Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto
Andrea Ramos, Boris Feldman e Karina Simões, e as publicações Quatro Rodas, Autoesporte, Jornal do Carro, FullCast, AutoPapo e Acelerados também foram premiados pelo concurso
Foram homenageados na noite dessa segunda-feira (25/4), em São Paulo, os +Admirados da Imprensa Automotiva 2022. O concurso, que chegou neste ano à quarta edição, elegeu João Anacleto, de A Roda, como o +Admirado Jornalista do Ano.
Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto (Foto: Doug Zuntta)
Dois representantes de Pernambuco completaram o pódio, que teve na segunda posição Jorge Moraes, apresentador dos programas AutoMotor e CBN Auto, e colunista do UOL Carros, e Silvio Menezes, do programa Carro Arretado, em terceiro lugar. Boris Feldman, do AutoPapo, e Bob Sharp, do Autoentusiastas, ocuparam, respectivamente, a quarta e a quinta posições.
Nas categorias temáticas, João Anacleto levou mais um troféu, desta vez como +Admirado Influenciador Digital. Além dele, foram premiados os jornalistas Karina Simões (KS1951), em Jornalista Especializado em Duas Rodas; Andrea Ramos (Estradão), em Jornalista Especializado em Veículos Pesados; e Boris Feldman (AutoPapo), como Colunista.
Já entre as publicações, os prêmios foram para Fullcast (Fullpower), na categoria Áudio – Podcast; AutoPapo, Áudio – Rádio; Jornal do Carro, em Jornal/Caderno Automotivo; Quatro Rodas, em Revista e Vídeo/Redes Sociais); Autoesporte, em Site; e Acelerados, em Vídeo/Programa de TV.
Além dos resultados anunciados durante a cerimônia (confira a transmissão na íntegra no YouTube), uma edição especial, que circulará nesta sexta-feira (29/4), trará detalhes da festa e da emoção dos premiados.
+Admirados da Imprensa Automotiva 2022 (Fotos: Doug Zuntta)
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A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva conta com os apoios de Abraciclo, Audi, Bosch, General Motors, Honda, Scania, Volkswagen e Volkswagen Caminhões e Ônibus.
Confira a relação completa dos homenageados na quarta edição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2022:
Autor de livro-reportagem de maior sucesso no Brasil, Laurentino Gomes fica na segunda colocação
Patrícia Campos Mello
Pela segunda edição consecutiva, o Ranking dos +Premiados da Imprensa Brasileira, iniciativa promovida desde 2011 por Jornalistas&Cia, com o apoio deste Portal dos Jornalistas, apontou a repórter especial e colunista da Folha de S.Paulo Patrícia Campos Mello como a jornalista mais premiada do ano no Brasil. Foi a primeira vez, não apenas de forma consecutiva, que um profissional repetiu a liderança da pesquisa.
No total, ela conquistou 150 pontos, cinco a mais do que em 2019, a partir de três prêmios de jornalismo. Dentre eles, destaque para o Maria Moors Cabot, mais antiga premiação de jornalismo do mundo, concedido pela Universidade Columbia, de Nova York. Ela também faturou neste ano o Mulher Imprensa de Contribuição ao Jornalismo e o Prêmio Folha, na categoria Reportagem, pelo especial Desigualdade Global.
Estes reconhecimentos são fruto do excelente trabalho investigativo que Patrícia vem realizando nos últimos anos. Em 2018, após publicar a reportagem Empresários bancam campanha contra o PT pelo WhatsApp, que denunciava investimentos não declarados de R$ 12 milhões por apoiadores do então candidato Jair Bolsonaro, ação vedada pela Justiça Eleitoral, ela passou a receber inúmeros ataques e ameaças nas redes sociais. Ainda como desdobramento desse trabalho, em fevereiro deste ano ela foi alvo de insultos de cunho sexual durante a CPMI das Fake News por parte de membros do governo.
