Em nota no caderno Mundo de sexta-feira (4/8), a Folha de S.Paulo informou a seus leitores que, a partir da edição de sábado (5), passa a designar o regime de Nicolás Maduro na Venezuela como ditadura.
Segundo a nota, de acordo com o Manual da Redação do jornal, o termo se aplica à “dominação de uma sociedade por meio de um governo autoritário exercido por uma pessoa ou um grupo, com repressão e supressão ou restrição de liberdades individuais”. Da mesma forma, o jornal adotará o termo “ditador” para Nicolás Maduro.
A Folha justifica a decisão: “A rápida deterioração da democracia na Venezuela, com a supressão dos poderes do Legislativo, o aparelhamento do Judiciário, a prisão de opositores, o cerceamento à imprensa e a repressão a protestos que já contabiliza mais de cem mortos se consolida agora com uma Assembleia Constituinte cuja eleição teve as regras subvertidas para favorecer o chavismo”.
Diferentemente da maioria de seus congêneres do interior do País, O Democrata, pequeno semanário que circula em São Roque, cidade de 85 mil habitantes a 60 km de São Paulo, parece não ter do que se queixar: completou 100 anos em 1º de maio passado e com boa liquidez.
Rodrigo Boccato, 35 anos, que há um mês assumiu a gestão do jornal a pedido dos tios-avós Élcio, Rubens e Sérgio, garante que tanto a longevidade quanto a situação financeira confortável devem-se ao fato de, desde a sua fundação, manter a linha de atender à comunidade com isenção e independência.
Ele representa a quinta geração da família à frente do jornal, fundado em 1917 por seu trisavô materno Antônio Vilaça, com os irmãos Manuel e Argeu. Heitor (seu bisavô) e Francisco Boccato o adquiriram dois anos depois. Os filhos destes – Osmar (o avô, já falecido) e os três tios-avós que o chamaram – assumiram em seguida. O pai, Osmar Henrique, o Maíque, que é diretor do jornal, recentemente adquiriu dos tios o controle acionário da empresa.
Formado em Publicidade, Rodrigo morou por sete anos em São Paulo até começar no jornal, em fevereiro. Ficou quatro meses tomando pé dos negócios, antes de assumir em definitivo. Com ele chegou a irmã, Priscila, gerente comercial. Seu tio Élcio continua assinando como responsável, mas na prática ele é o editor-chefe.
Segundo Rodrigo, O Democrata tem hoje uma circulação de cinco mil exemplares e 100 mil acessos/mês no site. E começou recentemente a fazer testes com um canal no YouTube. Está inclusive contratando pessoal de edição e design. Tem 11 empregados registrados, quatro deles jornalistas, além de colaboradores.
“Acho que nosso principal desafio é seguir mantendo a isenção e o espírito de comunidade”, afirma. “No momento em que eu parar de falar das coisas tipicamente locais, vou perder audiência. Se eu não falar do menino que foi para a seleção infantil de beisebol, do campeonato de veteranos, dos nadadores do clube, onde essas notícias vão sair? Aqui ainda predomina o espírito comunitário, as pessoas cuidam das coisas locais. O jornal faz parte disso, tem papel importante nessa divulgação. O que acontece aqui no dia a dia não vai passar no Fantástico. É claro que não noticiamos mais brigas de vizinhos, cachorros atropelados, mas se você quer saber o que acontece na sua cidade precisa ler o jornal local. Só aparece fora daqui quando explode algum escândalo. E como não temos uma emissora de tevê, estamos criando a nossa. Com a internet ficando cada vez mais acessível, o conteúdo vai acabar migrando para a tevê. Com isso esperamos manter o nosso jornalismo, nem que seja em outra plataforma. E vamos segurar o impresso enquanto der. Enquanto houver dez comprando, estaremos vendendo”.
Embora rode em Itu, O Democrata tem uma pequena gráfica para impressos em geral, que em breve vai se mudar para novas instalações. E adotou a manutenção da praça defronte à sua sede, para onde está transferindo maquinário antigo e compondo um pequeno museu do centenário.
"Azeitona", Milton Neves, Paulo Caveira, Rodrigo "Caveirinha" e Aloisio Mathias, no “Arraiá do Mirtão”
“Azeitona”, Milton Neves, Paulo Caveira, Rodrigo “Caveirinha” e Aloisio Mathias, no “Arraiá do Mirtão”
* Por Paulo de Tarso Porrelli
O então 11-285-2275 não parava de tocar. A sempre útil e atenta linha denominada “Jovem Pan Serviços”, uma das sábias invenções do maior mestre do jornalismo do rádio brasileiro de todos os tempos, Fernando Vieira de Mello, era a menina dos olhos da pauta da casa – um canal incessante e ininterrupto que servia, antes de tudo, como alento aos ouvintes.
