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terça-feira, maio 26, 2026

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Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (56)

Por Assis Ângelo

Não são poucas as histórias envolvendo cães e gatos. Aliás, até um dia especial tem o cão. É 26 de agosto, lembrado ou comemorado em todo o mundo.

Em 1972, o compositor e cantor baiano Waldick Soriano (1933-2008) pôs na sua longa lista de sucessos o bolero Eu Não Sou Cachorro Não.

Em 1950, o jornalista e dramaturgo pernambucano Nelson Rodrigues (1912-1980) emplacou na boca do povo a expressão “complexo de vira-latas”. Essa expressão foi cravada logo após a derrota da seleção brasileira perante as botinas dos jogadores uruguaios. O significado… bom, com o tempo foi mudando. Hoje a famosa frase do Nelson é dirigida a quem se ajoelha perante o gringos norte-americanos. Pois, pois.

E já que abordamos a temática musical com bichos domésticos, não custa lembrar que no tempo da Jovem Guarda Erasmo e Roberto ganharam as paradas com aquela coisinha chamada Gatinha Manhosa. Quer dizer: a gata abriu a composição com o carinhoso diminutivo gatinha.

Há muitas e boas histórias contidas na literatura e música de todo canto, com registros desde quando se prensavam discos de 78 RPM.

Parodiando o bom escritor mineiro João Guimarães Rosa, cegos e tudo o mais estão em todo canto.

É de 1937 o romance Pureza, de José Lins do Rego.

O enredo desenvolvido em Pureza começa logo após a morte da mãe e da irmã do personagem central, denominado Lourenço de Mello, o Lola.

Lola ainda era criança quando a mãe e a irmã menor morreram de tuberculose.

Ante tal fatalidade, o pequeno Lola foi criado com todos os cuidados possíveis dispensados pelo pai e pela criada negra Felismina.

Como se fosse pouco, não demora muito e o pai de Lola tomba vítima de fulminante colapso.

Um dia, Lola chama Felismina para acompanhá-lo numa estadia em meio à natureza. Seguia recomendações médicas. E aí, num começo de tarde, Lola e Felismina desembarcam numa estação de trem de um lugar chamado Pureza.

O que os pais deixaram para Lola foi fortuna que lhe possibilitaria viver sem trabalhar a vida toda.

Aos 24 anos de idade, Lola ainda não havia mantido relações sexuais com mulher nenhuma. Era tímido, inseguro.

Após alguns meses no retiro indicado pelo médico, Lola conhece Margarida e logo depois, Maria Paula. As duas eram filhas do chefe da estação Antônio Cavalcante e de dona Francisquinha.

Antes de conhecerem Lola, Margarida e Maria Paula já haviam caído na boca do povo.

No correr dessa história de Zé Lins, aparece um cego chamado Ladislau. Sabido que só. Seu guia era uma espécie de bengala e com ela não errava caminho. Era viúvo e foi pai duas vezes. E dele mais não digo.

Ali já perto do fim, surge um personagem de convivência pacata, mas um tanto arredio de nome Chico Bem-Bem.

E quem quiser saber mais da beleza que é Pureza, é só abrir o livro e ler.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

Iphan tomba provisoriamente prédio do DOI-Codi no Rio de Janeiro

Doi-Codi Rio

O Instituto do Patrimônio Histórico e Artístico Nacional (Iphan) determinou o tombamento provisório do antigo prédio do Destacamento de Operações de Informações – Centro de Operações de Defesa Interna (DOI-Codi), no Rio de Janeiro. Na prática, o local, que fica nos fundos do 1º Batalhão de Polícia do Exército, na Tijuca, não pode ser demolido ou destruído.

