Carro e futebol: paixão em dose dupla de Mário Venditti

Mário Sérgio Venditti, diretor de Redação da Carro Hoje, trocou profissionalmente a área esportiva pela automotiva. Trabalhou na revista Placar e na editoria de Esportes dos jornais Folha de S.Paulo e Diário Popular até se transferir para a Quatro Rodas, em 1992, como editor de automobilismo. Mas isso não significa que deixou o assunto futebol de lado. Palmeirense de coração, ele conta nesta entrevista à editora do Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva Heloisa Valente, que uma das coisas que mais gosta de fazer é ir ao estádio ver o time jogar. E quando o assunto é carro, lembra de uma história inusitada do seu primeiro automóvel. Jornalistas&Cia Imprensa Automotiva ? Um carro inesquecível?Mário Sérgio Venditti ? O primeiro carro que tive, um Fusca 1978, que era do meu pai, passou para meu irmão e depois para mim. Ele teve uma história curiosa, triste, mas com final feliz. O ano era 1983 e o carro foi roubado em São Bernardo do Campo (SP) quando eu visitava uma exposição de móveis. Inconformado com a perda do veículo, que não tinha seguro, vivia ligando para a polícia para saber se haviam encontrado. Depois de três meses ele foi localizado no litoral, em Mongaguá. Fui até lá buscá-lo e quando cheguei ao local vi o Fusca em cima de um cavalete, sem os quatro pneus e a bateria, além de vários problemas na mecânica e pintura. Uma cena triste! Mas o desejo de tê-lo de volta era maior. Passei então em um borracheiro, comprei um jogo de pneus meia vida, uma bateria já usada e coloquei o carro para andar. Ele ficou comigo por mais quatro bons anos. J&Cia Auto ? Um momento automotivo que marcou a sua vida?Mário Sérgio ? Destaco dois: em 1998, na Quatro Rodas, eu e o fotógrafo Marco de Bari fomos de bicões ao lançamento do New Beetle em Atlanta (EUA). Mas era um evento destinado somente à imprensa americana, canadense e mexicana. Toda a edição estava pronta, só faltava a matéria de capa, que era justamente essa. Por isso, precisávamos andar nele de qualquer maneira. Lá em Atlanta, um assessor da Volkswagen não viu com bons olhos nossa presença e disse que não andaríamos no carro. No final das contas, e graças também à ajuda do jornalista brasileiro Sergio Oliveira, radicado no México, conseguimos dirigi-lo e voltamos com a capa! Outro momento foi a foto do acidente do piloto da F1 Karl Wendliger nos treinos do GP de Mônaco de 1994. A F1 estava consternada porque dias antes o Ayrton Senna havia morrido em San Marino. Lemyr Martins, da Quatro Rodas, foi o único jornalista do mundo a flagrar o acidente e a foto foi parar em várias revistas do mundo e no Jornal Nacional, em horário nobre, com o devido crédito. Apesar do fato triste, o reconhecimento do trabalho do colega foi motivo de comemoração na redação. Além desses, ter viajado pela revista Carro para países de culturas tão diferentes, como Emirados Árabes, Coreia do Sul, China e Japão, também foi enriquecedor. J&Cia Auto ? Onde iniciou suas atividades nessa área?Mário Sérgio ? Em 1992, na revista Quatro Rodas, onde permaneci por sete anos. Eu trabalhava na imprensa esportiva, mas chegou um momento em que julguei interessante para minha carreira mudar de ares. Aí, surgiu a oportunidade de ir para Quatro Rodas e aceitei. Foi uma decisão correta. J&Cia Auto ? O que mais o impressiona na imprensa automotiva?Mário Sérgio ? Numa época em que muitos jornalistas usam internet como fim, e não como meio, admiro a garra de alguns repórteres do setor que ainda apuram uma boa reportagem. Vão atrás dos fatos, entrevistam fontes e se preocupam em produzir um bom texto. J&Cia Auto ? Um profissional da imprensa automotiva para homenagear o segmento?Mário Sérgio ? Injusto citar apenas um, por isso, divido em três turmas. Da velha guarda, Claudio Larangeira e Lemyr Martins, que, apesar da longa estrada percorrida, tratam cada pauta como se fosse a primeira, tamanho é o entusiasmo. Da minha geração, Sergio Quintanilha, Wilson Toume, Jorge Tarquini e Pedro Kutney, jornalistas de primeiro nível e com os quais tive a honra de conviver em redações. E da nova geração, João Anacleto e Gerson Campos, talentos impressionantes. J&Cia Auto ? Livro de cabeceira?Mário Sérgio ? O encontro marcado, de Fernando Sabino. J&Cia Auto ? Time de coração?Mário Sérgio ? Certa vez, meu pai me disse: “Quando eu morrer, a maior herança que vou te deixar é ser palmeirense”. Ele tinha razão. O Palmeiras é uma das maiores paixões da minha vida. Não importa em que fase ele esteja. J&Cia Auto ? O que mais gosta de fazer nos momentos de descanso?Mário Sérgio ? Ir ao cinema como minha esposa, Márcia, ler um bom livro, estar com minha família e ir ao estádio ver o Palmeiras jogar. J&Cia Auto ? Algum hobby especial?Mário Sérgio ? Não tenho. J&Cia Auto ? Tipo de música que mais aprecia?Mário Sérgio ? Música para mim é assim: se agrada aos meus ouvidos, passo a gostar. Não tenho preconceito contra nenhum gênero. Mas não dá para não gostar de Beatles… J&Cia Auto ? Na televisão, qual programa predileto?Mário Sérgio ? Programas esportivos (inclusive as mesas-redondas de domingo à noite), telejornais, alguns humorísticos, como A Grande Família e Tapas & Beijos e bons filmes nos canais a cabo. J&Cia Auto ? Quais os jornais e revistas de que mais gosta? E sites especializados?Mário Sérgio ? Estadão, O Globo, IstoÉ e Época, além de Carro e Carro Hoje, no segmento automotivo. Mas considero as revistas brasileiras do setor, de uma forma geral, muito boas, como Autoesporte e Car and Driver. Entre os sites gosto de Carro Online, UOL Carros e os das revistas Auto Motor und Sport, alemã, e da americana Motor Trend. J&Cia Auto ? Um sonho por realizar?Mário Sérgio ? Passar um ou dois anos na Europa como correspondente internacional.