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quinta-feira, maio 14, 2026

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Prêmio Cremilda Medina de TCC em Jornalismo anuncia vencedores

A Associação Brasileira de Ensino em Jornalismo (Abej) anunciou os vencedores do 1º Prêmio Cremilda Medina de Trabalhos de Conclusão de Curso em Jornalismo. Foram mais de 160 trabalhos inscritos, avaliados por oito professores de jornalismo de várias instituições brasileiras. Os vencedores foram anunciados durante o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), na Universidade de Brasília.

Na categoria Monografia, a vencedora foi Maria Beatriz Comunello Nogueira, da Universidade Estadual do Centro-Oeste, com o trabalho Credibilidade tem gênero? – Uma análise do acionamento de fontes e analistas nos programas de Natuza Nery, Andréia Sadi e Julia Duailibi. A orientação foi de Ariane Carla Pereira.

E em Produto Jornalístico, o primeiro lugar foi para Lorenzzo Henrique de Paula Gusso, da Universidade Federal do Paraná, com o documentário Tarifa Zero – Do impossível ao inevitável. A orientação foi de Marcelo Garson Braule Pinto.

Também durante a cerimônia de premiação, a professora Cremilda de Araújo Medina, que leva o nome do prêmio, foi agraciada com o 7º Prêmio ABEJ – Personalidade de Destaque no Ensino de Jornalismo, em reconhecimento à contribuição histórica à formação jornalística no País. Cremilda é uma das grandes responsáveis pela implementação dos TCCs de Jornalismo na USP.

Globo faz ajustes na cobertura da Copa do Mundo

Renata Silveira será a primeira mulher a narrar futebol masculino na TV Globo

Por causa do recente afastamento de Luís Roberto, diagnosticado com uma neoplasia, e sua substituição por Everaldo Marques como principal narrador da TV Globo nos jogos da Seleção Brasileira na Copa do Mundo, outros ajustes foram feitos na equipe.

Renata Silveira volta da licença-maternidade em maio e vai viajar com Gustavo Villani para narrar presencialmente as partidas na TV aberta na fase de grupos. Paulo Andrade passa a narrar do Brasil, pela TV Globo e pelo Sportv, durante a fase de grupos. Nessa fase, Dandan Pereira participa, com Luiz Carlos Jr., da cobertura nos Estados Unidos. Nas eliminatórias, Paulo vai para os Estados Unidos cobrir pelo Sportv. Na partida de abertura da Copa (11/6), no México, Luiz Carlos responderá pela narração para o Sportv e Gustavo Villani para a TV Globo.

João Caminoto passa a colaborar com a BBC Brasil em Paris

João Caminoto

A equipe da BBC Brasil ganhou um novo reforço neste mês. Depois de quase 30 anos, João Caminoto volta a colaborar com a empresa britânica de comunicação, desta vez a partir de Paris, onde vive atualmente. Esta será sua segunda passagem pela casa. Na primeira, entre 1997 e 1999, atuou como produtor em Londres.

Desde então, construiu sólida carreira no Grupo Estado, tendo atuado como correspondente e diretor da Agência Estado e diretor de Jornalismo do Estadão, de 2015 a 2021. Há quatro anos lançou a Curto News, plataforma que tem o objetivo de “informar rapidamente” seus leitores sobre diversos temas.

Marcelo Duarte mergulha na febre das figurinhas das Copas com O álbum dos álbuns

Já está à venda O álbum dos álbuns de figurinhas das Copas (Panda Books), novo livro de Marcelo Duarte (ex-Placar, Playboy, Veja SP e Bandnews FM) que resgata a história dos álbuns de figurinhas das Copas do Mundo desde suas primeiras coleções lançadas no Brasil, em 1934.

Repleta de curiosidades, a obra traz histórias como as dos álbuns que prometiam prêmios, e que por causa disso eram impossíveis de completar; as figurinhas carimbadas, que viraram expressão popular; e do impacto da globalização do futebol, que transformou um passatempo em um fenômeno cultural.

