Imagem de Marielle Franco apareceu em xilografia ao lado de homenageado. Vídeo foi editado e imagem retirada
A rápida exibição, em um programa da TV Brasil, de uma imagem da vereadora do Rio de Janeiro Marielle Franco, assassinada em março de 2018, resultou na demissão do diretor da atração e da saída do programa da grade da emissora. A informação foi divulgada em primeira mão por Guilherme Amado, de Época.
O caso ocorreu após a exibição um especial sobre o cantor Jackson do Pandeiro, que foi ao ar no programa Antenize, em 31 de agosto. Em um trecho de cinco segundos do especial, a câmera mostrou alguns livros de cordel, com capas em xilogravura. Entre eles, havia o desenho da vereadora ao lado da figura do próprio Jackson do Pandeiro, o homenageado.
Uma semana após a exibição, o diretor da atração, Vancarlos Alves, foi demitido e o programa Antenize retirado da grade da TV Brasil. Além disso a edição do especial no YouTube sofreu um corte, que tirou a imagem em que a vereadora assassinada aparecia.
Nesta semana o Ministério Público junto ao Tribunal de Contas da União (TCU) pediu que a Corte investigue a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) por censura à imagem de Marielle Franco.
“Situação de extrema gravidade, visto que pode resvalar para um ato de censura flagrantemente inconstitucional, com potencial de fazer incidir sobre essa conduta dos responsáveis as sanções cabíveis no âmbito do controle externo”, escreveu o subprocurador-geral Lucas Rocha Furtado, em ofício ao presidente do TCU. “Não é desconhecida a orientação do governo federal em negar ‒ por meio de seus órgãos e empresas estatais ‒ a visibilidade cultural a essas duas temáticas [LGBT e de esquerda], as quais eram fortemente ligadas à imagem de Marielle Franco”.
Por Cristina Vaz de Carvalho, editora
de J&Cia no Rio
A RecordTV anunciou a contratação de Augusto Nunes como comentarista no boletim do Jornal da Record, na edição apresentada por Sérgio Aguiar à meia-noite e meia, e também para assinar uma coluna diária no portal R7. Até aqui colunista da Veja.com, comentarista da rádio Jovem Pan no Jornal da Manhã e integrante do programa Os pingos nos is, da mesma emissora (onde permanecerá), ele tem quase 700 mil seguidores no Twitter.
Nunes começou nos Diários Associados, foi repórter de O Estado de S.Paulo e da revista Veja até assumir a mediação do programa Roda Viva, na TV Cultura. Dirigiu as revistas Veja, Época e a edição brasileira da Forbes, além dos jornais O Estado de S. Paulo, Jornal do Brasil e Zero Hora. Voltou ao Roda Viva, como debatedor numa segunda fase. Tem quatro prêmios Esso de Jornalismo. Foi considerado um dos seis mais importantes jornalistas do Brasil, numa seleção feita pela Fundação Getulio Vargas.
Seu posicionamento político por certo influenciou a atual contratação. Crítico contumaz dos governos Lula, que acusava de corrupção e cerceamento da democracia, apoia o governo Bolsonaro e, recentemente, protagonizou uma polêmica com o opositor Gleen Grenwald, do The Intercept Brasil.
Na segunda-feira (14/10), Nunes foi conhecer a sede da emissora e falou sobre as novas funções: “Venho com muito entusiasmo, porque vou participar, de segunda a sexta, do boletim JR, um projeto pioneiro em televisão. E ainda estarei no R7.com, o que me permitirá voltar às origens. Sou um jornalista de texto e escreverei, diariamente, colunas exclusivas para o portal”.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais de São Paulo (SJSP) emitiram nota de repúdio aos ataques do ex-ministro Ciro Gomes (PDT) a Paulo Moreira Leite (Brasil247) e Kiko Nogueira (Diário Centro do Mundo), durante entrevista cedida ao portal UOL, que foi ao ar em 13 de outubro.
