O Grupo Kalunga e a ESPN fecharam um contrato de sublicenciamento de eventos para o X-Sports, novo canal esportivo em TV aberta que deve estrear em agosto. Em São Paulo, vai usar o canal 32, frequência da extinta MTV Brasil. As informações são de Gabriel Vaquer, do F5 (Folha de S.Paulo).
A parceria entre Kalunga e ESPN não é de operação e sim de sublicenciamento de eventos. O X-Sports vai pagar para poder exibir eventos esportivos cujos direitos de transmissão pertencem ao Grupo Disney. Henrique Meira, executivo que trabalhou anteriormente na própria ESPN e na BandSports, é o principal responsável pela operação do X-Sports.
Entre os torneios que serão transmitidos no novo canal estão Premier League (Inglaterra), La Liga (Espanha), Serie A (Itália), Liga Portugal e a EFL Championship, segunda divisão do futebol inglês, além da Copa do Rei (Espanha) e a Copa da Alemanha. Segundo o F5, o X-Sports está negociando também a transmissão da Bundesliga, o campeonato alemão de futebol. A prioridade de escolha das partidas, porém, seguirá na ESPN. O X-Sports vai exibir partidas menos importantes dos torneios.
Além disso, segundo apurou o F5, a ESPN não terá nenhuma participação no conteúdo do novo canal, incluindo equipes de transmissão, narradores, comentaristas e repórteres, além de questões comerciais, como participação em vendas no mercado publicitário.
O Grupo Kalunga foi o responsável pelo canal Loading, voltado ao público geek, lançado em 2020, mas que saiu do ar cerca de seis meses após a estreia.
Com o apoio da Toyota, o Prêmio SAE Brasil de Jornalismo retorna em 2025 depois de ter sua edição de 2024 cancelada. A iniciativa, que tem como objetivo reconhecer o trabalho de jornalistas e publicações sobre tecnologia da mobilidade, chega à sua 18ª edição premiando reportagens nas categorias Mídia Impressa, Internet e Vídeo.
Poderão concorrer reportagens veiculadas entre 1º de julho de 2024 e 1º de julho de 2025, sobre os avanços tecnológicos em diferentes modais – automotivo, aéreo, ferroviário e naval –, que abordem mobilidade urbana, veículos autônomos, sustentabilidade, soluções energéticas, mineração e aplicações no agronegócio.
A cerimônia de premiação será realizada durante o 32º Congresso e Mostra Internacionais de Tecnologia da Mobilidade SAE Brasil, nos dias 7 e 8 de outubro, em São Paulo.
A Aberje, por meio do seu Centro de Estudos e Análises Econômicas Aplicadas à Comunicação (Ceaec), lançou neste mês um Resumo Executivo inédito que orienta profissionais sobre a atuação da comunicação com colaboradores em contextos de desastres climáticos. A publicação baseia-se na experiência de empresas que responderam às enchentes no Rio Grande do Sul em 2024 e sistematiza caminhos possíveis, aprendizados e boas práticas adotadas durante o período.
Coordenado pela professora Cynthia Provedel e com foco em apoiar os profissionais da área diante de crises de natureza ambiental, o estudo, segundo informa a entidade, combina dados de pesquisa com lideranças empresariais, entrevistas, benchmarking e uma curadoria de experiências reais. Embora conteúdos como este sejam normalmente reservados aos associados da Aberje, o material foi disponibilizado ao público em razão de seu caráter de interesse coletivo.
“Este material nasce da urgência em repensar o papel da comunicação organizacional frente à crise climática. Acreditamos que o profissional de comunicação, além de estratégico, precisa estar preparado emocional e tecnicamente para lidar com cenários extremos. Compartilhar esses aprendizados é parte do compromisso da Aberje com a construção de organizações mais humanas, ágeis e conscientes”, afirma Hamilton dos Santos, diretor-executivo da Aberje.
ChatGPT exemplifica o uso crescente de inteligência artificial no jornalismo
Por Ana Laura Ayub
O uso da inteligência artificial no jornalismo tem avançado em ritmo acelerado, ao passo que ainda faltam regulamentações específicas para orientar essa transformação no Brasil. Ferramentas como ChatGPT e Gemini já impactam diretamente a produção e a distribuição de conteúdo, levantando preocupações sobre direitos autorais, remuneração de veículos e o papel das big techs na circulação de notícias.
O assunto virou pauta na 20ª edição do Congresso da Abraji. Compondo a mesa estavam Katia Brembatti, presidente da Abraji, Camila Marques, editora de audiência da Folha de S. Paulo, Claudia Croitor, editora-chefe do G1, Eurípedes Alcântara, diretor de jornalismo no Grupo Estado, e Luiza Baptista, editora executiva de estratégia digital de O Globo. Os jornalistas levaram ao público os medos e incertezas relacionados à Inteligência Artificial e como um bom profissional pode superar esse desafio.
