 99 de Jornalismo abre inscrições

Estão abertas as inscrições para o Prêmio 99 de Jornalismo, que nesta edição terá como foco a produção de podcasts, reconhecendo os melhores episódios de jovens e/ou já veteranos jornalistas. O tema é Tecnologia para todos. As inscrições vão até 19 de setembro.

Na categoria Profissionais do Jornalismo, podem concorrer podcasts publicados na imprensa ou em plataformas de streaming entre de 21 de setembro de 2020 e 19 de setembro de 2021, que abordem o tema Tecnologia para todos.

Os tópicos propostos pela organização são: nova economia, tecnologia e serviços, ciência de dados, crise e inovação, finanças digitais e soluções disruptivas para o setor público e a sociedade civil.

A categoria Jovens Jornalistas é exclusiva para os participantes do treinamento gratuito Lab 99+Folha, feito em parceria com o jornal Folha de S.Paulo. São 30 vagas para estudantes do último ano da graduação ou recém-formados (até dois anos da formação) em cursos de Comunicação Social.

Os jovens selecionados terão aulas com especialistas sobre temas da nova economia, técnicas jornalísticas, e produção de podcasts com editores, repórteres e colunistas da Folha. Os participantes também terão acesso à edição inédita do Manual de Jornalismo de Mobilidade Urbana Folha de S.Paulo/99.

Inscreva-se no prêmio e no treinamento aqui.

Histórias do Jornalismo Esportivo – O dia em que corri a maratona olímpica

Por Fábio Seixas

Era o último dia dos Jogos de Atenas, 29 de agosto de 2004, e a pauta da Folha de S.Paulo me colocava no taekwondo. Não que eu fosse um especialista na matéria, mas Olimpíada é assim mesmo e este é o grande barato de uma cobertura assim: fazer um pouco de tudo.

Campeã mundial júnior quatro anos antes, Natalia Falavigna era uma das duas grandes esperanças de ouro brasileiro naquele domingo. A outra era o vôlei masculino, o que acabaria se concretizando com 3 a 1 sobre a Itália.

Então, lá estávamos eu, meu bloquinho e meu gravador, na tribuna do pavilhão esportivo de Faliro, área litorânea de Atenas. Natália estreou contra uma australiana e venceu. Passou por uma belga. Caiu para uma chinesa na semifinal, o que acabou com as chances de ouro, mas foi para a repescagem da disputa do bronze. Ganhou de uma italiana e credenciou-se à disputa da medalha. Foi derrotada, porém, para uma venezuelana. 

Ficamos de mãos vazias, ela e eu. Peguei o ônibus da imprensa e voltei para o MPC (Main Press Centre) já batucando no laptop as poucas linhas que me seriam reservadas na edição do dia seguinte. 

Quando cheguei ao imponente prédio que abrigava a imprensa − ao lado de um Carrefour que um dia descobrimos que vendia cachaça brasileira, mas essa é outra história −, todas as TVs estavam sintonizadas na maratona. A prova mais nobre do atletismo. A apoteose do espírito olímpico, não por coincidência marcada para o último dia dos Jogos. E, nas telas, a imagem era de um brasileiro.

Vanderlei Cordeiro de Lima liderava a prova. Parecia inacreditável. “Devem ser os primeiros metros da corrida”, lembro de ouvir um colega comentando. Não eram. Ele seguia firme e forte em suas passadas, segurando a liderança e dando sinais de que poderia escrever a grande história brasileira daqueles Jogos.

Assim que cheguei ao mesão da Folha no MPC, Roberto Dias, chefe da cobertura, mal teve como demonstrar alívio por ver um repórter na sua frente. “Vai pro Panathinaiko”, ordenou.

Dei meia volta, já pensando em como chegaria ao icônico estádio grego, uma construção de 330 A.C. e que receberia a chegada da maratona. 

Ainda atordoado, descendo as escadas rolantes do MPC, encontrei o colega Alex Müller, então no Grupo Bandeirantes, com uma equipe de TV e a mesma missão. “Vamos no nosso carro!”, ele disse. Respirei aliviado.

