Retaliação ou reestruturação? Caso Ellen Ferreira ganha destaque nacional

Ellen Ferreira apresentou o Jornal Nacional em outubro de 2019

Ganhou grande repercussão nacional o caso da demissão da apresentadora Ellen Ferreira, pela Globo em Roraima. Desligada da emissora na manhã dessa quinta-feira (23/7), depois de um período afastada por ter contraído o novo coronavírus, ela justificou a decisão da emissora como sendo uma retaliação por ter acusado um de seus diretores por assédio.

Em entrevista à coluna de Leo Dias, no Metrópoles, Ellen, que entrou no rodízio de apresentadores do Jornal Nacional em outubro do ano passado, durante as comemorações de 50 anos do programa, fez duras críticas ao jornalista Edison Castro, acusado por ela de ser “homofóbico, racista e gordofóbico”.

Em nota, o Grupo Rede Amazônica, que atua nos estados de Roraima, Rondônia, Amapá, Acre e Amazonas, afirmou que a demissão é fruto de um longo processo de reestruturação pelo qual vem passando, e que neste momento teria chegado à sede roraimense.

Vale destacar que Castro foi demitido no final de junho, após um grupo de funcionários da emissora montar um dossiê com diversas denúncias de assédio, que foi enviado ao Sindicato dos Jornalistas do Estado.

Mesmo assim, Ellen acredita que a influência dele foi mantida e, por isso, ela acabou sendo demitida. Ela alega ainda que, durante as denúncias, sem receber apoio de outros chefes dentro da Rede Amazônica, enviou um e-mail a Ali Kamel, diretor de Jornalismo da Rede Globo, relatando tudo o que acontecia. Ela acredita que isso também ajudou a fazer com que seu nome ficasse cotado para demissão.

Após as denúncias, a direção nacional da Globo pediu esclarecimentos a Rede Amazônica sobre o caso. Em nota a emissora destacou que, apesar de seguirem os mesmos princípios editoriais, as afiliadas são independentes.

Confira à seguir a íntegra da nota do Grupo Rede Amazônica e o relato enviado por Ellen Ferreira a Ali Kamel:

Nota oficial

O Grupo Rede Amazônica atua na Região Norte, nos estados de Roraima, Rondônia, Amapá, Acre e Amazonas, há quase meio século, contando a história, a política, a cultura e a economia do povo amazônida para o Brasil e para o mundo.

Nos últimos três anos, a disrupção do setor de comunicação tem obrigado o Grupo a promover a devida readequação dos processos internos, dentre eles o ajuste no quadro de pessoal em todas as suas filiais. O redesenho está permitindo que o grupo se ajuste as necessidades para superação dos novos desafios do mercado, garantindo a sua consolidação sem comprometer os princípios que balizam a essência da Rede, consolidados no Código de Ética e Conduta do Grupo.

A reestruturação de pessoal tem sido realizada em todos os Estados de atuação do Grupo, tendo chegado neste momento ao Estado de Roraima, sendo este, o único motivo que levou à readequação do quadro de pessoal no Estado.

E-mail

“Essa mensagem é um desabafo. Apenas um breve relato do que a praça de Roraima tem vivido.  Eu ainda estou de luto em família. Estamos no limite com a situação de coronavírus e estamos trabalhando com muita garra diante de um fade grande, no meu caso de 1h20 minutos.

Com tantas coisas acontecendo, o Edison, chefe de Roraima, ameaça, cria briga entre funcionários, deturpa as coisas e situações e estamos exaustos de tanta pressão psicológica.  Ele repete que vai me demitir (também ameaça a outras pessoas ) e, no meu plantão de sábado passado, repetiu todo tempo que ia me demitir e que minha situação ‘estava complicada ‘. Não sou de faltar, cumpro minhas obrigações, produzo, apresento, faço reportagens, e nunca me vi como agora com pavor e mandando mensagens de ajuda. E me sinto sozinha e oprimida.

Se ouvissem os funcionários, mas não nos ouvem, estamos no limite. Reforço que estamos dando o nosso máximo na cobertura jornalística. Mas viver com medo e sensação de que vamos perder emprego é algo sufocante e ruim.

Ele faz fofocas, intrigas, joga um contra o outro. Estou esgotada.  Quando ele chegou a Roraima, pensávamos que seria uma nova era e estamos frustrados com tanta humilhação. Comigo fez uma fofoca e sou a bola da vez, onde me trata um dia bem, outro não, vira a cara e faz ameaças. Para os chefes maiores, é o cara, lúcido, visionário e persuasivo. Pra nós, meros funcionários, perseguidor e eu estou à base de remédios.

De fato, ele entende de TV. Mas com as pessoas tem criado clima insustentável e não podemos falar, fazer nada, porque somos oprimidos. Ele afirma às pessoas: ‘A empresa tá do meu lado’, e a gente engole seco.  Quando me deu aumento de 500 reais, fiquei feliz demais, mas repetidas vezes jogou na minha cara o aumento e pensei em ir no RH pra voltar meu salário antigo.

Ele reverte tudo. Ele faz uma artimanha de humilhar, bater na pessoa e, no dia seguinte da flores, elogiar. Isso é desgastante. Doentio. É acusado de assédio sexual também, a moça levou pro RH de Manaus, mas acabou desistindo por medo dele. E eu só quero trabalhar em paz, sem pressão e humilhação, assim como os funcionários desta emissora que vivem com medo.

Na quinta feira, durante uma entrevista pela internet, ele que cria situações pra me desestabilizar no JRR1 , mandou eu repetir sobrenome do entrevistado que eu tinha dito certo. Pois ele atrapalhou duas vezes a minha entrevista indo ao estúdio dizer que quem manda é ele.

Eu apresentei por 1h20 querendo chorar. Angustiada e pedindo força pra Deus. Quem vê, não mexe porque ele disse que a empresa está do lado dele. Por fim, pedi ajuda de Manaus, daqui de Roraima e só me sugeriram demissão. E segunda-feira eu terei a resposta. Jamais imaginei enfrentar tudo isso e me sentir só mesmo sabendo que não sou errada e estou sendo assediada mas não tenho voz . Estou em pânico. Não sei mais o que fazer. Obrigada”.

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