O tombamento inclui o edifício, os dois pátios internos e os acessos pela Avenida Maracanã e pela Praça Lamartine Babo. A decisão baseia-se em um requerimento detalhado apresentado em 2013 pelo Ministério Público Federal (MPF), que comprova a relevância histórica do local como um dos principais centros de torturas, assassinatos e desaparecimentos forçados realizados durante a ditadura militar. Para o MPF, “a preservação da estrutura física é fundamental para a política de justiça de transição, servindo como um registro material que impede o apagamento da memória das vítimas”.

Na decisão, o MPF esclarece que o DOI-Codi será integrado ao patrimônio cultural nacional, sob a óptica da preservação da verdade e da memória do período, servindo como advertência histórica para a não repetição dessas práticas atrozes. O órgão estuda ainda a transformação do espaço em um centro de memória, para finalidades educativas e de reflexão, como forma de reparação simbólica às vítimas e seus familiares.

100 anos de rádio no Brasil: O rádio transformou-se em companhia emocional em um mundo algorítmico

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante anos, o discurso predominante sobre o futuro do rádio foi relativamente simples: plataformas digitais substituiriam gradualmente a transmissão tradicional, transformando o FM em um resquício analógico de outra era. Mas uma pesquisa recente realizada com jovens universitários de Surabaya, na Indonésia, sugere que a transformação do áudio é muito mais complexa – e, talvez, mais humana – do que a lógica tecnológica costuma admitir.

O estudo, publicado pela revista científica Frontiers in Communication, investigou como jovens da Geração Z transitam entre o rádio terrestre e plataformas de áudio sob demanda, como Spotify e YouTube Music. O resultado não aponta exatamente para uma substituição completa de um meio pelo outro, mas para uma reorganização emocional do consumo sonoro.

Em termos práticos, os pesquisadores identificaram uma espécie de “dualismo funcional”. O streaming domina quando o objetivo é autonomia: escolher músicas, evitar publicidade, controlar o ambiente sonoro e consumir conteúdo sem interrupções. Já o rádio ressurge em situações específicas – especialmente durante deslocamentos urbanos – como um espaço de companhia, contexto e pertencimento.

A descoberta é particularmente relevante porque rompe com uma ideia recorrente no debate tecnológico: a de que eficiência algorítmica é suficiente para substituir vínculos humanos na comunicação.

Os entrevistados relataram forte desgaste com o que a pesquisa chama de “poluição auditiva” – longos intervalos comerciais, anúncios repetitivos e formatos lineares que interrompem a experiência sonora. Para muitos, plataformas digitais representam não apenas conveniência, mas uma forma de recuperar controle cognitivo sobre o próprio consumo midiático

Mas o paradoxo aparece justamente quando essa autonomia torna-se excessiva.

No trânsito caótico de Surabaya – cenário semelhante ao de cidades como São Paulo, Jacarta ou Cidade do México –, muitos jovens relatam abandonar momentaneamente o poder de escolha e retornar ao rádio tradicional. Não por limitação tecnológica, mas por fadiga cognitiva. Em momentos de congestionamento, calor e saturação mental, o rádio passa a funcionar como um “companheiro de baixa demanda”: alguém escolhe por você, comenta a cidade, contextualiza o cotidiano e, sobretudo, compartilha a experiência coletiva do momento.

Esse ponto talvez seja o mais importante da pesquisa. O estudo identifica aquilo que chama de “âncora humana” – a capacidade do locutor de rádio de produzir presença social e proximidade emocional em tempo real.

Enquanto algoritmos conseguem prever gostos musicais, eles ainda não conseguem reproduzir plenamente elementos como espontaneidade, humor contextual, empatia territorial e reconhecimento cultural. Em Surabaya, por exemplo, ouvintes valorizam o uso do dialeto local Suroboyoan, comentários sobre trânsito, clima e situações compartilhadas pela cidade. O rádio deixa de ser apenas um distribuidor de áudio e se transforma em um mediador de pertencimento social

A constatação dialoga diretamente com fenômenos observados também no Brasil. Em grandes centros urbanos, rádios all news, esportivas e populares continuam exercendo forte função de “companhia urbana”, especialmente em automóveis, transporte público e ambientes de trabalho. Em cidades menores, emissoras locais seguem funcionando como espaços de identidade regional – muitas vezes mais relevantes culturalmente do que plataformas globais de streaming.

