A Comissão Interamericana de Direitos Humanos abriu inscrições para o programa de estágios administrado em conjunto com o Programa de Estágios da OEA (Organização dos Estados Americanos). A oportunidade é para estudantes ou recém-graduados dos cursos de Direito, Relações Internacionais, Jornalismo, Ciências da Comunicação, Desenho Gráfico, Desenho Web, Webmaster, Ciências da Computação (Profissional ou Técnica), Engenharia Informática, Engenharia de Sistemas, Analistas, Designers de Sistemas, Técnico Superior em Sistemas de Informação, Tradução (capacitados para trabalhar em ao menos dois dos quatro idiomas oficiais da OEA), provenientes de Estados membros da OEA, poderem conhecer e trabalhar na CIDH aplicando os mecanismos de proteção e promoção que o Sistema Interamericano de Direitos Humanos oferece.
Os interessados devem preencher o formulário eletrônico de inscrição até 25 de fevereiro. É necessário um visto especial que poderá ser solicitado uma vez que for aceito oficialmente. Mais informações na página do Programa.
A Thomson Reuters está com uma vaga aberta para o posto de correspondente sênior em seu escritório no Rio de Janeiro. Além de fluência na língua inglesa, o profissional deve ter cinco anos de experiência e conhecimento em produção multimídia de reportagens.
Dentre as atribuições do candidato, terá como principal desafio traduzir a complexidade do país para o público estrangeiro, acompanhar o impacto da corrupção na vida das pessoas, o crescimento da influência evangélica na política, problemas relacionados a drogas e violência, além de auxiliar na cobertura das áreas de energia e mineração.
Cristina Zahar é a nova secretária executiva da Abraji, em substituição a Guilherme Alpendre, novo diretor executivo do Poder360/Drive, portal fundado por Fernando Rodrigues em Brasília.
Para se dedicar à Abraji, Cristina afasta-se da diretoria administrativa e comercial da Bastidores de Comunicação, sua agência de comunicação corporativa em sociedade com Moraes Eggers ([email protected]), que segue à frente da empresa.
Com mestrado em Comunicação pela Universidade Michel de Montaigne (Bordeaux III), na França, e MBA em Gestão Empresarial pela FIA-USP, ela teve passagens por Folha de S.Paulo, Caras, ViverBem e Abril Coleções. Foi ainda cofundadora do OrbitalLab, laboratório de inovação para projetos de mídia digital, e CEO no Brasil da Eaglemoss.
Na Abraji, Cristina ([email protected]) será responsável por captar recursos para o Congresso, os cursos e demais projetos da entidade, além de representá-la institucionalmente.
Formado em Jornalismo pela USP, desde 2015 Guilherme ([email protected]) cursa Direito na mesma universidade. Integrou equipes de dois projetos da Transparência Brasil, sob a direção de Claudio Weber Abramo. Passou por rádio Bandeirantes AM, BandNews FM e Jovem Pan. Começou na Abraji em 2010, como gerente executivo e exerceu outras funções na associação. Era secretário executivo desde setembro de 2012.
José Ramos Tinhorão, considerado um dos mais importantes pesquisadores da música popular brasileira, historiador e crítico musical, completa 90 anos nesta quarta-feira (7/2). Para marcar a data, os amigos organizaram dois eventos na capital paulista.
No primeiro, na sexta-feira (dia 9), às 18h30, na Ação Educativa (rua General Jardim, 660), Elizabeth Lorenzotti, biógrafa de Tinhorão, e o amigo Assis Ângelo, também ele pesquisador, mas de cultura popular, reúnem-se num bate-papo sobre a vida e a obra dele.
No sábado (10), a partir das 15h, diversos músicos farão uma grande roda de samba no Bar Amélia 596 (rua General Jardim, 596), que ele frequenta, onde será descerrada uma placa em sua homenagem. Mais informações pelo [email protected].
