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Giovana Girardi deixa a Agência Pública

Giovana Giradi (divulgação)

Circulou em 25 de maio a última edição da newsletter Antes que seja tarde, produzida por Giovana Girardi para a Agência Pública. Especializada na cobertura de Ciência e Meio Ambiente desde 2002, ela estreou no espaço em abril de 2023 e desde então vinha produzindo análises semanais para explicar como os cenários político e econômico interferem no ambiental e climático.

Além da publicação semanal, ela também vinha atuando como co-apresentadora do podcast Bom dia, fim do mundo. A edição desta quinta-feira (4/6) da atração marcará a despedida de Giovana da Pública.

“Fazer o constante e exaustivo alerta de que rumamos para uma grande enrascada não é algo pelo qual o mensageiro passa ileso. Cientistas que trabalham com esses temas sofrem de um tipo de ansiedade muito específica, que pode adoecer. Jornalistas climáticos, tem-se observado nos últimos anos, podem passar por isso também…Saio em busca de novas ideias, de tentar descobrir novas formas de comunicar sobre esses assuntos que são tão difíceis”, explicou a jornalista em seu perfil no LinkedIn.

Antes da Agência Pública, Giovana também atuou por Estadão, Folha de S.Paulo, Scientific American e Galileu, foi fellow do Knight Science Journalism, do MIT, e produziu o podcast Tempo Quente, para a Rádio Novelo.

Giovana Giradi (divulgação)

3º Prêmio Boehringer Ingelheim de Jornalismo segue com inscrições abertas

A farmacêutica Boehringer Ingelheim abriu inscrições para a terceira edição do Prêmio Boehringer Ingelheim de Jornalismo. Neste ano, a premiação terá duas categorias independentes: uma focada em Saúde Humana, com o tema Fibrose Pulmonar; e outra voltada à Saúde Animal, com o tema Dirofilariose Canina. As inscrições vão até 28 de fevereiro de 2027.

Na categoria de Saúde Humana, podem ser inscritos trabalhos jornalísticos que abordem Fibrose Pulmonar Idiopática (FPI) e/ou Fibrose Pulmonar Progressiva (FPP), doenças pulmonares crônicas que comprometem a capacidade respiratória de forma irreversível e impactam significativamente a qualidade de vida dos pacientes.

Na categoria Saúde Animal serão premiadas reportagens com foco em Dirofilariose Canina, também conhecida como verme do coração, doença parasitária transmitida por mosquitos, que afeta cães e pode causar complicações cardiopulmonares graves.

Cada uma das duas categorias principais tem duas subcategorias: Jornalismo Audiovisual e Jornalismo Textual (Online ou Impresso). O primeiro lugar de cada subcategoria receberá R$ 10 mil, o segundo, R$ 7.5 mil e o terceiro, R$ 5 mil. Serão ao todo, portanto, 12 trabalhos premiados, três em cada uma das subcategorias (Jornalismo Audiovisual e Jornalismo Textual) dentro das duas categorias principais (Saúde Humana e Saúde Animal).

As inscrições têm datas diferentes conforme a categoria: em Saúde Humana os jornalistas poderão se inscrever até 28 de fevereiro de 2027; já na categoria Saúde Animal o prazo vai até 8 de novembro de 2026.

Confira o regulamento completo e inscreva-se aqui.

Núcleo anuncia pausa em seu jornalismo por questões financeiras

O Núcleo anunciou nesta terça-feira (2/6) que fará uma pausa em seu trabalho jornalístico por dificuldades financeiras. Em comunicado, a empresa informou que sua sustentabilidade financeira caiu significativamente, com poucas entradas de novos recursos, e que vai reavaliar suas operações e negócios com o objetivo de formular um novo planejamento a curto, médio e longo prazo para o veículo.

Com a pausa, o Núcleo anunciou algumas mudanças: o jornalismo da empresa entrará em um período de hiato; as newsletters Garimpo e Appetrecho ainda serão publicadas, mas com frequência reduzida; outras newsletters e investigações serão pausadas; parte da equipe da empresa será mantida, por enquanto, com carga horária reduzida; os assinantes das newsletters premium (Garimpo, Polígono e Appetrecho) agora serão assinantes do Núcleo, com o objetivo de centralizar a comunidade de apoiadores e apoiadoras; e os produtos de tecnologia seguirão sendo fornecidos a parceiros, funcionando com o suporte necessário, mas o Núcleo não fará mais investimentos na área por enquanto.

