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Ajor: Como o jornalismo digital está se preparando para cobrir as eleições

Texto publicado originalmente em 01/7/2022 pela Ajor

Novos produtos, parcerias e mudanças editoriais: organizações associadas à Ajor contam como se organizam para a corrida eleitoral

Por Fernanda Giacomassi

No dia 2 de outubro de 2022, os brasileiros voltam às urnas para escolher o novo presidente do país, além de governadores, senadores, deputados federais e estaduais. O trabalho da imprensa, entretanto, começa muito antes. A cobertura eleitoral movimenta significativamente as redações, que precisam adaptar suas estruturas de equipe, orçamento e projetos para conseguir suprir a demanda por conteúdos sobre o tema.

“O papel do jornalismo em ano eleitoral é ajudar o eleitor a escolher os melhores candidatos. Para isso, é necessário que haja uma correspondência entre o que está sendo disputado e o que a imprensa informa. Isso significa estudar a origem de cada candidato,  sua formação e atuação, e trabalhar sempre pela transparência e independência das informações, da cobertura, dos enfoques e das críticas”, explica Eugênio Bucci, jornalista e professor titular da Escola de Comunicações e Artes da USP.

Para o especialista, o principal desafio do jornalismo em 2022 é informar com objetividade quais são os candidatos que defendem a democracia, e quais os candidatos que atuam para minar as instituições democráticas por dentro: “A democracia está em jogo, não só no Brasil mas em vários países. Isso exige da imprensa uma capacidade mais aprimorada de separar opinião de informação, sem deixar de mostrar que estão surgindo forças que são contrárias à democracia. Isso é um fato objetivo, não é questão de opinião. E isso precisa ser mostrado como tal para ajudar na formação da vontade livre de cada eleitor”, completa.

prazo final para registro de candidaturas é 15 de agosto. No dia seguinte (16), começa a campanha oficial nas ruas e na internet.

O que está sendo feito nas redações?

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) divulgou na última semana as organizações selecionadas pelo programa “Jogo Limpo”, iniciativa em parceria com o Youtube que vai apoiar o desenvolvimento de projetos que combatam a desinformação antes das eleições. Três projetos de iniciativas associadas à Ajor foram selecionados.

Núcleo vai desenvolver um bot que monitora vídeos de YouTube para pesquisa colaborativa contra desinformação. O BotPonto vai varrer transcrições de vídeos do YouTube para encontrar palavras-chave duvidosas. A partir daí, irá publicar no Twitter o link com o ponto exato de um vídeo no qual esses termos são pronunciados, para que checadores, jornalistas e a sociedade em geral possam identificar potenciais fake news.

Já o Aos Fatos vai disponibilizar gratuitamente sua ferramenta de transcrição automática de áudios a outras redações, de modo a reduzir o tempo gasto pelos jornalistas para transcrever declarações de candidatos à presidência. Hoje, o Escriba é usado pelos checadores principalmente na transcrição de declarações públicas do presidente Jair Bolsonaro, compiladas no contador de checagens. A organização também estreou sua cobertura das eleições com um novo método de selos de checagem de informação e um canal no Telegram.

Agência Pública, por sua vez, vai investir na criação de conteúdo de vídeo sob medida via Canal Reload, com o objetivo de melhorar o conhecimento do público jovem sobre o processo eleitoral brasileiro. Um dos projetos vencedores do Google News Innovation Challenge em 2019, o Reload é uma iniciativa encabeçada pelas organizações ((o))eco, Agência Lupa, Agência Pública, Amazônia Real, Congresso em Foco, Énois, Marco Zero Conteúdo, Ponte Jornalismo, Projeto #Colabora e Repórter Brasil.

“Nosso objetivo principal é contribuir na formação dos jovens eleitores e no combate à desinformação, trazendo conteúdos mais formativos — como um guia sobre como funciona o processo democrático no Brasil — e também mais noticiosos, baseados nas reportagens e checagens das organizações que compõem o Reload”, explica Sofia Amaral, coordenadora da iniciativa.

Outras organizações associadas à Ajor também apostaram em novos produtos para as eleições de 2022.

Carta Capital acaba de lançar o Manual das Eleições, uma newsletter semanal e gratuita que vai revelar bastidores e explicar os rumos e descaminhos da corrida eleitoral.  Já o Portal Lunetas publicou o especial “Política e as Infâncias”, que traz conteúdos que relacionam diretamente eleições e os impactos às vivências e às perspectivas de futuro das crianças brasileiras.