Claudia Croitor, Luiza Baptista, Katia Brembatti, Camila Marques e Eurípedes Alcântara na palestra sobre a condução do jornalismo com IA (Foto: Ana Laura Ayub)
O jornalismo brasileiro ainda não possui regulação específica para a IA. Na palestra, foram citados os gastos milionários que jornais como The New York Times acumulam contra big techs sobre o uso indevido de reportagens, e ressaltaram que todo esse processo pode ajudar a ditar as regras no Brasil. Camila Marques reforçou que o jornalismo necessita de regulamentações; “Precisa de políticas claras, precisa de política de remuneração, seja em contratos individuais, seja pelo meio jornalístico.”
Além disso, plataformas de inteligência artificial, como ChatGPT e Gemini, usam conteúdos exclusivos para assinantes para o treinamento de seus sistemas. Isso leva a que sites e plataformas criem conteúdos a partir das redações, usando a IA para reescrevê-los. Os jornalistas afirmaram que diversos sites fazem a cópia de seus veículos, e comentaram que podem gerar até mais “cliques” que o original.
Outra preocupação está na relação entre SEO e o Google diante da priorização crescente da inteligência artificial pela plataforma. Com a nova atualização, resumos automáticos de notícias são gerados por IA, permitindo que os usuários acessem informações de forma rápida e objetiva, sem precisarem entrar nos sites originais. Essa dinâmica acaba reduzindo o tráfego direto para os veículos jornalísticos e compromete seus indicadores de desempenho.
Apesar de tantos alertas, os profissionais concordaram de forma unânime que fazem o uso da inteligência artificial nas redações para facilitar um trabalho que antes levaria dias para ser feito ou para simplesmente corrigir erros gramaticais. “Todo mundo está incentivado a experimentar, mas o resultado final não pode ser. Toda matéria, todo gráfico, toda fonte do Estadão tem um autor com CPF e RG”, disse Eurípedes. Camila foi a mais ativa no debate e acrescentou; “A IA tem que ser usada como meio, nunca como fim. A nossa visão é que tem que ser inadmissível um profissional da casa não usar IA. Não faz sentido não usar.”
A jornalista também diz que o grande trabalho agora é treinar as pessoas quando e como usar; “Existe um adendo no manual de redação, existe uma regra muito clara. Então a palavra-chave é empoderar as pessoas para que saibam como e quando usar. Achamos que tem algo de errado quando uma pessoa na redação que diz que não usa IA, algo não está funcionando.”
Por fim, Camila ressalta que as pessoas não vão ser substituídas pela IA; “Eu tenho certeza que continuamos sendo fundamentais para o jornalismo. Vai substituir coisas que a gente perdia tempo. Então, a pessoa que não souber usar, ou que desistir de pensar, não vai se adaptar. Eu acho que não vai ser substituído, e que as mentes brilhantes vão brigar ainda mais.”
Karla Mendes, repórter investigativa da Mongabay no Brasil, acaba de se tornar a primeira brasileira vencedora do prêmio John B. Oakes de Excelência em Jornalismo Ambiental, da Universidade de Columbia, EUA. Karla venceu com uma investigação que revelou a explosão de gado ilegal e crimes ambientais na Terra Indígena Arariboia, no Maranhão, em meio a um número recorde de assassinatos de indígenas Guajajara.
“A reportagem de Mendes é um feito extraordinário de documentação, multimídia, jornalismo de dados, mapeamento e análises”, escreveram os jurados do prêmio, anunciado em 23 de julho pela Universidade de Columbia, em Nova York. “Mendes arriscou sua vida várias vezes para fazer a reportagem em campo, passando por áreas dominadas pelos criadores de gado para chegar à Arariboia, uma das áreas mais perigosas do mundo”.
Criado em 1994, o Oakes é considerado um dos prêmios mais importantes do jornalismo, reconhecendo contribuições excepcionais para a compreensão do público sobre questões ambientais. Geralmente, esse prêmio é concedido a repórteres de grandes veículos, como New York Times, Reuters e Pro Publica.
Os jurados concederam o prêmio a Karla Mendes pelas “provas rigorosamente coletadas que desencadearam uma série inovadora de ações” por Governo Federal, Ministério Público e organizações não-governamentais. Publicada em português, inglês e espanhol, a série foi usada pelo Governo Federal para remover milhares de cabeças de gado da Arariboia. A investigação faz parte da série A madeira do sangue Guajajara, que teve financiamento e apoio editorial da Rainforest Investigations Network do Pulitzer Center.