Ao mesmo tempo, a empresa anunciou que criará uma nova campanha de apoio e financiamento, seguirá em busca de investidores e financiadores e promete recompensar os assinantes pagos com benefícios após a situação for controlada.

“Seis anos e meio depois do lançamento do Núcleo, o mundo mudou muito”, escreveu a empresa. “Algoritmos de recomendação das plataformas, que até pouco tempo impulsionavam distribuição jornalística, caducaram de maneira tenebrosa, especialmente para o jornalismo independente: como o Núcleo não joga bola com conteúdo apelativo ou divisionista, não temos tração em redes sociais ou mecanismos de busca. Temos dezenas de milhares de leitores, quase 1.000 assinantes pagos, mas não estamos conseguindo chegar a mais pessoas”.

A empresa citou ainda outros problemas como a Inteligência Artificial que se tornou uma espécie de concorrente de criação de conteúdo; a saturação do campo do jornalismo de tecnologia; e incertezas do financiamento do jornalismo independente.

Celso Cardoso comandará novo projeto da Times Brasil com foco na Copa do Mundo

Celso Cardoso (Crédito: Divulgação/Times CNBC Sports)

O Times Brasil | CNBC estreará em 8/6 o Times | CNBC Sports, programa que atuará na cobertura da Copa do Mundo sob a perspectiva dos negócios, da indústria esportiva e dos impactos econômicos do torneio. O programa terá duas edições diárias, às 13h e às 20h30, com apresentação de Celso Cardoso.

A ideia do projeto é oferecer uma cobertura diferenciada da Copa do Mundo, unindo esporte e futebol com temas como mercado, investimentos, patrocínios, mídia, consumo e transformação da indústria esportiva, trazendo análises, entrevistas e bastidores. Celso tem mais de 30 anos de atuação na comunicação, em especial na TV aberta. Destacou-se na Mesa Redonda, da TV Gazeta.

“Muito feliz por fazer parte desse projeto, porque a proposta vai ao encontro daquilo que realmente acredito quando o assunto é o esporte. Não trata-se apenas de entretenimento. É negócio! E por isso tem que ser tratado com credibilidade jornalística e seriedade, sem perder de vista a emoção que sustenta a máquina”, declarou o apresentador.

O programa terá a participação de influenciadores digitais com foco em esportes, como Lucas Tylty, e o analista esportivo Cacá Bueno, além do trabalho de repórteres atuando diretamente dos países-sede e uma cobertura integrada em rede com a CNBC Internacional.

Repórter da TV Arapuan (Band) é agredida ao vivo na Paraíba

Crédito: Tribuna Livre/Redes Sociais

Jéssica Aquino, repórter da TV Arapuan, afiliada da Band em João Pessoa (PB), foi agredida ao vivo em 29/5 durante uma reportagem para o programa Tribuna Livre. Ela falava sobre o aumento do preço do milho verde durante a temporada junina na região, quando um homem não identificado a empurrou e deu um tapa nela.

A repórter estava no Mercado Central da capital paraibana, quando foi surpreendida pelo indivíduo que a agrediu. No momento do ocorrido, o apresentador da Tribuna Livre Bruno Pereira lamentou a violência. Segundo apuração da própria TV Arapuan, o agressor é um homem em situação de rua com transtornos mentais. No Instagram, Jéssica declarou que passa bem, mas ficou com hematomas leves.

Em nota, a TV Aparuan prestou solidariedade à repórter e declarou que as medidas cabíveis estão sendo tomadas: “Nossa repórter está fisicamente bem, mas permanece abalada emocionalmente. Ela tem recebido todo o apoio da equipe e da direção da emissora. Repudiamos qualquer forma de violência contra profissionais de imprensa no exercício de sua função”.

Marco Antonio Sabino é o novo diretor geral da BandNews TV

Marco Antonio Sabino (divulgação)

O Grupo Bandeirantes anunciou Marco Antonio Sabino como novo diretor geral da BandNews TV. Ele já vinha colaborando com o grupo desde 2020, tendo neste período atuado como comentarista no quadro Insights e âncora do Manhã Bandeirantes, ambos pela Rádio Bandeirantes.

