André Luiz Azevedo deixa a TV Globo

André Luiz Azevedo

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de J&Cia no Rio de Janeiro

O repórter André Luiz Azevedo desligou-se da TV Globo depois de 37 anos de reportagens. Ele disse a J&Cia que “foi um pedido meu, que já estava acertado desde o retorno de Portugal, há três anos. […] Só como complemento, sou seguramente o repórter como mais reportagens no Jornal Nacional: mais de 2,5 mil. A partir de agora, vou dedicar-me principalmente a palestras e treinamentos de mídia, no que fui pioneiro, em 1986”.

Formado pela ECO-UFRJ, André começou na imprensa escrita, em O Jornal, passou à rádio JB e chegou à Globo em 1981, para cobrir férias de um colega. Não saiu mais. Participou de grandes coberturas, entre elas a morte de Tim Lopes, em 2002; as Diretas Já, dois anos depois; enviado especial à Bolívia de Evo Morales em 2006, quando da invasão da Petrobras naquele país; cobriu enchentes e desabamentos que abalaram o Estado do Rio, além da ocupação do Complexo do Alemão pelo Exército, em 2010. Em 2012, foi enviado como correspondente da Globo em Portugal, e voltou ao Rio três anos mais tarde. No site Memória Globo, que registrou seu perfil, ele cunhou a frase: “Há reportagens que marcam a vida de um repórter. Outras entram para a história do país”.

No comunicado de despedida, Ali Kamel, diretor-geral de Jornalismo e Esportes da Rede Globo, lembra que a passagem de André Luiz pelo rádio deu-lhe algo importante também para a tevê e a internet: “ser preciso, correto e, extremamente importante, ágil, porque a notícia tem de ser imediata”. E resumiu: “Repórter de presença marcante, firme, seguro, uma imagem que os brasileiros conhecem bem”.

André tem estrela. Uma tragédia – fato pouco conhecido de sua vida profissional – ocorreu em meados dos anos 1980. Escalado para uma reportagem na Bacia de Campos, no Norte do Estado do Rio, pediu dispensa por algum motivo, e foi substituído por Samuel Wainer Filho, o Samuca, filho de Samuel Wainer e de Danuza Leão. Na estrada, de volta para o Rio após a cobertura, o veículo da emissora sofreu um acidente, matando Samuca e o cinegrafista que o acompanhava.

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