Laurentino Gomes
Na segunda colocação, com 110 pontos, aparece o premiado escritor de livros-reportagem Laurentino Gomes. Maior vencedor do Prêmio Jabuti, ele ergueu mais uma vez o tradicional troféu da literatura brasileira neste ano, com o livro Escravidão Volume I – Do primeiro leilão de cativos em Portugal até a morte de Zumbi dos Palmares.
Ele já havia conquistado a premiação anteriormente em outras três oportunidades com a trilogia 1808 (2008), 1822 (2011) e 1889 (2014). Também foi reconhecido neste ano com o prêmio Personalidade da Comunicação, concedido pela Mega Brasil.
Completando o pódio, aparece Rafael Ramos, da Record TV, que integrou as equipes do programa Câmera Record que venceram em 2020 os prêmios Rei da Espanha – Televisão, Vladimir Herzog – Multimídia e República – TV.
O comentarista Fernando Nakagawa, especializado na cobertura de economia, deixou a CNN Brasil e assinou com a Globo. Ele comandará um novo telejornal na GloboNews, que deve ir ao ar no período matutino, a partir de agosto.
“A macroeconomia brasileira está em um momento crucial com debates importantes para definir o lugar do Brasil no futuro. Ao mesmo tempo, vivemos uma revolução tecnológica em que os negócios e as empresas nunca mudaram tanto e tão rápido. Será uma honra contribuir com o debate em um veículo tão potente e respeitado como a Globonews”, declarou Fernando, em comunicado sobre a contratação.
Fernando estava na CNN Brasil há seis anos, desde o lançamento do canal no Brasil, em 2020. Ultimamente, atuava como chefe do núcleo de Economia e como comentarista nos telejornais da emissora, com foco em temas de finanças e negócios. Antes, passou por Grupo Estado, onde atuou como editor, repórter e correspondente internacional, e Folha de S.Paulo, Gazeta Mercantil e Valor Econômico, como repórter especializado na economia nacional e mundial. Foi eleito, no ano passado, o +Admirado Jornalista de Economia, Negócios e Finanças de 2025, em premiação realizada por este Portal dos Jornalistas e Jornalistas&Cia.
A contratação de Fernando faz parte de uma série de mudanças que a GloboNews está promovendo, em comemoração aos seus 30 anos. Entre as novidades, estão a estreia de programas, além de novos cenários e vinhetas para os telejornais da casa.
O período de inscrições para a 48ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Direitos Humanos termina no próximo sábado (20/6). A premiação incentiva, valoriza e reconhece trabalhos jornalísticos que defendam a democracia, a justiça e os direitos humanos.
São ao todo sete categorias: Produção jornalística em texto, Produção jornalística em áudio, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em multimídia, Fotografia, Artee Livro-reportagem. Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 10 de junho de 2025 e 20 de junho de 2026. No caso da categoria Livro-reportagem, só serão aceitas inscrições de obras editadas ao longo do ano de 2025. A taxa de inscrição é de R$ 60 por trabalho inscrito.
A sessão pública de julgamento e divulgação dos vencedores será em 30 de setembro, às 14h, com transmissão ao vivo. E em 20 de outubro, será realizada a cerimônia de premiação, no Tucarena, em São Paulo. Neste ano, antes da premiação, será realizada a tradicional Roda de Conversa com os vencedores, seguida de uma visita ao Calçadão do Reconhecimento da Praça Memorial Vladimir Herzog, na Bela Vista, em São Paulo.
A Justiça de São Paulo arquivou o processo por difamação que a ex-deputada Carla Zambelli movia contra o jornalista Luan Araújo. Ele foi condenado a pagar uma multa, que não foi paga, e a Justiça determinou sua a prisão em regime aberto. Porém, nesta segunda-feira (15/6), o processo foi encerrado pois Luan conseguiu pagar a quantia estabelecida.
Em 2022, às vésperas das eleições presidenciais, Luan foi perseguido por Carla Zambelli, que estava com uma arma de fogo em mãos, até um estabelecimento comercial. Segundo a ex-deputada, ela se desentendeu com apoiadores do então candidato Lula e só sacou a arma pois teria sido empurrada por Luan e teria ouvido o som de um tiro. Testemunhas e vídeos que viralizaram na época desmentiram a versão de Zambelli. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-deputada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal por conta do episódio.
