Veículos repudiam ataques frequentes de Bolsonaro à imprensa

Em editorial publicado nesta sexta-feira (28/2), o Estado de S.Paulo repudiou os ataques frequentes que o presidente Jair Bolsonaro vem direcionando à imprensa como um todo, vistos como uma afronta à democracia do País. O jornal relembrou ainda que ele, como chefe de Estado, é um poderoso influenciador político, e acaba propagando seu “ódio” à imprensa aos seus seguidores, que trilham o mesmo caminho e direcionam ataques aos jornalistas.

O Estadão afirmou que, “quando jornalistas são sistematicamente vilipendiados pelo presidente da República e por parlamentares que lhe são fiéis, como tem acontecido com frequência preocupante, já não se pode falar em simples antipatia; o que se tem é uma violência que excede, e muito, os limites estabelecidos para a convivência democrática. É agressão pura e simples, própria de ambientes incivilizados, em que os maus modos e a truculência são considerados um valor”.

O artigo relembra os recentes ataques à jornalista do Estadão Vera Magalhães, que revelou que Bolsonaro havia compartilhado um vídeo em seu WhatsApp convocando seus seguidores para uma manifestação contra o Congresso no dia 15 de março. Bolsonaro não desmentiu a informação, e seus seguidores a atacaram de diversas formas, com direito a ameaças, dados pessoais divulgados e invasão de privacidade. Segundo o Estadão, “a jornalista não foi criticada por ter dado uma informação errada; ela foi enxovalhada justamente por ter feito bem o seu trabalho”.

O jornal finaliza o editorial reiterando que “a intimidação e o constrangimento de jornalistas é passo fundamental para a degradação da democracia. (…) Afinal, se o jornalismo já é importante numa democracia sólida e estável, mais ainda o é numa democracia que está sob ataque de ‘liberticidas’”.

Em sua coluna no UOL, Jamil Chade comparou a postura de Bolsonaro para com a imprensa à que o ditador alemão Adolf Hitler tinha com a imprensa alemã durante o nazismo. Segundo o colunista, o termo “a imprensa que mente”, utilizado com frequência por Bolsonaro, era também usado por Hitler quando os jornais alemães o criticavam, justificando que a imprensa nacional “estava toda dominada por judeus. A explicação era simples: tudo aquilo não passava de uma manobra dos judeus”.

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