Não é coincidência que rádios brasileiras com forte presença de apresentadores, humor local e prestação de serviço mantenham relevância mesmo diante da expansão do áudio sob demanda. O que está em disputa não é apenas distribuição de conteúdo – é construção de vínculo.

A pesquisa também propõe um conceito interessante: a “mutação digital” do rádio. Em vez de resistir à lógica das plataformas, o meio precisaria incorporar parte dela – oferecendo acesso sob demanda, menos interrupções comerciais e presença multiplataforma – sem abandonar aquilo que o diferencia: a experiência humana em tempo real.

Na prática, isso significa que o futuro do rádio talvez não esteja em competir com Spotify ou YouTube Music como catálogo musical. Essa batalha, segundo os próprios autores, já foi vencida pelas plataformas. O diferencial estratégico do rádio estaria justamente no que os algoritmos ainda têm dificuldade em reproduzir: calor humano, improviso, contexto local e sensação de convivência.

A conclusão é particularmente simbólica em um momento de avanço acelerado da inteligência artificial generativa. Quanto mais automatizada se torna a produção de conteúdo, maior parece ser o valor atribuído a experiências percebidas como genuinamente humanas.

Isso ajuda a explicar por que, mesmo entre jovens hiperconectados, ainda existe espaço para vozes locais, transmissões ao vivo e relações parassociais com comunicadores. O rádio deixa de ser apenas tecnologia de transmissão e passa a operar como infraestrutura emocional.

Talvez o erro de parte da indústria tenha sido imaginar que o futuro do áudio dependeria apenas de inovação técnica. O estudo sugere o contrário: a sobrevivência do rádio pode depender exatamente daquilo que ele sempre soube fazer melhor – transformar voz em presença.

E, em um ecossistema dominado por feeds automatizados e playlists infinitas, presença talvez seja o recurso mais escasso da comunicação contemporânea.

 

Sugestões de fontes para aprofundamento

 

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

Foto Álvaro Bufarah, identificado

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

 

Ariel Palacios lança livro sobre Lado B do futebol

Ariel Palacios, correspondente internacional do Grupo Globo em Buenos Aires (Argentina), lançou o livro Futebol lado B: Entre deuses, dribles, ditadores e delírios: o absurdo, o improvável e o genial do esporte mais amado do mundo (Globo Livros). A obra, fruto de extensa pesquisa, reúne histórias, causos e reflexões sobre o esporte que vão muito além das quatro linhas.

Ariel Palacios (Crédito: Instagram)

“O futebol é cultura, política, economia, identidade coletiva, memória. O futebol, para mim, é um fenômeno que se infiltra em quase todas as camadas da vida social”, explicou Ariel. “Ele é política quando vira propaganda de regimes; é literatura quando constrói mitos; é guerra simbólica quando encena rivalidades nacionais; é economia quando move bilhões; é estética quando produz beleza gratuita; e é, muitas vezes, um espelho cruel das nossas intolerâncias”.

No livro, Ariel fala sobre a paixão pelo futebol e como ele funciona como uma espécie de “termômetro” na sociedade, capaz de fazer pessoas se amarem ou odiarem, desconhecidos se abraçarem ou se agredirem. A obra traz histórias que vão desde narrativas de torcedores, superstições, decisões absurdas envolvendo nomes conhecidos, até o uso do próprio futebol como instrumento de poder ou manipulação, misturando geopolítica, história, arte e cultura, e mostrando que o futebol “não apenas reflete a sociedade, mas participa ativamente de suas transformações”.

