Por Sílvio Ribas 

Eles têm sotaque notável, chefes no exterior e tocam pautas bem parecidas com as dos jornalistas de redações brasileiras. São coleguinhas que dão ao público estrangeiro uma cobertura cotidiana agregada com a visão própria de quem é de fora. Cada vez mais raros aqui em razão das sucessivas crises da imprensa e da economia, esses repórteres gringos dão provas diárias de grande profissionalismo ao explicar ao mundo os fatos surreais deste país.

Além de nos ensinar práticas distintas para o nosso ofício comum, a presença deles entre nós também serve de indicador do interesse externo sobre o maior e mais populoso país latino-americano. Em minha longa vida na imprensa, tive a honra e o prazer de conhecer e fazer parcerias com correspondentes internacionais no Brasil. Muitos desses se apaixonaram pela nossa gente, cultura, paisagens e até nosso famoso “jeitinho”.

Minha referência mais remota desse pessoal, majoritariamente sediado em Rio, São Paulo e Brasília, é a britânica Diana Kinch, emissária de agências e veículos focados em siderurgia e mineração, como o Metal Bulletin. Figura afável e muito ativa nas entrevistas coletivas dos institutos IBS (Aço) e Ibram (minério) e de companhias minero-metalúrgicas como Vale, Mannesmann e Usiminas, ela era a enviada especial mais presente nas Minas Gerais.

Em Sampa, lá no comecinho deste século, fiz amizade com Pamela Druckerman, jovem staff reporter do The Wall Street Journal, que cruzou o território tupiniquim para apurar temas variados. Danilo Jorge, meu companheiro de Gazeta Mercantil, até tentou, sem sucesso, convencê-la a cobrir o Carnaval em Diamantina (MG). Hoje ela é autora de bestsellers sobre a criação de filhos, estilo de vida, choque cultural e dilemas afetivos.

Pude ainda trocar figurinhas com emissários que vieram à capital paulista para saber a quantas andavam aqui os badalados negócios digitais. Um desses era Max Smetannikov, da norte-americana [email protected] Week, que redigiu um artigo de referência para pesquisas acerca do desenvolvimento da rede mundial dos computadores nesta parte do globo. Atualmente, o versátil periodista de origem russa tornou-se também um estrategista de mídias.

Outra experiência gratificante que tive com estrangeiros foi ter sido “colega de firma” da turminha da GZM International Weekly Edition, publicação semanal da Gazeta Mercantil criada no início dos anos 1990 e que a turma do veículo principal chamava carinhosamente de A Gazetinha.

Nos dava orgulho danado ver matérias nossas publicadas na newsletter, todas bem editadas por Brian Gould e traduzidas para inglês e espanhol. Nessa equipe de múltiplas origens nacionais e que ficava numa estação de trabalho no meio da redação-sede estavam Dina Thrasher (hoje assessora da Câmara de Comércio Brasil-Canadá), Johann Weber, Jonathan Duran, Kendra Johnson, Patricia Wisnefski e Tony Rosenberg.

Na minha atual fase de Brasília, ganhei outros valiosos amigos de profissão, como o britânico Anthony Boadle, da Reuters, e Stéphane Schorderet, assessor da Embaixada da França. Este chegou a ser o meu intérprete na cúpula do G20 em Cannes (2011).

Nessa viagem, dei também uma forcinha a colegas estrangeiros fazendo o papel de fonte brasileira, como nas entrevistas para Xiaomeng Lan, do jornal China Times, Pedro Benevides, da tevê portuguesa RTP, e um canal vietnamita. Tudo isso graças à bandeirinha verde e amarela que eu exibia com orgulho na minha lapela. Brazil-zil!

Coleguinhas “de fora” exterior
Silvio dá entrevista para Pedro Benevides, da TV portuguesa (2011)

A história desta semana é novamente uma colaboração de Sílvio Ribas, assessor parlamentar do senador Lasier Martins (Podemos-RS).

Nosso estoque do Memórias da Redação continua baixo. Se você tem alguma história de redação interessante para contar mande para [email protected].

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