Em publicação nas redes sociais, Luan escreveu que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. Por causa do comentário, o jornalista foi condenado por difamação contra a ex-deputada, e a Justiça determinou o pagamento de uma multa, que não foi paga por Luan, o que ocasionou o pedido de prisão.
O jornalista apresentou comprovação de incapacidade econômica e solicitou o parcelamento da dívida, pedido que foi indeferido pela Justiça. Sua defesa ingressou com pedido de habeas-corpus, alegando que Luan “encontra-se em situação de hipossuficiência econômica comprovada” e, portanto, não tem condições financeiras de pagar a multa.
Após explicar sua situação financeira em post nas redes sociais, Luan lançou uma vaquinha online para conseguir a quantia estabelecida pela Justiça, além de ajuda para arcar com os custos processuais. Na segunda-feira, a defesa do jornalista alegou que Luan conseguiu obter o dinheiro para o pagamento da multa, e o processo foi encerrado.
“Este desfecho ocorre após uma grande mobilização popular que, por meio de uma campanha de arrecadação online, viabilizou o pagamento de multas e prestações pecuniárias que totalizaram R$ 2.216,30”, declarou a defesa de Luan. “O apoio da sociedade foi fundamental para reverter uma decisão anterior que havia determinado a conversão da pena em prisão, demonstrando a desproporcionalidade da medida frente à comprovada hipossuficiência financeira de Luan”.
O 1º Prêmio Sicredi Comunicação em Rede, que reconhecerá conteúdos jornalísticos sobre o impacto do cooperativismo de crédito no Brasil, anunciou os integrantes de sua comissão julgadora. O grupo, que será responsável pela seleção dos trabalhos finalistas, reúne profissionais com ampla trajetória no jornalismo e na comunicação.
Compõem a equipe julgadora Alda Cristina Costa, Docente da Universidade Federal do Pará (UFPA); Camila Rodrigues da Silva, gerente de dados e investigação da Alma Preta Jornalismo; Clara Maffia, gerente geral da Organização das Cooperativas do Brasil (OCB); Eduardo Ribeiro, fundador e diretor de Jornalistas&Cia; Lídia Borges, coordenadora de Comunicação e Jornalismo do Sistema OCB/GO; Lylian Brandão, ex-CEO da Merco no Brasil; Maíra Azevedo (Tia Má), jornalista, artista e escritora; Mara Luquet, responsável pelo portal MyNews; Rosângela Florczak, professora da graduação e pós-graduação da PUC-RS; Sandra Raquew Azevêdo, professora titular da Universidade Federal da Paraíba (UFPB); Samuel Gomes, criador do Guardei no Armário e vencedor do Shark Tank Brasil Creators 2025; e Samuel Zanello Milléo Filho, gerente de Comunicação e Marketing do Sistema OCEPAR.
Vale lembrar que o Prêmio Sicredi segue com inscrições abertas até 30/6. No total, serão reconhecidos 11 trabalhos com prêmios no valor de R$ 20 mil, sendo nove destinados para os trabalhos jornalísticos nas subcategorias Texto, Áudio e Audiovisual (Nacional, Regional e Local), um para a categoria Comunicadores em Rede e um prêmio para o trabalho eleito por votação popular. Podem ser inscritos trabalhos publicados entre 7 de outubro de 2025 e 30 de junho de 2026.
A cerimônia de premiação será realizada presencialmente em São Paulo, em novembro de 2026, com data e local a serem divulgados. Mais informações e inscrições aqui.
O Instituto Tornavoz disponibilizou gratuitamente, em formato de e-book, o guia Responsabilidade Civil da Mídia: Guia STF e Corte IDH, que aborda decisões proferidas pelo Supremo Tribunal Federal (STF) e pela Corte Interamericana de Direitos Humanos (Corte IDH) que alteraram significativamente a jurisprudência a respeito das liberdades de expressão e de imprensa.
