Morre Otavio Frias Filho, diretor de Redação da Folha de S.Paulo

Otavio Frias Filho

Faleceu na madrugada desta terça-feira (21/8), na capital paulista, o diretor de Redação da Folha de S.Paulo Otavio Frias Filho. Aos 61 anos, lutava contra um tumor no pâncreas descoberto em 2017, e estava internado no Hospital Sírio Libanês.

Filho de Octavio Frias de Oliveira, empresário que comprou a Folha em 1962, e de Dagmar Frias de Oliveira, era casado com Fernanda Diamant, editora da revista Quatro Cinco Um, e deixa duas filhas, Miranda e Emília, e os irmãos Luiz, Maria Cristina e Maria Helena.

Formado em Direito e Ciências Sociais pela Universidade de São Paulo, começou no jornal assessorando o então diretor de redação Cláudio Abramo e o pai, publisher do jornal. Em 1984, aos 26 anos, assumiu a função de diretor de Redação, tendo enfrentado naquele período forte resistência interna e externa, especialmente pela idade e porque era filho do dono. Apesar da desconfiança, conduziu o jornal em seu principal período de reformas e modernizações, tornando-se uma das figuras mais importantes do mercado jornalístico brasileiro.

Já no primeiro ano sob sua direção, a Folha encampou o movimento das Diretas Já, que pedia eleições diretas para presidente da República após o mandato de João Figueiredo. Nos 50 anos do golpe de 1964, sob a direção de Frias Filho, a Folha abordou o tema da ditadura militar: “Às vezes se cobra desta Folha ter apoiado a ditadura durante a primeira metade de sua vigência, tornando-se um dos veículos mais críticos na metade seguinte. Não há dúvida de que, aos olhos de hoje, aquele apoio foi um erro”, destacou o executivo.

Em 1989, a Folha foi o primeiro jornal brasileiro a implantar a função de ombudsman, profissional responsável por opinar sobre o trabalho interno da publicação com total liberdade. Foi responsável também pela criação do Manual de Redação, obra que prega um texto mais descritivo, rigoroso e impessoal aos profissionais da casa.

Em 2005, em entrevista para a série Protagonistas da Imprensa Brasileira, produzida por Jornalistas&Cia, definiu seu trabalho na Folha como o de um “moderador inúmeras tensões”. “Considero positivo, dentro de certos limites, que isso ocorra, até para que o jornal não se transforme numa entidade monolítica, de pensamento único”, destacou Otavio Frias Filho.

O velório está sendo realizado no Cemitério Horto da Paz, em Itapecerica da Serra, na Grande São Paulo, e a cerimônia de cremação será às 13h30, no mesmo local.

* Com informações da Globo.com

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