Bem-humorado, ele falou a J&Cia sobre alguns momentos marcantes de sua carreira:
Jornalistas&Cia – Você também é advogado, não?
José Ramos Tinhorão – Sim e não (risos). Comecei a fazer Direito no Rio de Janeiro, em 1949. Dois anos depois, entrei também em Jornalismo. Como o curso de Direito tinha cinco anos e o de Jornalismo, três, concluí os dois ao mesmo tempo. Naquela época era proibido tirar dois diplomas de curso superior no mesmo ano. Então, peguei o de Direito, mas jamais exerci a profissão. O de Jornalismo nunca peguei, e foi essa a carreira que segui.
J&Cia – E como começou?
Tinhorão – Foi em 1951, por intermédio do Armando Nogueira, que era meu colega na faculdade de Jornalismo e trabalhava no Diário Carioca. Comecei como redator. Um belo dia, fiz um texto-legenda pra uma foto, que todos na redação adoraram. Virei especialista naquilo, tanto que me chamavam de “Tinhorão legendário” (risos).
J&Cia – A propósito, Tinhorão é apelido, não?
Tinhorão – Era, mas virou nome. Eu me chamo José Ramos. Um dia, pouco depois que comecei no jornal, o secretário de Redação Everardo Guilhon queria me chamar mas não lembrava do meu nome. Sabia que era algo relativo a vegetal. Paraense, resolveu usar o nome de uma planta ornamental muito comum por lá. E berrou: “Ôôô José Tinhorão!” Todo mundo riu e passou a me chamar assim. Pouco tempo depois assinei minha primeira matéria como J. Ramos. Quando a vi publicada, estava lá: J. Ramos Tinhorão. Fiquei puto da vida e no dia seguinte reclamei com o Pompeu de Souza, que era diretor de Redação. Ele argumentou: “Deixa de ser bobo! José Ramos tá cheio por aí; Tinhorão, só vai ter você”. Não fiquei muito convencido, mas depois pensei melhor e achei que ele tinha razão. Tinha mesmo, né? (risos)
J&Cia – E a MPB, como entrou na sua vida?
Tinhorão – Foi no Jornal do Brasil, por volta de 1958, 1960. Comecei a pesquisar para uma série, Primeiras Sessões de Samba, a pedido do Reinaldo Jardim, para substituir uma de jazz que o Luiz Orlando Carneiro tinha terminado. Depois, passei a fazer uma coluna na página em que o Sérgio Cabral (pai) entrevistava sambistas das escolas de samba. Era um levantamento histórico sobre o samba desde o século XIX.
J&Cia – E as suas querelas com o pessoal da Bossa Nova, que ficaram famosas?
Tinhorão – Foi no início dos anos 1960, quando ela estava no apogeu. Como o meu trabalho tinha um enfoque histórico/sociológico, não considerava aquilo música popular, do povão. Era trabalho de garotões da classe média da zona sul do Rio de Janeiro. Meti bronca por esse ângulo.
J&Cia – Quantos livros você escreveu? Tem algum em preparação?
Tinhorão – Não sei de cabeça, acho que uns 30. O mais recente foi um ensaio biográfico sobre Ismael Silva. Não sei se vou escrever mais algum. Estou em fim de carreira – ou melhor, em fim de vida (risos). Se fizer, não será sobre MPB, pois esta não existe mais. Tenho pesquisado, juntado material sobre literatura erótica, livros proibidos. Quem sabe?
O Programa Logan de Jornalismo de Ciência, do Laboratório Biológico Marinho da Universidade de Chicago, promoverá duas oficinas intensivas para jornalistas interessados em aprender o básico do processo de pesquisa biomédica e ambiental.
As aulas serão de 30 de maio a 7 de junho em Woods Hole, Massachusetts, e a bolsa cobre as taxas do curso, alojamento, refeições e viagem.
