O projeto Publique-se, da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), detectou 781 ações judiciais que envolvem 451 candidatos às eleições municipais deste ano. A ferramenta mapeia e contabiliza o envolvimento de políticos em processos.
Os assuntos processuais mais encontrados foram “Violação aos Princípios Administrativos” (64), “Improbidade Administrativa” (36) e “Dano ao Erário” (35). Além disso, 248 políticos, de 21 Estados, são citados como coautores, ou seja, quando mais de uma pessoa participa de uma infração ou execução de crime. E quatro candidatos aparecem como réus.
Estão abertas as inscrições para o 14º Prêmio New Holland de Fotojornalismo, sob o tema Agricultura, substantivo feminino. De agora até 31/1/2021, recebe trabalhos que chamem a atenção para a importância das mulheres na produção de alimentos, com dedicação, labuta e sucesso.
Fotógrafos com registro em associação de classe e imagens produzidas para veículos impressos ou online nos países participantes devem se inscrever na categoria Profissional. Já os amadores, em Aficionado. A melhor fotografia profissional da América do Sul sobre o campo leva o Grande Prêmio, de R$ 15 mil, e a melhor fotografia de máquina em operação, o Prêmio Especial Máquinas, também de R$ 15 mil. Os aficionados terão os mesmos dois prêmios, no valor de R$ 5 mil cada. São, portanto, quatro fotos campeãs. Além dessas, serão selecionadas outras 26 imagens para compor uma exposição itinerante.
O certame é patrocinado pela New Holland Agriculture e pelo Banco CNH Industrial. Em 14 anos de história, o prêmio já realizou 60 workshops e 200 exposições em 115 cidades de cinco países. Mais informações na Mano a Mano Produções ([email protected]), de Curitiba, que responde pela organização.
A cena de jornalistas portando credenciais ameaçados de prisão durante a cobertura de protestos de rua tornou-se comum em locais que atravessam turbulência política como Hong Kong, Nigéria ou Bielorrússia. Mas isso aconteceu na última quinta-feira (5/11) em Londres, capital de uma nação com tradição de imprensa livre.
Ainda que aparentemente fruto de uma trapalhada de agentes pressionados pela tensão de enquadrar manifestantes antilockdown pouco amistosos, o caso provocou reação de jornalistas e entidades, que não admitem aqui a hipótese de um jornalista ser impedido de fazer o seu trabalho dessa forma. Sobretudo porque em março os profissionais de imprensa ganharam status de trabalhadores essenciais, assegurando livre trânsito mesmo durante o lockdown.
Na segunda-feira (9/11), a Scotland Yard desculpou-se formalmente e o caso foi encerrado sem grandes consequências. Mas expôs dois riscos à sociedade agravados pela pandemia.
O primeiro é a escalada de ameaças à liberdade de imprensa que se avolumam desde março, inclusive na democrática Europa. Elas vão de meros deslizes como o de Londres a políticas de Estado envolvendo leis coercitivas.
O segundo é o avanço dos grupos contrários a medidas de controle da Covid-19, surfando na desinformação propagada via mídias sociais. Protestos antilockdown como o de quinta-feira têm acontecido quase toda semana em Londres e também em outras cidades europeias, ameaçando retardar o combate à doença mesmo com a vacina parecendo estar próxima.
Acordo do governo com plataformas digitais para conter movimentos antivacina
Site do governo publica o acordo com as plataformas
Agora, a preocupação é com a vacina. Alarmado com o elevado índice de britânicos em dúvida sobre a intenção de se imunizar, o governo chamou as plataformas à responsabilidade.
Os secretários nacionais de mídia, Oliver Downden, e de saúde, Matt Hancock, arrancaram esta semana das redes sociais o compromisso de atuar para combater a desinformação sobre a vacina contra a Covid-19. O acordo com Google, Facebook e Twitter foi selado em uma reunião virtual e publicado no site do governo em 8/11 como documento oficial, ato de forte simbolismo.
Nele, as plataformas concordam que nem elas nem usuários podem lucrar com a desinformação sobre a vacina. Prometem responder rápido quando conteúdo falso for sinalizado. E intensificar o trabalho com órgãos de saúde pública para promover mensagens confiáveis.
Se o fizerem, terá sido uma vitória e tanto. O conspiracionista David Icke só teve sua conta no Twitter, com 382 mil seguidores, suspensa há uma semana, embora Facebook e YouTube tenham feito isso seis meses atrás.
Icke propagou a tese de que a radiação emitida pelas torres de telefonia 5G diminuem a imunidade e favorecem o contágio pelo coronavírus, levando vândalos a destruirem mais de 70 delas pelo país. E lucra vendendo livros e palestras.