Ciro afirmou que os sites Brasil247 e Diário Centro do
Mundo são “tudo picareta que o PT contrata nas piores escolas do jornalismo
brasileiro e traz para servi-lo fazendo a prática corrupta que fazia a direita
bandida do Brasil para eles”. O pedetista também atacou diretamente os dois
jornalistas citados, ao dizer que “Kiko Nogueira saiu da Editora Globo por
práticas corruptas. Paulo Moreira Leite saiu da Abril, que foi onde fazia
picaretagem a serviço da pior direita corrupta do Brasil”.
Em nota conjunta, as entidades solidarizaram-se com os dois
jornalistas, desmentindo algumas falas do ex-ministro: “Kiko Nogueira nunca
trabalhou na revista Época, nem Paulo Moreira Leite foi demitido da Editora
Abril, diferentemente do que disse Ciro Gomes. Ao vincular de forma
injustificada os jornalistas a ’práticas corruptas‘ e ’picaretagem‘, Ciro
expressa de fato é a vontade de calar o trabalho jornalístico”.
A nota também criticou os ataques: “Numa sociedade
democrática, qualquer cidadão tem o direito de criticar a imprensa e de se
posicionar em relação a reportagens ou à linha editorial de veículos de
comunicação. O que Ciro Gomes faz, em entrevista divulgada no domingo (13/10),
porém, é partir para agressões verbais sem fundamento e para acusações sem
provas. Passa, assim, a atacar a liberdade de imprensa e a prática do
jornalismo”.
Inaugurada em 10/10, a Rádio Nova Brasil, de Maceió, passa a fazer parte da Rede Tambaú de Comunicação, responsável por TV Tambaú/SBT (Paraíba), Jovem Pan de João Pessoa e o Portal T5, afiliado do NE10/UOL.
Operando de forma experimental desde 1º/10, a rádio inclui
em sua grande o programa Nova Manhã,
noticioso que vai ao dar das 6h às 8h, apresentado por Thaíse Cavalcante
e Juliana dos Anjos, além do melhor da MPB, foco da Nova Brasil. Gilka
Mafra apresenta o quadro Minuto da Gilka, abordando assuntos de
comportamento, com várias edições ao longo da programação.
Carla
Ponte, diretora do Grupo Marquise, que investiu aproximadamente
R$ 2 milhões na rádio. diz estar muito feliz em ver o projeto sair do papel: “Temos
certeza de que a programação será bem recebida. Investimos em conteúdo de
qualidade com vozes já muito conhecidas e reconhecidas pelos alagoanos, além de
um repertório musical que resgata o valor da nossa música popular brasileira. É
uma honra para nós poder oferecer isso para o mercado”.
A mesa Manifestações Políticas no Futebol, realizada em 11/10 na 41ª Semana de Jornalismo da PUC-SP, reuniu comentaristas esportivos e membros de torcidas num grande debate sobre a relação entre política e futebol, que, segundo os participantes, não são dissociáveis.
O evento, mediado por José Paulo Florenzano, antropólogo e professor da PUC-SP, teve participação de Ubiratan Leal (ESPN), Breiller Pires (ESPN), Mônica Toledo (Toda Poderosa Corinthiana) e Fernando Rosseto (Palmeiras Antifascista).
Os participantes refletiram sobre as diversas vezes em que
o mundo da política foi inserido no mundo futebolístico ao longo da história.
Ubiratan Leal citou o exemplo do ex-presidente Lula, comparando-o com o atual
presidente, Jair Bolsonaro: “Ele usou o futebol como plataforma para se
promover. Incluía o futebol no discurso como forma de se aproximar do povo. Mas
Bolsonaro também usa esse artifício, ao vestir camisas de diferentes times de
futebol do Brasil para passar a impressão de homem simples, do povo. Além
disso, frequenta vários jogos para obter mais apoiadores”.
Breiller refletiu sobre o quão único é o uso do futebol
como plataforma política de Bolsonaro: “Há algo diferente nesse movimento
populista de extrema-direita de Bolsonaro. Nunca vi um político apropriar-se dessa
maneira do espetáculo e contar com tanta subserviência de clubes e federações.
Por exemplo, no intervalo do jogo entre Brasil e Argentina, na Copa América,
ele entrou em campo como se fosse um popstar. Obviamente, o presidente
da República merece deferência, mas não é papel de nenhuma autoridade estar
dentro do campo de nenhuma partida e acenar para o povo”.
