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sexta-feira, maio 27, 2022

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Ricardo Gallo lança livro sobre brasileiro fuzilado na Indonésia

Com um debate que terá a participação de Sérgio Dávila, editor executivo da Folha de S.Paulo, Ricardo Gallo, repórter do caderno Cotidiano do jornal, lança na capital paulista na próxima 4ª.feira (4/3), às 18h30, na Livraria da Vila do Shopping Pátio Higienópolis (av. Higienópolis, 618 – Piso Pacaembu), o livro Condenado à morte – A história do primeiro brasileiro a receber a pena capital e ser executado no exterior (Três Estrelas/Publifolha). A obra, com tiragem inicial de cinco mil exemplares, tem com base cinco anos de pesquisas sobre a vida de Marco Archer Cardoso Moreira, o primeiro brasileiro a ter sido executado no exterior em tempos de paz, além de uma entrevista que Ricardo fez com o condenado na prisão, na Indonésia. O autor falou ao Portal dos Jornalistas sobre o livro: Portal dos Jornalistas – O que o levou a escolher essa história para transformar em livro? Chegou a acompanhar de perto a cobertura do episódio? Ricardo Gallo – Em agosto de 2009, a Folha me indicou para representar o jornal em um fórum econômico e de turismo na Indonésia. Comecei, então, a procurar pautas relacionadas ao país e encontrei a história do Marco Archer Cardoso Moreira, na ocasião já condenado à morte por tráfico de drogas. Minha ideia inicial era fazer uma reportagem para a Folha. Passei a tentar entrar em contato com a mãe do Marco e, em janeiro de 2010, consegui enfim entrevistá-lo, por telefone, o que resultou em uma reportagem publicada no caderno Cotidiano. Mantive contato com o Marco por telefone e notei que a história dele rendia mais do que uma reportagem. Ele próprio achava que a história dele valia um livro – e então levei essa proposta adiante. Primeiro, procurei o editor da Publifolha Alcino Leite Neto, que gostou da história; em agosto de 2010, tirei três meses de licença do jornal e fui para Indonésia, Holanda, Cingapura, Rio e Manaus apurar a história dele. Na Indonésia, estive na prisão de Pasir Putih, na cidade de Cilacap, onde entrevistei o Marco pessoalmente. Depois, ao voltar, comecei a escrever o livro e apurá-lo mais. Aqui no jornal, cobri essa história desde 2010, com todos os desdobramentos. Fui o único na grande imprensa a entrevistá-lo desde então, tanto para o jornal quanto para o livro. Em janeiro de 2015, voltei a Cilacap para cobrir, para a Folha, a execução dele. Portal dos Jornalistas – Quais as maiores dificuldades enfrentadas e o que fez para superá-las? Ricardo – As maiores dificuldades foram apurar muitas das informações do caso à distância (a Indonésia fica a dois dias de viagem, de avião) e o contato com o governo indonésio. Contei com ajuda de jornalistas locais para falar com autoridades de lá e usei conhecidos para traduzir documentos em bahasa, a língua indonésia. Outra dificuldade foi obter informações com o Itamaraty, que não tinha nem tem interesse em dar exposição ao caso. Mas durante a apuração veio a Lei de Acesso à Informação e, por meio dela, obtive telegramas trocados entre a embaixada do Brasil em Jacarta e a sede do Itamaraty, em Brasília, sobre o caso do Marco. Pesquisei também centenas de documentos de entidades como ONU e Anistia Internacional. Portal dos Jornalistas – O que mais o impressionou nesse episódio todo? Ricardo – A ousadia do Marco ao fugir, logo depois de ter sido flagrado com droga no aeroporto na Indonésia. Ele ficou duas semanas foragido. Outra coisa foi a corrupção do sistema judiciário indonésio. Entrevistei um prisioneiro que entrou no país com cocaína, tal qual o Marco, mas que pagou a um juiz para não ser condenado à morte. Esse prisioneiro hoje está solto, enquanto o Marco foi fuzilado. Outro episódio que chama a atenção é a crueldade da execução da pena: o Marco foi posto em uma cruz para ser fuzilado. Ele, paradoxalmente, até receber a notícia de que seria executado, não achava que ia morrer. Portal dos Jornalistas – Pode falar um pouco dos bastidores, citando alguma curiosidade do trabalho de campo e das pesquisas? Ricardo – Eu não contava que o Marco fosse ser morto. Em 2014, concluí o livro com o último capítulo batizado de Condenado ao esquecimento. Esse capítulo contava que o Marco não seria solto, mas tampouco seria morto. Era essa a realidade durante a gestão do presidente indonésio Susilo Bambang Yudhoyono. O presidente era linha dura no discurso mas moderado na prática, e se comprometeu com o governo brasileiro a não executar o Marco. Ocorre que o presidente deixou o cargo em outubro de 2014 e o sucessor, Joko Widodo, assumiu disposto a fuzilar quem estivesse condenado à morte por tráfico de drogas. Foi então que a situação do Marco começou a se complicar. Em janeiro, eu soube por uma autoridade indonésia que o Marco seria executado. Procurei imediatamente o editor do livro, o Alcino, que interrompeu os planos de impressão. Logo depois que o Marco foi fuzilado, alterei os dois últimos capítulos e ele foi impresso. Portal dos Jornalistas – Como conseguiu compatibilizar o dia a dia de repórter com o projeto do livro? Ricardo – Foi um pouco puxado. Em 2010, fiquei três meses fora do jornal para apurar o livro. Depois, voltei a trabalhar e fui apurando o restante e escrevendo aos poucos. Usei parte de duas férias para concluir o livro. Está chegando às livrarias e em e-book O segredo da casa de Deus (Copacabana), romance de estreia de Neuza Sanches, que traz a história da misteriosa morte de um papa e sua investigação por um cardeal com a saúde abalada. Com passagens por Folha de S.Paulo, Estadão, O Globo, Veja e Época, Neuza é também autora do livro de não-ficção Saúde para executivos.

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