Estadão passa a dar tratamento diferenciado às notícias de última hora

Empresa aumenta o foco no digital, mas sem descuidar do impresso

 

Na última quarta-feira (27/9), o Estadão deu início aos trabalhos de uma nova equipe, denominada Now. São 12 profissionais que vão ficar junto da home do portal cuidando exclusivamente de dar tratamento diferenciado às notícias de última hora, as chamadas breaking news.

Segundo o diretor de Jornalismo João Caminoto, às vezes notícias relevantes vão muito cruas para o portal: “Então, se tem relevância, esse pessoal vai complementar, agregar fotos, vídeo, vai ao acervo ver se há material adicional, põe nas redes sociais… A gente brinca que é um salão de beleza da notícia. Vai funcionar 24 horas. São jovens profissionais, a maioria oriunda do nosso Curso de Focas, um pessoal que estava espalhado e que estamos juntando. Isso até agora era feito de maneira muito diluída. A exemplo do nosso editor de Audiência, que fica monitorando os leitores e os concorrentes na internet (é o rádio-escuta da era web), o pessoal do Now também estará de olho nas redes sociais”.

Em entrevista a J&Cia, Caminoto disse que essa novidade está dentro do contexto de mudanças permanentes pelas quais o jornal vem passando já há bastante tempo: “Mas precisamos acelerar isso, principalmente porque nossa audiência digital é cada vez mais relevante. Pelo Google Analitycs, saltamos de 16 para 22 milhões de usuários únicos por mês nos últimos 18 meses. E isso apesar de termos limitado os acessos grátis a seis por usuário/mês nesse período. Também mudou aquela situação em que era difícil ter feedback dos leitores, saber o que eles queriam. Hoje esse retorno é imediato. Então, dentro dos padrões e filosofia do jornal, temos que atender ao que o leitor quer de nós. Assim, as mudanças que temos feito têm como foco o leitor: o que ele lê, quando, como, sem fugir nos nossos parâmetros. Estamos formando uma equipe de BI (Business Inteligence) para nos ajudar nessa tarefa de conhecer melhor o leitor e seus hábitos”.

Segundo ele, em paralelo, há duas vertentes de mudança na redação: uma, de alteração nos processos, ainda muito atrelados ao impresso: “Até pouco tempo atrás, você entrava aqui de manhã e era um deserto. Isso mudou: vários editores titulares estão chegando às 8h da manhã. Ou o editor ou o sub, e o outro fecha à tarde. Também acabou o conceito das editorias atreladas ao jornal impresso. Elas são produtoras de conteúdo, para podcast, mídias sociais ou impresso. Isso já está bastante solidificado na redação. Perto de 80% das editorias já têm essa mentalidade. Mesmo em Política, em que o timming do noticiário dificulta a implementação, isso já está mudando”

Caminoto afirma que, além disso, tem buscado estimular a criatividade do pessoal, para que eles deem ideias, por exemplo, de novos produtos: “Como resultado disso, há uns dois meses lançamos no Instagram um boletim chamado Drops. Foi feito pela molecada, mistura hard news com o dia a dia e está dando coisa de 500 mil downloads por dia. É claro que fazemos curadoria, mas a linguagem é diferente. Também há cerca de quatro meses começamos com podcasts que já ultrapassaram um milhão de downloads. E outras iniciativas, todas nascidas dentro da redação. É uma permanente efervescência”.

Se o aumento exponencial da audiência justifica reforçar o foco no digital, nem por isso o impresso é deixado em segundo plano, diz ele: “Também vai um pouco por esse caminho. Terá uma equipe cada vez mais dedicada a qualificar o produto. Está muito claro que ele precisa ter um diferencial: texto aprimorado, enfoque mais profundo, inovador. E vai chegar o momento, talvez no ano que vem, em que teremos uma equipe para isso, que vai pensar em como entregar um produto diferente no dia seguinte. Vimos tentado trazer mais matérias exclusivas para o impresso, evitar dar manchetes do dia anterior e acho que temos tido algum sucesso. Embora o digital tenha muita audiência, a relevância está no impresso. Por isso acreditamos nele. Ainda é responsável pela maior parte do faturamento”.

Com relação ao que virá, ele considera estar muito claro para a indústria jornalística que o futuro está no aumento da base de assinantes: “E em ter bom jornalismo, de qualidade, analítico, investir em reportagens especiais, no furo. Quando surge uma notícia de impacto as pessoas podem até ver na mídia social, mas vão verificar aquilo junto aos grandes veículos. Essa questão das fake news acabou fortalecendo a posição dos jornais como chanceladores”.

A redação do Estadão tem hoje cerca de 400 profissionais, cem deles na Agência.

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