“Uma viagem completa pela memória afetiva dos colecionadores brasileiros de todas as idades. Este livro é uma celebração dos álbuns de figurinhas e de suas histórias”, explica Duarte, também autor de O guia dos curiosos, que soma mais de 700 mil exemplares vendidos, e de 20 romances juvenis.

STF decide que SP deverá indenizar fotógrafo que ficou cego ao cobrir protesto em 2013

STF decide que SP deverá indenizar fotógrafo que ficou cego ao cobrir protesto em 2013

O Supremo Tribunal Federal (STF) decidiu nesta terça-feira (28/4) que o estado de São Paulo deverá pagar uma indenização de R$ 100 mil por danos morais ao fotojornalista Sérgio Silva, que ficou cego do olho esquerdo ao cobrir um protesto contra aumento da tarifa de transporte público na capital paulista em 2013. O profissional receberá ainda uma pensão mensal vitalícia, cujos valores ainda serão decididos na Justiça.

Durante a cobertura da manifestação, Sérgio foi atingido no rosto por uma bala de borracha disparada e acabou perdendo a visão do olho. O repórter fotográfico entrou na Justiça contra o governo de SP pedindo indenização, mas teve o pedido negado em primeira instância em 2017, sob a justificativa de que o próprio Sérgio teria sido culpado do ocorrido, por se colocar no meio do confronto da PM e os manifestantes. Anos depois, em 2023, o Tribunal de Justiça de São Paulo (TJ-SP) também negou a indenização.

Agora, na decisão do STF, todos os quatro ministros do colegiado entenderam que o governo estadual deveria ser responsabilizado civilmente pelo episódio ocorrido com o fotógrafo enquanto ele trabalhava para cobrir a manifestação. Para Alexandre de Moraes, relator do caso, a “perícia inconclusiva sobre a origem de disparo durante operações policiais não é suficiente, por si só, para afastar a responsabilidade civil do Estado”.

Vale lembrar que, em 2021, o STF determinou que o Estado de São Paulo indenizasse o também fotógrafo Alex Silveira, que ficou cego em 2000 ao ser atingido por uma bala de borracha disparada por um policial durante manifestação de professores.

Inscrições para o 1º Prêmio Sicredi Comunicação em Rede seguem abertas até 30 de junho

Seguem abertas até 30 de junho as inscrições para a primeira edição do Prêmio Sicredi Comunicação em Rede, que reconhecerá conteúdos jornalísticos sobre o impacto do cooperativismo de crédito no Brasil. As categorias são Jornalistas Profissionais, para reportagens jornalísticas, e Comunicadores em Rede, para criadores de conteúdos digitais.

No total, serão reconhecidos 11 trabalhos com prêmios no valor de R$ 20 mil, sendo nove destinados para os trabalhos jornalísticos nas subcategorias TextoÁudio Audiovisual (NacionalRegional e Local), um para a categoria Comunicadores em Rede e um prêmio para o trabalho eleito por votação popular. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 7 de outubro de 2025 e 30 de junho de 2026.

A cerimônia de premiação será realizada presencialmente em São Paulo, em novembro de 2026, com data e local a serem divulgados. Mais informações e inscrições aqui.

Webinar discutirá inclusão financeira através do jornalismo na América Latina

A Latam Intersect realizará na quarta-feira (29/4), às 11h, um webinar gratuito sobre inclusão financeira através do jornalismo na América Latina. A iniciativa faz parte da série Interseção de Valor, que discute temas estratégicos com o objetivo de se consolidar como uma fonte de capacitação e informação para jornalistas da região.

Ao longo do evento, serão debatidos temas como a realidade da região em termos de inclusão e educação financeira, crescimento de criptomoedas, avanços em diferentes mercados e o papel das finanças descentralizadas na transformação do sistema financeiro, além do papel do jornalismo e da comunicação nisso tudo.

Participarão do webinar Raphael Veleda, diretor da sucursal do Metrópoles; Victor Barboza, especialista em finanças e fundador da GFCriativa e co-fundador do Fincatch; e Paulo Aragão, country Manager do Cointelegraph Brasil e host do podcast Giro Bitcoin.

