A promotora Alicia Sapriza, do Núcleo de Luta Contra o Crime Organizado, apresentou em 29/4 ao Ministério Público do Paraguai uma denúncia contra Waldemar Pereira Rivas, conhecido como “Cachorrão”, pelo assassinato do jornalista Léo Veras, morto há um ano e quase três meses no Paraguai. O texto acusa Rivas de associação criminosa e homicídio doloso, e pede um julgamento.

No dia anterior à apresentação da denúncia, Cintia Gonzáles, viúva de Léo Veras, foi chamada para depor pela primeira vez sobre o assassinato. Ao Programa Tim Lopes, projeto da Abraji em resposta à violência contra jornalistas, ela declarou que está “decepcionada e indignada com a demora da justiça. Somente depois de um ano e três meses fui chamada para depor”.

Desde maio do ano passado, Waldemar Pereira Rivas está preso em Assunção. Ele foi reconhecido por policiais paraguaios após causar um acidente de trânsito em Pedro Juan Caballero, mesma cidade na qual Léo Veras foi assassinado. Foi acusado de associação criminosa e homicídio doloso pelo procurador Marcelo Pecci, que também participa da investigação do assassinato. Durante uma força-tarefa em fevereiro de 2020, foi encontrado um Jeep Renegade branco na residência de Rivas. Segundo a operação, coordenada pelo procurador Pecci, a caminhonete, que pertence a Rivas, foi usada para no assassinato do jornalista.

Entretanto, a viúva do jornalista ficou surpreendida com a acusação contra Waldemar Pereira Rivas: “Estão dizendo que foi ele que matou, mas a descrição que eu dei não tem nada a ver com o Cachorrão”. Rivas é um homem baixo, gordo e manca de uma perna, e Cintia Gonzáles, testemunha ocular do crime, disse à polícia que dois homens foram responsáveis pelo assassinato de Veras, um alto e magro e outro de estatura média. À Abraji, ela declarou estar com muito medo: “Fiquei alguns meses com proteção policial, mas agora não tenho mais. Só quero que a justiça seja feita”.

Léo Veras trabalhava para o site Ponta Porã News (MS), e morava em Pedro Juan Caballero, cidade paraguaia que faz fronteira com Ponta Porã, em Mato Grosso do Sul. Ele noticiava ocorrências relacionadas ao tráfico de drogas na região, e vinha sofrendo diversas ameaças devido ao conteúdo que publicava. Na noite do dia 12 de fevereiro de 2020, dois pistoleiros invadiram a casa dele , enquanto jantava com sua família, e o executaram.

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