Interessados deverão comprovar pelo menos três anos de experiência nas editorias de ciência e meio ambiente. O curso de pesquisa biomédica destina-se a jornalistas de ciência e saúde, enquanto o de pesquisa ambiental é projetado para jornalistas ambientais.
A jornalista Luana Carvalho cobria a primeira sessão da câmara de Vereadores de Andradina, na segunda-feira (5/2), quando foi ameaçada pelo vereador Mário Henrique Cardoso, após filmá-lo em uma discussão. A Policia Civil investiga o vídeo e o caso foi registrado na Delegacia de Defesa da Mulher (DDM) da cidade. O vereador deve ser intimado e ouvido nesta semana. A polícia informou que outros boletins de ocorrência já foram registrados contra o parlamentar pelo mesmo motivo.
“Já houve outras ameaças antes, mas eu não tinha como provar. Ontem filmei toda a ação e decidi não deixar passar adiante porque até então eram ameaças de processo porque eu faço a cobertura da sessão desde fevereiro de 2014”, afirma Luana.
O portal Sobre Rodasteve sua área de atuação ampliada para a região de Londrina, no Norte do Paraná. Criado em Foz do Iguaçu há sete anos como revista impressa, e há dois operando exclusivamente no ambiente digital, o portal de Abilene Rodrigues passa a contar agora com o apoio de Cecília França (ex-Tribuna do Norte e Folha de Londrina).
“Com a chegada da Sobre Rodas, Londrina e região ganham uma nova referência em informação automotiva de qualidade, em um site leve e responsivo, dedicado a informar com relevância, contribuir para o desenvolvimento social e na preservação da cultura local”, destaca Abilene. A página traz notícias sobre lançamentos, tecnologia automotiva, carros antigos, além de uma variedade de temas, como esporte, gastronomia e turismo.
José Hamilton Ribeiro, à direita, inaugura Centro de Memória que leva seu nome
José Hamilton Ribeiro, à direita, inaugura Centro de Memória que leva seu nome
Em janeiro, José Hamilton Ribeiro, considerado o repórter do século e ganhador de sete Prêmios Esso, ganhou em sua cidade natal, Santa Rosa do Viterbo, um Centro de Memória que leva seu nome.
O local servirá como um espaço de pesquisa e conservação de acervos referentes à história do município e de suas personalidades ilustres, como é o caso de Jose Hamilton, que cedeu mais de 150 itens de seu acervo pessoal para o Centro de Memória.
Para marcar a ocasião, o amigo Romeu Antunes, escreveu um texto que reproduzimos abaixo. A foto que o ilustra, com Zé Hamilton à direita, também é da autoria dele.
Zé de Santa Rosa
Que me lembre, meu primeiro contato com José Hamilton Ribeiro aconteceu no campão da Avenida Rio Branco. Na tarde ensolarada de domingo, enquanto esperava pelos dois times, a torcida achincalhava o bandeirinha negro que inspecionava as redes das balizas. A cada adjetivo berrado contra o rapaz, gargalhadas satisfeitas explodiam da plateia. Aviltar os árbitros é comum até hoje, mas os negros eram alvos preferenciais nos campos de futebol naquela segunda metade da década de 1950. Próximo ao Zé Hamilton, pude ouvir sua voz destoante:
– Poxa, pra que isso! Um bandeirinha tão simpático!
A frase generosa me soou estranha. Entretanto, foi lição inesquecível para o garoto com menos de 10 anos.
Eu já ouvira falar daquele jornalista que trabalhava ‘nas Folhas’. Me contaram que certo dia ele foi a um cinema da capital calçando ‘percatas’ – marrons, feitas de pano, com sola de sisal. Barrado na entrada, pela inadequada indumentária, tirou as percatas do pé, colocou sob o braço, passou – descalço – pelo atônito porteiro e foi se acomodar pra ver o filme.