Interessados devem fazer a inscrição por meio deste formulário, informando nome, e-mail e empresa onde trabalha. O webinar será realizado no Google Meet.

Jornalismo brasileiro registra saldo negativo de empregos formais, diz estudo

Crédito: Marcelo Camargo/Agência Brasil

Estudo realizado pelo Departamento Intersindical de Estatística e Estudos Socioeconômicos (Dieese) mostrou que o jornalismo brasileiro teve saldo negativo de empregos formais no último ano. O levantamento, feito de janeiro de 2025 a janeiro de 2026, registrou 10.132 admissões contra 10.176 desligamentos no período, o que equivale a um saldo negativo de 44 postos de trabalho no País.

Outro dado preocupante do estudo refere-se a reajustes salariais: a maioria ficou limitada à reposição da inflação. Segundo o Dieese, 77,3% dos reajustes ficaram no mesmo patamar do INPC, enquanto a variação real média foi de apenas 0,87% no conjunto das categorias analisadas.

Além disso, o mercado do jornalismo brasileiro segue marcado pela informalidade, que chegou a 37,6% no quarto trimestre de 2025. No mesmo período, 72,6% dos trabalhadores por conta própria não tinham CNPJ. Tais números refletem o cenário de pejotização e de queda nas garantias trabalhistas para jornalistas.

Para a Federação Nacional de Jornalistas (Fenaj), os números confirmam um quadro de fragilidade no setor: “O que os dados mostram é que a precarização no jornalismo vem se aprofundando de forma persistente, com redução dos postos formais, ampliação da multifunção, pejotização e sobrecarga de trabalho”, declarou Fernanda Gama, diretora de Mobilização, Negociação Salarial e Direito Autoral da Fenaj. “Esse processo não pode ser tratado como algo natural do mercado, porque compromete direitos, enfraquece a profissão e afeta diretamente a qualidade da informação oferecida à sociedade. Por isso, o combate a essa lógica precisa seguir no centro da ação sindical e das campanhas salariais da categoria”.

Leia mais sobre o estudo aqui.

100 anos de Rádio no Brasil: O silêncio da 107,3 FM não é o fim da rádio, mas, talvez, um capítulo da sua reinvenção

Por Álvaro Bufarah (*)

O rádio brasileiro já morreu algumas vezes. Pelo menos no discurso. Primeiro com a televisão, depois com a internet, agora com o streaming. Ainda assim, segue firme – talvez menos visível, mas longe de irrelevante. E é nesse contexto que o anúncio do encerramento das transmissões em FM da Rádio Eldorado, previsto para 15 de maio, ganha contornos que vão muito além da nostalgia.

Fundada em 1958 e historicamente associada ao Grupo Estado, a emissora construiu um posicionamento raro no dial: curadoria musical sofisticada, jornalismo cultural consistente e uma audiência qualificada – algo cada vez mais escasso em tempos de playlists algorítmicas e consumo fragmentado. O encerramento da operação em FM, segundo comunicado oficial, faz parte de um “reposicionamento estratégico” com foco no digital, após o fim da parceria com a Fundação Brasil 2000, detentora da frequência 107,3.

Até aqui, nada fora do script contemporâneo: menos torre, mais plataforma.

Mas o mercado – e os dados – contam uma história um pouco mais complexa.

Enquanto o discurso institucional aponta para “mudanças profundas nos hábitos de consumo de áudio”, relatórios recentes indicam que o rádio segue economicamente relevante. Dados do Painel Cenp Meios mostram que o investimento publicitário no rádio cresceu 5,86% em 2025, superando com folga a inflação do período. Em termos absolutos, o meio ganhou mais de R$ 60 milhões em receita. Desde 2020, o salto é ainda mais expressivo: de cerca de R$ 603 milhões para mais de R$ 1,1 bilhão – um crescimento superior a 80%.

