Por Assis Ângelo
Camilo Ferreira Botelho Castelo Branco foi o primeiro escritor português a viver dos livros que escrevia. Ele nasceu em 1825 e continua, através da obra que fez, eterno.
Castelo Branco, português de Mártires, começou a se interessar pela literatura ali pelos 20 anos de idade. Seu primeiro livro foi Anátema.
A vida vai, a vida vem. Sempre foi assim e assim será.
Incrível foi esse Castelo Branco. No correr de 40 anos publicou cerca de 260 livros, incluindo tudo a ver com o dia a dia: poesia, história e tudo mais.
Um dia, Castelo Branco percebeu-se cego e ditou uma carta que foi endereçada a um oftalmologista da região. Carta sofridíssima. Nessa carta ele diz:
Ill.mo e Ex.mo Sr.:
Sou o cadáver representante de um nome que teve alguma reputação gloriosa n’este país durante 40 anos de trabalho.
Chamo-me Camilo Castelo Branco e estou cego.
Ainda há quinze dias podia ver cingir-se a um dedo das minhas mãos uma flâmula escarlate. Depois, sobreveio uma forte oftalmia que me alastrou as córneas de tarjas sanguíneas.
Há poucas horas ouvi ler no Comercio do Porto o nome de V. Ex.a. Senti na alma uma extraordinária vibração de esperança.
Poderá V. Ex.a salvar-me? Se eu pudesse, se uma quase paralisia me não tivesse acorrentado a uma cadeira, iria procura-lo. Não posso.
Mas poderá V. Ex.a dizer-me o que devo esperar d’esta irrupção sanguínea n’uns olhos em que não havia até há pouco uma gota de sangue?
Digne-se V. Ex.a perdoar à infelicidade estas perguntas feitas tão sem cerimónia por um homem que não conhece.
Camilo Castelo Branco

Na vida, há coisas incompreensíveis.
Coisas de que não sabemos nem as origens, mas na história há um nome relevante a se pensar: Allan Kardec (1804-1869).
A crença kardecista leva em conta a vida depois da morte.
Historicamente, o autor de Amor de Perdição era católico, mas chamado num centro espírita assim se apresentou:
“O Além-túmulo acha-se longe de ser a abstração que na Terra se supõe, ou as regiões paradisíacas fáceis de conquistar com algumas poucas fórmulas inexpressivas. Ele é, antes, simplesmente a Vida Real, e o que encontramos ao penetrar suas regiões é Vida! Vida intensa a se desdobrar em modalidades infinitas de expressão, sabiamente dividida em continentes e falanges como a Terra o é em nações e raças; dispondo de organizações sociais e educativas modelares, a servirem de padrão para o progresso da Humanidade. É no Invisível, mais do que em mundos planetários, que as criaturas humanas colhem inspiração para os progressos que lentamente aplicam no orbe. Não sei como decorrerão os trabalhos correcionais para suicidas nos demais núcleos ou colônias espirituais destinadas aos mesmos fins e que se desdobrarão sob céus portugueses, espanhóis e seus derivados. Sei apenas é que fiz parte de sinistra falange detida, por efeito natural e lógico, nessa paragem horrenda cuja lembrança ainda hoje me repugna à sensibilidade. É bem possível que haja quem ponha a discussões mordazes a veracidade do que vai descrito nestas páginas. Dirão que a fantasia mórbida de um inconsciente exausto de assimilar Dante terá produzido por conta própria a exposição aqui ventilada… esquecendo-se de que, ao contrário, o vate florentino é que conheceria o que o presente século sente dificuldades em aceitar…”
Ei, você já ouviu falar no português Antônio Feliciano de Castilho?
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