O objetivo do guia, baseado em estudos de casos, é facilitar a compreensão e aplicação desses precedentes por pessoas que atuam na defesa do exercício do jornalismo e da imprensa como um todo. “Agora é finalmente possível dizer que, no Brasil, divulgar informações verdadeiras e de interesse público e expressar opiniões (juízos de valor sobre fatos) não gera o dever de indenizar, ainda que o conteúdo possa ofender ou prejudicar a reputação dos envolvidos”, destacou a Associação Brasileira de Imprensa (ABI), em texto sobre o projeto.
Os casos citados na publicação são justamente de profissionais de imprensa condenados a pagar indenizações pesadas após publicarem reportagens e/ou expressarem opiniões sobre determinados assuntos. O guia cita, por exemplo, Paulo Henrique Amorim, Rubens Valente, Octávio Costa e Tábata Viapiana, condenados pois suas reportagens, apesar de abordarem informações de interesse público, teriam supostamente causado danos às imagens das pessoas citadas.
Tais casos foram analisados e debatidos durante o Ciclo de Estudos Avançados em Liberdade de Expressão, realizado no período de agosto de 2025 a março de 2026, que reuniu advogados das cinco regiões do país que atuam em casos apoiados pelo Tornavoz ou em organizações parceiras.
A Rede Global de Jornalismo Investigativo (GIJN, na sigla em inglês), lançou a GIJN Academy, plataforma internacional voltada à formação e capacitação de repórteres investigativos. O projeto reúne cursos, workshops, treinamentos, masterclasses, webinars e programas de mentoria para profissionais que queiram se especializar em jornalismo investigativo.
Entre os temas abordados no conteúdo da iniciativa estão uso da Inteligência Artificial na imprensa, jornalismo de dados, vazamento de dados, crimes cibernéticos, crise ambiental, insegurança alimentar e corrupção. Além da formação para jornalistas, a GIJN disponibilizou materiais didáticos para professores e instrutores, além de pesquisas e trabalhos acadêmicos apresentador em congressos de jornalismo investigativo.
Segundo os organizadores, o projeto tem o objetivo de capacitar e formar novos talentos investigativos, para combater a desinformação global. A ideia é ampliar nos próximos meses a oferta de conteúdo, firmar parcerias com universidades e estimular colaborações entre jornalistas, professores, pesquisadores e educadores. Além dos recursos gratuitos, a plataforma oferece ainda treinamentos personalizados para redações e organizações de mídia.
Durante muito tempo, o mercado de podcasts foi tratado como um território essencialmente experimental – associado a nichos hipersegmentados, consumo alternativo de mídia e audiências relativamente restritas. Mas os dados mais recentes da Triton Digital sugerem que essa fase ficou para trás. O podcasting norte-americano começa a se consolidar como uma indústria madura de atenção – com gêneros dominantes, concentração de audiência, segmentação econômica e disputas cada vez mais próximas das dinâmicas tradicionais da mídia de massa.
E, curiosamente, uma das principais forças desse crescimento parece ser algo relativamente simples: a capacidade de fazer as pessoas rirem.
O ranking do primeiro trimestre de 2026 da Triton mostra que podcasts de comédia lideram o ecossistema norte-americano em volume de presença entre os 200 programas mais populares do país. Foram 47 produções do gênero nos Top 200 – superando notícias, sociedade e cultura, esportes e tecnologia.
A liderança da comédia não é exatamente acidental. Ela revela uma transformação importante na lógica contemporânea do consumo de áudio.
Em um ambiente digital marcado por sobrecarga informacional, polarização política e fadiga cognitiva, o entretenimento leve passa a funcionar não apenas como distração, mas como mecanismo de regulação emocional. Podcasts humorísticos oferecem aquilo que plataformas sociais frequentemente deixam de entregar: permanência, familiaridade e sensação de convivência contínua.