Estive em seu casamento com Maria Cecília (com quem teve duas filhas, Ana Lúcia e Teté), num quintal da rua Condessa F. Matarazzo. No único ‘racha’ de futebol de salão que compartilhamos, em 1966, notei que ele atuou com as tais percatas, na quadra da JAS (Juventude Atlética Santa-rosense), construída, naquela década, graças ao terreno doado pela família dele.
Pesquisando a história do município, descobri que Zé Hamilton foi convidado a discursar em ato público – em frente à igreja matriz da Praça Guido Maestrello – que comemorava a criação da Comarca. Na noite que emendou 1952 e 1953, em fala arrebatada, ele arrancou os botões da própria camisa, vibrando com nossa independência de São Simão.
Encontrei-o, em algumas fotos, envergando o uniforme alvinegro do Santa Rosa FC, nos anos 40/50. E em outras, mais antigas, vestido de padre, no meio da meninada num casamento, com colegas na represa dos Matarazzo, nadando no poço do Mário Ribeiro, no Rio Pardo, enfim, curtindo plenamente o município.
Na entrevista sobre sua vida – gravada em vídeo por estudantes – contou que tinha 12 anos quando caiu um avião perto de sua casa, em terreno da Fazenda Amália. Embora com problemas no pé, o garoto saiu em desabalada carreira, pelo meio do mato, pra ver o desastre de perto. Voltou na mesma velocidade, e narrou tudo à família. Nesse episódio, avaliou, ficou clara sua vocação para jornalista.
Sua vida de estudante começou no ‘Teófilo’. Ele me contou que saiu da aula, certo dia, e caminhou no rumo do burburinho que havia em frente à escola, na Av. Rio Branco. Percebeu que o dono do bar vizinho atirava balas à garotada, e ingressou na disputa. Só mais tarde descobriu a razão do gesto: atirar balas à garotada foi o modo que o comerciante encontrou de comemorar o fim da Segunda Guerra Mundial que acabara de ser anunciado pelo rádio…
Enquanto estudante em Santa Rosa, participou de uma peça de teatro – ‘Salomé’ –, encenada na Casa da Criança, que ficava na rua Condessa F. Matarazzo (hoje Banco do Brasil), e Zé Hamilton vivenciou Herodes. Mais tarde cursou jornalismo na Faculdade ‘Cásper Líbero’, mas foi expulso da escola, no último ano, por liderar uma greve de estudantes.
Em 1959, já familiarizado com a capital paulista, orientou Orvaldo Sério em visita de reivindicações que o então prefeito de Santa Rosa fez ao governador Carvalho Pinto, acompanhado por alguns vereadores. O principal pedido: rodovia de ligação com Santa Rita do Passa Quatro, que não vingou.
No primeiro dia de 1960, lá estava Zé Hamilton discursando na posse do novo prefeito, Vergínio Melloni. Falando em nome do eleito, disse “que esperava fosse levado a bom termo os quatro anos que tinha pela frente, pois, para tanto, além da boa vontade, contava com a colaboração da Egrégia Câmara, e esperava receber a colaboração também da Fazenda Amália e do Governo do Estado, na pessoa do ilustre chefe da Casa Civil, Dr. Portugal Gouvêa”.
Nessa mesma década, seu lado brincalhão aflorou na organização da primeira caçada de Tirisco ocorrida na cidade. Ele garante não ser o criador da patranha que consiste em chatear visitantes desavisados.
– Não fui eu o inventor, mas foi alguém aqui de Santa Rosa. Fiquei sabendo, depois, que veio um camarada aqui e disse que já tinha ouvido falar de coisa parecida, chamada ‘pio pardo’ – relatou em depoimento que me deu.