Com o apoio do programa Acelerando a Transformação Digital, o Fauna News irá lançar um hotsite com informações sobre o que consta nos planos de governo dos principais candidatos sobre conservação da fauna silvestre. O Diário do Rio lançou uma série de entrevistas com pré-candidatos a deputados estaduais e federais. A série está disponível no canal do Youtube da organização. E o Alma Preta vai investigar a distribuição do fundo eleitoral para candidaturas de pessoas negras.

Há também iniciativas que investiram em mudanças na equipe e na reestruturação editorial para acompanhar de perto a corrida pelo governo.

Click Curvelo está ampliando o número de colaboradores para atuar na cobertura, além de adaptar seu escopo editorial, que até então era limitado a notícias regionais.

Por meio do Diversidade nas Redações, e com a ajuda das dez redações das regiões Norte e Centro-Oeste que serão selecionadas no programa, a Énois vai criar um consórcio de veículos para a cobertura articulada das eleições.

Já a Marco Zero Conteúdo anunciou que esta será a sua maior cobertura, abordando as eleições de forma mais ampla, plural e analítica. Pela primeira vez, a iniciativa terá analistas fixas que produzirão artigos quinzenais para discutir temas de interesse público que não podem ficar de fora do debate político estadual e nacional. Além disso, o Arrumadinho, podcast de análise e opinião da Marco Zero, vai ter uma temporada exclusiva sobre eleições.

Brasil teve o terceiro maior declínio de liberdade de expressão em dez anos, diz levantamento

Brasil teve o terceiro maior declínio de liberdade de expressão em dez anos, diz levantamento

A ONG Artigo 19 divulgou o Relatório Global de Expressão (GxR, em inglês), levantamento anual sobre a situação da liberdade de expressão em 161 países. Segundo a pesquisa, de 2011 a 2021, o Brasil teve o terceiro maior declínio de liberdade de expressão no mundo, atrás apenas de Hong Kong e Afeganistão.

De 2011 até 2021, o Brasil perdeu 38 pontos no que se refere à liberdade de expressão, passando da média de 87 a 88 pontos, para apenas 50. Os resultados fizeram o País cair 58 posições no ranking global e chegar à 89ª posição entre as 161 nações analisadas. É a pior colocação desde o início da realização da pesquisa, em 2010.

De 2011 até 2015, o Brasil tinha a média de 87 a 88 pontos, números positivos em relação à liberdade de expressão, classificada como “aberta”. A partir daí, só caiu. Em 2016, passou de 87 para 75 pontos, e em 2017 e 2018, manteve-se com 68. De 2018 para 2019, ocorreu a maior queda, de 15 pontos, chegando a 53 (coincidência ou não, mesma época em que Jair Bolsonaro chegou ao poder). Nos dois anos seguintes, ficou com 51 e finalmente 50, em 2021, com a liberdade de expressão considerada “restrita”.

“Saímos de uma nação considerada aberta para restrita em pouquíssimo tempo”, afirmou Denise Dora, diretora-executiva da Artigo 19. “Esse dado é um dos mais chocantes de todo o mundo, não só pela queda em si, mas por ter ocorrido de maneira mais acentuada sob a liderança de um presidente que foi eleito, e que deveria prezar a democracia e a liberdade de expressão, o que não é o caso, como mostrado no Relatório. Na América Latina, estamos atrás apenas de Cuba, Nicarágua, Venezuela, Colômbia e El Salvador”.

O relatório analisou a situação da liberdade de imprensa dos países em 25 indicadores, que incluem a garantia de direitos de jornalistas, da sociedade civil e de cada indivíduo. Com base nas informações obtidas, a Artigo 19 elabora uma pontuação geral, que vai de zero a cem, sendo zero a categoria do país cuja liberdade de expressão é inexistente, e cem a total liberdade.

O levantamento também aborda o aumento da violência contra jornalistas e veículos de comunicação nos últimos anos e a possibilidade de agravamento da situação com as eleições de 2022. Leia o relatório na íntegra (em inglês).

Estudo mostra que a maior dificuldade dos jornalistas tem sido a desinformação

Um levantamento feito com mais de três mil jornalistas apontou que 32% dos entrevistados têm tido dificuldades em manter fontes confiáveis.
Um levantamento feito com mais de três mil jornalistas apontou que 32% dos entrevistados têm tido dificuldades em manter fontes confiáveis.