Estávamos nos obscuros dias subsequentes à aterrorizante sexta-feira, 16 de março de 1990, quando o Plano Collor confiscou a poupança e saqueou o Brasil, que mergulhou na hiperinflação; para desespero geral dos brasileiros de bem – a maioria de nós. Nem vale a pena aqui descrever os detalhes sórdidos daquele fiasco; período dos mais massacrantes à economia nacional.
Saio eletrizado de uma das reuniões de pauta matutinas, com a missão de radiografar o andamento da venda de carros usados na “boca”, no centro histórico de São Paulo. Marcelo Parada me havia lançado o desafio. Sorte minha e para meu amparo ao volante estava escalado o lendário Paulo Caveira. Desconheço até hoje alguém mais competente na direção a me conduzir pelas ruas da capital paulista. O nosso querido Paulo Caveira não manja somente de dirigir carros. Prudente, conhece as armadilhas da metrópole e vive ligado em todos e em tudo. Caveira, é bom que saibam, revelou-se a mim um pauteiro nato. Homem generoso, foi ele proseando comigo percurso adentro. É óbvio que percebeu de cara a minha apreensão de repórter caipira e novato na capital. Todos ao meu redor na Jovem Pan eram meus ídolos. E, confesso, ainda são. Muitos deles agora brilhando noutras emissoras. Alegria foi rever vários desses grandes profissionais no Arraiá do Miltão, o épico encontro que Milton Neves realizou em seu lar no último 10 de junho.
Muito bem. A sensação que tomou conta de nós era fantasma, conforme cruzávamos as ruas daquele tipo de comércio. Nas conversas com os vendedores a reclamação era geral. E a constatação não menos real. Tudo parado.
Nesse vaivém atrás de uma boa história eu já havia colhido algumas sonoras. Como diz outro Titã, o Clóvis Rossi: “Jornalistas têm de desenvolver os quatro verbos-pilares: ver, ouvir, ler e contar”. Mas, confesso, nada consistente havia surgido até aquela hora que justificasse a nossa incursão.
Entramos na alameda Barão de Limeira, pouco antes da Folha de S.Paulo, e o Paulo Caveira, de repente, deu marcha à ré e me mostrou, com o seu olhar de águia, uma loja sendo reformada. Naquela crise, o que levara o proprietário àquele investimento?
Paramos o carro em frente ao estabelecimento. Descemos e no chão havia uma placa nova, prestes a ser afixada na fachada, com a inscrição “Aqui em breve peixaria”. Puxa vida, vender peixes na ‘meca’ dos carros usados? Pronto! Tínhamos a matéria.
Liguei para o Antônio Campos na Chefia de Reportagem. Voltamos ligeiros à redação. O Marcelo Parada editou comigo. Saiu no A Hora da Verdade daquele dia e no dia seguinte no Jornal da Manhã. “O ‘boqueiro’ que virou peixeiro” foi pauta de telejornais e matutinos da imprensa paulistana.
Espírito de equipe é assim. Muito obrigado, Paulo Caveira.
Paulo de Tarso Porrelli – Foto: Davi Negri
* Paulo de Tarso Porrelli ([email protected]) é ex-presidente da rádio Educativa de Piracicaba (SP), teve passagens, entre outras, pelas tevês Globo, Band e EPTV e rádio Jovem Pan, além de ter atuado em comunicação corporativa. Neste Memórias da Redação ele homenageia Paulo Caveira, motorista da Jovem Pan, que perdeu um filho de 49 anos em 28 de julho. Conta ele: “Chamado carinhosamente de ‘Caveirinha’, esse filho do Paulo esteve conosco em 10 de junho passado, numa linda festa Amigos da Pan, na casa do Milton Neves. Foi o Arraiá do Miltão. E um infarto levou o Caveirinha precocemente…”.
Depois de quase dez anos no Grupo Globo, Mara Luquet decidiu sair para cuidar de seu empreendimento pessoal, o canal Letras&Lucros. Desde 2008 ela mantinha na CBN a coluna O assunto é dinheiro e desde 2011 dava dicas de finanças pessoais no SPTV – 1ª Edição e no Jornal da Globo, além de participações na GloboNews.
Disse a J&Cia que está saindo, mas não para ser garota-propaganda, como chegou a ser veiculado, “embora ser chamada de garota depois dos 30 tenha me deixado honrada”.
Segundo ela, cresceram muito as assinaturas do site da Letras&Lucros e por isso precisa se dedicar a cuidar do canal: “Não dá para deixá-lo em segundo plano quando se tem assinantes. Tenho que produzir conteúdo e isso inviabiliza manter Globo e CBN”.
