Reestruturação do Terra praticamente extingue a área de Conteúdo

Saíram perto de 60 profissionais. Remanescentes vão atuar como curadores de conteúdo externo

 

O Terra oficializou nesta 5ª.feira (6/8), embora sem citar nomes ou números, uma reestruturação de seus negócios e praticamente extinguiu a sua área de Conteúdo, o que já era comentado no mercado há alguns dias. Como este próprio Portal dos Jornalistas adiantou na nota sobre a saída do diretor de Conteúdo Hélio Gomes em 3/8, o motivo principal foi a receita publicitária ter sido desproporcionalmente inferior aos investimentos que o portal fez em geração de conteúdo nos últimos três anos.

Vale lembrar que tanto o Terra quanto o iG foram os únicos portais não vinculados a marcas tradicionais da imprensa nacional a investir maciçamente na produção de conteúdo. Embora não tenha refluído na mesma proporção que o Terra, também o iG já reduziu a sua estrutura nessa área.

Em entrevista ao Portal Imprensa, Paulo Castro, CEO do Terra, confirmou que a reestruturação se deve à mudança na forma como o mercado contrata publicidade e remunera a atividade de mídia. Ressalvou, porém, que a empresa percebeu essa tendência anos atrás mas decidiu apostar que haveria mudança na forma de remuneração, o que acabou não acontecendo. Daí a decisão de reduzir drasticamente o investimento na criação de conteúdo próprio e optar pelo enxugamento da redação.

Com isso, fechou a área de Conteúdo da sucursal de Porto Alegre (que contava com quatro jornalistas), encerrou as atividades das sucursais do Rio (onde havia dois) e de Brasília (um) e cortou 80% da redação de São Paulo, o que significou a saída de quase 60 profissionais (comenta-se que o total de demissões, que atingiram também as áreas de Publicidade e Tecnologia, seja mais do que o dobro disso).

Castro disse na entrevista que “vamos continuar tendo um portal e uma equipe de conteúdo, só que ela terá um papel muito mais de curadoria, de enriquecer a oferta de parceiros, de agências, correspondentes e terceiros e muito menos de ser um protagonista na criação de conteúdo autoral independente”.

Essa tarefa será realizada por perto de dez jornalistas, segundo estimativas com base no total de demitidos. Este Portal dos Jornalistas conseguiu confirmar os nomes de alguns deles.

Dos cinco gerentes que atuavam com Hélio Gomes, permanece apenas Lidiane Oliveira; saíram Edson Franco, Fernanda Colavitti, Anderson Régio e José Queiróz. Na lista estão ainda Felipe Oliveira, João Victor Vieira, Mariane De Luca, Fábio Santos, Jana Garcia e Celso Paiva.