Em seu novo desafio, será responsável pelo conteúdo, programação, projetos especiais e relações institucionais, e responderá ao diretor geral de Conteúdo do Grupo Bandeirantes Rodolfo Schneider. Com a movimentação, Rosângela Lara permanece à frente da direção-executiva do canal, onde está conduzindo a montagem da nova programação da BandNews TV que estreará em breve.

“Muito honrado. Muito feliz. Muito motivado. Transbordando de vontade de trabalhar com essa equipe incrível. Estar à frente da BandNews TV, como diretor geral, neste momento de transição será uma das experiências mais gratificantes da minha carreira”, destacou o executivo, que também tem grande parte de sua carreira ligada à gestão de agências de comunicação corporativa, entre elas a S/A, fundada por ele em 2006 e adquirida em 2015 pela Llorente & Cuenca (atual LLYC), Young & Rubicam PR e Hill+Knowlton Brasil.

Marco Antonio Sabino (divulgação)

No próprio Grupo Bandeirantes, também já havia sido coordenador de Jornalismo da Rádio e TV Bandeirantes, além de acumular passagens por Telefonica (atual Vivo) e TV Globo, e ter sido secretário de Comunicação da Prefeitura Municipal de São Paulo, entre 2018 e 2020, na gestão Bruno Covas.

Abraji abre inscrições para 21º Congresso de Jornalismo Investigativo

Já estão abertas as inscrições para a 21ª edição do Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji), que será realizado de 30 de julho a 1º de agosto, em formato híbrido, com exibição online e participação presencial, no Teatro Principal da UNIP, em São Paulo.

Neste ano, uma das novidades é a integração do tradicional Domingo de Dados à programação do Congresso. Com isso, o evento passa a se chamar Dia de Dados, concentrando a maior parte da programação relacionada ao jornalismo de dados no sábado (1º de agosto). Além disso, nesta edição, não será possível comprar ingresso para participar presencial ou virtualmente de um dia específico. A programação online do Congresso é gratuita, basta fazer a inscrição e selecionar essa modalidade.

Serão ao todo 11 trilhas temáticas que guiarão a programação do Congresso, com foco em eleições, combate à desinformação, coberturas de fôlego e mudanças climáticas. Entre os nomes que estarão presentes no evento estão Malu GasparSonia BridiPatrícia Campos Mello, Camila AppelGabriela Biló Paula Scarpin, além das repórteres estrangeiras Athandiwe Saba e Paula Ramón.

Para participar das palestras, debates ou oficinas, é preciso fazer uma reserva no que deseja assistir, para garantir sua entrada nas atividades. Caso as vagas se esgotem, é possível aguardar em frente ao espaço no dia do evento por assentos disponíveis.

Os ingressos estão atualmente em lote promocional. Confira a programação e inscreva-se aqui.

STF anula decisão da Justiça do ES que obrigava Rede Gazeta a alterar reportagens

Flávio Dino (Crédito: Antonio Cruz/Agência Brasil)

Flávio Dino, ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), anulou, no final da semana passada, uma decisão da Justiça do Espírito Santo (ES) que obrigava a Rede Gazeta a reescrever reportagens e deletar posts em redes sociais que abordavam o indiciamento de dois cirurgiões-dentistas.

O conteúdo jornalístico em questão destacava relatos de pacientes que realizaram procedimentos com os dentistas indiciados. Eles tiveram deformidades, infecções graves e complicações permanentes após os procedimentos. O inquérito revelou que os profissionais não atendiam aos requisitos técnicos básicos e não possuíam aptidão para a realização de procedimentos cirúrgicos invasivos de maior complexidade.

Os cirurgiões-dentistas em questão entraram na Justiça do Espírito Santo contra a Rede Gazeta. A juíza Telmelita Guimarães Alves determinou que os veículos do grupo reescrevessem títulos, subtítulos e corpo das reportagens, além de inserirem uma nota no começo dos textos, esclarecendo que a investigação sobre o caso ainda estava em estágios iniciais. A decisão exigia também a remoção de posts direcionando para as matérias nas redes sociais.