Ariel está no Brasil neste mês de maio para participar de eventos de lançamento com sessões de autógrafos em Londrina (Paraná), São Paulo, Brasília e Rio de Janeiro.

48ª Prêmio Vladimir Herzog abre inscrições na quarta-feira (20/5)

A 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos abrirá inscrições na quarta-feira (20/5). O prêmio, que incentiva, valoriza e reconhece trabalhos jornalísticos que defendam a democracia, a justiça e os direitos humanos, receberá inscrições até 20 de junho.

O prêmio tem ao todo sete categorias: Produção jornalística em texto, Produção jornalística em áudio, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em multimídia, Fotografia, Arte e Livro-reportagem. Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. No caso da categoria Livro-reportagem, só serão aceitas inscrições de obras editadas ao longo do ano de 2025. A taxa de inscrição é de R$ 60 por trabalho inscrito.

A sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores será em 30 de setembro, às 14h, com transmissão ao vivo. E em 20 de outubro, será realizada a cerimônia de premiação, no Tucarena, em São Paulo. Neste ano, antes da premiação, será realizada a tradicional Roda de Conversa com os vencedores, seguida de uma visita guiada ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog, na Bela Vista, em São Paulo.

Confira o regulamento e inscreva-se aqui.

O adeus a Vladimir Saccheta, símbolo da resistência na ditadura

Vladimir Sacchetta (Crédito: Instituto Vladimir/Herzog)

Morreu em 15/5 Vladimir Saccheta, intelectual, jornalista e pesquisador, aos 75 anos. Ao longo de sua trajetória, teve forte atuação na militância e resistência contra a repressão da ditadura militar, organizando documentos e atuando como ponte entre militantes e profissionais de imprensa.

Nascido em 1950, em um período de forte efervescência política, Vladimir engajou-se politicamente e foi defensor de causas sociais e da luta de classes. Foi muito importante na documentação de greves do ABC e do ressurgimento do movimento sindical. Para ele, “a militância na memória era uma forma de resistência tão importante quanto a das ruas”, descreveu a Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Ao organizar um documento, Vladimir não só estava realizando um ato político, como também reunindo provas materiais da repressão e exploração da ditadura.

Vladimir foi muito importante para o projeto Brasil: Nunca Mais, que denunciou a repressão e tortura do regime militar por meio de cópias de processos da Justiça. O intelectual contribuiu organizando documentos e fornecendo aos autores do projeto provas sobre as atrocidades cometidas pelo governo militar. Vale lembrar que o Troféu Audálio Dantas: Indignação, coragem, esperança deste ano será entregue aos responsáveis pelo Brasil: Nunca Mais: Frei BettoPaulo VannuchiRicardo Kotscho e Dom Paulo Evaristo Arns

Congresso Brasileiro de Comunicação Pública abre inscrições e recebe trabalhos

A partir desta segunda-feira, 18 de maio, estão abertas as inscrições e a submissão de trabalhos para a quarta edição do Congresso Brasileiro de Comunicação Pública – ComPública, que acontecerá em Brasília, de 16 a 18 de setembro.

Realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Pública, ABCPública, em parceria com a Câmara dos Deputados, no ano em que a associação completa uma década e a instituição legislativa celebra 200 anos, o evento terá como tema “Uma agenda para a cidadania”.

As inscrições são gratuitas e podem ser feitas no endereço cd.leg.br/compublica.

Grupos de trabalho O 4º ComPública terá duas modalidades de apresentação de trabalhos: científicos e relatos de experiências. A submissão de resumos expandidos com 800 a 1.200 palavras poderá ser feita de 18 de maio a 15 de junho. O resultado da seleção será divulgado em 17 de julho. A chamada de trabalhos está disponível em https://doity.com.br/compublica2026/blog/submissao-de-trabalhos.

