William Waack deixa definitivamente a Rede Globo

William Waack

Por Cristina Vaz de Carvalho, do Rio de Janeiro

Na última semana de dezembro, Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo e Esportes da Rede Globo, emitiu comunicados sobre trocas de lugares entre apresentadores da Rede Globo.

Como era esperado, William Waack teve seu contrato rescindido pela emissora. Ele estava afastado desde novembro, por aparecer num vídeo com conotações racistas. As imagens de bastidores, datadas do ano anterior, foram veiculadas em rede social por um desafeto do apresentador. Na ocasião, Waack respondia pelo Jornal da Globo e o programa Painel na GloboNews. A emissora suspendeu-o das funções durante um mês, ponderou a questão nesse meio tempo e se definiu pela rescisão contratual, que veio acompanhada do pedido público de desculpas. Foram 21 anos de Globo.

Waack fora substituído interinamente por Renata Lo Prete, agora efetivada nessas posições. Renata está na GloboNews há cinco anos; foi comentarista e depois editora de política do Jornal das Dez. Antes, trabalhou no Jornal da Tarde, mas consolidou sua carreira na Folha de S.Paulo, como repórter, correspondente em Nova York, ombudsman e editora da coluna Painel. Em 2005, recebeu o Esso de Jornalismo pela série de entrevistas que revelou o escândalo do mensalão.

A vaga de Renata no Jornal das Dez – o telejornal mais importante e de maior audiência do canal por assinatura – foi preenchida por Heraldo Pereira. Ele começou como repórter em emissoras do interior de São Paulo, e esteve na TV Manchete e no SBT antes de chegar à Globo de São Paulo. Foi também da sucursal de Brasília, onde se notabilizou por ter fontes exclusivas nos Três Poderes. Participou ainda de importantes coberturas internacionais e, há 15 anos, apresenta o Jornal Nacional nos finais de semana e nas ausências de William Bonner.

Natuza Nery, que substituiu interinamente Renata Lo Prete no Jornal das Dez, passa a comentarista de política do mesmo telejornal, com participação em outros horários. Na Globo há apenas um ano, Natuza afirmou-se como uma jornalista versátil.

É muita mudança

Em retrospecto, se considerarmos todas as mudanças ocorridas no Jornalismo da Rede Globo no segundo semestre de 2017, temos que concordar com o que Daniel Castro, no UOL, chamou de “maior dança das cadeiras do século” na emissora. Mesmo levando em conta que o novo século está ainda no início – e que é precipitado eleger os maiores desse tempo –, a Globo fez alterações que, juntas, talvez tenham reflexo no perfil dos noticiários da casa, tanto na tevê aberta como na tevê paga.

Em agosto, Evaristo Costa deixou a Globo e o Jornal Hoje, e foi substituído por Dony De Nuccio que estava no Jornal das Dez da GloboNews. Aí, quem ocupou sua vaga foi Renata Lo Prete, até então na edição e comentários da política desse telejornal. E na véspera deste Natal (24/12/17), De Nuccio substituiu Tadeu Schmidt no Fantástico.

Além dos rostos que aparecem na telinha, conhecidos da audiência, houve trocas também na cúpula. Ainda em agosto, Eugênia Moreyra, diretora geral da GloboNews, anunciou seu desligamento para o final do ano. Foi substituída por Miguel Athayde, até então diretor da Regional Rio, que cedeu o lugar a Vinicius Menezes, editor do Bom Dia.

Em novembro, Luiz Nascimento, diretor do Fantástico por 25 anos, comunicou que acompanharia sua mulher, Eugênia Moreyra, numa mudança do casal para Portugal. Nascimento foi substituído por Bruno Bernardes, há vários anos no expediente do programa.

A expectativa é que o padrão Globo se mantenha, independentemente dos nomes que o fazem. E será curioso observar se haverá contribuições significativas, em termos de criatividade, para esse paradigma, na medida em que as condições materiais são as ideais no Brasil… desde que respeitada a cobrança por um exagero de audiência, e desde que haja uma resistência obstinada a um clima organizacional talvez hostil, como observamos no início deste texto.

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