Na decisão do STF que anulou as exigências da Justiça do ES, Dino escreveu: “Considerando o teor das reportagens cuja alteração e retirada foi determinada pela autoridade reclamada, não vislumbro fundamento idôneo para a conclusão adotada no sentido de que as manifestações veiculadas pelo reclamante configurariam imputações aptas a extrapolar os limites do regular exercício da liberdade de imprensa”.

Bruno Dalvi, editor-chefe da TV Gazeta, declarou que as reportagens foram feitas “com o rigor da investigação jornalística e do compromisso com a verdade dos fatos, sempre com respeito aos investigados e fidelidade à ética profissional. Defender o direito de informar é defender o direito da sociedade de saber – e esse é um princípio do qual jamais abriremos mão”.

100 anos de Rádio no Brasil: IA ajuda a corrigir problemas de transmissão de rádio

Fiscalização Anatel

Por Álvaro Bufarah (*)

A inteligência artificial vem sendo apresentada como uma das grandes soluções para o futuro da gestão do espectro radioelétrico – um recurso invisível, mas absolutamente estratégico para o funcionamento da sociedade conectada contemporânea. Redes móveis, radiodifusão, sistemas de emergência, comunicações militares, internet sem fio e serviços via satélite disputam diariamente um espaço limitado no espectro. E, diante da explosão de dispositivos conectados, a capacidade de monitorar, organizar e detectar anomalias nesse ambiente tornou-se uma questão não apenas tecnológica, mas econômica e geopolítica

Mas existe um problema estrutural que há anos limita o avanço de soluções baseadas em inteligência artificial nesse setor: a ausência de grandes bases públicas de dados reais capazes de treinar sistemas automatizados de análise espectral.

É justamente essa lacuna que um novo estudo internacional tenta preencher.

Publicado na revista científica Data (MDPI), o trabalho liderado por pesquisadores húngaros apresenta um dos mais robustos conjuntos públicos de dados reais para análise automatizada do espectro de rádio já disponibilizados à comunidade científica internacional

O objetivo é ambicioso: criar uma infraestrutura de referência para que sistemas de IA consigam identificar automaticamente anomalias, interferências, transmissões ilegais e falhas operacionais em ambientes reais de radiodifusão.

Embora o tema pareça distante do cotidiano do público comum, ele está diretamente ligado ao funcionamento silencioso de praticamente toda a infraestrutura de comunicação moderna.

A pesquisa parte de uma constatação importante: a maioria dos modelos de inteligência artificial aplicados ao espectro radioelétrico ainda é treinada com dados simulados – ambientes artificiais que frequentemente não conseguem reproduzir a complexidade caótica das transmissões reais.

E o mundo real, como mostram os pesquisadores, é muito mais imprevisível.

Condições atmosféricas, interferências eletromagnéticas, falhas técnicas, propagação irregular de sinais e ruídos urbanos produzem padrões extremamente complexos de comportamento espectral. Isso significa que modelos treinados apenas em simulações tendem a falhar quando confrontados com situações concretas.

Interferências no espectro radioelétrico

Para enfrentar esse problema, os pesquisadores utilizaram a infraestrutura nacional de monitoramento de espectro da Hungria – composta por 66 estações fixas espalhadas pelo país – para gerar um enorme banco de dados baseado em medições reais da faixa FM entre 87,5 e 108 MHz

O sistema monitora continuamente sinais de rádio utilizando equipamentos especializados de Rohde & Schwarz, Narda e CRFS, produzindo representações espectrais detalhadas das transmissões em tempo real.

Visualmente, os dados são organizados em diagramas conhecidos como waterfall diagrams, imagens espectrais que representam frequência, intensidade e tempo simultaneamente. Nessas visualizações, transmissões de rádio aparecem como faixas luminosas contínuas, enquanto interferências e anomalias surgem como rupturas, ruídos ou padrões inesperados

É justamente aí que a inteligência artificial entra.

O estudo demonstra que modelos de aprendizado de máquina podem ser treinados para identificar automaticamente diferentes tipos de eventos anômalos, como interrupções de transmissão, falhas de modulação, transmissões não autorizadas e interferências causadas por equipamentos defeituosos

Na prática, trata-se de ensinar algoritmos a “enxergar” o espectro radioelétrico da mesma forma que sistemas de visão computacional aprendem a reconhecer objetos em fotografias.

