SJSP denuncia pressão em pautas políticas da Rede Record

O Sindicato dos Jornalistas de São Paulo informou na última sexta-feira (19/10) que vem recebendo uma série de denúncias de jornalistas da Rede Record – televisão, rádio e portal de notícias R7 – sobre pressões sofridas pela direção da emissora. O motivo seria para que o noticiário político dos veículos beneficie o candidato à Presidência Jair Bolsonaro (PSL) e prejudique o candidato Fernando Haddad (PT).

Segundo o Sindicato, a pressão interna para favorecimento do candidato do PSL teria origem no anúncio do bispo Edir Macedo, da Igreja Universal do Reino de Deus, proprietária da emissora, em 29/9, de que passava a apoiar Bolsonaro à Presidência. Desde então, o noticiário começou a dar uma guinada, ainda antes do primeiro turno eleitoral, inclusive com uma entrevista com Jair Bolsonaro levada ao ar em 4 de outubro, no mesmo momento em que sete outros candidatos à Presidência realizavam um debate na TV Globo, com a ausência do líder nas pesquisas.

“A entidade torna público, como exige seu dever de representação da categoria, o inconformismo desses profissionais com as pressões inaceitáveis e descabidas em uma empresa de comunicação”, destaca o comunicado do Sindicato. “As pressões internas pela distorção do noticiário tomaram a forma de assédio a diversos jornalistas. A tensão na redação tornou-se insuportável para alguns profissionais. O fato já foi divulgado por sites jornalísticos”.

Ainda de acordo com o Sindicato, também se tornaram constantes as decisões de não colocar em rede nacional reportagens relevantes exibidas em afiliadas por avaliações de que poderiam prejudicar Bolsonaro ou ajudar Haddad. A entidade também afirma que o portal R7 passou a ser dirigido em favor do candidato do PSL de forma explícita: por vários dias seguidos, os destaques da rubrica “Eleições 2018” na home dividiam-se entre reportagens favoráveis a Bolsonaro e reportagens negativas a Haddad.

O R7 chegou inclusive a publicar um texto atacando Glenn Greenwald, do The Intercept Brasil, após outro jornalista da publicação, o repórter Leandro Demori, ter alertado para essas mesmas pressões em reportagem publicada no dia 13 de outubro. Demori teve informações pessoais vazadas e insinuações sobre seu passado e de sua família.

O Sindicato encerra a nota com a seguinte declaração:

Em defesa do direito à informação correta e equilibrada na cobertura das eleições, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo repudia as pressões feitas pela direção da Record e exige o respeito à autonomia de apuração e edição dos jornalistas da empresa. Em função da situação, adota ainda as seguintes providências:

  1. a) respeitando a autonomia da Comissão de Ética do SJSP, reforça o pedido para que a direção da Record endosse o “Protocolo Ético para o Segundo Turno das Eleições 2018”, enviado pela Comissão de Ética para a chefia do jornalismo de todas as empresas de comunicação do Estado;
  2. b) solicita uma reunião imediata com a empresa para expressar diretamente sua posição e reivindicar garantias de que as pressões sobre os jornalistas serão interrompidas o quanto antes;
  3. c) insiste desde já com as empresas de rádio e televisão do Estado para que, nas negociações da campanha salarial deste ano (data-base em 1º de dezembro), seja incluída a cláusula de consciência, integrante da pauta de reivindicações;
  4. d) decide inserir as denúncias relativas à Rede Record no dossiê que prepara para entregar ao Ministério Público dos Direitos Humanos sobre a violação de garantias profissionais dos jornalistas no atual período eleitoral; e
  5. e) coloca-se à disposição de todos os jornalistas da emissora para fazer debates, reuniões e adotar todas as medidas necessárias para garantir o respeito à autonomia profissional a que todos os jornalistas, e cada um, têm direito.

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