Monitor Mercantil: um clássico reciclado

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

Marcos de Oliveira

O Monitor Mercantil prepara uma reforma gráfica e editorial para estrear em 26/11, quando o jornal completa 106 anos. Marcos de Oliveira, diretor de Redação desde 1989, comenta o que motivou as mudanças: “Fazemos aperfeiçoamentos e acréscimos com a visão de haver espaço para um jornal econômico competitivo crescer”. E confidencia: “No final dos anos 1990, Paulo Guedes [NdaR: guru do presidente eleito Bolsonaro na economia] me disse que os anos 2000 seriam de oportunidades para duas áreas, Educação e Mídia”.

Oliveira considera que o Monitor ocupa hoje um intervalo claro no Rio; informa que circula em Brasília e Minas Gerais, e produz também uma edição para São Paulo, com particularidades regionais. E analisa a concorrência: “Hoje, depois da saída dos Associados [NdaR: Jornal do Commercio], o único jornal com circulação nacional nesse segmento é o Valor Econômico. Existe uma perspectiva de crescimento”.

A primeira mudança será a integração visual entre o impresso e o digital, pois havia diferenças na programação do jornal e da web – site, Twitter, Facebook. Felipe Coelho, ex-SRzd, foi contratado para cuidar da parte digital, incluindo o marketing, e para assimilar o conteúdo da redação. Entre outras tarefas, está a de contornar contratempos que aparecem, como o nome Monitor Mercantil não caber no Twitter, pelo número de caracteres. A nova identidade visual vai das redes sociais até o cartão de visitas.

Também está prevista a contratação de colunistas, pois o jornal, que este ano perdeu três deles por motivos de saúde, negocia as substituições. Áreas novas, como uma seção de vinhos para o fim de semana, também estão na finalização dos acordos. E há conversas em andamento com novos possíveis articulistas de opinião, pois Oliveira vê o jornal como identificado pela análise do setor financeiro e da economia política.

Para firmar tantas mudanças, o Monitor acaba de admitir um novo acionista: Ariovaldo Rocha, presidente do Sinaval (Sindicato da Indústria Naval), entra como pessoa física, sem participação da entidade. Reitera a história do jornal, que é uma S.A. desde 1916, quando o Estaleiro Mauá foi um dos primeiros acionistas, apesar de alterar, depois, a composição acionária. “Esperamos mudanças significativas na economia do País, com espaço para o crescimento do setor de mídia”, reitera Oliveira.

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