Boicote de veículos ao Governo britânico denota relacionamento tenso

Por Luciana Gurgel, de Londres, especial para o Portal dos Jornalistas

O boicote de jornalistas a uma coletiva na sede do Governo britânico sobre o Brexit em Londres nessa segunda-feira (3/2) repercute fortemente nos meios jornalísticos e políticos. Repórteres de The Mirror, i, HuffPost, PoliticsHome, Independent e da agência de notícias PA foram proibidos de participar por não terem sido convidados, apesar de credenciados para a cobertura do Governo no Parlamento. Em solidariedade, colegas de BBC, ITV, SkyNews, The Guardian e até do Daily Telegraph, que apoia o Governo de Boris Johnson, recusaram-se a entrar na sala.

A NUJ (National Union of Journalists) divulgou uma nota em que classifica o incidente como alarmante, e um ataque à liberdade da Imprensa. Keir Starmer, principal candidato à liderança do Partido Trabalhista, enviou carta ao Governo pedindo uma investigação sobre o caso.

O caso ganhou as primeiras páginas de vários jornais, com críticas à conduta do setor de Imprensa do Governo britânico, que estaria escolhendo a dedo os jornalistas com quem quer falar e deixando veículos críticos à margem.

É a ponta do iceberg em um relacionamento que se tornou mais tenso após as eleições gerais de dezembro passado, que deram vitória a Boris Johnson, ex-jornalista. Desde então algumas práticas históricas vem sendo alteradas.

A transferência dos briefings diários concedidos por membros do Governo da sede do Parlamento para a residência oficial do primeiro-ministro foi uma delas, causando reação dos veteranos credenciados, organizados em um grupo denominado “Lobby”. Entre os temores manifestados estava justamente o risco de o Governo bloquear a entrada de profissionais, o que não aconteceria nas dependências neutras do Parlamento.

Lee Cains, diretor de Comunicação de Boris Johnson, sustentou a atitude sob o argumento de que o Governo tem a prerrogativa de falar com quem quer e onde quer. Mas a posição foi questionada por quem defende a tese de que o acesso a informações sobre temas públicos deve ser livre a todos os veículos interessados.

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