Comissão tem 30 dias para investigar alterações de perfis da Wikipédia

Miriam Leitão diz que explicação do Planalto é de corar de vergonha O Governo Federal começou em 12/8 o processo de sindicância para investigar alterações nos perfis de Carlos Alberto Sardenberg e Mírian Leitão, colunistas e comentaristas de TV Globo, O Globo e CBN, na Wikipédia, em maio de 2013, a partir de um IP da rede do Palácio do Planalto, sede da Presidência da República. O perfil de Miriam foi alterado três vezes. Segundo especialistas, é possível saber quem acessou a enciclopédia virtual, verificando no servidor de rede do Palácio do Planalto qual computador fez a solicitação de acesso, por meio do endereço físico do equipamento, conhecido como mac address. E por ele identificar qual foi o usuário que fez o login e acessou a página. A comissão será chefiada pelo auditor fiscal e secretário-executivo da Casa Civil Valdir Simão, e terá 30 dias de prazo. Por meio de nota, a Secretaria de Comunicação da Presidência considerou lamentável o episódio e informou que, por razões técnicas, “é impossível” localizar os computadores de onde partiram as alterações nos perfis na Wikipédia. E que até julho passado, os conteúdos da rede de internet do Palácio do Planalto eram arquivados por no máximo seis meses. “Outro dado técnico que dificulta a identificação de quem fez as modificações nos textos é o fato de elas terem sido realizadas por um número de rede de internet do Palácio que também funciona para a rede wi-fi. Ou seja, qualquer pessoa, mesmo que estivesse em visita ao Palácio, poderia, em tese, ter realizado as alterações”, afirma a nota oficial. Apesar disso, Gilberto Carvalho, secretário-geral da Presidência, disse que é preciso investigar. Entidades de classe como ABI, ANJ, Abert e Fenaj cobram do Executivo a apuração rigorosa do caso. Sobre essas medidas, Miriam disse a J&Cia que “o governo nada fez a não ser se dar um prazo. Não pensei ainda em tomar nenhuma providência. A pauta do Brasil é intensa e há outras emergências mais sérias. O esquisito ali não é o ataque a mim ou ao Sardenberg, mas usar a estrutura do Planalto e a primeira explicação de que poderia ter sido um visitante é de corar de vergonha”.