Folha ganha o Esso com redação ainda abalada por demissões

Desejado por dez entre dez jornalistas (e pelos veículos que representam), o Prêmio Esso de Jornalismo (ver nota abaixo) acaba de ser conquistado pela Folha de S.Paulo com a série O patrimônio e as consultorias que derrubaram Palocci, de autoria de Andreza Matais, José Ernesto Credendio e Catia Seabra. A honraria, no entanto, chega ao jornal num momento de tensão, ansiedade e tristeza, em decorrência das muitas demissões anunciadas na última semana.

Não se tem ainda o número certo do corte, mas os rumores são de que ele chegará a 10% da folha de pagamento. A direção da empresa, conforme apurou este J&Cia, aponta razões essencialmente econômicas para a decisão: “Com a inflação pressionando mais os custos e com o crescimento da economia caindo pela metade em relação ao ano passado, a empresa está fazendo agora um ajuste necessário no orçamento do ano que vem. Isso implica fechamento de algumas vagas, desligamento de alguns profissionais e certa margem de redução no consumo de papel-jornal. Entre as medidas, o caderno semanal Folhateen, que circulava desde 1991, deve converter-se numa seção incluída no caderno Ilustrada”, diz fonte do jornal.

Entre os que saem estão dois dos mais experientes e respeitados profissionais da casa, Edgard Alves , que coordenava a pauta de Esportes, e Luiz Marauskas , da Fotografia, ambos com mais de 40 anos de casa. Há em curso na empresa algumas negociações que podem minimizar os efeitos do corte e que buscam remanejar profissionais para outras editorias ou mesmo tê-los como colunistas ou colaboradores.

Até o fechamento da última edição de Jornalistas&Cia, na noite desta 3ª.feira (15/11), ainda não era possível avaliar o tamanho do corte, já que algumas demissões teriam sido revertidas e outras ainda não estavam sacramentadas. Nem o próprio Sindicato dos Jornalistas tem ideia desse número, segundo informou a este J&Cia seu presidente José Augusto de Camargo, que disse ter falado com representantes do jornal no final da tarde de 6ª.feira (11/11) e que deve retomar os contatos nesta 4ª. Para ele, a Folha nada mais está fazendo do que repetir a fórmula que adotou no final do ano passado: “Quando eles começam a fechar os números do balanço e a preparar o orçamento do ano seguinte, usam os cortes de trabalhadores para realizar lucros e manter dividendos.

Depois, ao longo do ano, vão recontratando, pegando frilas e no final do ano cortam de novo. Essa fórmula tem sido constante desde que as empresas passaram a ser administradas por financistas, e não é exclusividade da Folha. Vamos procurá-los novamente nesta 4ª.feira (16/11) para ver o que é possível reverter ou negociar”. Da redação, além de Edgard Alvez e Luiz Murauskas, saíram Mário Moreira, 18 anos de casa; Luis Curro, sub de Esporte; Rodrigo Vargas, correspondente em Cuiabá, cujo posto foi fechado; Leonardo Freitas (TEC); no Rio, Leila Coimbra, que foi para a Reuters (ver J&Cia 820), e Rodrigo Rotzsch, que havia sido editor de Mundo; na Folha Ribeirão, Ana Paula de Sousa Silva; na TV Folha, Fabio Gonçalves Rodrigues; e em Turismo, Vanessa Corrêa da Silva, que continuará colaborando para o caderno e outras publicações.

Também saíram o diretor industrial Adalberto Fernandes e a gerente Administrativa das Redações Marie Attia (marie.attia@uol.com.br e 11-3871-0876 / 8402-0022), que estava no jornal desde fevereiro de 2004, em sua segunda passagem por lá, cuidando de toda a infraestrutura de cobertura da Folha em megaeventos como Copa e Olimpíada; controle e acompanhamento orçamentário das editorias; planejamento orçamentário para o Agora São Paulo e a Regional Ribeirão Preto; contratações/negociações das agências nacionais e internacionais de notícias.

Na área de eventos, esteve por trás da exposição 90 Anos da Folha no MIS e do evento de aniversário do jornal, dentre outras coisas. Mas nem tudo são más notícias, como lembrou uma fonte do jornal: além do Esso de Jornalismo, houve também algumas contratações. O Guia Folha, por exemplo, contratou na semana passada os repórteres Aline Pellegrini, que já frilava para o caderno, e Rafael Gregório, que trabalhava com a ombudsman Suzana Singer, ambos egressos do programa de treinamento da Folha. E Daniel Medici, que havia deixado o jornal para uma temporada de estudos, volta para cobrir férias na Ilustríssima.

Em Suplementos, Patrícia Trudes da Veiga deixa a edição para se dedicar exclusivamente ao Prêmio Folha Empreendedor Social de Futuro, ao Prêmio Empreendedor Social e à Rede Folha de Empreendedores Socioambientais; no lugar dela assume interinamente Edson Valente. Não houve mudanças na equipe da Folhinha. Vale lembrar que a decisão da Folha pode não ser isolada, já que há rumores de que estejam em estudos cortes em outras redações de São Paulo.

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