Mais de 80 organizações de checagem de fatos de 46 países enviaram carta a Susan Wojcicki, presidente-executiva do YouTube, na qual cobram ações efetivas para combater a desinformação que circula na plataforma. No documento, os checadores solicitam uma reunião com ela para discutir as sugestões.
Uma das sugestões é que o YouTube estabeleça parcerias com checadores de fatos e assuma a responsabilidade de investir sistematicamente em iniciativas independentes de verificação de informações. Além disso, as organizações pedem prioridade para tópicos como transparência em relação a como as fake news chegam e se espalham pela plataforma, tomar providências contra violadores reiterados e estender esforços para idiomas que não o inglês.
Entre as 80 organizações da América Latina que assinam a carta estão as brasileiras Aos Fatos e Agência Lupa, e veículos de Argentina, Bolívia, Colômbia, entre outros. Também integram o grupo de checadores empresas americanas, como o jornal The Washington Post, e de nações como Alemanha, Espanha, Itália, Reino Unido, Nigéria, Etiópia, África do Sul, Índia, Mianmar, Filipinas e Austrália.
“A questão não é prioritariamente financeira, é prioritariamente discutir o modo de operação do YouTube que privilegia a disseminação de conteúdos desinformativos e que é totalmente contraditório com o discurso de que existe uma parceria com checadores de fatos”, disse Natália Leal, diretora-executiva da Agência Lupa.
Diferentemente do Meta, por exemplo, grupo do qual o Facebook faz parte, o YouTube, que pertence ao Google, não tem um programa de parcerias com agências de checagem.
Em nota, o YouTube escreveu que investiu em políticas e produtos em todos os países e que opera “para conectar as pessoas a conteúdo qualificado, reduzir a disseminação de informação limítrofe e remover vídeos que violam as políticas da plataforma”. A empresa afirmou também que “mantém o consumo de desinformação limítrofe recomendada significativamente abaixo de 1% de todas as visualizações no YouTube”.
O ano mal começou, mas três primeiros-ministros que entraram em 2022 enredados em crises devem estar torcendo para que ele acabe.
Dois estão no cargo: Scott Morrison, da Austrália, e Boris Johnson, do Reino Unido.
O terceiro é Tony Blair, que liderou a Grã-Bretanha de 1997 a 2007 e desfrutava de prestígio até ganhar um presente de grego: uma indicação de Elizabeth II para receber a Ordem do Império Britânico, que virou onda de reprovação por sua conduta na Guerra do Iraque.
Uma petição contra o futuro “Sir Tony” bateu 1 milhão de assinaturas, colocando em questão se não teria sido melhor abrir mão da honra logo que a bola de neve começou a crescer.
A bem da verdade, Blair e Scott Morrison entraram nas crises involuntariamente, engolfados por situações que não criaram − mas que talvez pudessem ter administrado melhor para mitigar os danos potenciais.
Não foi o caso de Boris Johnson, que abusou da sorte com atos de alto risco de má percepção em uma floresta hostil, habitada por desafetos políticos e por uma imprensa astuta, cujas bombas são amplificadas pelas redes sociais.
A bola fora de Scott Morrison
O primeiro-ministro australiano foi alvejado pelo tenista número 1 do mundo ao endurecer o jogo bloqueando a entrada do antivacina Novak Djokovic no país.
Djokovic prepara-se para treinar em Melbourne
A decisão de comprar a briga não deve ter ido fácil para os assessores.
Se Morrison não enfrentasse o adversário, seria devorado pelos australianos revoltados com regras frouxas para uma celebridade depois de terem vivido um dos piores lockdowns da pandemia.
Tendo resolvido enfrentar, anunciando pessoalmente no Twitter o cancelamento do visto, saiu chamuscado pela derrota inicial no tribunal, quando um juiz reverteu a ordem por considerar válidos os documentos provando que ele tinha testado positivo para a Covid e por isso estaria imunizado.
A situação que pode até mudar, depois de o tenista admitir (na quarta-feira) que não informou à imigração que tinha viajado a outros países antes de seguir para a Austrália.
Ganhando ou perdendo a batalha nos tribunais, o imbroglio deixará sequelas.em um momento sensível, pois a Austrália vai às urnas ainda neste primeiro semestre.
Scott Morrison tenta a reeleição com a popularidade − conquistada no início da pandemia − em queda livre.
Ela havia dobrado em um ano − de 29% para 54%, em meados de 2020. A pesquisa mais recente do Ipsos, de novembro, registrou declínio de 12 pontos percentuais.
