Morre, aos 76 anos, Clóvis Rossi

Um dos mais premiados Jornalistas do Brasil, ele passou mal horas após deixar o hospital, onde esteve internado por causa de um problema no coração

Clóvis Rossi – Reprodução/TV Globo

Morreu na madrugada desta sexta-feira (14/6), em São Paulo, o jornalista Clóvis Rossi. Aos 76 anos, ele estava internado no Hospital Albert Einstein desde 7/6, após sofrer um infarto. Depois de passar por uma angioplastia na última terça-feira (11/6), e apresentar melhoras em seu quadro, chegou a ter alta na quinta-feira, mas passou mal novamente e faleceu.

O velório está marcado para começar às 15h, no Cemitério do Gethsemani (praça da Ressurreição, 1), no Morumbi, mesmo local onde será sepultado neste sábado, às 11 horas.

Repórter especial e membro do conselho editorial da Folha de S.Paulo, estava na empresa desde 1980, onde também mantinha uma coluna às quintas e domingos. Um dos mais premiados jornalistas do País, Rossi começou a carreira no início da década de 1960, na sucursal paulista do jornal Correio da Manhã (RJ).

Após breves passagens, em 1965, pela extinta TV Excelsior e pela revista Autoesporte, ingressou no Estadão como redator da capa e da contracapa. Foi promovido no ano seguinte, passando a chefe de Reportagem e editor de Assuntos Gerais. Em 1971, foi deslocado para a editoria de Esportes, como editor de Futebol. Dois anos depois, tornou-se assistente do editor-chefe e, ao mesmo tempo, começou o que acabaria sendo uma carreira paralela, a de enviado especial. Na nova função, em 1973 cobriu o golpe no Chile.

Em 1976, foi designado editor-chefe do Estadão. Um corte pesado de pessoal, no ano seguinte, contudo, o fez entregar o cargo e, logo depois, a deixar o matutino.

Mudou-se para Brasília, indo trabalhar na sucursal do Jornal do Brasil. Em 1978, entretanto, voltou para São Paulo, para integrar a equipe de redação da revista IstoÉ. Em 1980, fez parte da equipe que lançou o Jornal da República, que faliu pouco tempo depois. Passou, então, para a Folha de S.Paulo, como repórter especial.

Pelo jornal paulista, foi correspondente em Buenos Aires, entre 1981 e 1983, regressando para São Paulo em 1984. Foi designado, em 1987, para a vaga aberta pela morte de Cláudio Abramo na coluna São Paulo, da página 2 da Folha. Em 1992, partiu para Madri, como correspondente do jornal na Espanha.

Foi indicado, em 2008, ao International Media Council, criado pelo Fórum Econômico Mundial – mais conhecido como Fórum de Davos – para reunir os cem jornalistas considerados os mais influentes do mundo, global ou regionalmente.

Escreveu diversos livros sobre jornalismo, entre eles Vale a pena ser jornalista?, no qual aborda os prós e os contras da profissão; Enviado Especial – 25 anos ao redor do mundo, uma coletânea de reportagens em países como Chile, Portugal e Israel; e o livro de bolso O que é jornalismo?.

Foi agraciado em 2001 com o Prêmio Maria Moors Cabot, da Faculdade de Jornalismo da Universidade de Columbia, Nova York (EUA). No ano seguinte, recebeu o Prêmio Ayrton Senna, na categoria de jornalismo político.

Em 2004 foi homenageado com o Prêmio Nuevo Periodismo, concedido pela Fundación Nuevo Periodismo Iberoamericano (FNPI) – criada e dirigida pelo Nobel Gabriel García Márquez –, por sua contribuição como jornalista no relacionamento entre o Brasil e os demais países ibero-americanos.

Venceu três vezes o Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos: a primeira em 1980, por uma série de matérias sobre o Cone Sul; a segunda em 1981, com a matéria “Mães de Mayo” burlam a polícia e fazem protesto (FSP, 27/3/1981), e a última em 1982, por um conjunto de matérias. Ganhou, também, quatro vezes o Prêmio Comunique-se: em 2004, 2006 e 2009 (na categoria Jornalista de Política, Mídia Impressa) e 2011 (Jornalista Nacional, Mídia Impressa).

Foi eleito, em 2015, entre os 50 +Admirados Jornalistas Brasileiros, em votação realizada por este Portal dos Jornalistas em parceria com Jornalistas&Cia e Maxpress.

Rossi é cavaleiro da Ordem do Rio Branco, honraria conferida pelo governo brasileiro por decreto do então presidente Luiz Inácio Lula da Silva. É também cavaleiro da Ordem do Mérito, atribuída pelo governo francês, durante a presidência de François Hollande.

Ele deixa esposa, Catarina Rossi, três filhos e três netos.

Confira a íntegra de sua última coluna, publicada excepcionalmente na última quarta-feira (12/6):

“Serve a presente coluna para explicar minha ausência desde domingo (9) nas páginas desta Folha.

É uma satisfação devida ao leitor, se é que há algum. Sofri um microinfarto na sexta (7), fiz a angioplastia, recebi um stent e, na terça (11), outra angioplastia, com mais quatro stents.

Tudo correu perfeitamente bem, graças à extraordinária eficiência e rapidez de atendimento do hospital Albert Einstein, tanto em seu pronto-socorro no Ibirapuera como no próprio hospital, no Morumbi.

E, claro, graças ao dr. José Mariani, do setor de Hemodinâmica, que colocou os stents, ao meu médico de toda a vida, Giuseppe Dioguardi, e a meu irmão, também médico, Cláudio Rossi.

A alta está prevista para esta quinta-feira (13) e, como o músculo cardíaco não chegou a ser afetado, pretendo retornar à atividade profissional normal na próxima semana.

Agradecimento também aos companheiros da Folha que me ampararam e até mentiram dizendo que estavam sentindo minha falta.”

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