Mais curioso: o rádio tradicional cresceu proporcionalmente mais do que o próprio áudio digital no mesmo período.

A leitura desses números exige cuidado – e menos fetiche tecnológico. Como observa o pesquisador Fernando Morgado, o chamado “meio internet” não é um bloco único, mas um conjunto heterogêneo de formatos (busca, display, vídeo, social, áudio), com métricas e dinâmicas distintas. O rádio, por sua vez, não desapareceu – ele se expandiu para dentro dessas plataformas.

Ou seja: o rádio não perdeu para o digital. Ele virou digital também.

Outro dado relevante vem da Kantar IBOPE Media: cerca de 79% dos brasileiros ainda consomem rádio regularmente, com a média de quase quatro horas diárias de escuta. Em um país de dimensões continentais e desigualdades estruturais, isso não é detalhe – é infraestrutura cultural.

Diante desse cenário, o caso da Eldorado parece menos uma consequência inevitável do mercado e mais uma decisão estratégica específica. E aqui entra um ponto sensível para profissionais de comunicação: nem toda mudança é apenas tecnológica – muitas são editoriais, políticas ou de posicionamento de marca.

A Eldorado ocupava um território simbólico relevante. Funcionava como um “ativo reputacional” dentro do portfólio do grupo – um espaço de prestígio, credibilidade e distinção cultural. Em termos de branding, era mais do que um canal: era um filtro de qualidade. E isso tem valor, ainda que não seja imediatamente traduzido em escala publicitária.

A decisão de migrar para o digital, mantendo a marca viva em novos formatos (vídeo, redes sociais, streaming), segue uma lógica já observada em outros mercados. Nos Estados Unidos e na Europa, emissoras tradicionais têm transformado programas em videocasts, ampliado presença em plataformas e investido em distribuição multiplataforma. O áudio deixou de ser apenas transmissão – virou ecossistema.

Programas como Som a Pino e Clube do Livro, citados no comunicado, devem seguir esse caminho. A estratégia parece clara: preservar o conteúdo, abandonar o meio físico.

Mas há um risco aqui que o mercado conhece bem: ao migrar para o digital, a concorrência deixa de ser local e passa a ser global. No FM, a disputa era com outras emissoras. No digital, é com Spotify, YouTube, podcasts independentes e influenciadores de todos os tipos.

E nesse ambiente, curadoria – que sempre foi o diferencial da Eldorado – precisa ser ainda mais afiada para não se diluir.

O encerramento da frequência 107,3 FM, portanto, não é exatamente o fim da Eldorado. Mas também não é apenas uma atualização de plataforma. É uma mudança de lógica: de emissora para marca de conteúdo.

Para o mercado de comunicação, rádio e publicidade, fica a provocação: o problema do rádio nunca foi falta de audiência – foi, muitas vezes, falta de estratégia para monetizar e reposicionar essa audiência em novos ambientes.

A Eldorado sai do dial, mas deixa uma pergunta no ar: quem, no digital, conseguirá reproduzir – ou reinventar – o nível de curadoria e relevância que ela construiu ao longo de décadas?

Se o rádio já “morreu” tantas vezes, talvez o mais prudente seja não decretar mais um óbito. Mas observar, com atenção, sua próxima mutação. Afinal, o que mata o rádio ou qualquer meio de comunicação é a falta de competência de quem faz, a falta de escrúpulo de quem manda e a falta de sensibilidade de quem ouve.

 

Fontes e links para aprofundamento


Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (53)

Patativa do Assaré (Crédito: Biblioteca Pública Estadual do Ceará)

Por Assis Ângelo

Bem cedo me disseram na escola que o Brasil foi descoberto por um português danado de corajoso chamado Pedro Álvares Cabral. Isso no dia 22 de abril no ano de 1500.

Não demorou muito para que eu soubesse logo depois de ligeira alteração da primeira informação por mim recebida na escola. Essa alteração dava conta de que o Brasil não fora descoberto, mas sim achado pelo mesmo Cabral.