As próximas pesquisas − ou as urnas − mostrarão o efeito Djokovic.
Boris, atingido por quatro letras: BYOB
Já Boris Johnson não foi surpreendido por um antivacina que desembarcou em seu território.
A imagem do ex-jornalista que virou político − e sabe como funcionam as coisas ali − vem sendo corroída há semanas por notícias sobre doações mal explicadas para obras em sua residência oficial e encontros proibidos em Downing Street 10 durante o lockdown.
Até que veio a famigerada sigla: BOYB, de Bring Your Own Booze (traga sua própria bebida), a cereja do bolo do “Partygate”.
Ela estava em um e-mail enviado a mais de 100 destinatários por Martin Reynolds, seu secretário pessoal, e revelado pela ITV.
O e-mail com o convite para o encontro
Era um convite para um encontro aproveitando o “lovely weather” em 20 de maio de 2020, quando o país chorava por internados, mortos e prejuízos de uma pandemia descontrolada.
Não tem como ser tratado como trabalho nem pelo mais cara de pau dos assessores. Pior: o primeiro-ministro e a mulher estariam lá.
O tamanho da corrosão de Johnson foi medido por uma pesquisa do Instituto YouGov para a Sky News. Pela primeira vez em sua gestão, mais da metade da população (56%) acha que ele deve renunciar e 17% não têm certeza, restando apenas 27% ainda confiantes em sua liderança.
Nesse dia, todas as capas dos principais jornais britânicos estamparam o mesmo assunto.
Na quarta-feira (12/1), ele enfureceu mais ainda o país e seu próprio partido ao dar desculpas esfarrapadas no Parlamento, como a de que não tinha se dado conta de que o encontro com queijos e vinhos no qual foi fotografado era uma atividade social proibida. Elevou à estratosfera as pressões por renúncia.
A repercussão nos jornais
Novak, o no-vaxx
Mas se há um ganhador entre os perdedores da semana ele se chama Novak Djokovic, mesmo que a Austrália acabe cassando o seu visto.
Além de herói dos anti-Morrison e dos sérvios − que se reuniram em Melbourne com bandeiras do país e bandas de música folclórica −, Djokovic entrou de vez para o panteão dos heróis antivacina, dando uma ajudinha providencial aos que insistem em desafiar a ciência.
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Folha de S.Paulo e UOL completam o pódio na segunda e terceira posições
A TV Globo foi o +Premiado Veículo de Comunicação em 2021, segundo o Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira. O levantamento, promovido anualmente por Portal dos Jornalistas e pela newsletter Jornalistas&Cia, apontou que o Jornalismo da emissora do Grupo Globo conquistou nove prêmios no ano passado, que juntos somaram 305 pontos na pesquisa e lhe garantiram a liderança. Em onze anos de pesquisa, é a nona vez que o veículo lidera o levantamento anual.
Em 2021 foram nove prêmios conquistados, entre eles o tradicional Latinoamericano de Jornalismo Investigativo, promovido pelo Instituto Prensa y Sociedad, além de troféus nos prêmios Alltech, Cristina Tavares, Abag/RP, Aceesp e Mulher Imprensa. Somadas, essas conquistas renderam 305 pontos e a liderança à emissora.
Na segunda posição aparece o jornal Folha de S.Paulo, com 280 pontos e oito prêmios. A publicação, a propósito, foi uma dos únicas que já conseguiram tirar da TV Globo o título de +Premiado Veículo do Ano, ao terminar na liderança da pesquisa em 2013. Além dela, apenas o portal candango Metrópoles conseguiu tal feito, na última edição do Ranking, em 2020.
Entre suas principais conquistas de 2021 estão o Grande Prêmio CNT de Jornalismo e o Vladimir Herzog, na categoria Multimídia, e Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados. A publicação também viu seus profissionais conquistarem os prêmios Abecip, Amaerj, Abag/RP, Comunique-se e +Admirados de Saúde e Bem-Estar.
Completando o pódio, outra publicação do Grupo Folha/UOL. Em seu melhor desempenho na história da pesquisa, o portal UOL alcançou o terceiro lugar, com 255 pontos e oito conquistas. Elas foram pelos prêmios Claudio Weber Abramo de Jornalismo de Dados, SAE Brasil, Crosp, SBD, +Admirados Jornalistas de Esporte, Mulher Imprensa e Aceesp, em três categorias.