Grupos de trabalhos científicos:

GT1 – Governança digital e transparência pública Coordenadores: Magno Medeiros (UFG) e Tiago Mainieri (UFG)

GT2 – Direitos humanos, inclusão e interseccionalidades Coordenadoras: Francine Altheman (ESPM) e Ana Paula Lucena (UFRPE)

GT3 – Cidadania, democracia e participação Coordenadores: João Curvello (UnB) e Kátia Vanzini (Unesp)

Grupos de relatos de experiências:

GT4 – Gestão e regulação da comunicação Coordenadoras: Kárita Sena (Correios/UFMS) e Rachel Gonçalves (Senado Federal)

GT5 – Experiências audiovisuais e digitais Coordenadoras: Alessandra Lessa (TC-GO) e Verônica Lima (Câmara dos Deputados)

GT6 – Projetos, produtos e serviços Coordenadores: Mariana Borges (Polícia Penal – SP) e Michel Carvalho (Câmara Municipal de Cubatão)

Congresso

Além dos grupos de trabalho, a programação do 4º ComPública combinará palestras, mesas-redondas, minicursos, lançamento de publicações, premiações e momentos de convivência entre os participantes. Também estão previstas visitas guiadas ao Congresso Nacional para os participantes.

Parcerias

O 4º ComPública é realizado em parceria com a Universidade de Brasília – UnB e conta com apoio de uma série de entidades e órgãos públicos engajados na qualificação da comunicação do Estado com os cidadãos: Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas (Abel), Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp), Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação (Alaic), Associação de Pesquisadores em Comunicação Política (Compolítica), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Conselho Federal de Relações Públicas (Conferp), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Observatório da Comunicação Pública (Obcomp), Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom); e patrocínio da Doity.

Todas as informações sobre os preparativos para o 4º ComPública você pode acompanhar pelo site abcpublica.org.br e pelas redes sociais: instagram.com/abcpublicalinkedin.com/abcpublica e youtube.com/ABCPublica.

Estão abertas as inscrições para as oficinas do Festival 3i 2026

Fotos do dia 8 de junho. Crédito: Gabriela Falcão.

A Associação de Jornalismo Digital (Ajor) abriu o período de inscrições para as oficinas do Festival 3i 2026. Serão mais de 15 encontros que abordarão temas como acessibilidade de sites jornalísticos, Inteligência Artificial, criação de roteiros para podcasts e negócios. Para se inscrever nas atividades, é necessário já ter adquirido o ingresso para o encontro, que acontecerá de 29 a 31 de maio no Porto Maravalley, no Rio de Janeiro.

Confira as oficinas disponíveis:

 

Curadoria humana em tempos de IA
  • Data: 29/05, das 11h30 às 13h30
  • Facilitador: Moreno Osório, editor do Farol Jornalismo e professor da PUC-RS.
Como identificar pautas a partir do Observatório da Transição Energética*
  • Data: 29/05, das 11h30 às 13h30
  • Facilitador: Paula Bianchi, editora de Comunicação Institucional da Repórter Brasil.

* Esta oficina necessita que os participantes levem seus notebooks.