Ele não inventou, mas seu nome está lá na Wikipédia que assim define o evento: “No âmbito da cultura caipira do interior paulista, Tirisco é uma espécie de brincadeira feita com visitantes leigos que chegam às pequenas cidades, e que são convidados a caçar um pequeno animal que, todavia, não existe de fato. O jornalista brasileiro, José Hamilton Ribeiro, autor de diversas obras sobre a cultura caipira, descreve o fictício animal como um “bichinho do mato”, algo entre o coelho e a perdiz. Uma vez armada a brincadeira com o incauto visitante, o sujeito é orientado a segurar um saco nas mãos, batendo numa caixa para atrair o animal durante a noite. Quando menos esperava, o sujeito era deixado sozinho no meio do mato, enquanto todos iam ao bar, beber, dar risada e esperar que ele percebesse a travessura”.
Ele não inventou, mas submeteu Franco Paulino, colega de profissão, que trouxe da capital, à edição mais engraçada de todas as caçadas de Tirisco que houve em Santa Rosa. Ao perceber que batia lata à toa no meio da escuridão, Paulino marchou em direção ao clarão da cidade, seguindo os trilhos da Mogiana que, na época, ainda funcionavam. Com a vela na mão, topou com o Tinga, que não sabia da ‘caçada’ e, naquela hora da noite, vigiava os trilhos, alvos de arruaceiros. Vendo o sujeito de vela na mão, Tinga partiu pra cima dele, certo de que se tratava de um arruaceiro. Franco Paulino fintou aquele doido, voou para a cidade, e foi tirar satisfações com os membros do grupo capitaneado por Zé Hamilton, bebendo no bar e zombando dele!
Em novembro de 1967, Zé Hamilton escreveu, pra Realidade, uma reportagem sobre caçada em Goiás, na cabeceira do rio Arinos. “Só faltou a onça” foi o título da matéria cujos protagonistas eram quase todos de Santa Rosa: 16 caçadores, 18cachorros e mais de 30 armas. Teve naufrágio de canoa e perda de armas, mas onça nenhuma…
O repentista Chico Louco registrou o episódio em verso e música:
“Ai, foi no rio de Arinos/ ficou por recordação/ Santa Rosa de Viterbo, esses grande forgazão/ Ai, pra fazer sua caçada/ fizeram combinação (…) Ai, meu senhor, doutor Renato, Odeto e João Bonacin/ e no meio da jornada tá o Alípio e o Quim Quim”.
Em maio de 1968 o próprio repórter foi capa da Realidade, vítima da explosão de uma mina quando cobria a guerra do Vietnã. A Folha de S. Paulo noticiou que ele “perdeu a parte inferior da perna esquerda na explosão de uma mina vietcong, perto de Quang Tri, está passando bem, foi transferido para o hospital norte-americano em Qui Nhon, a fim de submeter-se a nova operação, e será transportado para os Estados Unidos para continuar seu tratamento”. De volta ao Brasil, teve recepção de herói em Santa Rosa. O próprio Zé me contou que, ao chegar à cidade, ouviu de alguém na plateia: ‘O jornaleiro chegou!’ E, de novo, Chico Louco celebrou:
“Por ser grande jornalista/ foi na guerra no estrangeiro/ pra trazê a realidade/ presse país brasileiro/ encontrando com uma bomba/teve um golpe traiçoeiro/ hoje está aqui em Santa Rosa/ junto com seus companheiro”.
Zé Hamilton, que já colaborara com jornais aqui publicados na década 1950, participou também do projeto ‘Santa Rosa Jornal’ (título criado por ele) que apareceu em 1974 para durar apenas três edições. No primeiro número, em 04 de setembro daquele ano, ele externou o desconforto que a demolição da antiga Prefeitura lhe causou, em artigo com o qual procurou mostrar à população o papel da imprensa em uma comunidade: “O Fórum podia ser construído na rua do Vitorino Falaguasta. Ou na travessa dos Morgons. Na rua do Lazinho de Oliveira, na 7 de setembro: na rua da Pinga, na praça da Matriz. Isso sem falar nos descampados do lado da chácara do Delduque (…) Não. Construíram a “Casa da Justiça” em cima da prefeitura. Para isso derrubaram, estraçalharam, fizeram desaparecer o mais impressionante edifício da cidade. Não sei quem era o prefeito da época (…) Mas faltou quem lhe dissesse com autoridade: ‘Doutor, aí não!’”.