Nos recortes regionais, os +Premiados Veículos de 2021 foram: Rede Globo (Sudeste); Metrópoles (Centro-Oeste); RBS TV (Sul); O Povo (Nordeste); e Amazônia Real (Norte).
Confira a lista completa com os veículos mais premiados de 2021 no Brasil:
+Premiado Veículo do Ano na Imprensa Brasileira em 2020 e quarto colocado neste ano, o portal Metrópoles garantiu pelo segundo ano consecutivo a liderança no recorte anual da Região Centro-Oeste, com 240 pontos e oito prêmios.
Em 2021 a publicação foi o grande destaque do Prêmio Policiais Federais, em que conquistou três troféus, incluindo o Grande Prêmio. Seus profissionais também foram reconhecidos com dois troféus nos prêmios Comunique-se e +Admirados (Esporte e Saúde e Bem-Estar), e com o primeiro lugar no CNT, categoria Internet.
Na vice-liderança aparece o Correio Braziliense, cujos profissionais conquistaram no ano passado os prêmios Andifes, CNT (Meio Ambiente) e Mulher Imprensa (Liderança). Somadas, essas iniciativas lhe renderam 100 pontos.
Apenas outras cinco publicações conquistaram prêmios na região no ano passado: a Agência Brasil de Notícias, o Portal EBC e as tevês Brasil e Morena, que terminaram empatadas na terceira posição, e a revista Saber Cooperar. Confira o resultado:
Pelo terceiro ano consecutivo uma publicação cearense foi a +Premiada do ano na Região Nordeste. Após dois anos com o Diário do Nordeste liderando a pesquisa, desta vez foi o jornal O Povo que se garantiu como o +Premiado Veículo do Ano na região. Foram cinco prêmios conquistados em 2021, que somados, lhe renderam 135 pontos: Adpec, Abecip, Automação Imprensa, Jornalista de Impacto e MPCE.
Na segunda posição, com apenas 15 pontos de diferença, aparece o pernambucano Jornal do Commercio, cujos profissionais levarem três troféus no Prêmio Cristina Tavares 2021 (Criação Gráfica, Ilustração e Texto/Reportagem), além do +Admirados Jornalistas de Saúde e Bem-Estar – Regional Nordeste.
Completam o pódio, empatados na terceira posição, com 70 pontos, o portal LeiaJá, também de Pernambuco, e a rádio Antares, do Piauí. A colocação da emissora piauiense, a propósito, também garantiu ao repórter Christhian Sousa o primeiro lugar entre os +Premiados Jornalistas do Ano na Região.
Confira a relação com os veículos mais premiados do ano na Região Nordeste:
Em um dos anos mais devastadores na história da Região Amazônica, o papel de fiscalização e cobrança da imprensa brasileira tem sido cada vez mais fundamental. Neste cenário, poucas publicações têm se destacado tanto quanto a agência de jornalismo investigativo Amazônia Real.
Organização sem fins lucrativos fundada em 2013 por Kátia Brasil e Elaíze Farias, a iniciativa recebeu importantes reconhecimentos ao longo de 2021, entre eles o Prêmio Abraji de Contribuição ao Jornalismo, entregue às suas fundadoras, e o Comunique-se de Jornalista de Sustentabilidade, vencido por Kátia.
Na segunda posição aparece a TV Amazônica, com quatro troféus: Abmes, Abraciclo, Fenacor e +Admirados de Saúde e Bem-Estar; enquanto o jornal O Liberal completa o pódio pela conquista do Vladimir Herzog de Fotografia.
Confira a lista com os veículos premiados na Região Norte em 2021:
A RBS TV, emissora afiliada da TV Globo no Rio Grande do Sul e que pertence ao Grupo RBS, conquistou mais uma vez o título de +Premiado Veículo do Ano na Região Sul. Segundo o levantamento, foram dez conquistas em 2021, sendo três troféus no MP-RS (Proteção do Patrimônio Público, Proteção Social e Sustentabilidade), três no Prêmio Press (Comentarista de TV, Locutor/Apresentador de Notícias e Repórter Cinematográfico), além de conquistas nos prêmios Adpergs, Amrigs, ARI e Cooperativismo Gaúcho.
Em um de seus melhores desempenhos nos últimos anos, o jornal Correio do Povo garantiu a segunda posição com sete prêmios de jornalismo conquistados ao longo de 2021, com destaque ao ARI e ao Press, em cada um dos quais recebeu dois troféus. A publicação também foi vencedora dos prêmios MP-RS (Segurança Pública) e Sindilat-RS (Impresso).