O comentarista também abordou a elitização dos estádios na
discussão: “Hoje, os estádios representam a elite. A elitização do futebol
proporcionou isso. Na verdade, foi a elite que ovacionou Bolsonaro naquele jogo,
não representava toda a sociedade”.
Ubiratan afirmou que os atletas são como “um espelho, vistos como exemplo. As opiniões deles nem sempre são as mais embasadas, mas são relevantes e mais ‘populares’, no sentido de chegarem a mais gente”. Ele citou o exemplo da final da NFL, o Superbowl, maior evento esportivo do mundo: “O Superbowl é o evento esportivo cujo minuto para comercial na TV é o mais caro no mundo. Imagine aproximadamente 50% de todas as TVs americanas ligadas no Superbowl, a quantidade de dinheiro é absurda. Colin Kaepernick, atleta do 49ers, que disputou a final de 2013, permaneceu sentado durante a execução do hino dos Estados Unidos em protesto à forma como as autoridades policiais americanas tratam os negros. Imaginem a quantidade de gente que viu essa cena, que acompanha o esporte e vê o atleta como exemplo; elas pensarão: ‘se ele fez, eu também posso fazer’. Essa mensagem passou um grande recado”.
Ainda sobre o assunto, Breiller lembrou o posicionamento político de Felipe Melo, jogador do Palmeiras: “Felipe Melo é uma figura controversa. Achei um avanço o fato de um jogador de alto nível posicionar-se abertamente. Foi corajoso, pois, a partir do momento em que ele se posiciona, torna-se vidraça para muita gente que passa a atacá-lo pelo que ele representa fora do campo. Mas é importante lembrar que ter opiniões políticas divergentes às dele não pode ocasionar a contaminação da crítica ao trabalho de Felipe Melo como jogador”.
Ele referiu-se ainda às origens dos jogadores: “É preciso ver como é a formação desses atores das manifestações políticas no futebol. Têm uma rotina de violência, de cerceamento. Eles vêm de regiões afastadas, passam a infância longe da família, longe da escola, em meio masculinizado. Aos 14 anos já são considerados profissionais, mercadorias pelo clubes, que tratam os jogadores como gado. Eles treinam, descansam, alimentam-se e dormem. Não são estimulados a nada, a terem formação acadêmica ou formação política, a se expressarem, e quando tentam fazer algo fora dessa casta são impedidos por empresários e dirigentes do clube. O foco é o futebol. Então, como nós, da imprensa, vamos cobrar deles um posicionamento político que, às vezes, eles nem têm?”
“Porém a figura de Felipe Melo mostra que não só a elite ou pessoas de direita votaram em Bolsonaro, mas também das periferias, de contextos de vida semelhantes aos de Felipe Melo, que é de origem pobre”, prosseguiu Breller. “E aqui faço uma crítica à mídia esportiva em geral: perdemos essa oportunidade de problematizar, de entender as razões que levam uma figura como ele a se posicionar ao lado do Bolsonaro, mesmo tendo uma origem social humilde que, em tese, indicaria um outro tipo de posicionamento”, disse.
O comentarista da ESPN também discorreu sobre como grandes
clubes, muitas vezes, tomam atitudes que contrariam suas histórias: “Os dirigentes
do Palmeiras, que fazem parte de uma parte elitizada da sociedade, não conhecem
a história do clube que dirigem. Se conhecessem, nunca deixariam um candidato
como Bolsonaro, com suas falas xenofóbicas, contra imigrantes, entrar no
estádio, utilizar um título como palanque político e levantar a taça do clube.
O Palmeiras, que tem origens italianas e que foi vítima de uma campanha
difamatória que associava sua imagem ao fascismo justamente por conta desta
origem. Outro exemplo é o Corinthians, que também tem suas contradições. É um
clube popular, de massa, mas a diretoria hoje não age conforme a história do
clube, pois entrou em contato com candidatos de extrema direita, como Major
Olímpio, que recebeu medalha do clube e que faz campanhas contra torcidas
organizadas, contrariando a Gaviões da Fiel, que é, talvez, o maior movimento
político de torcidas do Brasil.