O fio condutor da investigação foi o assassinato do guardião da floresta Paulo Paulino Guajajara em novembro de 2019, em uma emboscada de madeireiros na Arariboia. Karla entrevistou Paulo nove meses antes de sua morte para um documentário que codirigiu e que ganhou quatro prêmios internacionais. O Ministério Público Federal usará a série como prova no julgamento do assassinato de Paulo.
A série de reportagens, que também recebeu menção honrosa no Prêmio ARI/Banrisul de Jornalismo, foi destacada em uma série da CBC sobre riscos para fazer reportagens na Amazônia. Também foi citada no livro What Will Your Legacy Be?: Conversations With Global Game Changers About the Climate Crisis (Qual o seu legado? Conversas com lideranças sobre a crise climática), de Sangeeta Waldron, que dedicou um capítulo do livro à investigação e à trajetória profissional de Mendes.
Termina nesta quinta-feira (24/7) o primeiro turno do prêmio Os 100 +Admirados Jornalistas Brasileiros. Nesta fase, o colégio eleitoral formado por jornalistas e profissionais de comunicação poderá indicar livremente até dez nomes de sua admiração, de qualquer veículo, plataforma e região do País.
Os nomes mais citados serão classificados para o segundo turno, que terá início na próxima semana, onde os eleitores poderão escolher os cinco profissionais de sua preferência, do 1º ao 5 º colocado.
“Mais do que uma premiação, o 100 +Admirados é um gesto coletivo de reconhecimento a quem honra diariamente a missão de informar com ética, coragem e profundidade”, destaca Eduardo Ribeiro, diretor deste Jornalistas&Cia e idealizador do projeto, que retorna em 2025 para celebrar os 30 anos da newsletter. “Num momento em que o jornalismo enfrenta ataques, descrédito e transformações profundas, celebrar os profissionais mais admirados do País é também afirmar, com todas as letras, que sem imprensa livre não há democracia possível”.
Realizada nos anos de 2014 e 2015, a eleição consagrou nessas duas edições Ricardo Boechat como o +Admirado Jornalista do Ano. Apesar do hiato de dez anos, ela deu origem nessa última década a sete premiações segmentadas: +Admirados da Imprensa Automotiva; Imprensa de Economia, Negócios e Finanças; Imprensa de Tecnologia; Imprensa Esportiva; Imprensa do Agronegócio; Imprensa de Saúde, Ciência e Bem Estar (com patrocínio exclusivo do Hospital Israelita Albert Einstein); e Jornalistas Negros e Negras da Imprensa Brasileira (em parceria com os sites 1 Papo Reto e Neomondo e a Rede de Jornalistas Pretos pela Diversidade na Comunicação).
Participe, dê seu voto e seu apoio ao Prêmio Os 100+ Admirados Jornalistas Brasileiros. Vote aqui!
Assaí também associa sua marca ao prêmio
O Assaí, rede brasileira de atacarejo, é a quinta empresa a confirmar participação na homenagem aos +Admirados Jornalistas Brasileiros. Com esse novo reforço, a iniciativa passa a contar com os patrocínios de Syngenta e Uber, e colaborações de Assaí, Cogna e JTI. Empresas interessadas em associar suas marcas à premiação e à cerimônia de entrega dos certificados e troféus, marcada para setembro, podem obter mais informações com Vinicius Ribeiro ([email protected]).
Estão abertas até 12 de agosto as inscrições para o Prêmio CNT de Jornalismo 2025, que premia e valoriza trabalhos jornalísticos sobre o desenvolvimento do transporte brasileiro. A principal novidade deste ano é a inclusão de duas novas categorias: Texto e Multiplataforma.
A categoria Texto vai premiar reportagens em texto publicadas em veículos impressos ou eletrônicos; e Multiplataforma vai reconhecer trabalhos que combinam, de forma integrada, pelo menos dois formatos jornalísticos. Essas duas se juntam às já tradicionais categorias Áudio, Fotojornalismo, Meio Ambiente e Transporte, Vídeo e Comunicação Setorial, totalizando sete categorias.
Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 6 de agosto de 2024 e 12 de agosto de 2025. Os vencedores de cada categoria receberão R$ 35 mil e disputarão o Grande Prêmio CNT, que premiará o melhor trabalho entre os vencedores com a quantia de R$ 60 mil. Entre os critérios de avaliação dos trabalhos estão: impacto no setor de transporte e para os transportadores; excelência editorial; importância social; criatividade e originalidade; e pertinência atual.
Os vencedores serão anunciados em novembro.
Confira o regulamento completo e inscreva-se aqui.
Está disponível no catálogo do Globoplay, pela grade do Canal Futura, o filme Uma Boa Notícia – o conforto sob a tempestade, que aborda os Cuidados Paliativos no Brasil e a rotina dos profissionais de saúde e pacientes que enfrentam doenças graves e progressivas. É o primeiro documentário brasileiro sobre o tema que está disponível nas plataformas de streaming.