O sucesso de programas como Smosh Reads Reddit Stories e Distractible, destacados pela própria Triton, ajuda a ilustrar esse movimento. Ambos operam sobre uma lógica híbrida – misturando humor, cultura de internet, comentários sobre tendências digitais e conversas altamente baseadas em espontaneidade.
É uma mudança significativa.
O podcast contemporâneo já não depende necessariamente de grandes estruturas narrativas ou entrevistas aprofundadas para construir audiência. Em muitos casos, ele se aproxima muito mais da lógica do “companheirismo sonoro” – conteúdos consumidos menos pela informação em si e mais pela sensação de presença social contínua.
Mas talvez o dado mais revelador do relatório esteja em outra área: os esportes.
Segundo a Triton, o gênero esportivo liderou o crescimento de novas entradas nos Top 200 durante o trimestre. Programas diários de debate, podcasts conduzidos por atletas e formatos híbridos entre análise esportiva e entretenimento vêm se consolidando como uma das áreas mais dinâmicas do setor.
Isso não acontece por acaso.
O esporte possui uma característica particularmente valiosa na economia da atenção contemporânea: recorrência narrativa. Jogos, transferências, polêmicas, bastidores e ciclos competitivos criam fluxo contínuo de conversa – exatamente o tipo de dinâmica que favorece formatos sonoros recorrentes.
Além disso, ex-atletas e comentaristas esportivos passaram a ocupar um espaço cada vez mais semelhante ao dos influenciadores digitais. Programas como 7PM in Brooklyn, apresentado por Carmelo Anthony, e The Pivot Podcast, comandado por ex-jogadores da NFL, exemplificam essa transformação da autoridade esportiva em capital midiático.
A lógica é semelhante à observada no rádio esportivo brasileiro há décadas – mas agora adaptada ao ambiente sob demanda.
E esse paralelo ajuda a compreender também o crescimento do podcast esportivo no Brasil. Programas ligados a futebol, bastidores de clubes, análise tática e cobertura diária se tornaram alguns dos conteúdos mais consumidos do ecossistema nacional de áudio. Em muitos casos, ocupando uma posição híbrida entre jornalismo, entretenimento e comunidade.
Mas o relatório da Triton revela uma camada ainda mais estratégica do mercado: o valor econômico da audiência.
Segundo os dados da empresa, ouvintes de podcasts de tecnologia e negócios concentram alguns dos maiores índices de patrimônio financeiro entre todos os gêneros analisados. Aproximadamente 51% dos ouvintes de podcasts de tecnologia possuem mais de US$ 250 mil em ativos investíveis.
Esse dado ajuda a explicar uma mudança silenciosa na relação entre publicidade e podcasts.
Durante anos, a indústria tratou o podcast quase exclusivamente como um ambiente de branding e engajamento de nicho. Agora, ele passa a ser percebido também como canal premium de acesso a públicos altamente qualificados – especialmente executivos, empreendedores, profissionais liberais e tomadores de decisão.
Em outras palavras: alguns podcasts já começam a disputar verbas tradicionalmente associadas à mídia de negócios e ao mercado financeiro.
Isso altera significativamente o posicionamento do setor publicitário.
O valor do podcast deixa de estar apenas na audiência quantitativa e passa a incluir densidade econômica, capacidade de influência e qualidade relacional do público. Em certos nichos, menos ouvintes podem significar audiências mais valiosas.
Ao mesmo tempo, o relatório mostra outro fenômeno relevante: o crescimento de conteúdos voltados para crianças e famílias, que avançaram 9% em relação ao trimestre anterior.
Esse movimento talvez seja um dos mais subestimados do mercado contemporâneo de áudio.
Durante muito tempo, o podcast foi associado ao consumo individualizado – normalmente realizado por adultos em deslocamentos urbanos. O crescimento do conteúdo familiar sugere uma expansão do áudio para ambientes domésticos compartilhados, aproximando podcasts de dinâmicas historicamente ocupadas pelo rádio e pela televisão.
O áudio deixa de ser apenas consumo individual e volta a operar também como experiência coletiva.