Para finalizar, Breiller afirmou que os clubes precisam
entender “suas dimensões políticas. Muitas vezes eles se permitem apequenar por
quererem entrar nesse jogo político, buscar benefícios ao se aliarem ao poder,
é preciso ter visão crítica sobre esse fenômeno”.
A comissão organizadora da 41ª edição do Prêmio Vladimir Herzog de Anistia e Diretos Humanos anunciou, na sexta-feira (11/10), a lista dos vencedores nas categorias Arte, Fotografia, Produção jornalística em texto, Produção jornalística em vídeo, Produção jornalística em áudio e Produção jornalística em multimídia.
A premiação será em 24/10, no Tucarena, em São Paulo (TUCA – Perdizes), das 14h às 18h. Haverá também uma roda de conversa com os vencedores sobre o caminho percorrido para a execução de suas matérias.
Confira os vencedores e menções honrosas
Arte
Vencedor: Tira – Nathallia
Santos Fonseca, Eduardo Nascimento, Roberta Veras (Portal Leia Já – Recife)
Menção honrosa: Edição
Ilustrada de 70 Anos da Declaração Universal dos Direitos Humanos – Celso
Hartkopf Lopes Filho, João Lin, Laura Pascoal, Marília Feldhues, Mascaro,
Maurício Nunes, Mello, Priscila Lins, Raoni Assis, Raul Luna, Raul Souza,
Rodrigo Gafa, Roger Vieira, Simone Mendes, Thales Molina, Wictor Outro, Bia
Melo, Biarritzzz, Catarina Dee Jah, Celso Filho, Clara Moreira, Clara Nogueira,
Clara Simas, Eduardo Nóbrega, Felipe Vaz, Guilherme Moraes, Hana Luzia, Ianah,
Isabela Stampanoni, Isabella Alves, Joana Liberal, Janio Santos, Hermano Ramos,
André Valença, Arthur Braga, Raul Souza (Revista Continente – Recife)
Fotografia
Vencedor: Exército detém dez
militares ligados a assassinato de músico no Rio – Fabio
Alarico Teixeira (El País – Rio de Janeiro)
Menção honrosa: Direito a Moradia – Fabiane de Paula Souza (Diário do Nordeste – Fortaleza)
Áudio
Vencedor:LGBTfobia:
Medo de quê?– Gabriela Viana dos Santos
Dayube, Lucas Soares, Claudio Antonio, Caroline Tamassia, Luiz Nascimento (Rádio
CBN – São Paulo)
Menção honrosa: Chico Mendes, a voz que não cala – Sarah Oliveira Fernandes (Brasil de Fato – Santo André/SP)
Multimídia
Vencedor: Sem direitos: o rosto
da exclusão social no Brasil – Adriana Barsotti Vieira (Projeto
Colabora – Rio de Janeiro)
Menção honrosa: Segunda
chance – Maryna Moraes, PH Correia, Leonardo Vasconcelos,
Felipe Ribeiro, Guilherme Castro, Eduardo Mafra, Danilo Souto Maior (JC
Online – Recife)
Texto
Vencedor: Matança da PM em
Milagres e a invenção da resistência – Antônio Melquíades
Júnior, Messias Vasconcelos Borges, Emerson Rodrigues da Silva, Kílvia Muniz
Silveira, Creuza Amorim Pitombeira, Thiago Gadelha, João Lucas Rosa, Abrahan
Lincoln de Souza, Raimundo César Benevides (Diário do Nordeste – Fortaleza)
Menção honrosa: O meio
ambiente como estorvo – Bernardo Esteves Gonçalves da Costa (Piauí
– Rio de Janeiro)
Vídeo
Vencedor: 70 anos da Declaração
Universal dos Direitos Humanos – conquistas e fracassos – Betina
Anton, Renata Ribeiro, Rodrigo Alvarez, Ilze Scamparini, Carlos Gil, Tiago
Eltz, Rômulo Nunes, Adejair Graciano, Cláudio Perricelli, Gabriel Larangeira,
Diogo Dubiella, Marcos Aidar, Kunihiro Otsuka, Fabio Sermonti, Mario Câmera,
Felippe Coaglio, Franklin Feitosa, Maurizio della Constanza, Chris Kosta,
Jeferson Ferreira (TV Globo – São Paulo)
Menção honrosa: O
Paciente Invisível– Aline Beckstein, Bianca
Vasconcellos, Thaís Rosa, Paula Abritta, Eduardo Viné Boldt, William Sales,
Jefferson Pastori, João Marcos Barboza, Maikon Matuyama, Rodger Kenzo, Adriana
Vanin, Lucas Souza Pinto, Caio Araújo, Ivan Meira, João Batista Lima, Wladimir
Ortega (TV Brasil – São Paulo)
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas Profissionais do DF (SJPDF) repudiaram os ataques do presidente Jair Bolsonaro à imprensa, ao ser questionado sobre as denúncias de tortura em presídios no Pará. A imprensa, segundo o presidente, é “fétida”.