A equipe do documentário foi até o maior câncer center de Cuidados Paliativos do País para mostrar o dia a dia e as estratégias de atendimento dos profissionais de saúde. O filme mostra a atuação desses profissionais e o benefício da abordagem deles com pacientes e familiares impactados por doenças ameaçadoras, que inspiram um olhar mais humano dentro e fora dos hospitais. “Cuidados Paliativos não são o fim, são apenas o começo”, diz a sinopse do filme.
O documentário é uma realização de Instituto Ana Michelle Soares e A.C.Camargo Cancer Center. A direção é de Flávio Vieira, que também assina o roteiro, ao lado de Tom Almeida e Juliana Dantas, esta última jornalista especializada em Cuidados Paliativos, morte e luto, e que comandou por muitos anos o podcast Finitude, ao lado de Renan Sukevicius.
A TV Fronteira, afiliada da TV Globo em Presidente Prudente, no interior de São Paulo, entrou na Justiça contra a emissora carioca para manter o contrato de afiliação até pelo menos 2030. Mesmo com um acordo para encerrar o contrato em agosto, a TV Fronteira alega que precisa do vínculo com a Globo para continuar existindo. As informações são de Gabriel Vaquer, do F5 (Folha de S.Paulo).
Em outubro do ano passado, a Globo enviou uma notificação à TV Fronteira informando que o acordo de afiliação não seria renovado, e o contrato seria encerrado em agosto de 2025. O principal motivo alegado pela Globo é o uso inadequado da TV Fronteira por parte de Paulo Oliveira Lima, presidente do Grupo Paulo Lima, dono do canal. A emissora carioca alega que Paulo, que foi candidato à prefeitura de Presidente Prudente em 2024, usou a TV Fronteira para promover sua própria imagem.
Levantamento do F5 mostrou que Paulo apareceu, de forma positiva, em ao menos 25 reportagens no programa Fronteira Notícias, exibido diariamente no horário do almoço, no primeiro semestre do ano passado.
Já a TV Fronteira argumenta que, sem o aporte financeiro da Globo, a emissora deixaria de existir e precisaria demitir seus mais de 120 funcionários. No final do ano passado, a Fronteira assinou um termo aditivo para fazer a transição para a TV Tem, que vai ocupar o lugar como afiliada da Globo em Presidente Prudente. Mas a TV Fronteira explicou que só assinou o documento não fechar as portas naquele momento.
A ação da TV Fronteira contra a Globo é inspirada no caso da TV Gazeta, de Alagoas, cujo dono é o ex-presidente Fernando Collor. Desde 2023, as duas emissoras brigam na Justiça para manter ou romper o acordo de afiliação. O caso está agora no Superior Tribunal de Justiça.
O Google está testando novos recursos com Inteligência Artificial no Discover, ferramenta que exibe conteúdo personalizado para os usuários com base em seus interesses e atividades na web. A ideia é utilizar a IA para fazer resumos de notícias publicadas por sites de veículos jornalísticos. O problema é que esse recurso tem o potencial de diminuir drasticamente a audiência desses mesmos sites de notícias. As informações são do Núcleo Jornalismo.
Segundo a reportagem do Núcleo, diversos sites dos Estados Unidos especializados em tecnologia, como PC Mag, 9to5Google e Android Police, noticiaram que o Google está testando esse novo recurso com Inteligência Artificial. Porém, o Núcleo explicou que esses resumos de notícias que passarão a ser exibidos na ferramenta do Google vão reduzir significativamente o número de cliques nos links e sites de veículos jornalísticos. Se todo o conteúdo que as pessoas buscam for disponibilizado para elas via esse recurso do Google, elas não verão necessidade de clicar nos links dos sites noticiosos, o que reduzirá drasticamente a audiência.
“Caso confirmada a implementação mais ampla desses resumos no Discover, o Google poderá despencar ainda mais como fonte de referência para muitos veículos de notícia que dependem da ferramenta de recomendação da empresa – considerada um “canhão” de audiência”, diz a reportagem do Núcleo.
Um estudo publicado pela agência Ahrefs em abril deste ano analisou a queda de audiência causada pelo AI Overview, recurso do Google lançado em 2024 que permite sumarizar o resultado de buscas feitas por seu mecanismo. Segundo o estudo, quando uma dessas respostas automáticas é mostrada, o número de cliques em links de referência cai 34,5%.
Em maio deste ano, o Google anunciou que sua própria barra de buscas havia virado basicamente um chatbot de IA, gerando respostas automáticas que podem afetar ainda mais a audiência de sites noticiosos.