Quando foi editor do “Jornal de Hoje”, de Campinas, Zé Hamilton intermediou a vinda à cidade do ‘Sentimento FC’, um time de futebol formada por jogadores do Guarani e da Ponte, para enfrentar o Santa Rosa FC no dia 7 de dezembro de 1980. O goleiro Carlos – que seria titular do Brasil na Copa do Mundo de 1986 – também veio, mas não jogou por causa de contusão. O zagueiro Juninho, também da Seleção, foi destaque na partida realizada no ‘Campão’. O time local bateu o Sentimento por 3 x 2 (de virada).
Quando a cidade realizou a Festa da Piracema, na mesma década, Zé Hamilton estava presente, palestrando, ensinando o que já sabia sobre preservação da Natureza. Em 1983 resolveu fazer um livro sobre a história de sua terra natal. Auxiliado por Margarida Ribeiro (sua tia Nenê) filmou e gravou entrevistas com velhos moradores (João Gaspar, Lezinho, Mário Juns, dona Caluta e a própria tia), preciosíssima base de dados para pesquisas posteriores. Mais tarde projetou um empreendimento que homenagearia a parenta, irmã de sua mãe: um prédio de apartamentos ao lado da Matriz de Santa Rosa, que se chamaria ‘Edifício Tia Nenê’. O falecimento dela, em 1985, tirou-lhe o ânimo para o livro, e o prédio nunca saiu do projeto.
Em 1988 a política atraiu de novo aquele que arrancara os botões da camisa quando comemorou a Comarca. Zé Hamilton mergulhou na campanha de Luiz Tertuliano Ribeiro, candidato a prefeito apoiado pelo titular da época, Nagib Moussa.
Acostumado a contar histórias dos outros, nas grandes reportagens que escreveu ou apresentou na TV, autor de 17 livros, ele acabou tendo a sua vida escarafunchada por Arnon Gomes. “O jornalista mais premiado do Brasil” é o nome de um livro lançado em 2016 para contar sua saga.
No dia 21 de maio de 2017, Zé Hamilton me procurou para anunciar a intenção de que os troféus e homenagens que recebeu, por trabalhos produzidos em sua brilhante carreira, encontrassem repouso em um lugar de honra em Santa Rosa, guardados pela Prefeitura.
Os vencedores do prémio ‘Wladimir Herzog’, como ele, votaram para eleger os quatro que mereciam um troféu especial, o ‘crème de la crème’ “Wladimir Herzog”. Zé foi um dos escolhidos, ao lado de Clóvis Rossi, Zuenir Ventura e Ricardo Kotscho. Entre vários prêmios Esso, e um Brasileiro Imortal – que deu seu nome a uma planta – ganhou também o prêmio internacional mais antigo em jornalismo, o ‘Maria Moors Cabot’, em 2006. Foi recebê-lo nos EUA, na companhia de outros três homenageados: os americanos Ginger Thompson, Matt Moffet e o peruano Mário Vargas Llosa, este também Nobel de literatura.
– O Mário Vargas Llosa é um sujeito finíssimo. Quando fomos ensaiar para a solenidade, eu o chamei de Don Mário, com todo respeito, mas pouco conversamos. Dali voltamos pro mesmo hotel, em veículos diferentes, e, depois que chegamos, ele mandou me chamar para perguntar com que roupa eu iria receber o prêmio, no dia seguinte. Disse-lhe que iria com smoking alugado. E ele, ‘Ah, que bom, eu também vou de smoking’. Don Mário explicou, depois, que, se acaso eu não fosse ‘vestido a rigor’, ele também não iria, pra que meu traje não chamasse atenção por eventualmente ferir, sozinho, a solenidade do prêmio.