O caso ocorreu em frente ao Palácio da Alvorada, em
Brasília, depois de uma pergunta feita por um repórter sobre a ação Ministério
Público Federal do Pará, que pede a investigação de possíveis práticas de
tortura na região.
“Meu Deus, eu não sou pastor, não” declarou Bolsonaro. “Meu Deus, salve, lave a cabeça dessa imprensa fétida que nós temos. Lave a cabeça deles. Que bote coisas boas dentro da cabeça. Que possam perguntar e ajudar a publicar matérias para salvar o nosso Brasil. Eles não viam problemas nos governos anteriores”.
Em nota, a Fenaj e o SJPDF repudiam a fala de Bolsonaro: “Nós,
jornalistas, enfrentamos um brutal e sistemático ataque do próprio governo
federal que vem no sentido de nos calar, a partir do crescente discurso de
desconfiança e deslegitimação, que resulta em ataques verbais e físicos,
perseguição e até mesmo assassinato de trabalhadoras e trabalhadores da nossa
categoria”.
O grupo editorial Companhia das Letras, que publica muitas obras de jornalistas, adquiriu o controle total da editora Zahar, por valores não revelados. A Penguin Random House detém 70% do grupo.
Luiz Schwarcz, CEO e fundador da Companhia das Letras, considera Jorge Zahar um dos mentores no seu processo de formação como editor e publisher. Durante cerca de 30 anos, a Zahar distribuiu os livros da Companhia das Letras no Rio, enquanto a editora paulista distribuía os livros da Zahar nas livrarias de São Paulo. Por muito tempo, as duas editoras também dividiram o mesmo estande nas bienais internacionais do livro. As duas casas têm catálogos de grande aceitação, e que se complementam.
A editora carioca, que era dirigida por Ana Cristina Zahar, filha de Jorge, Mariana Zahar, neta e vice-presidente do SNEL – Sindicato Nacional dos Editores de Livros, e Ana Paula Rocha, diretora de Operações, continuará com sede no Rio, mantendo apenas Ana Cristina como consultora editorial. O processo de integração terá início ainda em outubro, conduzido por um comitê que contará com membros dos dois grupos.
* Por Cristina Vaz de Carvalho, editora de Jornalistas&Cia no Rio de Janeiro
“Cada vez mais, a fonte primária de notícias passa da TV para a internet. As pessoas procuram identificação com quem confiam. Por isso, é importante imprimir a marca Record como fonte confiável de notícias.”
Marco Nascimento assumiu, no final de setembro, a Direção de Jornalismo da Record TV Rio. Paulista de Ourinhos, 58 anos, tem mestrado em Comunicação e Semiótica pela PUC-SP. Voltou recentemente à Record, emissora em que esteve por quatro anos, até 2014. Nascimento substitui a André Ramos, contratado pela CNN Brasil para o escritório de Brasília da nova emissora.
Nascimento conversou com Jornalistas&Cia sobre o cenário favorável que encontrou e o alinhamento, com a sede em São Paulo, de seus planos para o futuro do jornalismo no Rio.
Jornalistas&Cia – Conte um pouco de sua
experiência no jornalismo.
