Em busca de alternativas para a falta de emprego formal

Profissionais que deixaram as redações nos últimos meses no Rio criaram no facebook o grupo Juntos somos melhores, com o objetivo específico de abrir um jornal multiplataforma. Eles têm pressa de agir e não se acanham em expor o motivo da pressa: as contas para pagar. Em 3/9, fizeram uma reunião no Sindicato dos Jornalistas do Município, que cedeu o espaço e deu apoio à iniciativa. Flávia Oliveira não esteve lá, mas enviou sugestões, entre elas a criação de um espaço de trabalho bem equipado para os colegas que passarem a viver de frilas e não tenham em casa uma estrutura bem montada. A presidente Paula Máiran postou depois esse e outros resultados do encontro, entre eles a formação de cooperativas de jornalistas. E convocou uma assembleia para a noite desta 3ª.feira (8/9), tendo na pauta as formas jurídicas e políticas de resistência às demissões. Muito a propósito, a série Repórter, realizada no Itaú Cultural, em São Paulo, com curadoria de Eliane Brum, trouxe em 2/9 o painel Narrativas de transição, em que os convidados discutiram o jornalismo independente. Lá estavam Bruno Paes Manso, do coletivo Ponte; Laura Capriglione, do Jornalistas Livres; Bruno Torturra, ex-Midia Ninja, há dois anos no Fluxo; Katia Brasil, do Amazônia Real; e Renê Silva, do jornal Voz da Comunidade, no conjunto de favelas do Alemão – repórteres que se dedicam a dar voz a setores da sociedade normalmente ignorados por parte da imprensa. O debate, que não podia deixar de lado as alternativas para a atual fase de demissões e fechamento de publicações. Entre as conclusões, estavam a necessidade de conquistar o público, mostrar aos leitores que podem confiar no que está escrito – e convencê-lo a pagar por isso. Mônica (Kika) Santos fez uma pesquisa sobre as saídas encontradas por jornalistas de outros países para situações semelhantes. Apareceram cooperativas no México, na Alemanha e no Canadá. E o ProPublica, com sede em Nova York, cuja receita vem de empresas e anônimos doadores, mas também de patrocinadores. E a cooperativa formada em Atenas, há dois anos, pelos profissionais que faziam o jornal Eleftherotypia, o segundo mais vendido da Grécia, quando este encerrou as atividades. Todos esperamos que um caso brasileiro bem-sucedido esteja entre as próximas citações.

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