Já a liberdade de imprensa é mais difícil. Casos como o dos jornalistas em Londres são ínfimos perto do que acontece pelo mundo. Não começaram em março, mas a pandemia fez piorar.
A ONG Article 19 havia publicado em outubro um relatório indicando que mais da metade dos cidadãos do mundo vive sob uma crise de liberdade de expressão. A Nigéria emerge como um dos mais tristes casos. A entidade contabilizou 51 incidentes de prisão ou detenção, ameaças e confisco de equipamentos entre janeiro e outubro de 2020, contra 19 no mesmo período do ano passado.
Mesmo na democrática Europa a situação preocupa. O estudo quantitativo A Mission to Inform: Journalists at Risk Speak Out, publicado pelo Conselho Europeu, analisou as pressões exercidas e as estratégias adotadas por 20 profissionais para seguir com sua missão. Uma das participantes, a maltesa Daphne Caruana Galizia, deu a entrevista dez dias antes de ser assassinada, em 2017.
Antes de reclamar, porém, é bom que a imprensa faça o seu mea culpa. Um outro estudo, da City University e Universidade de East Anglia, revelou que a cobertura jornalística sobre o tema caiu nos últimos 16 anos, em trajetória oposta à do crescimento das ameaças.
Será que algum dia veremos a vacina para essa doença?
O Governo britânico fechou um acordo com as grandes plataformas digitais para combater a desinformação. Um dos principais itens é que lucrar com fake news sobre a vacina virou pecado mortal.
Entidades de todo o País aderiram à campanha #AbrilRespeiteoSindicato, que repudia a ação da Editora Abril, que cassou a liberação sindical de Paulo Zocchi (funcionário da empresa), presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) e vice-presidente da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj). Até o momento, 37 entidades integram a campanha.
Além das entidades, diversos profissionais de imprensa posicionaram-se contra a atitude da Abril por meio de moções de apoio a Zocchi, cartas para a editora, vídeos, atos e outras manifestações.
Funcionários da RedeTV, por exemplo, disseram que “tal atitude da Editora Abril tenta enfraquecer ainda mais nossa categoria num momento de extrema fragilidade, com desemprego, salários reduzidos em meio a pandemia”. Trabalhadores da Comunicação da Rádio e TV Cultura destacaram que estão em processo para um novo acordo coletivo com a Fundação Padre Anchieta e sem representação sindical serão frontalmente atingidos no processo de negociação.
Vale lembrar que a Abril decidiu antecipar em dez meses o fim da liberação sindical de Zocchi, rompendo uma prática acordada desde os anos 1960 entre empresas de comunicação e o Sindicato dos Jornalistas, convocando-o a retornar à empresa a partir de 30 de outubro.
A revista AzMina, em parceria com o Instituto Update e InternetLab, lança o projeto MonitorA, que analisa comentários e discurso de ódio direcionado a candidatas nas eleições municipais deste ano. O objetivo é compreender as dinâmicas da violência política de gênero e do discurso de ódio sexista contra as mulheres.
O projeto monitorou 123 perfis de candidatas de todos espectros políticos, de diferentes regiões do Brasil, em Twitter, YouTube, Instagram e Facebook. Foram coletadas postagens, comentários e outras interações, utilizadas para criar um dicionário de palavras e termos frequentemente usados em discursos de ódio sexistas nas redes sociais, e como variam de acordo com o perfil das candidatas monitoradas.
A partir dos dados coletados, AzMina produzirá análises e reportagens sobre as formas mais comuns de violência contra a mulher nas redes sociais, com o objetivo de pensar em estratégias de defesa e combater a violência de gênero. (Veja+)
João Palomino, ex-VP da ESPN, criou a LiveSports, empresa de streaming esportivo com sede em São Paulo. Segundo ele, o serviço contará com uma grande equipe trabalhando em conjunto com empresas de tecnologia, segurança de dados e bilhetagem, com atuação em todo o território nacional. Ao lado de Palomino estará Nilson Fujisawa, CEO da LineUp, pioneira no mercado broadcast brasileiro.
Com cerca de 40 anos de carreira, Palomino trabalhou 25 deles na ESPN, onde atuou como narrador e apresentador, até ser promovido a VP de Conteúdo e Produção. Cobriu seis Olimpíadas e cinco Copas do Mundo.
Para quem pensa no futuro do jornalismo à luz da evolução da sociedade e das novas tecnologias, as ideias do pesquiador e premiado jornalista galês Shirishi Kurkani merecem atenção. Para começar, ele acha que o lide está com os dias contados. Demonstra, com base em pesquisas, que a narrativa linear é mais eficiente do que a pirâmide invertida.