Marco Nascimento – Comecei na imprensa
escrita, em Veja, IstoÉ, e no Estadão fui repórter e editor de Geral. Em 1990,
comecei na TV Cultura, passei oito anos e fui chefe de Redação na fase em que
ela teve maior visibilidade. Foi uma grande vitrine, e depois não deixei mais a
televisão.
(NdaR.:
Seguiu carreira na Rede Globo, como diretor da Globo Minas, em Belo Horizonte,
e chefe de Redação em São Paulo. Dirigiu o Jornalismo da TV Gazeta de Alagoas,
em Maceió, e depois a TV Gazeta de São Paulo. Esteve na Record, como editor
executivo, e no SBT, como chefe de Redação.)
J&Cia – Está morando definitivamente no Rio?
Marco – Sim, depois de 40 anos em São Paulo, com
passagens por Belo Horizonte e Maceió. Aguardo o fim do ano letivo para trazer
a família. Sequer tive tempo de sair da TV para ver onde vamos morar, ou escola
para as crianças. Provavelmente, será mais perto da TV, para não enfrentar os
engarrafamentos. Outro dia levei duas horas para chegar ao aeroporto.
J&Cia – Trouxe alguém para a sua equipe ou pretende
trabalhar com quem já está aqui?
Marco – Em princípio, não. Encontrei uma equipe
excepcionalmente profissionalizada, não só no Jornalismo, mas também os
talentos do vídeo. Nas minhas passagens por emissoras, aprendi a reconhecer os
talentos, a aproveitá-los e a trabalhar com as equipes. Estou muito animado e
bem impressionado com a equipe que encontrei.
J&Cia – O que conhece do Rio?
Marco – São Paulo é a cabeça de rede e, assim,
conheço o Rio pela televisão. Como chefe de Redação em São Paulo, vinha muito
ao Rio. No tempo da Globo Minas, fazia plantões no Rio. Conheci quase como
profissional. O Rio de Janeiro é uma praça única. Tem suas peculiaridades, uma
forma muito diferente de ver, e com isso temos que trabalhar. Não dá para impor
formatos e linguagens de outros lugares. Tenho que fazer a lição de casa,
estudar mesmo os principais destaques e as características da cidade e do Estado.
Compromisso com a inovação
J&Cia – O portal R7 também está sob seu comando?
Marco – O R7 tem a gestão feita por São Paulo, e
aqui tem um braço, a equipe do R7, reunindo conteúdos de TV dentro de um feed. Temos muitos projetos para ampliar
a participação da Record Rio na internet.
J&Cia – Quais são esses projetos?
Marco – Hoje, o compromisso da Rede Record é com a
inovação. Até por minha passagem pela Academia, sei que o que a internet trouxe
foi aceleração. Funcionou como um grande acelerador: a notícia está em várias
plataformas. Mas 50% de nossos espectadores sequer têm acesso à internet. Foi o
resultado de uma pesquisa anual do Instituto Reuters, de 2016, com uma amostragem muito grande, de 12 mil entrevistas em
vários países. De coincidência, o estudo concluiu que, cada vez mais, a fonte
primária de notícias passa da TV para a internet, que apareceu com 52% da
preferência. E a tendência desse número é aumentar.
A Secretaria de Comunicação do Governo
Federal (Secom), num estudo brasileiro, identificou nacionalmente 50% de
telespectadores. Há versões dos anos seguintes, mas o fato é que as pessoas
acessam a internet, as redes sociais, e procuram identificação com quem
confiam. Por isso, é importante imprimir a marca Record como fonte confiável de
notícias.
O jornalismo vai determinar o que é verdade e
o que não é. Falam no fim do jornalismo. Ao contrário, jornalismo será uma
ferramenta vital. O desafio é encontrar formas criativas de apresentá-lo. Esse
novo mundo é tátil, volátil, instantâneo, e a TV não lhe pode virar as costas.
Aumento da audiência passa por novas formas de se comunicar
J&Cia – O jornalismo da Record Rio passa por um momento
de crescimento da audiência?
Marco – Audiência é uma questão vital e
importante. Mas o desafio é a ampliação da audiência, e como isso se dará.
