Estrutura do Grupo Globo em 2020 privilegiará o digital

Jorge Nóbrega. Foto: João Cotta/Globo

A partir de janeiro, TV Globo, Globosat, Som Livre, Globo.com, Globoplay e DGCorp vão se juntar em uma nova empresa que receberá o nome Globo. Anunciada pelo presidente executivo Jorge Nóbrega em 7/11, a estrutura integrada é resultado da estratégia de transformação digital da Globo, iniciada em setembro de 2018, com o programa UmaSóGlobo.

Centrado no relacionamento direto com o consumidor e no profundo conhecimento de seus hábitos, o programa UmaSóGlobo alia tecnologia e dados a conteúdos, permitindo ampliar a oferta de experiências ao público. Sem abrir mão de sua crença na força da TV, a empresa trabalha para ser também um dos maiores players de produtos e serviços digitais (D2C) do Brasil.

Em sua nova estrutura, a Globo continuará a ter o conteúdo como grande diferencial competitivo, usando os melhores princípios e técnicas dos produtos digitais, lineares e publicitários. Mas vai além: centralizará a criação e produção de conteúdos de forma separada dos canais e serviços, agrupará os negócios digitais em uma única área, concentrará as expertises corporativas em núcleos de competência para apoio a toda a empresa e buscará parcerias para explorar novos segmentos de negócio, relacionados a seus ecossistemas.

Nessa nova estrutura, Paulo Marinho, à frente de Canais Globo, responderá pela TV Globo, pela gestão de sua rede de afiliadas e pelo portfólio dos canais de televisão por assinatura. A Criação & Produção de Conteúdo será liderada pelo atual diretor-geral Carlos Henrique Schroder, que vai comandar a criação e produção de conteúdos de Entretenimento, Esporte e Jornalismo para todas as plataformas. A orientação editorial do jornalismo da empresa continuará sendo exercida pelo Conselho Editorial do Grupo Globo, que conta com a participação de Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Globo.

Produtos & Serviços Digitais estará a cargo de Erick Brêtas, gerindo o portfólio de iniciativas digitais, como Globoplay, G1, Globoesporte.com, Gshow, a home da Globo.com, o Cartola e novos produtos e serviços que continuarão a ser lançados.

Ao concentrar toda a venda de publicidade, a área de Soluções Integradas de Publicidade, sob a direção de Eduardo Schaeffer, monetizará os inventários lineares e digitais, com a missão de maximizar a receita publicitária, oferecendo oportunidades para marcas e anunciantes que serão substancialmente alavancadas por inteligência de dados, gerando ainda mais resultados mensuráveis para os clientes. A aquisição de diversos tipos de direitos necessários à produção audiovisual, principalmente em esporte e entretenimento, estará também reunida numa nova área, Aquisição de Direitos, sob a liderança de Pedro Garcia.

Comandada por Rossana Fontenele, a área de Estratégia & Tecnologia será responsável pela proposição da visão de longo prazo do negócio, parcerias e alinhamento estratégico. Tecnologia, disciplina fundamental para a transformação da Globo em uma empresa mediatech, também se reportará a Rossana.

Marca & Comunicação terá Sergio Valente à frente. Finanças, Jurídico & Infraestrutura responderá a Manuel Belmar. Claudia Falcão vai liderar Recursos Humanos. Paulo Tonet comandará Relações Institucionais. E Marcelo Soares estará à frente da Som Livre – acumulando essa função com a gestão do Sistema Globo de Rádio.

A Editora Globo, sob a direção-geral de Frederic Kachar, permanecerá com gestão independente da nova estrutura Globo, reportando-se a Jorge Nóbrega.

Roberto Marinho Neto assumirá a liderança da Globo Ventures, saindo do comando do Esporte. Na nova área, será responsável pelos investimentos diretos dos acionistas em novos negócios, mantendo uma relação constante de proximidade e atuação articulada com a Globo.

“O modelo que apresentamos é um passo muito importante em nossa jornada de transformação”, disse Nóbrega na apresentação da nova estrutura a executivos da empresa. “Escolhemos nos organizar por produtos e serviços – lineares, digitais e publicitários – e não por gêneros de conteúdo, permitindo um olhar de portfólio multigênero e multiplataforma. Com isso, o Esporte deixa de se organizar como uma vertical de negócio. A criação e produção de conteúdo esportivo será parte da área integrada de Criação & Produção de Conteúdo e as demais funções estarão distribuídas nas outras áreas da empresa. Os ganhos alcançados com a integração do Esporte, em 2016, foram fundamentais para darmos esse passo hoje. Sob a liderança de Roberto Marinho Neto, fizemos história na cobertura das Olimpíadas e da Copa do Mundo, mas também na gestão integrada de direitos e no conhecimento do torcedor brasileiro, comprovando o potencial de atuarmos juntos”, esclarece o presidente executivo da Globo. (Confira a íntegra da apresentação de Nóbrega)

As mudanças começam a ser implantadas em janeiro e a evolução desta primeira etapa da estrutura organizacional da Globo será detalhada nos próximos meses, como parte dos desdobramentos do programa UmaSóGlobo.

Demissões – Segundo o colunista de TV Daniel Castro, do UOL, a unificação das áreas poderá resultar na demissão de 2.500 empregados da empresa. Um ex-executivo do primeiro escalão da Globo ouvido pelo colunista disse que, apesar de parecer exagerado e alarmista, o número faz sentido. Ele seria possível com a redução de postos de trabalho devido à eliminação de estruturas redundantes. Na nova configuração, por exemplo, haverá um só departamento de recursos humanos para todas as empresas integradas. E 2.500 demissões representam “só” 16,7% dos 15 mil funcionários da Globo.

A Comunicação da Globo refutou a Daniel Castro o corte de 2.500 vagas. Mas admitiu que haverá demissões. “Todas as grandes empresas modernas passam por processos na busca de eficiência e evolução constante e, nesse contexto, é natural que se façam ajustes. Na Globo não é diferente”, disse a emissora em nota.

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