Um levantamento feito com mais de três mil jornalistas, realizado pela Cision, empresa de soluções de mídia e marketing, apontou que 32% dos entrevistados têm tido, nos últimos 12 meses, dificuldades em manter fontes confiáveis e combater acusações de fake news.

Para além dos 32% que consideram que o combate à desinformação é o desafio mais difícil, também ficou registado que a maioria dos entrevistados (57%) acreditam que os leitores afastam-se porque perderam a confiança na mídia. Isso representa um aumento de quatro pontos percentuais em relação ao número de pessoas que disseram a mesma coisa no ano passado.

Para 16%, o principal problema é a falta de pessoal e recursos. O mesmo percentual aponta para a queda de receita e circulação, relata o Laboratorio de Periodismo da Cision.

O relatório também apontou como principais desafios as redes sociais e pessoas influentes contornando a mídia tradicional (14%), as fronteiras cinzentas entre conteúdo e publicidade (10%), ataques à liberdade de imprensa (8%) e outros (12%).

O adeus a Arthur José Poerner

O adeus a Arthur José Poerner

Morreu na noite dessa quinta-feira (30/6) no Rio de Janeiro o jornalista e escritor Arthur José Poerner, um dos grandes nomes da resistência à ditadura militar, sobretudo no Correio da Manhã e no Pasquim. O velório e sepultamento serão nesta sexta-feira (1º/7).

Arthur é bacharel em Direito e fez pós-graduação em Comunicação. Destacou-se na imprensa brasileira fazendo resistência à ditadura em Correio da Manhã e Pasquim. Foi o mais jovem brasileiro a ter os direitos políticos suspensos por dez anos, em 1966.

O jornalista foi preso em 1970 e obteve asilo político na Alemanha. Em 1984, retornou ao País, como editor de Cultura da TV Globo. É membro titular do Pen Clube do Brasil e integrou o Conselho Deliberativo e a Comissão de Ética dos Meios de Comunicação da Associação Brasileira de Imprensa (ABI). Em 2000, foi condecorado com a Medalha de Mérito Pedro Ernesto, da Câmara Municipal do Rio de Janeiro. E em 2005 recebeu o Título de Benemérito do Estado do Rio de Janeiro.

Como aluno de Direito da Faculdade Nacional, participou ativamente do Centro Acadêmico Cândido de Oliveira (Caco), fazendo a ponte entre o Correio da Manhã e os estudantes. Na literatura, também fez resistência à ditadura: Em 1968, publicou O Poder Jovem, sobre a participação política dos estudantes brasileiros. A obra foi um dos 20 primeiros livros a serem proibidos em todo o território nacional.

Com informações da ABI.

Biografia de Sahione revive caso Baumgarten

Biografia de Sahione revive caso Baumgarten

André Felipe de Lima e Sérgio Pugliese lançam Em defesa da honra – A retórica de Clovis Sahione, com selo da Rebento Editora. A biografia do criminalista narra alguns dos principais casos levados ao Tribunal do Júri que tiveram o advogado como protagonista jurídico.

Ele foi uma das estrelas dos muitos juris criminais populares no Rio de Janeiro, atuou como advogado de defesa em casos que chamaram a atenção do público, como crimes passionais que chocaram o País. Aos 80 anos, e após 60 anos de carreira, o criminalista Clovis Sahione venceu seu último júri – a absolvição de um homem acusado de matar um policial militar.

O caso que o biografado considerou o mais difícil, o mais complicado, foi o do ex-chefe do Serviço Nacional de Informação (SNI), general Newton Cruz, em 1992.  Mesmo sendo comunista, Sahione não se esquivou em aceitar a defesa. Ele conseguiu a absolvição do militar, acusado de sequestro, homicídio qualificado e ocultação do cadáver do jornalista Alexandre von Baumgarten. Cruz foi o primeiro militar desde o golpe de 1964 a ir a júri popular.

Em depoimento, a neta do biografado, a filósofa Nastassja Pugliese, afirma: “Eu nunca tinha ouvido e nem lido, até hoje, essas histórias a partir do ponto de vista da dor física e do sofrimento do réu. Como contos, elas me habitam traduzidas de antemão pela retórica do advogado que já tinha escolhido as palavras certas para falar publicamente do assunto delicado e privado do réu, mas de que agora é dele também responsável”.