Essa não é sua única provocação. “Se queremos melhorar a sociedade, devemos melhorar o jornalismo”, clama. E aponta problemas existenciais da atividade: a baixa confiança da audiência, o distanciamento do público e a pouca diversidade das redações, que a seu ver limita a cobertura de temas sob várias perspectivas.
Em palestra no Instituto Reuters para estudos de jornalismo na Universidade de Oxford, ele explica por que o público está farto de notícias e como os jornalistas podem voltar a interagir com ele.
Kulkarni afirma que”o jornalismo não é para jornalistas, mas para os cidadãos”. E que jornalistas devem ter os cidadãos em suas mentes em tudo o que fazem, um alerta importante para as redações. Lembrando que todo jornalista também é um cidadão, Kulkarni resume o grande propósito do jornalismo como sendo a orientação:
“O jornalismo deve nos ajudar a entender o mundo, nos localizar em relação ao ambiente em que vivemos e nos capacitar a interagir com ele. Deve nos ajudar a formar visões alinhadas às nossas necessidades e interesses pessoais e de nossas comunidades”.
Carlos Alberto Vilhena, procurador federal dos Direitos do Cidadão, avaliou que pode caracterizar um ato de improbidade administrativa a saudação ao presidente Jair Bolsonaro durante a transmissão do jogo entre Brasil e Peru na TV Brasil, em 13 de outubro.
Segundo Vilhena, a EBC, responsável pela emissora, deve guardar respeito aos princípios da impessoalidade e da moralidade, e o “abraço especial” que o narrador Andre Marques mandou ao presidente representaria promoção pessoal de agentes públicos e desvio de finalidade.
O documento assinado por Vilhena e encaminhado ao MPF destaca que o artigo 37 da Constituição Federal prevê que “atos, programas, obras, serviços e campanhas dos órgãos públicos deverão ter caráter educativo, informativo ou de orientação social, deles não podendo constar nomes, símbolos ou imagens que caracterizem promoção pessoal de autoridades ou servidores público”.
Morreu em 8/11, em São Paulo, Ciro Marcondes Filho, professor de Jornalismo da ECA-USP, aos 72 anos. Segundo colegas e alunos, ele lutava contra um câncer.
Ciro era doutor pela Universidade de Frankfurt e pós-doutor pela Universidade de Grenoble, na França. Coordenava o Núcleo de Estudos Filosóficos da Comunicação da ECA. Entre 1992 e 2000, foi coordenador do Centro de Estudos e Pesquisas em Novas Tecnologias, Comunicação e Cultura da USP, onde editou 37 revistas, realizou 45 encontros acadêmicos, cinco congressos internacionais e publicou cinco livros. Foi editor do Jornal da USP, colaborador do jornal LEIA, colunista da revista Caros Amigos e da Rádio USP.
Segundo seu currículo Lattes, ele foi “o criador da Nova Teoria da Comunicação, que dá bases para a constituição do Campo da Comunicação nas ciências humanas a partir do amadurecimento e da operacionalização do conceito de comunicação, assim como de um modo específico de sua investigação, o metáporo”.
Em nota, o Departamento de Jornalismo da USP escreveu que Ciro “contava com centenas de admiradores entre seus colegas, alunos e funcionários. As salas do CJE estavam sempre lotadas durante as suas aulas e sua produção intelectual era reconhecida internacionalmente”.
Os diretores do GRPCom, dono da Gazeta do Povo, decidiram em 6/11 que vão manter Rodrigo Constantino na equipe de colunistas. A decisão vai contra uma carta assinada por mais de 120 funcionários que pediam a demissão do economista, alegando que o comentário dele sobre o caso Mari Ferrer vai contra os valores do jornal.
Em nota, a direção da Gazeta do Povo escreveu que “os esclarecimentos fornecidos pelo colunista foram suficientemente satisfatórios para que não seja necessário tomar nenhuma medida mais drástica”.
“Lamentamos profundamente o constrangimento que o episódio causou em muitos de vocês”, diz a nota. “(…) Foi preciso uma análise de todos os posts feitos pelo Constantino e de um esclarecimento dele publicado na Gazeta, para compreender que ele não se referia ao caso específico de Mariana Ferrer e, muito menos, amenizava a gravidade do abuso sexual, em qualquer circunstância. O colunista admitiu que errou na abordagem de um tema tão delicado e, nesse texto publicado na Gazeta do Povo, esclareceu seu posicionamento”.
Em contrapartida, a RPC TV, que pertence à GRPCom, demitiu em 4/11 mais de dez jornalistas em Curitiba, Maringá, Cascavel e Paranavaí. Os sindicatos dos Jornalistas Profissionais do Paraná (SindijorPR) e do Norte do Paraná e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) lamentaram as demissões e questionaram a manutenção de Constantino na equipe de colunistas da Gazeta do Povo.