(Crédito: jornalmedicos.com.br)
Outro ponto importante do relatório está nos nichos altamente específicos. Podcasts de ciência, por exemplo, apresentam forte concentração de ouvintes com perfil profissional e renda elevada, enquanto conteúdos ficcionais se mostram particularmente relevantes para públicos jovens e audiências multiculturais – especialmente ouvintes hispânicos.
Isso reforça uma característica central da economia sonora contemporânea: o podcasting não está se consolidando como um único mercado homogêneo, mas como múltiplos mercados paralelos coexistindo simultaneamente.
Há podcasts funcionando como mídia de massa, outros como mídia de nicho premium, alguns como espaço comunitário e outros como infraestrutura de influência cultural.
E talvez seja justamente essa fragmentação organizada que explique a força atual do setor.
Porque, no fim das contas, o podcast deixou de ser apenas um formato de distribuição de áudio.
Ele se transformou em uma arquitetura de relacionamento.
Uma arquitetura onde humor gera permanência, esporte produz recorrência, nichos constroem valor econômico e a voz continua sendo uma das tecnologias mais eficientes já criadas para construir intimidade em escala.
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.
A greve dos profissionais da Rádio Justiça e da TV Justiça, iniciada nesta segunda (15), trouxe à tona uma realidade pouco conhecida pela sociedade brasileira. O movimento foi motivado por atrasos salariais, falta de recolhimento do FGTS, descumprimento de direitos trabalhistas e incertezas quanto à continuidade dos contratos de trabalho. Mas o episódio revela uma questão mais profunda do que uma crise contratual específica: a crescente dependência do Poder Judiciário de serviços terceirizados para desempenhar funções estratégicas de comunicação pública.
A paralisação comprometeu a programação das emissoras e afetou atividades de comunicação institucional do Supremo Tribunal Federal. Mais do que um impasse trabalhista, o episódio expôs a fragilidade de um modelo que concentra funções essenciais em contratos terceirizados, muitas vezes sem o respaldo de um núcleo robusto de servidores efetivos capazes de assegurar continuidade, memória institucional e planejamento de longo prazo.
Essa discussão ganha relevância justamente quando o próprio Poder Judiciário passou a reconhecer formalmente a comunicação como atividade estratégica. A Resolução CNJ nº 640/2025 instituiu a Política de Comunicação Social do Poder Judiciário e reforçou o papel da área na promoção da transparência, no fortalecimento da legitimidade democrática, no combate à desinformação e na aproximação entre instituições e sociedade.
Entretanto, a análise da estrutura de pessoal em diversos órgãos do Judiciário revela uma contradição. Embora a comunicação seja cada vez mais valorizada nos discursos institucionais, as carreiras efetivas na área permanecem reduzidas ou, em alguns casos, inexistentes.
Levantamento realizado por aprovados nos concursos de Comunicação Social do Superior Tribunal de Justiça (STJ), do Superior Tribunal Militar (STM) e do Tribunal Regional do Trabalho da 10ª Região (TRT-10) identificou um cenário preocupante. Entre os principais órgãos do Judiciário, vários não possuem sequer um cargo efetivo de Analista Judiciário – Comunicação Social. Outros mantêm estruturas mínimas.
Em contraste, dezenas ou até centenas de profissionais terceirizados são responsáveis por sustentar as atividades de comunicação institucional.
A partir de outubro de 2025, um grupo de aprovados passou a dialogar com diferentes órgãos do Judiciário sobre a necessidade de fortalecer as carreiras de comunicação. Entre agosto de 2025 e março de 2026, foram realizadas reuniões com representantes do CNJ, STF, TST, STJ, STM e TRT-10. Participaram dessas discussões secretários de comunicação, diretores-gerais e dirigentes das respectivas instituições.
O objetivo da mobilização não era apenas discutir nomeações. O grupo buscava chamar atenção para uma questão estrutural: a necessidade de recompor quadros permanentes em uma área que exerce papel fundamental na relação entre o Judiciário e a sociedade.