Reuters e UOL Confere passam a fazer parte de programa de checagem da Meta

Reuters e UOL Confere passam a fazer parte de programa de checagem da Meta

A Meta anunciou que Reuters Fact Check e UOL Confere são os novos integrantes do programa de checagem de fatos da empresa no Brasil, lançado em 2018. A ideia é expandir a capacidade de verificação de conteúdos, com foco nas eleições deste ano. Ambos juntam-se a Agência Lupa, Aos Fatos, Agence France Presse (AFP) e Estadão Verifica, também integrantes da iniciativa.

Para Dulce Ramos, gerente de Parcerias Estratégicas da Meta com Veículos de Notícias na América Latina, a nova parceria “acontece em um momento importante, alguns meses antes das eleições, quando sabemos que é ainda mais importante o combate a notícias falsas para assegurar a integridade do processo democrático”.

O programa faz a checagem informações publicadas no Facebook e no Instagram. Os conteúdos marcados como falsos, alterados ou parcialmente falsos têm sua distribuição reduzida no feed. Os usuários que ainda conseguirem visualizar esses posts os verão cobertos com um rótulo e um link para a verificação dos fatos. E se tentarem compartilhar o conteúdo em seus perfis receberão um alerta de que se trata de algo não confiável.

Além disso, páginas, grupos, contas e websites que compartilham notícias falsas com frequência passarão por restrições, incluindo a redução do alcance de todo o seu conteúdo.

Filho de Felipe Kieling “rouba a cena” em entrada ao vivo na BandNews

Felipe Kieling e seu filho, Lucas, durante entrada ao vivo no Jornal BandNews FM.

Uma cena inusitada marcou a programação da manhã dessa quinta-feira (30/6) do Jornal BandNews FM. O motivo foi a participação de última hora de Lucas O’Regan Kieling, filho do correspondente do Grupo Bandeirantes na Europa Felipe Kieling, durante uma entrada ao vivo.

Com apenas um ano de idade, Lucas precisou acompanhar o pai ao trabalho uma vez que não poder ir para a creche e sua mãe estava presa em uma reunião de trabalho. Sem ter um familiar próximo a quem recorrer, o jornalista não teve dúvida: levou o filho no colo durante sua entrada ao vivo para comentar sobre o futuro do jogador Neymar Jr., do Paris Saint-Germain.

Felipe Kieling e seu filho, Lucas, durante entrada ao vivo no Jornal BandNews FM.

 

Apesar das muitas tentativas de chamar a atenção do pai, chegando inclusive a atingi-lo com um tripé que derrubou seu ponto da orelha, Lucas não conseguiu desconcentrar Felipe, que se manteve focado pelos quase dois minutos de sua interação com os apresentadores Luiz Megale, Carla Bigatto e Sheila Magalhães.

 

Apesar do momento inusitado, e de todos os desafios para se manter focado, a participação de Felipe Kieling foi muito elogiada nas redes sociais, assim como a do pequeno Lucas, mas neste caso, pela sua fofura.

Jornalistas são impedidos de fazer cobertura de Bolsonaro em Maceió

Mesmo credenciados, profissionais da Tribuna Independente foram impedidos de realizar a cobertura da visita oficial do presidente Jair Bolsonaro, na manhã de terça-feira (28/6), no bairro do Vergel do Lago, em Maceió. Na cerimônia foram entregues 1.120 moradias a famílias de baixa renda nos bairros do Vergel e Benedito Bentes.

Segundo Edilson Omena, repórter fotográfico da Tribuna Independente, na entrada do evento os profissionais foram avisados de que não poderiam acompanhar a visita, e que se o fizessem, teria que ser como cidadãos comuns sem o uso dos equipamentos. “Ainda insisti, mas não teve outro jeito que retornar para a redação sem o trabalho concluído”.

Em repúdio, Valdice Gomes, diretora da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), classificou o ato como falta de respeito aos profissionais de imprensa.

“A imprensa é um dos pilares da democracia e infelizmente esse desrespeito tem sido visto não somente em Alagoas, mas em outros estados brasileiros. O leitor, os telespectadores têm o direito à informação e saber o que o presidente está fazendo, principalmente quando se trata de uma visita oficial, mas a ignorância é tanta que nem sequer pensa que o trabalho deles, enfim, a ação deixa de ser divulgada”, destacou Valdice.

