Defensorias de audiências homenagearão Mara Régia pelo programa Viva Maria 

Mara Régia, da Rádio Nacional da Amazônia (EBC), há 33 anos responsável pelo Viva Maria, programa pioneiro na mobilização de mulheres na luta por seus direitos, vai receber uma homenagem especial em 14/9, quando fará a palestra de abertura do Primer Congreso Latinoamericano de Defensorías de las Audiencias, que por três dias reunirá em Buenos Aires representantes de diversos países. Eles firmarão um ato de intenção no qual se comprometerão a promover ações para evitar a violência contra as mulheres nos meios de comunicação. O evento, organizado pela Defensoría del Público de Servicios de Comunicación Audiovisual, da Argentina, é um reconhecimento ao Dia Latino-americano da Imagem da Mulher nos Meios de Comunicação. Publicitária e jornalista formada pela UnB, a carioca Mara Régia é cidadã honorária de Brasília. Desde 1990 desenvolve projetos de capacitação para o uso do rádio no trato dos temas ligados à cidadania, com ênfase nas questões de gênero e meio ambiente. Há mais de 20 anos apresenta também o programa Natureza Viva pela Rádio Nacional da Amazônia. Por sua atuação no radiojornalismo, recebeu o diploma de Jornalista Amigo da Criança, concedido pela Agência de Notícias dos Direitos da Infância (Andi). Foi finalista, entre outros, dos prêmios Ayrton Senna, nas edições de 2000 e 2001, e Cláudia 2003, na categoria Trabalho Social. Em 2005 foi indicada pelo Projeto Mil Mulheres ao Prêmio Nobel da Paz. Um ano depois venceu o Prêmio Chico Mendes na categoria Arte e Cultura. Em 2011, foi finalista do Prêmio Abdias Nascimento, categoria Rádio. E em maio passado recebeu homenagem especial no Prêmio Nacional de Jornalismo sobre Violência de Gênero. No texto A mulher que nasceu com 10 anos… E uma outra que virou ponte, que publicou em Época há um ano, referindo-se à história de vida da parteira Zenaide e ao reconhecimento das mulheres ao trabalho radiofônico de Mara, Eliane Brum escreveu sobre ela: “(…) Comecei então meu aprendizado sobre Mara Régia e a Amazônia. Ela vai alinhavando a floresta e apalpando o povo com as orelhas no programa Natureza Viva… A cada domingo, das 8h às 10h, vai tecendo um conceito de ‘sustentabilidade’ socioambiental a partir das experiências concretas de ribeirinhos, extrativistas, pequenos agricultores e indígenas. Porque sustentabilidade é um conceito que vai tomando uma forma meio esquisita na boca de alguns políticos e empresários que gostam mesmo é de floresta defunta, é palavra que vai sendo torturada aqui e ali para significar às vezes o seu oposto, até o ponto que se esvazia de significado e sentido, de tão gasta que foi pra não dizer nada. Ao trazer as vozes de quem vive a floresta e, mais do que vive, é a floresta, Mara faz um tipo de milagre de gente e devolve carne à palavra, que fica viva de novo (…)”.

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