A reinvenção do jornalista ? #8 Para ser Blaster

Mais de 940 mil autores em 34 países, produzindo cerca de quatro mil novas publicações por semana, para milhões de leitores. Esses números impressionantes são resultados da plataforma Blasting News. Blasting News se classifica como uma revista eletrônica totalmente independente, que adota a filosofia do jornalismo social, baseado em colaboração. Por ela, jornalistas, blogueiros ou qualquer pessoa que queira publicar um conteúdo – em texto ou vídeo – pode fazê-lo e ser remunerada por isso. Quem resolve aderir à plataforma passa a ser um Blaster. O compromisso com a qualidade é do próprio publicador, que é encorajado a se especializar em uma área de atuação. Tecnologia de ponta, com algoritmos próprios aplicados à mídia online, são a chave de sucesso do negócio. Cada material enviado é submetido a criteriosos controles tecnológicos e, cumprido tal requisito, é revisado por uma equipe de editores sêniores. Não há, porém, hierarquia de editor-chefe. A remuneração de cada Blaster – que pode chegar a 150 euros por publicação – é contabilizada de acordo com o número de visitantes únicos em cada notícia, semelhante ao modelo adotado pelo youtube. Material com mais qualidade, mais leitores, maior a compensação financeira. O incentivo aos mais lidos também vem na forma de “caneta de ouro”, selo atribuído mensalmente a quem se destacar pela qualidade e popularidade da notícia. Para cada país também é desenvolvido um ranking, baseado nos mesmos critérios. Blasting News foi criada em 2013 pelo italiano Andrea Manfredi. Graduado em Administração pela L Bocconi, na Itália, e com MBA pelo Insead, em Paris, Manfredi também fundou a Supermoney.eu, em 2010. Sua meta para a Blasting News é ambiciosa: fazer do mundo um lugar melhor, dando a todos a possibilidade de compartilhar suas ideias com um público global e de modo independente. No Brasil, a iniciativa chegou em novembro passado, com o inventivo André Zimmermann – ex-diretor geral da Havas Digital Brasil e Z +, empresário de mídia e cofundador de ADTZ LatAm, Smartclip Brasil e NetCos – à frente das operações no País. “Conheci o fundador, Andrea Manfredi, através da rede do Insead alumni, e vi a Blasting News crescer desde o começo”, diz André em entrevista publicada na própria BN. “Como ambos temos o mesmo passado como estudantes no Insead, compartilhamos uma visão internacional e uma abordagem analítica para a inovação”. Em fevereiro deste ano, Blasting News foi selecionada a participar da Digital News Initiative, do Google, que fomenta (com um total de US$ 150 mi!) projetos europeus capazes de abrir horizontes no jornalismo digital por meio de inovação e tecnologia. “Nosso objetivo com esse projeto [Blasting News for Europe] é dar a todos os editores europeus o poder do crowdsourcing, aproveitando o incrível network que se criou e a tecnologia inovadora que a Blasting News desenvolveu ao longo desses anos. Esta é a contribuição que a Blasting News quer dar para a indústria do setor”, disse Manfredi. Na prática, o que o Blasting News for Europe pretende é estreitar relações entre editores e jornalistas freelances que atuem em diferentes pontos do continente. Outra novidade da BN foi lançada no final de maio. É o programa Social Blasters, projeto que visa a “juntar os melhores jornalistas e criadores de conteúdo do mundo com os melhores influenciadores digitais e sociais, que são capazes de promover e viralizar excelentes conteúdos online”. O propósito é fazer com que o conteúdo circule pela web por meio desses influenciadores digitais, mantendo o foco no engajamento e compartilhando entre todas as partes envolvidas o lucro gerado. “É fundamental que o mundo do jornalismo não se limite apenas a criar conteúdo de alta qualidade, mas também gerar um alto nível de engajamento entre leitores. As editoras tradicionais ainda estão distribuindo o mesmo conteúdo para um amplo grupo de pessoas diferentes, no entanto, hoje existem muitas tecnologias que permitem que esse processo seja melhorado. Com essa revolução, queremos oferecer um sistema de maior qualidade e meritocracia, combinado com uma nova oportunidade de retornos maiores tanto para os jornalistas como para os criadores de conteúdo e os masters da mídia social”, disse Manfredi na coletiva de lançamento do projeto em Londres. Ideia, notícia, tecnologia, colaboração, integração… Tem de tudo nessa explosão.