Assim que o prefeito Nando Gasperini me informou, com entusiasmo, que topava guardar os troféus, fui falar com Zé Hamilton. Ele, então, me contou sobre um filme que acabara de assistir, ‘Um cidadão ilustre’, com a história de um argentino que deixou sua cidadezinha e foi pra Europa pensando em nunca mais voltar. Ficou famoso, ganhou prêmio Nobel de literatura e recebia inúmeros convites para solenidades em vários pontos do mundo. Mas sempre recusava. Inclusive do pessoal de sua cidadezinha que queria entregar-lhe uma homenagem. O tempo passava, e o convite, sempre reiterado, era recusado. Até que um dia ele mudou de ideia, e decidiu aceitar, o que implicava revisitar sua terra. Ao chegar, percebeu prontamente que lá estavam, intactos, todos os ressentimentos que deixara ao sair. Um amigo de infância, o único da cidade que havia lido todos os seus livros, passou a identificar, nas histórias, críticas veladas aos moradores daquela cidade. Tal amigo envenenou tanto a relação dos moradores com o escritor que ele teve que fugir de lá.
Depois de narrar a história do filme, Zé Hamilton reflete cheio de nostalgia.
– Que Pena! Boa parte das pessoas com quem convivi, na minha infância em Santa Rosa, já foi embora, não? Tanta gente querida! Só espero que ainda haja um ou outro que possa falar bem de mim com relação àqueles bons tempos em nossa brava terrinha…
Andrea Queiroz, Bia Torrealba e Maria Eugenia Humberg são as sócias-fundadoras da Tre Assessoria de Comunicação
Andrea Queiroz, Bia Torrealba e Maria Eugenia Humberg são as sócias-fundadoras da Tre Assessoria de Comunicação – Foto: Pedro Chavedar
Andrea Queiroz ([email protected]), Bia Torrealba ([email protected]) e Maria Eugenia Humberg ([email protected]) acabam de lançar a Tre Assessoria de Comunicação. A agência tem como principal diferencial um serviço de estratégia para prêmios publicitários. Na prática, as executivas utilizarão de suas experiências atuando em agências dos grupos ABC, Holding DDB, WPP e Omnicom, para analisar e preparar cases com vistas aos principais festivais do setor.
“Percebemos que este não é um serviço oferecido pelas assessorias e escasso entre as agências de publicidade”, justifica Andrea. “Normalmente, não existe um departamento especifico, com os devidos conhecimentos e visão estratégica”.
Apesar da aposta nesse segmento, a agência também oferecerá um leque de opções de negócios, como assessoria de imprensa, comunicação interna e externa, Relações Públicas e Gestão de Imagem.
Idealizador e sócio de Arthur Caldeira no projeto da Agência InfoMoto, Aldo Tizzani ([email protected] e 11-981-607-949) desligou-se da sociedade e deve anunciar até o final de fevereiro detalhes de uma iniciativa que está planejando.
“Depois de 12 anos em um projeto inovador e consolidado, acho que chegou a minha hora de fazer coisas novas, ampliar meu espectro de atuação”, diz. “Seguirei atuando no mercado de motor, mas agora com foco em produção de vídeos. Em breve poderei dar mais detalhes sobre esse novo projeto”.
Formado em Jornalismo pela PUC-SP, Aldo começou como estagiário na CBN, passou pelas assessorias da Fiesp e da fábrica de capacetes Starplast, e por cinco anos foi editor da Moto Adventure, de onde desligou-se em 2006 para fundar a InfoMoto.
Primeira agência de notícias especializada em motocicletas, ela mantém atualmente o Blog da InfoMoto e edita e distribui a revista MotoJornal, publicação mensal dirigida a motociclistas em formação. Com a saída de Tizzani, Arthur ([email protected]) segue gerenciando a agência com a colaboração de Cicero Lima ([email protected]).