Roteiro para Podcast: técnicas de escrita para contar boas histórias no jornalismo em áudio
  • Data: 29/05, das 14h30 às 16h30
  • Facilitador: Rodrigo Alves, jornalista e roteirista.
Designing Immersive Stories:transformando reportagem em experiência
  • Data: 29/05, das 16h30 às 18h30
  • Facilitador: Jakub Górnicki, repórter e artista.
Gemini e NotebookLM para jornalistas
  • Data: 29/05, das 16h30 às 18h
  • Facilitador: Augusto Conconi, instrutor no Google News Initiative.
Ferramentas para uma IA responsável
  • Data: 30/05, das 9h às 10h
  • Facilitador: Augusto Conconi, instrutor no Google News Initiative.
Da dependência à ação: como a mídia pode sobreviver em um mundo onde as grandes empresas de tecnologia ditam as regras
  • Data: 30/05, das 9h30 às 12h
  • Facilitadores: Cletus Gregor Barié e Luiza Cilente | Convidados: Pedro Copelmayer (La Diaria, Uruguai), Elizabeth Otálvaro (El Mutante, Colômbia), Juliana Dal Piva (Clip), Natalia Viana (Agência Pública) e Ester Borges (Momentum Journalism & Tech Task Force).
Além dos subsídios: como construir mídias resilientes hoje
  • Data: 30/05, das 10h às 12h
  • Facilitador: Santiago Ramayo, Diretor de Comunicação da SembraMedia.
Da Catástrofe à Cultura: desvendando as narrativas ocultas do clima
  • Data: 30/05, das 10h às 12h
  • Facilitadores: Sheeren Daver, Elizabeth Sanders e Oskar Mansson.
Jornalismo para a mudança: como construir jornalismo relevante na era da IA
  • Data: 30/05, das 14h às 16h
  • Facilitadores: Jazmín Acuña e Alejandro Valdez, cofundadores do El Surtidor.
Do conteúdo ao design de serviços: como projetar seu primeiro experimento de serviço
  • Data: 30/05, das 14h às 16h
  • Facilitadora: Madison Karas, Líder de Design de Serviços na Gazzetta Civic Media.
Soluções climáticas: identificando pautas, promovendo engajamento e os riscos de greenwashing
  • Data: 30/05, das 16h às 18h
  • Facilitadores: Daniel Nardin, fundador do Amazônia Vox, e Maristela Crispim, fundadora da Eco Nordeste.
Investigando garimpo e mineração na Amazônia por meio de auditoria em larga escala da mineração ilegal com dados públicos e satélites
  • Data: 30/05, das 16h às 18h
  • Facilitadores: Nilo D’Ávila, pesquisador sênior, e Laís Modelli, jornalista e coordenadora de imprensa do Greenpeace Brasil.
Service Desk – Sessões de consultoria gratuitas de 30 minutos**
  • Data: 31/05, a partir das 9h
  • Consultora: Madison Karas, Líder de Design de Serviços na Gazzetta Civic Media

** Atividade exclusiva para participantes da oficina “Do conteúdo ao design de serviços: como projetar seu primeiro experimento de serviço“. Máximo de 6 pessoas. Link de agendamento para participação será enviado por e-mail.

Acessibilidade em sites jornalísticos
  • Data: 31/05, das 10h às 12h
  • Facilitadora: Carla Beraldo, jornalista, especialista em Acessibilidade Digital, membro do Grupo de Pesquisa em Jornalismo Online da UFBA.
Tempos de ruptura: como criar alianças simbióticas entre jornalismo e sociedade civil
  • Data:31/05, das 10h às 12h
  • Facilitador: Pablo Baños, Gerente de Comunicação da Fundação Avina.
Financiando a inovação: como criar projetos de IA para fortalecer o jornalismo
  • Data: 31/05, das 14h às 16h
  • Facilitadora: Ana Paula Valacco, Gerente de Programas e Líder de Engajamento na JournalismAI
Crie seu próprio assistente de IA para redação*
  • Data: 31/05, das 14h às 16h
  • Facilitadora: Bárbara Zarpelon, Head de Marketing no Vakinha e mentora Blue Engine no AI Lab Brazil promovido pelo GNI.

* Esta oficina necessita que os participantes levem seus notebooks.

 

Aos 10 anos e rumo ao 4º ComPública, ABCPública consolida atuação nacional

Em seus 10 anos de existência, a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) se consolidou como espaço de diálogo, articulação e fortalecimento da Comunicação Pública no Brasil. Atualmente, a entidade reúne cerca de 400 profissionais, pesquisadores, estudantes e gestores públicos de diferentes regiões do país.

