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sexta-feira, abril 19, 2024

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Nova direção do Grupo RAC recusa-se a pagar salários atrasados, denuncia Sindicato

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo publicou um comunicado relatando a difícil situação vivida pelos profissionais que integravam a equipe do Correio Popular, de Campinas, e a decisão do Grupo RAC, que edita a publicação, de não pagar os atrasados aos profissionais.

Entenda o caso

Mergulhado em dívidas – principalmente trabalhistas –, o Correio vem enfrentando seguidas greves de jornalistas por atraso nos pagamentos. Em alguns casos, a dívida já supera 20 salários.

Ítalo Barioni

Em 18 de janeiro, dia em que teria início uma nova greve, a direção do grupo anunciou a troca no seu comando. O nome escolhido foi o do empresário Ítalo Hamilton Barioni, do Grupo Contém, tido como um especialista em recuperação de empresas. Apesar da mudança, Sylvino de Godoy Neto, que presidia do Grupo, permaneceu como presidente do Conselho Editorial.

Vale lembrar que ele já estava licenciado da Presidência da RAC desde que teve seu nome envolvido em investigação do Ministério Público sobre um escândalo no Hospital Municipal Ouro Verde, na qual chegou a ter a prisão decretada.

Comunicado

Confira a íntegra do comunicado emitido pela Diretoria do Sindicato dos Jornalistas:

A direção do Correio Popular comunicou ao Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo, nesta quinta-feira, 28 de janeiro, que a empresa não vai pagar nenhuma quantia referente aos atrasados que, para alguns profissionais, já supera 20 salários. À noite, os jornalistas, em seu 11º dia de greve contra o atraso nos salários, realizaram assembleia e decidiram manter o seu movimento.

A situação dos 30 jornalistas agrava-se dia a dia, diante da criminosa indiferença da empresa: o último pagamento, de apenas 1/8 do valor do salário, foi feito em 8 de janeiro, e vários profissionais não têm dinheiro sequer para pagar as contas básicas, como alimentação e moradia.

A empresa havia levantado a perspectiva de um acordo. Em reunião com o Sindicato em 18 de janeiro, o administrador da RAC (Rede Anhanguera de Comunicação, que publica o jornal), Ítalo Barioni, apresentou uma proposta para resolver os débitos trabalhistas acumulados com os jornalistas em greve e os ex-funcionários da empresa. Por ela, um prédio do grupo no centro de Campinas seria oferecido para leilão judicial, destinando-se o resultado à quitação das dívidas trabalhistas.

Os jornalistas haviam aceitado avançar na negociação de um acordo, desde que a empresa pagasse ao menos dois salários atrasados para que a greve fosse encerrada. Os donos da empresa (acionistas), como se sabe em Campinas, têm patrimônio pessoal que permite atender a essa demanda – demanda parcial e até modesta, considerando-se que são os grandes responsáveis pela catástrofe que se abate sobre dezenas e dezenas de profissionais e suas famílias. Onze dias depois, a empresa comunica sua resposta negativa ao pagamento de qualquer quantia.

Neste período, apunhalou os grevistas, montando uma redação para furar a greve. A nova redação iniciou sua atividade no primeiro dia de paralisação, 18 de janeiro, tocando o jornal desde então. A nova administração começa sua gestão violando a lei, pois, pelo parágrafo único do artigo 7º da lei 7.783, “é vedada a rescisão de contrato de trabalho durante a greve, bem como a contratação de trabalhadores substitutos (…)”. A legitimidade da greve é incontestável por qualquer pessoa dotada de um mínimo senso de Justiça, pois a empresa não paga os salários de seus funcionários. E as pessoas agora amealhadas para furar a greve já vêm ainda mais precarizadas, pois sequer se fala em contratá-las. Já se promete, desde logo, a fraude ao vínculo trabalhista de futuros funcionários.

Se falta alerta, este Sindicato avisa aos jornalistas que, neste momento, trabalham na redação fura-greve que elabora o Correio Popular, que estão violando abertamente o Código de Ética da profissão, além da solidariedade de classe com colegas em luta contra o não-pagamento de seus salários. Tal postura só auxilia a empresa a prosseguir no embuste que mantém há anos, abusando de profissionais que, a despeito de seu compromisso diário com o trabalho jornalístico, veem suas vidas serem tragadas pelo pesadelo do atraso crônico no pagamento de seus salários.

A assembleia dos jornalistas, nesta quinta (28), decidiu manter seu movimento, sua reivindicação – pagamento de todos os salários, 13ºs e depósitos de FGTS atrasados – e denunciar para a sociedade a vilania da forma de agir da direção e dos donos do Correio Popular, que fogem de sua obrigação social de pagar salários e recrutam gente de forma precária para montar uma equipe fura-greve.

Nesta sexta-feira (29), o Sindicato comunicou também ao Ministério Público do Trabalho as medidas antissindicais da empresa contra o legítimo direito de greve de seus trabalhadores. Em ação coletiva iniciada pelo Sindicato em dezembro de 2020 para cobrar o pagamento dos salários atrasados, a Justiça decidiu de forma liminar, também nesta sexta (29), arrestar os bens da empresa que possam garantir a quitação dos débitos.

Sem ética não há jornalismo! Sem jornalismo quem perde é a sociedade e o direito à informação, que tem de ser garantido a todos os cidadãos.

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