Desculpas não apagam a infelicidade causada por irresponsabilidades

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O Reino Unido é um país traumatizado com invasão de privacidade de famosos. Os tabloides britânicos são referência da falta de limites entre o que é informação de interesse público e o que só interessa a quem é o objeto da notícia.

O assédio de paparazzi é apontado como causa da morte da adorada princesa Diana em um acidente automobilístico em Paris, em 1997.

Mas vieram do Hemisfério Sul os dois casos mais recentes em que a imprensa teve suas práticas questionadas ao revelar (ou tentar revelar) histórias íntimas cujos protagonistas teriam preferido manter fora do conhecimento público.

Um deles todos no Brasil sabem. O outro tinha acontecido duas semanas antes do episódio com Klara Castanho.

A atriz australiana Rebel Wilson foi obrigada a anunciar seu relacionamento com a estilista Ramona Agruma depois de um ultimato do colunista de celebridades Andrew Hornery, do Sydney Morning Herald da Austrália.

Rebel (dir.) e Ramona

Estrela de A escolha perfeita, a atriz de Hollywood não teve escolha ao ser informada que o jornalista sabia do namoro e gostaria apenas de sua posição para a matéria a ser publicada dois dias depois.

Perguntar se ela se importaria em ver a intimidade revelada? Nem pensar. Foi um ultimato.

Antes de a matéria sair, no entanto, ela anunciou o namoro no Instagram, dizendo ter descoberto que, na verdade, estava em busca de uma “Disney Princess”, e não de um príncipe encantado.

Até aqui a história poderia ser tomada como um mal-entendido sobre o suposto ultimato. O que veio depois, no entanto, mostra que nem todos entenderam ainda o cuidado necessário ao lidar com informações de caráter pessoal.

Revoltado por ter perdido o “furo”, Hornery (que é gay, e poderia ter tido mais sensibilidade ao tratar do tema) publicou uma matéria criticando a atriz por ter se antecipado.

Parecendo falar com coleguinhas no café da redação, ele escreveu que já sabia do relacionamento. E acusou a atriz de ter “optado por capitalizar em cima da história” ao ser informada de que o jornal revelaria o namoro.

O editor ainda tentou defender seu colunista. Mas a repercussão internacional foi tamanha, com manifestações de nomes como a atriz Whoopi Goldberg, que um pedido de desculpas tornou-se inevitável.

O problema é que desculpas não apagam a infelicidade causada por irresponsabilidades movidas pela busca de audiência. Ou por mera vaidade.

Colunistas como Hornery não perderiam o emprego se não dessem o furo. No entanto, o que os move não deve ser apenas a cobrança dos chefes, mas também o ego, a competitividade.

Os tabloides britânicos passaram a ser mais regulados e observados depois do escândalo de escutas telefônicas do News Of The World, que rende processo até hoje.

O jornal, de propriedade do magnata da mídia Rupert Murdoch, fechou em 2011, mas a então editora-chefe Rebecca Brooks segue como executiva da empresa News UK, dona de títulos como o prestigiado The Times e o criticado The Sun.

E foi justamente o The Sun que em 2019 provocou sofrimento familiar a uma outra celebridade, o jogador de rugby galês Gareth Thomas.

Um repórter bateu na porta dos pais do atleta para ouvir a opinião deles sobre o diagnóstico do filho, que tinha testado positivo para o vírus HIV. Antes, publicou matéria sugerindo que um atleta importante do esporte anunciaria em breve sua condição médica.

Assim como Rebel Wilson, Thomas antecipou-se e revelou ter HIV, só que em uma entrevista para um tabloide concorrente.

E lamentou ter sido forçado a isso antes de ter entendido o diagnóstico e avaliar se e como contaria aos pais: “Eu nunca posso ter aquele momento de volta, para poder explicar que seu filho vai ficar bem e será capaz de sobreviver a isso. Essa pessoa tirou esse momento de mim”.

Essa pessoa era o jornalista, representando um jornal. E indiretamente representando a instituição imprensa.

Esses casos se repetem. E servem como reflexão para jornalistas e veículos analisarem o que podem fazer para reconquistar o interesse e a confiança do público, que, segundo as pesquisas, andam em queda. Não ser cruel e agir com mais humanidade talvez seja uma delas.


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