“Historicamente, um dos eixos da atuação da ABCPública tem sido incentivar e promover a aproximação qualificada entre profissionais que estão na linha de frente das assessorias de comunicação e pesquisadores do campo, para que as grandes questões da rotina prática também sejam vistas como tema acadêmico e de qualificação profissional”, explica a vice-presidente de Comunicação da ABCPública, Lília Gomes.

Para Lília, esse movimento “contribuiu para ampliar o reconhecimento da Comunicação Pública como área estratégica e campo de pesquisa nas universidades brasileiras”. Entre os exemplos recentes, ela cita congressos como Compolítica, Intercom e o Encontro da Sociedade Brasileira de Administração Pública, que passaram a contar com grupos de trabalho dedicados ao tema.

Lília destaca que a ABCPública também tem investido em levar o debate sobre comunicação pública para os espaços de decisão. Em março de 2026, por exemplo, a entidade enviou a gestores públicos a Recomendação de Carreira, documento que “enfatiza a importância de uma carreira de Estado que proteja a comunicação pública das flutuações no poder diretivo dos órgãos públicos”, afirma.

Os posicionamentos publicados pela associação, incluindo recomendações institucionais e manifestações dos comitês temáticos, passam por consulta pública aos associados. Geralmente, uma versão-base fica disponível por cerca de um mês para receber contribuições dos associados e demais interessados.

Rumo ao 4º ComPública

Em 2026, um dos marcos da atuação da ABCPública será a realização do 4º Congresso Brasileiro de Comunicação Pública. O evento será realizado na Câmara dos Deputados, em Brasília, e reunirá profissionais, pesquisadores, estudantes e gestores públicos de todo o país para discutir os desafios atuais da Comunicação Pública e fortalecer a rede nacional de comunicadores públicos.

A associação também ampliou sua atuação pedagógica com o lançamento da Escola ABCPública, iniciativa criada para formar comunicadores públicos e qualificar a atuação das assessorias de comunicação do poder público. No próximo sábado, 16 de maio, começa a sétima edição do Curso Completo de Comunicação Pública, uma parceria entre a ABCPública e a Aberje.

Os associados da ABCPública têm acesso gratuito a um amplo acervo de cursos, palestras e seminários online. Com anuidade de R$ 180,00, e descontos para algumas categorias, é possível acessar conteúdos exclusivos diretamente pelo site da entidade, na área “Meus Benefícios”, em “Capacitação”.

Lília também destaca que o grupo de WhatsApp exclusivo para associados coloca em debate, diariamente, temas atuais da comunicação pública, além de favorecer a troca de experiências entre comunicadores.

Alguns dos cursos disponíveis para os associados

Os associados têm acesso a cursos online, palestras e eventos sem custo adicional. Entre os conteúdos disponíveis estão as palestras do 2º Seminário Mineiro de Comunicação Pública; o curso Política de Comunicação: por que e como elaborar, implementar e atualizar; e o Ciclo de Boas Práticas da Regional ABCPública em São Paulo.

Esse ciclo inclui painéis sobre temas como comunicação de risco e prevenção de desastres, com a experiência da Defesa Civil de São Paulo; informação pública direto da fonte, com a experiência da Agência SP; comunicação pública na Câmara Municipal de Barueri; e atuação da CPTM nas redes sociais.

Também estão disponíveis os conteúdos do Seminário Gestão de Riscos e Reputação no âmbito das organizações públicas e a palestra Desafios e perspectivas da Comunicação Pública no cenário contemporâneo, com Eugênio Bucci.

Dono da IstoÉ atrasa salários em meio a escândalo de repasse de dinheiro para filme de Bolsonaro

Antônio Carlos Freixo Junior é dono do Grupo Entre, que controla desde 2022 a IstoÉ Publicações

* Por Fernando Soares e Victor Félix

Jornalistas da IstoÉ Publicações, dona das marcas IstoÉ, Dinheiro, Gente, Motorshow, Planeta, Menu e Dinheiro Rural, entraram em greve nesta quinta-feira (14/5) por conta dos constantes atrasos nos pagamentos dos salários e benefícios.

