O Facebook anunciou um fundo de US$ 2 milhões para apoiar veículos jornalísticos latino-americanos durante a pandemia do novo coronavírus. A iniciativa faz parte do Projeto Facebook para Jornalismo (FJP), em parceria com a ONG Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ, em inglês).
O programa visa a ajudar as empresas de notícias com
mentoria e treinamento para ajudá-las em suas transformações digitais, além de
fornecer apoio ao trabalho que seguem fazendo para cobrir a doença. A mentoria
e o treinamento no programa serão liderados por Tim Griggs, ex-executivo
do New York Times.
No site do Projeto
Facebook para Jornalismo, a empresa escreveu que o fundo pode ajudar os
veículos de diversas maneiras, como a “lançar newsletters, remover paywalls
de acesso exclusivo para assinantes, contratar jornalistas freelance,
fortalecer o jornalismo de dados, criar eventos online, financiar necessidades
relacionadas a tecnologia da informação, integrar serviços e infraestrutura de softwares, apoiar métodos de
distribuição digital e adquirir equipamentos de proteção para manter
jornalistas seguros durante suas coberturas, assim como garantir a continuação
do trabalho”.
O setor dos impressos foi muito afetado pelo coronavírus. Ao longo dessas semanas de quarentena, foi possível ver renomados títulos como a revista Caras, o jornal Lance e algumas revistas da Editora Globo suspenderem suas versões impressas por causa do contexto pandêmico atual.
Levando em conta os impactos que o coronavírus trouxe ao impresso, Daniel Batista, repórter da editoria de Esportes do Estadão, e Robson Morelli, editor de Esportes, conversaram com J&Cia sobre o cotidiano do jornal.
Robson Morelli
Entre as principais mudanças que o Estadão realizou na sua redação, destaca-se o fato de que todos os profissionais estão trabalhando remotamente, sem exceção. Robson contou que isso altera drasticamente o dia a dia dos jornalistas: “Nós agora estamos nos contatando via ferramentas de meeting, videoconferências, e o processo fica mais lento, mas funciona. Alguns especialistas dizem que talvez essa situação possa vir a se tornar um legado, pois as pessoas se deram conta de que é possível trabalhar remotamente sem perder a qualidade do que é feito”. O editor destacou o papel do setor de Recursos Humanos do Estadão nesta transição para o home office: “Eles nos forneceram todo o material de segurança necessário, desde máscaras, luvas e até trajes de proteção, e também foram muito atenciosos em relação ao fornecimento de notebooks próprios do jornal para trabalhar, com a possibilidade de levar o próprio desktop para casa, como foi o meu caso”.
Daniel Batista
No que se refere ao conteúdo produzido neste período em que as competições estão suspensas, Daniel comentou que é impossível separar assuntos esportivos do contexto atual: “Num primeiro momento, todas as notícias eram relacionadas ao coronavírus, jogadores que foram infectados, competições suspensas, entre outros. Depois, passamos a focar nos impactos da doença nos esportes, ou seja, se as competições voltariam ainda este ano, como isso afetou a preparação dos atletas, os impactos econômicos para os clubes e entidades. Agora, estamos em uma ‘terceira fase’: os esportes vão voltar, mas quando e como? Em quais circunstâncias? Com a presença de torcedores e da imprensa? Como priorizar a saúde dos atletas em esportes de contato físico, como é o futebol? Qual é a opinião de especialistas? Estamos produzindo matérias especiais nesse sentido, com entrevistas de médicos, representantes de clubes, jogadores, para saber se de fato estamos prontos para retornar com os esportes de forma segura e priorizando a saúde de todos”. O repórter contou que a editoria de Esportes utiliza também as matérias da Agência Estado, que produz conteúdo para diversos clientes, sendo um deles o Estadão. “Essas matérias nos fornecem um volume considerável de conteúdo esportivo”, declarou.
Robson disse que o conteúdo se resume basicamente a “muitas entrevistas, especiais, análises sobre o impacto do coronavírus nos esportes, como pensam as entidades como a CBF, os clubes, dívidas, como ficam os programas de sócio-torcedor, contratos trabalhistas, salários, doações, ou seja, tudo o que é pertinente no momento”.
No impresso, o espaço de Esportes está sendo de apenas uma página. Anteriormente, era de até três páginas aos fins de semana e às segundas e quintas-feiras. É inevitável uma queda na audiência do setor de Esportes, algo que ocorreu na imprensa esportiva de todos os veículos noticiosos do País. Robson comentou que, em termos de cliques e visualizações, os índices de Esportes estão em cerca de 30 a 40% dos valores habituais, algo que configura uma situação muito ruim, segundo o editor. A média de assinaturas digitais está sendo mantida, algo em torno de 100.