Ao longo das reuniões, um argumento foi recorrente: a terceirização pode apoiar a execução de atividades específicas, mas não substitui a necessidade de um corpo técnico permanente. A comunicação pública exige continuidade, conhecimento acumulado, planejamento institucional e capacidade de gestão de crises. São atributos que dependem da preservação da memória organizacional e da permanência de profissionais comprometidos com projetos de longo prazo.
O caso do Tribunal Superior do Trabalho ilustra essa discussão. Em 2012, a Corte colocou em extinção a especialidade de Comunicação Social sob o argumento de que a atividade não constituía atividade-fim do Tribunal e poderia ser executada de forma indireta. Mais de uma década depois, porém, a própria Administração reconhece, em documentos oficiais, que a comunicação institucional desempenha papel estratégico na transparência, na gestão de crises, na preservação da memória histórica e no alinhamento às diretrizes nacionais de comunicação pública.
A mudança de percepção é significativa. O que antes era visto como atividade acessória passou a ser reconhecido como elemento central para a legitimidade institucional. Ainda assim, a recomposição das carreiras não avançou na mesma velocidade.
Essa preocupação não se restringe ao Poder Judiciário. Em março de 2026, a Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) recomendou aos órgãos públicos o fortalecimento de quadros efetivos de comunicação, por meio de concursos públicos, e a priorização de servidores de carreira na execução das atividades de comunicação pública. Para a entidade, trata-se de uma atividade essencial do Estado, cuja continuidade e qualidade dependem de equipes estáveis e tecnicamente qualificadas.
A greve da Rádio e da TV Justiça evidencia justamente os limites dessa escolha. Quando a comunicação institucional depende predominantemente de contratos terceirizados, a interrupção de pagamentos, os problemas contratuais ou as dificuldades das empresas prestadoras de serviço comprometem diretamente a prestação do serviço público.
Destacamos que essa não é uma crítica aos profissionais terceirizados. Ao contrário. A greve demonstra que eles também são vítimas de um modelo de precarização que afeta simultaneamente trabalhadores, instituições e cidadãos.
Os trabalhadores sofrem com a instabilidade e o descumprimento de direitos, uma situação que precisa ser enfrentada. Mas para além da correção dos problemas nos contratos de terceirização, no modelo atual as instituições perdem continuidade e memória organizacional. A sociedade deixa de contar com uma comunicação pública estável, profissional e comprometida com o interesse coletivo.
A experiência recente do Judiciário brasileiro sugere que a discussão sobre comunicação pública precisa ir além de contratos e licitações. O desafio central é definir qual estrutura de pessoal é compatível com a relevância estratégica que a própria Justiça passou a atribuir à área.
Se a comunicação é essencial para garantir transparência, combater a desinformação, fortalecer a confiança pública e aproximar o cidadão das instituições, é legítimo questionar se esses objetivos podem ser plenamente alcançados sem investir em quadros permanentes especializados.
A greve da Rádio e da TV Justiça não deve ser vista apenas como uma crise trabalhista. Ela é, sobretudo, um alerta sobre os limites de um modelo que, ao longo dos anos, substituiu carreiras permanentes por estruturas cada vez mais dependentes da terceirização. Esse alerta pode recolocar no centro do debate o futuro da comunicação pública no Poder Judiciário.
*Por Aprovados para o Cargo de Analista Judiciário – Comunicação Social dos Concursos do STJ, STM e TRT-10.
Pois bem, há pouco eu disse inté. Isso a gente diz quando se despede de alguém e coisas e loisas. Aliás, não custa lembrar da importância histórica representada pela presença feminina no mundo das artes, incluindo a poesia de bancada e a poesia de improviso desenvolvida ao som de violas.
– Assis, posso interromper um pouquinho?
– Claro, Flor Maria.
– Não sei se já perguntei, mas a minha curiosidade é tanta que me leva a querer saber mais da existência das mulheres batendo viola em desafio com os marmanjos dos tempos de ontem Brasil afora.
– Bom, não foram tantas. Mas também dá pra dizer que não foram assim tão poucas.