O imbróglio acontece em meio aos escândalos envolvendo a Entre Investimentos e Participações, do empresário Antônio Carlos Freixo Junior. Dona da IstoÉ Publicações, a empresa foi apontada também nesta quinta-feira como intermediadora de repasses financeiros do Banco Master para a produção do filme Dark Horse, que retrata a campanha de Jair Bolsonaro à Presidência da República em 2018.

Antônio Carlos Freixo Junior é dono do Grupo Entre, que controla desde 2022 a IstoÉ Publicações

Segundo uma fonte ouvida por este Portal dos Jornalistas, por causa dos problemas judiciais enfrentados pelo empresário, seus bens e do Grupo Entre estão bloqueados, impossibilitando não apenas o pagamento aos funcionários, mas também de serviços básicos como o provedor de e-mail e a plataforma para publicação de conteúdo nos sites das publicações, que seguem sem atualizações desde a última segunda-feira (11/5). “Só temos acesso às redes sociais, mas sem poder publicar novas matérias”, informou um funcionário da editora que preferiu não se identificar.

Com isso, ainda que a greve não estivesse ocorrendo, os jornalistas estariam praticamente impedidos de trabalhar pela falta de estrutura básica. Na noite desta quinta-feira uma nova assembleia foi realizada para atualizar a situação. Durante o encontro, foi informado que o juiz responsável pelo caso estaria preparando uma liminar pra liberar ainda nesta sexta-feira (15/5) os pagamentos dos funcionários e o básico pra continuar as operações dos sites.

Em nota enviada a este Portal dos Jornalistas, a IstoÉ Publicações confirmou que “a intermitência nos pagamentos de funcionários e fornecedores da IstoÉ decorre do bloqueio judicial de parte dos bens e ativos financeiros do Grupo Entre, ao qual a empresa pertence. A medida impacta temporariamente a operação financeira da companhia e o cumprimento de compromissos com colaboradores e parceiros. O grupo mantém diálogo constante com as autoridades competentes para regularizar a situação o mais rapidamente possível e reafirma seu compromisso com profissionais, fornecedores e leitores, seguindo empenhado na busca por uma solução responsável e célere para o momento enfrentado”.

Sobre o caso

A Entre Investimentos foi, segundo o Intercept Brasil, utilizada para o repasse de R$ 61 milhões para financiar o filme Dark Horse. Desse valor, cerca de US$ 2 milhões (R$ 12, 2 milhões) foram destinados ao fundo Havengate Development Fund LP, registrado no Texas, nos Estados Unidos, e gerido por Paulo Calixto, advogado de imigração do ex-deputado federal, Eduardo Bolsonaro, irmão do senador Flavio Bolsonaro, pré-candidato à Presidência da República pelo PL.

A movimentação gerou suspeitas dentro da Polícia Federal, que agora investiga se o dinheiro teria sido destinado de fato à produção do filme ou se houve desvio de finalidade, sendo usado para custear a permanência de Eduardo Bolsonaro nos Estados Unidos. O ex-deputado, vale lembrar, é considerado foragido pela Justiça brasileira.

Além do envolvimento com o filme sobre o ex-presidente, o jornal O Globo denunciou que outros repasses da Entre Investimentos, realizados entre julho de 2022 e dezembro de 2025, teriam sido destinados a empresas investigadas pela Polícia Federal por lavagem de dinheiro, participação em fraudes de combustíveis e até ligação com facções criminosas como o Primeiro Comando Capital (PCC) e a máfia italiana.

Em nota enviada ao jornal, o grupo informou que “realiza suas operações em conformidade com as normas e regulamentações aplicáveis ao setor financeiro”. “A empresa reforça seu compromisso com a integridade, a transparência e o cumprimento da legislação vigente, permanecendo à disposição das autoridades competentes sempre que necessário”, completa.

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