Enfatiza também que a Letras criou um sindicato de colunistas e vai vender assinaturas dessas colunas para outros canais: “Há hoje uma demanda enorme por conteúdo, que está sendo atendida pelos chamados creators. Por que não inserir os jornalistas como fornecedores? Isso não tem nada de propaganda. É texto jornalístico, assinado, só que veiculado em outras mídias. A confusão começou porque o Bradesco fechou um contrato com a Letras para comprar minhas colunas no Medium. Aí surgiu essa história de garota-propaganda. Estamos fechando contratos com outros jornalistas para comercializar as colunas deles, vamos dar a infraestrutura administrativa, a produção de vídeo, quando for necessário. Enfim, a Letras será o canal que vai distribuir o conteúdo desses jornalistas para as mais diversas mídias e não apenas as tradicionais – que, infelizmente, estão cada vez mais fechando postos”.
Formada na Universidade Gama Filho, Mara teve passagens por Valor Econômico, Exame e Folha de S.Paulo. Foi quinta colocada na eleição dos +Admirados Jornalistas de Economia, Negócios e Finanças, promovida em 2016 por Jornalistas&Cia e Maxpress.
O jornal A Crítica, de Manaus, está lançando seu núcleo digital e abriu até o final desta semana processo seletivo para vagas de social media, SAC 2.0 e designer.
A Go Upper, empresa especializada em mídias digitais, está à frente do projeto. Ao todo, serão nove profissionais no núcleo digital, cinco escolhidos nesse processo seletivo. “Buscamos jovens com visão ampla e mente aberta, mas que também sejam disciplinados, organizados e comprometidos com o trabalho”, disse a relações públicas Dessana Oliveira, uma das proprietárias da Go Upper, ao lado da sócia Chrys Braga. “Os diferenciais são conhecimento de cultura pop e memes, ser criativo, ter boa redação e vontade de aprender, além de estar conectado 24 horas com o mundo”, completou Chrys. A seleção será, inicialmente, por meio de currículos, com testes sendo realizados na sequência.
O projeto, que já vem sendo discutido e ensaiado há algum tempo pela direção do jornal, surgiu da necessidade de acompanhar a forma como o conteúdo é consumido digitalmente.
Anuário traz informações e análises inéditas sobre o transporte aéreo brasileiro
Panorama 2016 traz análises e informações inéditas sobre o transporte aéreo brasileiro.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas (Abear) lançou no final de julho o Panorama 2016. Com análises e informações inéditas sobre o transporte aéreo brasileiro, o anuário reúne dados de suas associadas ao longo do ano passado. A conectividade entre os aeroportos nacionais, evidenciando aqueles com potencial de exploração, além de um olhar acurado sobre os desafios que o ICMS sobre o combustível dos aviões trazem para o setor no País são alguns dos destaques dessa quinta edição do estudo anual, que pode inspirar diversas pautas para o 5º Prêmio Abear de Jornalismo (ver abaixo).
“É a primeira vez que o Panorama analisa o setor aéreo como parte de uma rede de relações com os setores que ele impulsiona – e não como uma atividade econômica autônoma”, destaca Maurício Emboaba, consultor técnico da Abear. “Esta edição tem também uma análise das ineficiências do transporte aéreo de passageiros, por meio das distâncias úteis percorridas por hora de voo, medidas nas quase um milhão de decolagens realizadas em voos domésticos em 2016”.
O documento contém ainda uma série de informações referentes a custos operacionais, demanda aérea, aproveitamento dos aviões, qualidade dos serviços, pontualidade dos voos, extravios e danos no manuseio de bagagens.
Prêmio Abear – Em sua quinta edição, o Prêmio Abear de Jornalismo 2017 distribuirá R$ 57 mil líquidos. O concurso tem como objetivo incentivar, reconhecer e valorizar matérias jornalísticas que focalizem a aviação e que possibilitem, direta ou indiretamente, maior conhecimento sobre a aviação civil comercial nacional, contribuindo para o desenvolvimento do setor e também estimulando o hábito de voar.
Podem concorrer reportagens publicadas entre 21 de setembro de 2016 e 20 de setembro de 2017. Já a categoria Fotojornalismo, criada para celebrar os cinco anos do concurso e da própria Abear, premiará cinco trabalhos de destaque veiculados a partir de 21 de agosto de 2012. As inscrições vão até 22 de setembro.
Os trabalhos podem ser inscritos nas categorias Temáticas (Cargas, Competitividade, Experiência de Voo ou Inovação e Sustentabilidade), em Imprensa Setorizada e no Especial de Fotojornalismo. Além delas, reportagens publicadas em veículos de fora das cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília concorrerão ao Prêmio Especial Imprensa Regional.