– Teve uma mulher chamada Chica Barrosa. Até onde sei, ela era – no dizer comum – “o Cão comendo cocada”.
Chica Barrosa (Crédito: Ilustração de Chicoshico)
– Sim, há registros curiosíssimos sobre ela e outras do seu tempo e de tempos que chegam até nós. Pra começo de história, a Chica a quem você se refere era uma negrona bonita, alta, charmosa e cheia de nove horas, batizada com o santo nome de Francisca Maria da Conceição. Paraibana do sertão patoense. Era chegada a uma boa cana e conversas fora de cantoria. Morreu antes do tempo, assassinada por um calhorda que se achava dono do mundo. Foi em 1916. Andava na casa dos 40. Há fragmentos de pelejas com sabichões do mundo machista representado por um tal de Manoel Martins, o Neco Martins. E mais e mais.
– Nessa história, a cegueira onde fica?
– Peço licença ao truliso/Dos olbus das periférias/Dos chuás das pontulínias/Dos chomotós das matérias/Das grotas dos veluais/Das mimosas deletérias. Brincadeira, brincadeirinha aos moldes do conterrâneo Zé Limeira.
Agora, sério: a cegueira se acha até nos olhos mais lindos e vivos possíveis. Dou-me ao luxo de falar no modo popular e figurativo. Mas é bom que se diga da importância do Cego Sinfrônio na história do cego rabequeiro Nordeste adentro. Muita coisa ele disse sobre pelejas entre ele e outros, como Cego Aderaldo. Tinha também o Cego Oliveira. No entanto, os cegos cantadores do Brasil estão desaparecendo e no lugar deles ninguém de novo surge.
Ceguinhas de Campina Grande
– E as famosas ceguinhas de Campina Grande?
– Maravilhosas, mas uma delas já foi cantar pra Deus: Maroca, a mais velha das três. Sobre elas fiz uma cantiga, Vida Cega. Clique.
O prazo para inscrição de trabalhos para serem apresentados na quarta edição do Congresso Brasileiro de Comunicação Pública foi prorrogado até a próxima segunda-feira, 22 de junho. A submissão de resumos expandidos para as duas modalidades – artigos científicos e relatos de experiências – pode ser feita em https://doity.com.br/compublica2026/artigos.
Outros prazos
Propostas para lançamento de obras durante o congresso podem ser encaminhadas até 30 de junho. Até 10 de julho podem ser feitas inscrições para o Prêmio Neuza Meller, destinado a estudantes de graduação na área de comunicação.
O 4º ComPública acontecerá em Brasília, de 16 a 18 de setembro. As inscrições para o congresso são gratuitas e podem ser feitas no endereço cd.leg.br/compublica. Realizado pela Associação Brasileira de Comunicação Pública (ABCPública) e pela Câmara dos Deputados, no ano em que a associação completa uma década e a instituição legislativa celebra 200 anos, o evento terá o tema “Uma agenda para a cidadania”.
O congresso tem a parceria da Universidade de Brasília (UnB), do Senado Federal e do Instituto Serzedello Corrêa do Tribunal de Contas da União. Conta ainda com o apoio de entidades e órgãos públicos engajados na qualificação da comunicação do Estado com os cidadãos: Associação Brasileira das Escolas do Legislativo e de Contas (Abel), Associação Brasileira de Pesquisadores de Comunicação Organizacional e Relações Públicas (Abrapcorp), Associação Latino-Americana de Pesquisadores da Comunicação (Alaic), Associação de Pesquisadores em Comunicação Política (Compolítica), Conselho Nacional de Justiça (CNJ), Conselho Nacional do Ministério Público (CNMP), Conselho Federal de Relações Públicas (Conferp), Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), Fórum Nacional pela Democratização da Comunicação (FNDC), Ministério Público do Distrito Federal e Territórios (MPDFT), Observatório da Comunicação Pública (Obcomp), Sociedade Brasileira de Estudos Interdisciplinares da Comunicação (Intercom); e patrocínio da Doity e da Social MedIA Gov.