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quarta-feira, julho 6, 2022

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Gillette Press

Sou do tempo da Gillette Press que, pensando bem, foi a maior “agência” de notícias do mundo em um passado não muito distante, quando carcará ainda não voava de costas no nosso armado Brasil (quero direitos autorais, bispo de Aparecida). Com o advento da internet, a Gillette Press entrou em decadência e perdeu a serventia. Foi substituída pelo computador.

Hoje em dia − e acredito que até hoje em noite − basta copiar notícias direto do computador teclando corretamente. Não precisa gastar sola de sapato, zanzando por aí, em busca de notícias, se a pessoa pode encontrar tudo − ou quase tudo − nos sites, blogs e no Google.

E o crédito? Nem sempre a fonte é citada, o que não deixa de ser um plágio ou roubo mesmo. Era assim também no tempo da Gillette Press. Com uma gilete − daí o nome Gillette Press −, os jornalistas cortavam as notícias das páginas dos jornais e, no caso do rádio, colocavam no ar sem alterar o texto e sem citar a fonte.

Presenciei isso em várias rádios e, em uma delas, havia duas mesas praticamente coladas uma na outra. Era ali que, às cinco da matina, os jornais eram “autopsiados” e “desossados” para “alimentar” o jornal falado, que começava às seis horas. Era tanto corte que os jornais ficavam “irreconhecíveis”.

Jornais como Folha, Estadão, Globo, JB, NP e outros serviam de matéria-prima para a Gillette Press. Se não me falha a cachola, o NP, iniciais do célebre Notícias Populares, sofria os maiores “cortes”. Ou as maiores “cirurgias”, sem derramamento de sangue.

Aliás, um respeitado jornalista e escritor contou-me que grandes matérias do Jornal da Cultura foram “chupadas” (epa!) do NP. Não era só o rádio. A televisão e mesmo os jornais, sem contar revistas, também eram “clientes” da famosa “agência”.

Reproduzir matéria sem dar o devido crédito é ilegal e imoral. Um jornal do interior dos EUA foi acusado por um concorrente de reproduzir matérias ilegalmente. Para não ser processado, o jornal reescrevia as matérias que lhe interessavam, como os principais assuntos nacionais. Parafraseando o compositor Sinhô: “Notícia é de quem pegar primeiro”. O autor de Gosto que Me Enrosco, sucesso do cantor Gilberto Alves, teria afirmado que “samba é que nem passarinho: é de quem pegar primeiro”, numa alusão ao plágio e aos direitos autorais. 


A história desta semana é novamente uma colaboração de Sandro Villar, radialista e jornalista que por muitos anos atuou como correspondente do Estadão em Presidente Prudente, no interior de São Paulo.

Nosso estoque do Memórias da Redação continua baixo. Se você tem alguma história de redação interessante para contar mande para [email protected].

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