Daniel comentou que “o Esporte teve queda de audiência, mas isso era esperado, e aos poucos vamos retomando a audiência. A impressão que passa, analisando números da mídia global, é que as pessoas estão começando a se cansar de notícias do coronavírus, esse bombardeio de informações, números, a todo o momento há algo novo sobre isso, não é à toa que, ao mesmo tempo em que a editoria de Esportes do Estadão caiu de audiência, outras áreas como Política, Economia e Saúde cresceram exponencialmente. Então, as pessoas estão querendo ver coisas sobre outros assuntos, um descanso de todo esse acúmulo de informações sobre o coronavírus”.
Sobre essa questão, Robson comentou que o trabalho deles “entra justamente aí, para fornecer conteúdo sobre esportes para as pessoas que estão sobrecarregadas, uma espécie de diversão, relaxamento para os amantes de esportes, fornecendo conteúdo que julgamos relevante atualmente”.
Em relação a cortes e redução de salários, Robson declarou que, até onde ele sabe, “não houve nenhuma demissão na equipe inteira do Estadão”. Em relação a reduções salariais, o jornal assinou um corte de 25% do salário, conforme determinado pela MP 936, o que “não era nenhuma surpresa para ninguém”, segundo o editor.
Outra mudança radical que ocorreu no Estadão foi o processo de deslocamento de profissionais de outras editorias para o Núcleo Corona, criado especificamente para a cobertura da doença. Uma grande parte da equipe de Esportes foi transferida, e atualmente, toda a produção esportiva passa pelos únicos quatro profissionais restantes na editoria: o próprio Daniel Batista, os repórteres Andreaza Galdeano e Ciro Campos e o estagiário Raul Vitor. Robson agora está auxiliando tanto a editoria de Esportes quanto o Núcleo Corona, dividindo suas atividades profissionais em duas áreas diferentes, porém correlatas.
“Não vou negar, essa situação está sendo muito desafiadora. Eu trabalho há cerca de 17 anos, e este com certeza é um dos maiores desafios da minha carreira”, declarou Daniel. “É difícil falar sobre esportes num período em que as competições estão suspensas, ou seja, quase nada acontece, e quando algo porventura ocorre, o fato está relacionado ao coronavírus”.
Nesse sentido, Robson destacou a versatilidade da equipe de esportes: “Os profissionais são versáteis, somos muito requisitados por outras editorias, acho que o próprio tema de esportes contribui muito para o fortalecimento dessa versatilidade”.
Johnny Saad, presidente do Grupo Bandeirantes, vetou o corte de 25% no salário de trabalhadores que ganham até R$ 10 mil prestando serviços como pessoa jurídica (PJ). O grupo inclui repórteres, apresentadores, produtores e editores. Profissionais cujo salário é maior a esse valor, sofrerão o corte de 25%. A redução havia sido anunciada na semana passada, mas agora foi barrada pelo presidente.
Segundo o colunista Flávio Ricco, do UOL, Saad considerou
que não seria justo tomar tal medida com os profissionais que estão colocando a
própria vida em risco, além da de seus familiares, em nome da emissora, para
apurar notícias sobre o coronavírus.
Com dívidas e faturamento com patrocínios em queda, os
impactos econômicos gerados pela pandemia agravaram ainda mais a crise na Band e
fizeram o setor financeiro decretar os cortes de salários, conforme previsto na
MP 936. Jonny Saad, porém, vetou e decidiu atrasar o pagamento de parcelas das
dívidas da emissora.
A ESPN Brasil estreia neste sábado (2/5), às 22h, o formato “feito de casa” do programa de entrevistas Bola da Vez, com todos os participantes trabalhando remotamente. Com conteúdo inédito e ao vivo, o primeiro convidado deste novo formato será o técnico uruguaio Diego Aguirre, que já dirigiu o São Paulo e o Internacional. A informação é de Flávio Ricco (UOL).
Segundo a coluna, o canal foi um dos primeiros a produzir
conteúdo ao vivo com toda a equipe trabalhando de casa, modelo já adotado em
outros programas como SportsCenter, Linha de Passe, BB Debate,
Futebol na Veia, Futebol no Mundo e ESPN League. Vale
destacar que não só os profissionais que aparecem na frente das câmeras estão
de casa, mas a equipe de produção e técnica também.