Com as conquistas dos prêmios Abracopel, ARI e Direitos Humanos/RS, a Agência Radioweb somou 120 pontos e garantiu a terceira colocação na região.
Confira a seguir os veículos mais premiados do ano na Região Sul:
Com grande parte dos mais tradicionais veículos de comunicação do País instalados no Sudeste, em especial nos estados de São Paulo e Rio de Janeiro, a região mais uma vez registrou pouca alteração entre seu levantamento regional e o nacional.
Além de manter o mesmo pódio, com TV Globo, Folha de S.Paulo e UOL nas três primeiras posições, respectivamente, dos Top 10 +Premiados Veículos do Ano, oito estão na região. As únicas exceções foram o portal Metrópoles, do Distrito Federal, e a RBS TV, do Rio Grande do Sul.
Com isso, entraram nos Top 10 regional, empatados na nona posição, o site El País Brasil, que infelizmente encerrou suas atividades no ano passado, e a Globo News.
Confira a relação completa com os veículos mais premiados do ano na Região Sudeste:
Integrantes do Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas publicaram nessa terça-feira (11/1) nota pública na qual cobram providências do Ministério da Saúde no que se refere ao apagão de dados sobre a pandemia e a vacinação contra a Covid-19, citando “incompetência e negligência” do setor.
A nota exige que o Ministério da Saúde esclareça quais foram os impactos do ataque digital e quais são as providências tomadas para evitar que caso semelhante se repita, além de alertar para possíveis consequências. As organizações destacam também que, a ausência dos dados, prejudica ou até inviabiliza o desenvolvimento de medidas para evitar a sobrecarga do sistema de saúde no Brasil.
“Relatos de profissionais da saúde e checagens jornalísticas mostram que as redes pública e privada não têm conseguido inserir seus registros de casos no e-SUS Notifica, nem os registros de doses de vacinas no SI-PNI”, diz a nota. “Ou seja, quaisquer que sejam os dados que o Ministério diz coletar no momento, eles não refletem a realidade”.
Segundo as organizações, o apagão de dados evidencia a “precarização da segurança dos dados pessoais de saúde de milhões de brasileiros. O desafio da segurança é ainda mais urgente quanto aos dados da Rede Nacional de Dados e Saúde (RNDS), que centraliza dados sensíveis de toda a população brasileira, incluindo usuários de serviços privados”.
O Fórum de Direito de Acesso a Informações Públicas encaminhará a demanda ao Tribunal de Contas da União (TCU) e à Procuradoria-Geral da República (PGR).
Assinam o documento: Transparência Brasil, ARTIGO 19 Brasil e América do Sul, Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), Brasil.io, Fiquem Sabendo, Open Knowledge Brasil, Associação Alternativa Terrazul, Fundação Grupo Esquel Brasil (FGEB), Projeto Saúde e Alegria, Rede Brasileira de Conselhos (RBdC).
O Instituto Reuters para Estudos do Jornalismo, da Universidade de Oxford, fez uma pesquisa sobre tendências e previsões para o jornalismo em 2022, sendo um dos principais temas a influência e impacto do formato remoto/híbrido no trabalho de jornalistas pelo mundo. Os participantes ocupam cargos estratégicos em suas redações, como CEO, editor executivo, chefe de digital e chefe de inovação.
O relatório, feito com 246 veículos de 52 países, mostrou que, em 70% das empresas, os executivos consideram que o trabalho remoto e híbrido aumentou a produtividade dos funcionários. Em contrapartida, 40% deles acreditam que o teletrabalho prejudicou a colaboração, a comunicação e a criatividade dos jornalistas.
A maioria dos participantes do estudo acreditam que, a partir de um provável controle da Covid-19 em 2022, o padrão de trabalho terá o formato híbrido, com algumas pessoas trabalhando presencialmente na redação e outras remotamente. A maioria dos jornalistas deve ir à empresa em dois ou três dias na semana.
Essa tendência foi detectada graças à quantidade de entrevistados que detectaram aumento de eficiência (70%), e de bem-estar (61%) com a implementação do trabalho remoto/híbrido.
Mesmo assim, alguns fatores geram preocupação entre os participantes, como a já citada piora em criatividade (48%), colaboração (45%) e comunicação (42%). Nestes três tópicos, menos de 30% relataram melhora.