Mas o processo está longe de ser simples. Os próprios pesquisadores destacam que, em muitos casos, até especialistas humanos têm dificuldade em classificar corretamente determinados eventos. Mudanças climáticas, fenômenos atmosféricos e variações naturais de propagação podem produzir padrões extremamente parecidos com falhas reais de transmissão

Essa ambiguidade ajuda a explicar um dos aspectos mais interessantes do estudo: a análise das divergências entre os próprios especialistas responsáveis pela anotação das anomalias.

Os pesquisadores descobriram que diferentes analistas frequentemente discordavam sobre a presença ou não de determinadas falhas no espectro. O índice Fleiss’ Kappa calculado no estudo apontou apenas “leve concordância” entre os avaliadores humanos – um dado particularmente relevante para o futuro da IA aplicada ao setor

Em outras palavras: se até especialistas humanos divergem sobre o que constitui uma anomalia, treinar sistemas automatizados torna-se um desafio ainda mais complexo.

Esse ponto revela uma mudança importante na relação entre inteligência artificial e supervisão humana. Em vez de substituir completamente operadores especializados, a IA tende a funcionar inicialmente como ferramenta de apoio – acelerando triagens, reduzindo sobrecarga operacional e destacando padrões suspeitos para análise posterior.

O cenário ganha relevância adicional diante da expansão global de redes 5G, internet das coisas (IoT), comunicações via satélite e sistemas autônomos. Quanto maior o número de dispositivos conectados, maior a pressão sobre o espectro radioelétrico – e mais necessária se torna sua gestão automatizada.

No Brasil, a discussão tem implicações diretas para órgãos reguladores como a Anatel, emissoras de rádio, operadoras móveis e sistemas de comunicação pública. O monitoramento automatizado do espectro pode ajudar tanto no combate a interferências ilegais quanto na otimização do uso de frequências em ambientes urbanos densos.

Fiscalização Anatel

Além disso, a própria radiodifusão sonora tende a ser impactada por esse tipo de tecnologia. Sistemas inteligentes poderão futuramente detectar falhas de transmissão em tempo real, prever degradações de sinal e automatizar parte do gerenciamento técnico das emissoras.

Ao mesmo tempo, a pesquisa evidencia um movimento mais amplo da inteligência artificial contemporânea: sua migração para camadas invisíveis da infraestrutura tecnológica.

Grande parte do debate público sobre IA ainda se concentra em chatbots, geração de imagem e automação de conteúdo. Mas estudos como este mostram que uma das aplicações mais transformadoras da inteligência artificial pode ocorrer longe dos olhos do usuário final – dentro da arquitetura silenciosa que sustenta redes de comunicação.

No fundo, o espectro radioelétrico funciona como uma espécie de “sistema nervoso invisível” da sociedade digital. E a IA começa a assumir o papel de mecanismo de vigilância contínua desse organismo.

A questão central, portanto, talvez não seja apenas como automatizar o monitoramento do espectro. O desafio mais profundo será construir sistemas capazes de interpretar ambientes complexos, ambíguos e dinâmicos sem perder a capacidade de distinguir ruído de comportamento legítimo.

Porque, em um mundo cada vez mais conectado, detectar uma anomalia no espectro pode significar muito mais do que identificar uma falha técnica.

Pode significar proteger toda a infraestrutura invisível sobre a qual a comunicação contemporânea passou a existir.


Sugestões de fontes para aprofundamento

  • https://www.mdpi.com/journal/data
  • https://doi.org/10.3390/data11050115
  • https://www.itu.int/
  • https://www.anatel.gov.br/
  • https://www.ieee.org/
  • https://spectrum.ieee.org/
  • https://www.radioworld.com/
  • https://www.insideradio.com/
  • https://www.nature.com/subjects/artificial-intelligence
  • https://arxiv.org/list/eess.SP/recent
  • https://zenodo.org/
  • https://www.reutersinstitute.politics.ox.ac.uk/
  • https://www.pewresearch.org/journalism/

 

Leia também: Abraji abre inscrições para 21º Congresso de Jornalismo Investigativo

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (58)

Leandro Gomes de Barros e seu cordel

Por Assis Ângelo

Nos livros dos nossos grandes escritores do século 19 já havia figuras parecidas com o seu Joãozinho Bem-Bem do mineiro Guimarães Rosa?