Em meio à crise econômica gerada pelo novo coronavírus, bem como a aprovação da MP 936, que permite entre outros fatores a redução de salários e de jornadas de trabalho, veículos de comunicação de todo o País estão fazendo cortes e acordos com seus trabalhadores. O Portal dos Jornalistas fez um balanço parcial das medidas que algumas grandes empresas têm tomado. Confira:
O Estado de S.Paulo
Em assembleia online realizada no domingo à noite (26/4) por convocação do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), jornalistas de O Estado de S. Paulo aprovaram, em decisão unânime, o acordo referente às mudanças e reduções no salário e jornada de trabalho.
Segundo Paulo Zocchi, presidente do da entidade, foi
aprovado o aumento da indenização financeira em caso de demissão: a MP 936 propõe
multa de 50% do salário, mas o Estadão aceitou 55% do salário mais o proporcional
de férias, 13º e FGTS, o que dará um total de aproximadamente 70% do salário.
Por questões práticas, devido às complicações causadas pelo coronavírus, o jornal aprovou também que a garantia de estabilidade de emprego – válida por um ano – passe a vigorar a partir de 1º/5 para que todos possam assinar o documento. Mas esse tópico foi assinado na segunda-feira (27/4) e já está valendo.
Em relação ao auxílio alimentação de R$ 150 por mês aos profissionais em home office, ocorreram algumas mudanças: antes da redução de salário e jornada de trabalho, esse aporte vale para os profissionais que recebem até R$ 7,2 mil. Depois da redução, o auxílio será para quem recebe até R$ 5,4 mil.
Os outros tópicos que foram acertados são: redução de 25% do salário, a partir do dia 2/5, por 90 dias; contrato coletivo: a empresa impôs controle de jornada às pessoas em home office, com redução de jornada e vedação de horas extras, que serão compensadas dentro do mesmo mês; plano de saúde garantido até 31/12, mesmo em caso de demissão; e reembolso dos gastos dos profissionais em home office.
Paulo Zocchi informou que, até a publicação desta nota, o Sindicato não havia recebido solicitação de negociações com Rede Globo, Record TV, SBT, Band, Folha de S.Paulo e UOL.
Editora Globo
No Grupo Globo, o corte será de 25% nos jornais O Globo, Extra, Expresso e Valor Econômico, e nas revistas Época, Quem, Glamour, Marie Claire, Vogue e Crescer, entre outras. A redução terá validade de três meses e os profissionais que aderirem ao acordo terão estabilidade de emprego até outubro. As férias de maio foram canceladas e haverá controle rigoroso de folgas. A informação é de Leo Dias (UOL).
Em nota divulgada nessa segunda-feira (27/4), jornalistas que atuam nas sedes da editora em Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, informaram concordar com a proposta. A decisão foi confirmada após três assembleias gerais virtuais, mas apesar do acordo, os profissionais repudiaram a maneira como as negociações foram conduzidas pela direção do grupo.
RedeTV
No caso da RedeTV, segundo o colunista Flávio Ricco (UOL), todos os celetistas terão o mesmo corte de 25% em seus salários por três meses. Já os contratados como pessoas jurídicas – grande parte dos apresentadores de programas e telejornais – sofrerão uma redução de 33%, também pelo período de três meses. A medida será aplicada também aos profissionais que recebem valor igual ou superior a R$ 20 mil. Além disso, a suspensão de alguns contratos está sendo analisada.
Editora Abril
De acordo com Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), a Abril acordou uma redução de 25% no salário de 40 jornalistas, algo em torno de 20% da mão de obra da empresa, integrantes das redações de Casa Cor, Estúdio Abril, Capricho, Guia do Estudante, Viagem e Turismo, Vejinha e Claudia. A revista Veja não foi atingida. Segundo Zocchi, não houve acordo coletivo, foram impostos acordos individuais, cujas regras seguem a MP.
Grupo RBS
A empresa anunciou em 24/4 uma série de medidas para diminuir os impactos da crise econômica. Segundo o site Coletiva.net, foram demitidos 20 profissionais das redações de RBS TV, Rádio Gaúcha, Zero Hora, Pioneiro e GaúchaZH.
Ao Coletiva.net, o grupo declarou que “está adaptando sua operação ao momento atual para estar preparada frente a um cenário ainda incerto. Todas as decisões têm como objetivo principal manter a sustentabilidade do seu propósito no longo prazo”. A RBS informou ainda que cortes nos salários e nas jornadas de trabalho dos profissionais estão sendo feitos de acordo com as demandas de cada área da empresa.
A Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) convidou 12 profissionais para gravarem um vídeo elogiando e homenageando os colegas que seguem trabalhando arduamente e expondo suas vidas em risco para trazer as últimas informações sobre o novo coronavírus.
Em texto publicado no site, a entidade diz que abril foi
especial pois, “além de celebrarmos nosso dia no calendário, é neste mês de
2020 que a profissão vem sendo profundamente afetada por uma doença e por
medidas governamentais que supostamente viriam para proteger o trabalhador”.
O texto também explica que o papel do jornalista é, mais do
que nunca essencial no contexto pandêmico atual: “Jornalistas de todo o País foram
convocados a responder ao chamado de se manterem nas ruas, independentemente de
seus medos, crenças ou relações familiares em jogo. Para exercer esse papel
múltiplo, da apuração da informação, da divulgação de dados, de estatísticas,
mas também de contar histórias, de vida, de superação e de luto. Uma função que
também salva vidas”.
O vídeo contém depoimentos de (na ordem em que aparecem) Leonardo
Sakamoto (UOL), Bruna de Lara (The Intercept Brasil), Luís Nassif
(Jornal GGN), Elaine Barcellos de Araújo (Rede Pampa – RS), Amanda
Audi (The Intercept Brasil), Edilene Lopes (Rádio Itatiaia – MG), Vitor
Costa (Record TV – RS), Nonato Albuquerque (TV Jangadeiro – CE), Kátia
Brasil (Amazônia Real), Wilson Soler (RPC TV – PR), Laercio
Portela (Marco Zero Conteúdo – PE) e Helena Bertho (AzMina), que
valorizam o árduo trabalho dos jornalistas que colocam suas vidas em risco para
trazer informações sobre o vírus. Os profissionais também pedem à população
que, “se possível, fique em casa”.
Pesquisadores de rádio, em parceria com a Editora do Centro de Comunicação, Turismo e Artes (CCTA) da Universidade Federal da Paraíba (UFPB), lançaram o e-bookTodos os Rádios do Brasil. Novas frequências, sintonias e conexões. A obra reúne diversos textos de pesquisadores sobre o rádio no Brasil.
O livro é fruto do III Simpósio Nacional do Rádio de
2018 e foi organizado pelos professores Norma Meireles, Rogério
Costa e João Batista F. Neto. Os textos – produzidos pelos
pesquisadores nacionais e internacionais que participaram do evento – são
divididos em Rádio, convergência e mercado; Rádio e jornalismo; História
do rádio; e Rádio, gênero e juventude.
Ao Portal Imprensa, Norma contou que a ideia era,
inicialmente, apenas para incentivar os alunos do curso de Radialismo da UFPB:
“O simpósio veio a ocupar uma lacuna de um evento específico sobre este meio
que é centenário no Brasil, que já passou por diversas fases, se reinventando,
se transformando sempre. A ideia inicial nasceu de maneira despretensiosa, como
uma forma de incentivar os alunos”.
A Quero Bolsa, plataforma de vagas e bolsas do ensino superior, fez um levantamento sobre as oscilações da carreira de jornalista nos últimos anos, usando dados do Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged). Segundo o estudo, cerca de 224 postos de trabalho foram fechados em 2019 no País e foram contratados 1.554 profissionais, o menor índice de contratações da década, superando 2017, quando tinham sido contratados 1.682 jornalistas.
A pesquisa explica que “considera-se que postos de trabalho
foram fechados se, no período analisado, a diferença entre as contratações e as
demissões for um número negativo”. No caso, em 2019, foram demitidos 1.778
jornalistas contra os 1.554 admitidos, o que caracteriza um saldo negativo de
224 postos fechados.
De 2014 a 2019, foram fechados quase dois mil postos de
trabalho: o número de contratações foi de 9.167 contra 11.127 demissões. Para
efeito de comparação, no início da década, de 2010 a 2014, o número de
admissões foi de 15.111 contra 13.648 cortes, um saldo positivo de 1.463.
Em nota divulgada nessa segunda-feira (27/4), jornalistas que atuam nas sedes da Editora Globo em Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, informaram concordar com a proposta patronal de redução de salários e jornadas em 25%, com base na MP 936. A decisão foi confirmada após três assembleias gerais virtuais, mas apesar do acordo, os profissionais repudiaram a maneira como as negociações foram conduzidas pela direção do grupo.
Confira a nota na íntegra:
Diante da proposta da
Editora Globo de reduzir os salários e jornadas em 25% com base na Medida Provisória
936, os jornalistas da empresa no Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília se
mobilizaram em três assembleias gerais e acabaram por decidir, em reunião
virtual realizada hoje, 27 de abril, aceitar a proposta patronal.