O tempo foi passando, passando até que os primeiros invasores da nossa terra dividiram o Brasil em capitanias hereditárias, sesmarias e daí veio o pior: latifúndio.

Os latifúndios geraram riquezas individuais enormes, passadas de pai para filho.

Os latifundiários eram e são temidos como déspotas, grosso modo.

E como o tempo não para e jamais parará, boa gente de boa parte do País foi ganhando espaço e firmeza onde antes a garantia era apenas um buraco de sete palmos para se enterrar de morte matada ou de morte morrida.

Antes de o pequeno proprietário de terra ocupar espaço devido, muitos trabalhadores em regime de escravidão foram postos para correr pelos latifundiários. E, como se não bastasse, as estiagens se repetiam com frequência absurda. E se repetem, menos hoje do que ontem.

A seca de três anos seguidos no Ceará, entre 77 e 79 do século 19, foi um horror sem tamanho, que deveria ter tocado profundamente a alma dos poderosos daquele tempo. Mas não foi isso o que ocorreu. Nem o maior mandachuva de plantão daquele momento, D. Pedro II, fez o que deveria fazer: acudir o povo que morria à toa, que nem mosca em todo canto. Ou seja, nas ruas, nas praças… Até campos de concentração foram criados para isolar os flagelados da seca que chegavam aos montes a Fortaleza cheios de fome, sede e doenças diversas.

Flagelados da seca (Crédito: Fortaleza em Fotos/Reprodução)

 

No mesmo século 19 outras secas ocorreram Brasil afora.

A estiagem de 1915 de novo parou o Ceará. Em 1930, a cearense Rachel de Queiroz estreava na literatura com o romance O Quinze. Ela tinha 20 anos de idade.

Na referida obra, a escritora conta o infortúnio de uma família, entre tantas, que cai na estrada em busca de água e comida.

Algo parecido com a narrativa de Queiroz aconteceu também em Rio Grande do Norte, Paraíba, Sergipe e Pernambuco.

Da região potiguar era um moço que ficou conhecido como Jesuíno Brilhante.

Jesuíno era de família de posses e um dia um cara sacou um revólver e atirou no irmão. Sem saber bem o que fazer, Jesuino sacou a arma que trazia consigo e vingou-se do assassino do mano. É isso que diz a história.

A história diz também que a partir do entrevero mortal, o Rio Grande do Norte ganhou o cangaceiro Jesuíno Brilhante.

Jesuíno era um fora da lei que não fazia conchavos com poderosos. O seu caráter tendia para o lado bom da vida, beneficiando os pobres que de um modo ou outro o cercavam.

Os males do governo eram exibidos e punidos publicamente por Jesuíno. Foi muito ativo na longa seca do Ceará, aquela que durou três anos seguidos impedindo que caísse um pingo de chuva sequer no chão. E assim ajudou muitos flagelados.

A morte apanhou Jesuíno Brilhante no interior da Paraíba. Tinha 35 anos de idade quando isso aconteceu, em 1879.

Patativa do Assaré (Crédito: Biblioteca Pública Estadual do Ceará)

O poeta cearense Patativa do Assaré, de batismo Antônio Gonçalves da Silva, andava em 1932 na casa dos 20 anos. Por esse tempo nova seca assolava a região nordestina, da qual era a pequena Nanã uma das milhares de vítimas inocentes.

No tempo disso tudo, Patativa já havia perdido por doença um dos olhos.

É desse ano o poema A Morte de Nanã.

Em A Morte de Nanã, o autor da obra-prima A Triste Partida, que Luiz Gonzaga gravou em 1964, conta o drama então vivido pela personagem que dá título ao poema. É tocante. Um trecho:

 

Depois veio a seca cruel e assoladora,
Contra aquela linda florzinha encantadora
E a coitada morreu, mirrada pela fome.

Hoje, um poeta chora triste esta saudade
E as aves cantam a chamar na solidão:
Nanã! Nanã! Nanã! seu doce e belo nome.

 

Patativa do Assaré morreu em 2002 com 93 anos e completamente cego.

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

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