Claro, Flor Maria. Existiam, sim. O Zé de Alencar, por exemplo, nos apresenta figuras ingênuas e violentas como no romance Til (1871).

E cantadores, violeiros, também já apareciam nos livros como personagens reais ou fictícios?

A Serra do Teixeira é uma localidade paraibana que faz divisa com Pernambuco. Foi nessa região que surgiram os primeiros poetas improvisadores autoacompanhando-se de viola ou pandeiro.

Aliás, entrou para a história do repentismo a peleja de Romano de Mãe D’água e Inácio da Catingueira, que era um negro escravizado sem pai nem mãe. No improviso poético e no toque do pandeiro era tido como gênio. Essa peleja é citada em livros de Rodrigues de Carvalho, Câmara Cascudo, Leonardo Mota e tal. Mota chega a registrar no livro Cantadores (1921) um embate histórico de Zefinha do Chabocão e Jerônimo do Junqueiro. Esse encontro foi narrado a Mota pelo cego cearense Sinfrônio. Começa assim:

Leonardo Mota

Quando estralou a notiça

Que o fama tá na ribêra,

Era tanto do canto

Que enchia o quadro da fera:

Accudiu Antonio dc Salle

Mais o Gerome Morêra;

Accudiu Antonio Pendença,

Santiago de Otivera;

Accudiu o Virgolino

E o Romano do Teixêra;

Herculano de Messia

Cego Vicente Barréra,

E o Fausto Correia Lima

Das Lavra da Mangabêra.

 

Nenhum destes me passou

O pé adiante da mão;

Só achei duas mulhére;

Tinha a pintura do cão;

Naninha Gorda dos Brejo,

Zefinha do Chabocão.

 

Eu tava numa funcção

Na fazenda “Cacimbinha”,

Quando vejo um positivo

Pedindo notiça minha,

Dando um recado atrevido,

Que me mandava a Zefinha.

 

Nesse tempo eu era limpo,

Mettido um tanto a pimpão,

Vesti-me todo de preto,

Calcei um par de calção. 

Botei chapéo na cabeça

E um chapéo de sol na mão;

Calcei os meus bruziguim,

Ageitei meu correntão,

Nos dedo da mão direita

Levava seis annelão,

Tres meu e tres emprestado:

Ia nestas condição…

 

Quando eu cheguei no terreiro

Um moço vêi me falá:

“Cidadão, se desapeie,

Venha logo se abancá,

Faz favo de entrá pra dentro,

Tome um copo de aluá”.

 

Me assentei perante o povo,

(Parecia uma sessão)

Quando me saiu Zefinha

Com grande preparação:

Era baixa, grossa e alva,

Bonita até de feição;

Cheia de laço de fita,

Trancellim, collá, cordão;

Nos dedo da mão direita

Não sei quantos annelão…

Vinha tão perfeitazinha,

Bonitinha como o cão!

Para confeito da obra:

Uma viola na mão…

 

No repentismo e na literatura de cordel existem muitos personagens criados pela imaginação vigorosa de poetas populares como Leandro Gomes de Barros (1865-1918). É dele, por exemplo, o vagabundo profissional Cancão de Fogo, criatura inspirada numa ave muito comum no Nordeste.

Leandro Gomes de Barros e seu cordel

O moleque Cancão, que na história era órfão de pai, especializou-se em fazer nada. Vivia de golpes que aplicava em pessoas abonadas. Justificava isso dizendo que nada mais estava fazendo do que apossar-se dos próprios bens. Quer dizer: não respeitava as regras do capitalismo.

Uma hora de papo pro ar, soltou essa quadrinha:

 

Eu creio no que vejo

E acredito no que pego

Reza pra quem já morreu

É como luz para cego

 

Bom, ele disse isso e eu digo isto:

 

Mas só a luz nos olhos

Não basta para quem quer ver

É preciso abrir as portas

Da escola do saber

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

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