Apesar de a categoria
ter decidido aceitar a proposta da empresa, por maioria dos votos, foi
deliberado em assembleia o repúdio coletivo à maneira como as negociações foram
conduzidas pela Editora Globo. Durante o processo, a empresa enviou termos e
comunicados desencontrados, confundindo os jornalistas a respeito do que estava
sendo colocado em questão e voltando atrás em demandas inicialmente atendidas,
como a de manter a estabilidade no emprego por seis meses.
Além disso, a Editora
Globo se recusou a fazer a retificação das propostas iniciais mesmo após ter
aceitado parte dos pleitos dos jornalistas, levantando dúvidas sobre a
segurança jurídica do processo. Ao mesmo tempo, a empresa pressionou
individualmente os funcionários e fechou de forma abrupta a janela de
negociações coletivas com os sindicatos das três praças.
A Editora Globo
tampouco ofereceu evidências concretas que justificassem o corte de salários da
categoria, se eximindo de enviar aos jornalistas relatório das receitas
demonstrando redução significativa no último mês, comprovando o impacto pelo
isolamento social em função da pandemia do novo coronavírus.
Vale frisar que a
postura adotada pela empresa não condiz com discurso reiterado de valorização
do fazer jornalístico e da função essencial dos jornalistas em momento grave
como o atual.
A crise provocada pelo
novo coronavírus causou graves consequências econômicas e sociais – e os
jornalistas sabem que não são os únicos a sofrerem com a redução salarial. Em
nenhuma das propostas enviadas à empresa, a classe questionou o impacto
salarial em situação de emergência. Cobrou, sim, medidas sobre outros pontos da
discussão, como a estabilidade no emprego, a integralidade do vale-refeição e a
garantia do plano de saúde, tão importantes em um momento como esse.
Não se tratou,
portanto, da defesa de privilégios, mas de direitos básicos a qualquer
trabalhador, ainda mais àqueles que prestam serviço essencial na atual
conjuntura, em que informação de qualidade pode ser a diferença entre a vida e
a morte. Os trabalhadores fizeram isso pela consciência de seu dever como
jornalistas. Fizeram isso em momento em que agressões virtuais e físicas se
tornaram padrão nos tempos de polarização política em que vivemos.
E o que ocorreu?
Durante todo o final de semana recebeu como resposta o silêncio.
Essa situação levou a
maioria dos trabalhadores a optarem pela assinatura, embora insatisfeitos com
seus termos. Os jornalistas da Editora Globo foram ludibriados para que, ao
final, se vissem frente a uma escolha impossível: ou a assinatura de um acordo
que em muito perde em relação ao de outras empresas de mesmo porte e em
situação financeira mais complicada; ou correr o perigo de demissão iminente de
colegas.
Mais uma vez, os
trabalhadores pagarão a conta para cobrir um prejuízo causado não apenas pelas
mudanças do modelo de negócios pelo qual toda a imprensa passa, mas também por
anos de erros de gestão, desperdício e escolhas questionáveis.
Mais uma vez, os
trabalhadores pagarão a conta de um prejuízo que, em meio a uma pandemia, não
foi considerado aceitável pelos donos da empresa, que, infelizmente, resolveram
manter o equilíbrio contábil à custa dos seus funcionários.
Mas valeu a luta
coletiva dos jornalistas do Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília. Ficou a
lição: unidos somos mais fortes!
A Justiça Federal concedeu ao Estadão o direito de obter os resultados dos testes de Covid-19 feitos pelo presidente Jair Bolsonaro. A decisão, expedida nessa segunda-feira (27/4) pela juíza Ana Lúcia Petri Betto, da Justiça Federal de Brasília, obriga a União a fornecer os laudos de todos os exames realizados em até 48 horas. Bolsonaro já havia comunicado que todos os exames haviam dado negativo, mas sempre se recusou a divulgar os resultados.
Mesmo antes de receber a notificação, a Advocacia Geral da União enviou à Justiça Federal manifestação em que se opunha à divulgação do resultado. Segundo a AGU, o pedido deve ser negado sob a alegação de que “a intimidade e a privacidade são direitos individuais”. Já o Planalto preferiu não se manifestar a respeito.
O jornal justificou o pedido afirmando que a postura do Palácio do Planalto e do presidente em negar essa informação à população aponta “cerceamento à população do acesso à informação de interesse público”, que culmina na “censura à plena liberdade de informação jornalística”.