Outra novidade da edição está no Grande Prêmio Abear, que neste ano será conhecido apenas na cerimônia de premiação. Ele será entregue ao trabalho que obtiver maior pontuação dentre os vencedores de uma das categorias Temáticas ou Setorizada.
Cláudia Vassallo deixou esta semana o posto de CEO da CDI Comunicação Corporativa, que ocupava há dois anos e nove meses. Ela decidiu empreender e está criando uma nova empresa, cujos detalhes promete informar em breve. Negociou sua saída com Antonio Salvador Silva, fundador e presidente do Grupo CDI Comunicação e Marketing, que reassume a liderança da agência, uma das maiores do mercado brasileiro, com oito empresas e mais de 70 clientes.
Cláudia fez carreira na revista Exame, depois de passar pelo Curso Abril de Jornalismo. Na revista, atuou como repórter especial, editora de Negócios, editora-executiva e redatora-chefe. Em 2005 passou a diretora de Redação e em 2012, a publisher da Superintendência da Unidade Tecnologia e Negócios, posto que manteve nas reestruturações da Abril em junho de 2013.
Deixou em agosto de 2014 o comando da Unidade de Negócios Exame, em que respondia pelo conteúdo editorial e pelas redações de revista Exame, anuários e guias com a marca Exame, Exame PME e Exame.com.
Depois de quatro anos e três meses, chegou ao fim o blog que Mário Magalhães mantinha no UOL. Segundo ele informou a J&Cia, o blog havia sido criado a convite do portal, do qual agora partiu a iniciativa de encerrar o contrato que mantinha ele. Nesse período, publicou 2.474 posts.
“Nos próximos meses, pretendo me concentrar na biografia de Carlos Lacerda (1914-1977), a sair no ano que vem pela Companhia das Letras”, disse Mário. “Até o fim de 2017 será filmada a adaptação da biografia Marighella: O guerrilheiro que incendiou o mundo, livro que lancei em 2012 e recebeu seis prêmios. O diretor é o ator Wagner Moura, estreando na direção de longa-metragem. Wagner é um dos produtores, ao lado da O2 Filmes e da Globo Filmes. Continuam no ar a minha página no Facebook e o meu perfil no Twitter”.
Carioca, formado pela UFRJ, Mário trabalhou nos jornais Tribuna da Imprensa, O Globo, O Estado de S. Paulo e Folha de S.Paulo, diário do qual foi repórter especial, colunista e ombudsman.
Com quase 70 anos de carreira e, naturalmente, muitas histórias para contar (de “sujar os sapatos, como diria o grande Ricardo Kotscho”), Audálio Dantas estreou no YouTube o Canal do Audálio. Nele, todas as segundas-feiras contará bastidores de grandes reportagens, “o fazer jornalístico, o olhar humano sobre humanos – e desumanidades, o jornalismo como instrumento de justiça social”.
No vídeo de estreia, conta o episódio que vivenciou nas Sete Pancadas, região de corredeiras no Jari, que faz divisa do Amapá com o Pará. Ele esteve lá quando ainda era fotógrafo da Folha da Manhã (antecessora da Folha de S.Paulo), na década de 1950, para fazer uma reportagem.
Ele resume: “Quando chegou a região das corredeiras, o homem do barco (de motor de popa) foi encostando e avisando: ‘Agora todo mundo desce, o barco vai ser puxado por terra’. Foi mais de meio dia de lida, até passar a corredeira das Sete Pancadas, onde rio descia em degraus, furioso. Na volta, ele disse: ‘Pra descer é mais fácil, só que se quebrar o pino do motor, adeus’. Decidi enfrentar, era uma oportunidade de virar herói. Mas tô aqui, não deu certo…”.
Após um ano de negociações, Paulo Marinho deixou nessa terça-feira (1º/8) o posto de superintendente de Comunicação Corporativa do Itaú Unibanco, depois de 17 anos de casa. Segundo informou aos amigos, parte para um sabático no exterior e só quando voltar ao Brasil, no final de outubro ou início de novembro, decidirá quais serão seus novos passos profissionais. Cícero Araújo, diretor de Relações Institucionais e Comunicação, responde pela área até a chegada de quem ele próprio irá escolher como sucessor.
Formado em Jornalismo, com pós-graduação em Administração de Marketing, tem especialização pelo Corporate Communication International Program – Syracuse University/Aberje. Foi por dez anos assessor de Comunicação Social da Fundação Ezequiel Dias e atuou como repórter do Estado de Minas por sete anos, especializado nas áreas de Finanças, Telecomunicações e Infraestrutura. No Itaú Unibanco, respondia por relações com imprensa, gestão de crises, relações públicas, reconhecimentos e visibilidade corporativa.