Mas o problema estava longe de ser resolvido. Porque se tratava de uma maratona, o que significa ruas bloqueadas, trânsito caótico, mapas inutilizados.

Tentamos. Entramos todos, incluindo mochilas, tripés, luzes e câmeras, num carrinho minúsculo e partimos com destino ao Panathinaiko. Ou quase. Sabíamos que dificilmente chegaríamos ao estádio, mas concordamos que tentaríamos nos aproximar o máximo possível e que o resto do caminho teria de ser… sabe-se lá como.

No começo, avançamos bem com o carrinho. Mas então o percurso tornou-se um labirinto. Pegávamos uma rua, terminávamos num bloqueio da polícia. Tentávamos outro caminho, a mesma coisa. Não havia mais o que fazer. Era hora de deixar nossa improvisada viatura num canto qualquer e tentar cumprir nossa missão a qualquer custo.

E assim foi. Colhemos mochilas, tripés, luzes e câmeras e saímos andando. “Parakaló! Parakaló!”. Pedíamos licença para os torcedores amontoados nas ruas e íamos passando, abrindo caminho, tentando chegar ao Panathinaiko em tempo de acompanhar os instantes finais da prova e a consagração de Vanderlei.

Foi quando nos vimos no percurso da maratona. Sim. Em algum momento furamos algum bloqueio − imagino que as credenciais nos nossos peitos ajudaram − e descobrimos que estávamos exatamente na avenida que dava acesso ao mítico estádio de mármore.

O que fazer? Correr, ora! E rápido. Afinal, tínhamos que atingir a linha de chegada antes dos atletas que, claro, estavam muito lá atrás, ainda em outra parte da cidade.

E foi assim que, naquele 29 de agosto de 2004, me vi com uma mochila nas costas, revezando-me com os colegas no transporte de câmeras e tripés, correndo os quilômetros finais da maratona olímpica. E sob gritos de incentivo e aplausos entusiasmados do público que estava nas calçadas. Taí a foto tirada pelo Alex que não me deixa mentir.

Maratona
Fábio Seixas “correndo” a maratona em Atenas (Crédito: Alex Müller)

Berço de atletas ancestrais, ícone da perfeição grega, tempo sagrado do esporte, o Panathianaiko foi profanado naquele domingo por um grupo de brasileiros ofegantes, trôpegos e mal ajambrados que ali entraram correndo, literalmente à frente dos fatos.

“E aí? Em que quilômetro eles estão? Vanderlei ainda está lidando?”, perguntei ao Dias, pelo celular, assim que recobrei o fôlego. “Cara, você não vai acreditar”, ele respondeu. Só então soubemos da intervenção do infame irlandês Cornelius Horan, que invadiu a prova, agarrou Vanderlei a 6 quilômetros da linha de chegada e arrasou com suas chances de vitória.

Minutos depois, finalmente os atletas de verdade chegaram ao estádio, com Stefano Baldini liderando pelotão. O italiano levou o ouro. 

Vanderlei ficou com o bronze, mas entrou para a história. Naquela noite, foi o atleta mais aplaudido na cerimônia de premiação no Estádio Olímpico. Meses depois, recebeu a medalha Pierre de Coubertin, maior honraria conferida pelo Comitê Olímpico Internacional. Jamais será esquecido.

Já este repórter ganhou algumas páginas de jornal para escrever naquele domingo. E um causo para contar pela vida toda.


Fábio Seixas

O Portal dos Jornalistas traz neste espaço histórias de colegas da imprensa esportiva em preparação ao Prêmio Os +Admirados da Imprensa Esportiva, que será realizado em parceria com 2 Toques e Live Sports, no segundo semestre.

A história desta semana é de Fábio Seixas, diretor de Conteúdo na LiveSports, colunista do UOL e comentarista da TV Cultura. Antes passou por Rádio Trianon, Folha de S.Paulo, Grupo Globo e DAZN

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