Por falta de segurança, veículos suspendem cobertura no Palácio do Alvorada

Militantes atacaram novamente a imprensa nessa segunda-feira (25/5), em frente ao Palácio da Alvorada / Crédito: Folha

Depois de meses sofrendo ataques quase que diários na porta do Palácio do Alvorada, ora pelo presidente Jair Bolsonaro, ora por seus militantes apoiadores, ao menos cinco empresas de mídia decidiram suspender a cobertura no local, alegando falta de segurança. A decisão foi tomada inicialmente pelos grupos Globo e Folha, e depois por Band, Metropoles e Correio Braziliense.

O fato que desencadeou a decisão aconteceu na manhã dessa segunda-feira (25/5), quando um grupo de apoiadores do presidente atacou os jornalistas que esperavam para entrevistar Bolsonaro.

Diante das recentes acusações contra ele e seus familiares, Bolsonaro decidiu não conversar com a imprensa e disse apenas: “No dia em que vocês tiverem compromisso com a verdade eu falo com vocês de novo, tá ok?”. A ação teria desencadeado a revolta dos militantes. Segundo o Poder 360, o Gabinete de Segurança Institucional da Presidência costuma permitir a entrada de aproximadamente 30 pessoas, que ficam próximas dos jornalistas. Na manhã dessa segunda, porém, havia cerca de 60.

A Folha confirmou que só retomará a cobertura no local “depois das garantias de segurança aos profissionais por parte do Palácio do Planalto”. Já o Grupo Globo enviou carta ao ministro do GSI, general Augusto Heleno. Declarou que seus profissionais “vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico”.

Confira a íntegra da carta do Grupo Globo, assinada pelo vice-presidente de Relações Institucionais Paulo Tonet Camargo:

“Ao cumprimentar V.Exa., trazemos ao conhecimento desse Gabinete uma questão que envolve a segurança da cobertura jornalística no Palácio da Alvorada. É público que o Senhor Presidente da República na saída, e muitas vezes no retorno ao Palácio, desce do carro e dá entrevistas bem como cumprimenta simpatizantes. Este fato fez vários meios de comunicação deslocarem para lá equipes de reportagem no intuito de fazer a cobertura.

Entretanto são muitos os insultos e os apupos que os nossos profissionais vêm sofrendo dia a dia por parte dos militantes que ali se encontram, sem qualquer segurança para o trabalho jornalístico.

Estas agressões vêm crescendo.

Assim informamos por meio desta que a partir de hoje nossos repórteres, que têm como incumbência cobrir o Palácio da Alvorada, não mais comparecerão àquele local na parte externa destinada à imprensa.

Com a responsabilidade que temos com nossos colaboradores, e não havendo segurança para o trabalho, tivemos que tomar essa decisão.

Respeitosamente,

Paulo Tonet Camargo

Vice-Presidente de Relações Institucionais

Grupo Globo”

“A imprensa mundial é de esquerda” diz Bolsonaro

Ainda nessa segunda-feira (25/5), Bolsonaro declarou que a imprensa mundial é de esquerda. Alvo de críticas de veículos jornalísticos do exterior, ele justificou sua “imagem ruim” afirmando que a mídia global teria uma posição ideológica diferente.

“A imprensa mundial é de esquerda. O (Donald) Trump sofre muito com isso”, disse o presidente, em frente ao Palácio da Alvorada, em resposta a uma apoiadora que lhe recomendou usar a Secretaria Especial de Comunicação (Secom) para fazer propaganda positiva do Brasil.

Gideon Rachman, analista de assuntos externos do Financial Times, havia publicado na mesma segunda-feira um artigo no qual afirma que Bolsonaro está levando o Brasil ao desastre com sua condução da crise gerada pelo coronavírus: “Incentivando seus seguidores a desrespeitar os bloqueios e minando seus próprios ministros, Bolsonaro é responsável pela resposta caótica que permitiu que a pandemia saia do controle. Como resultado, os danos à saúde e à economia sofridos pelo Brasil provavelmente serão mais severos e mais profundos do que deveriam ter sido. (…) No estilo populista clássico, ele vive da política da divisão. As mortes e o desemprego causados ​​pela Covid-19 são exacerbados pela liderança de Bolsonaro”. Ele também compara o presidente a Donald Trump.

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