Tem-se que estabelecer conexões com esse público da internet. Vamos explorar,
inovar, experimentar. Entendo o compromisso com a inovação do vice-presidente
Guerreiro (NdaR.: Antônio Guerreiro, vice-presidente de Jornalismo da Rede Record)
– não posso falar por ele! – com o Play Plus, canal de streaming, on demand, da Record. O fato de hoje se estar em várias
plataformas, todas as televisões estão empenhadas, e a Record não é diferente.
Em termos de audiência, não é só crescer ou manter; é também isso. Mas o
desafio mais importante são as novas formas de se comunicar com os
telespectadores.
J&Cia – Como vê o jornalismo da Record Rio hoje, o que é
feito e como é feito?
Marco – Entra e sai tecnologia, e o jornalismo
continua intacto em seus compromissos. O mais importante para a Record é o
compromisso do jornalismo com a qualidade, a confiabilidade e a independência,
seu principal atributo.
J&Cia – Vê muitas diferenças entre o jornalismo no Rio e
em São Paulo?
Marco – Diria que são realidades muito diferentes
e, portanto, assuntos e cenários de cobertura diferentes. Aqui no Rio,
especialmente a segurança pública, é bastante diferente de São Paulo. Não dá
para ignorar, a questão faz parte do dia a dia. No Rio de Janeiro, além do
cenário econômico e político, cobrir bem as ocorrências policiais é uma
obrigação.
J&Cia – Essa opção da Record, de um jornalismo com
ênfase no noticiário policial, tem sido uma boa escolha?
Marco – O Rio de Janeiro não é só isso, ao
contrário. São Paulo tem vários programas policiais, em várias emissoras. Hoje
o jornalismo da Record tem quadros muito interessantes, com ênfase para contar
o que acontece nos bairros e nas comunidades do Rio. A ideia é ampliar essa
cobertura. Eu, como paulista, tenho especial interesse em descobrir as coisas
bonitas do Rio de Janeiro e mostrar isso para os telespectadores cariocas e
turistas.
Novas atrações
J&Cia – A Record
Rio inaugurou um novo estúdio para o programa RJ no
ar. Existem planos de utilizar o glass studio em
outras atrações do jornalismo?
Marco – O RJ no ar
estava num cenário improvisado. Os recursos hoje disponíveis na Record Rio são
admiráveis. Para fazer jornalismo local, dispomos de ferramentas que poucas
emissoras têm. Temos que saber aproveitar bem. Por exemplo, pretendemos ampliar
os repórteres com equipamentos mais compactos, para chegar mais rapidamente aos
locais.
J&Cia – No último fim de semana, a emissora realizou um
evento em Campo Grande, Zona Oeste do Rio, para gravação do Balanço geral – Edição de sábado,
com estrelas do jornalismo da Record e a participação do público. A interação
com o público que se vê no jornalismo da Record Rio também existe em outras
praças?
Marco – É uma interação a ser incentivada, tem
dado bom resultado. É um projeto institucional da emissora, uma forma de
valorizar a cobertura local, levar a marca da TV Record para esses lugares.
Essa ideia terá continuidade e será ampliada.
A Associação Brasileira das Empresas Aéreas divulga os finalistas da sétima edição do Prêmio Abear de Jornalismo. Foram selecionadas 30 reportagens nas categorias Cargas, Competitividade, Experiência de Voo, Imprensa Setorizada, Inovação e Sustentabilidade, além do Prêmio Especial Asas do Bem e Responsabilidade Social.
O prêmio busca incentivar e valorizar produções
jornalísticas sobre aviação comercial brasileira. Os vencedores serão
anunciados em 18/10, inclusive o do Prêmio
Especial Regional, que reconhece o melhor material produzido fora das
cidades de São Paulo, Rio de Janeiro e Brasília.
A cerimônia de entrega será em 6/11, em Brasília, em que será anunciado o vencedor do Grande Prêmio, escolhido dentre os vencedores de cada categoria, à exceção dos finalistas do Prêmio Especial Asas do Beme Responsabilidade Social.
Confira os finalistas:
Cargas
A
morte pede carona – Guilherme Eler (Revista Superinteressante
– São Paulo)