Confira as últimas informações sobre os cortes de salários nos veículos de comunicação

Em meio à crise econômica gerada pelo novo coronavírus, bem como a aprovação da MP 936, que permite entre outros fatores a redução de salários e de jornadas de trabalho, veículos de comunicação de todo o País estão fazendo cortes e acordos com seus trabalhadores. O Portal dos Jornalistas fez um balanço parcial das medidas que algumas grandes empresas têm tomado. Confira:

O Estado de S.Paulo

Em assembleia online realizada no domingo à noite (26/4) por convocação do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), jornalistas de O Estado de S. Paulo aprovaram, em decisão unânime, o acordo referente às mudanças e reduções no salário e jornada de trabalho. 

Segundo Paulo Zocchi, presidente do da entidade, foi aprovado o aumento da indenização financeira em caso de demissão: a MP 936 propõe multa de 50% do salário, mas o Estadão aceitou 55% do salário mais o proporcional de férias, 13º e FGTS, o que dará um total de aproximadamente 70% do salário.

Por questões práticas, devido às complicações causadas pelo coronavírus, o jornal aprovou também que a garantia de estabilidade de emprego – válida por um ano – passe a vigorar a partir de 1º/5 para que todos possam assinar o documento. Mas esse tópico foi assinado na segunda-feira (27/4) e já está valendo.

Em relação ao auxílio alimentação de R$ 150 por mês aos profissionais em home office, ocorreram algumas mudanças: antes da redução de salário e jornada de trabalho, esse aporte vale para os profissionais que recebem até R$ 7,2 mil. Depois da redução, o auxílio será para quem recebe até R$ 5,4 mil. 

Os outros tópicos que foram acertados são: redução de 25% do salário, a partir do dia 2/5, por 90 dias; contrato coletivo: a empresa impôs controle de jornada às pessoas em home office, com redução de jornada e vedação de horas extras, que serão compensadas dentro do mesmo mês; plano de saúde garantido até 31/12, mesmo em caso de demissão; e reembolso dos gastos dos profissionais em home office.

Paulo Zocchi informou que, até a publicação desta nota, o Sindicato não havia recebido solicitação de negociações com Rede Globo, Record TV, SBT, Band, Folha de S.Paulo e UOL.

Editora Globo

No Grupo Globo, o corte será de 25% nos jornais O Globo, Extra, Expresso e Valor Econômico, e nas revistas Época, Quem, Glamour, Marie Claire, Vogue e Crescer, entre outras. A redução terá validade de três meses e os profissionais que aderirem ao acordo terão estabilidade de emprego até outubro. As férias de maio foram canceladas e haverá controle rigoroso de folgas. A informação é de Leo Dias (UOL).

Em nota divulgada nessa segunda-feira (27/4), jornalistas que atuam nas sedes da editora em Rio de Janeiro, São Paulo e Brasília, informaram concordar com a proposta. A decisão foi confirmada após três assembleias gerais virtuais, mas apesar do acordo, os profissionais repudiaram a maneira como as negociações foram conduzidas pela direção do grupo.

RedeTV

No caso da RedeTV, segundo o colunista Flávio Ricco (UOL), todos os celetistas terão o mesmo corte de 25% em seus salários por três meses. Já os contratados como pessoas jurídicas – grande parte dos apresentadores de programas e telejornais – sofrerão uma redução de 33%, também pelo período de três meses. A medida será aplicada também aos profissionais que recebem valor igual ou superior a R$ 20 mil. Além disso, a suspensão de alguns contratos está sendo analisada.

Editora Abril

De acordo com Paulo Zocchi, presidente do Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP), a Abril acordou uma redução de 25% no salário de 40 jornalistas, algo em torno de 20% da mão de obra da empresa, integrantes das redações de Casa Cor, Estúdio Abril, Capricho, Guia do Estudante, Viagem e Turismo, Vejinha e Claudia. A revista Veja não foi atingida. Segundo Zocchi, não houve acordo coletivo, foram impostos acordos individuais, cujas regras seguem a MP. 

Grupo RBS

A empresa anunciou em 24/4 uma série de medidas para diminuir os impactos da crise econômica. Segundo o site Coletiva.net, foram demitidos 20 profissionais das redações de RBS TV, Rádio Gaúcha, Zero Hora, Pioneiro e GaúchaZH.

Ao Coletiva.net, o grupo declarou que “está adaptando sua operação ao momento atual para estar preparada frente a um cenário ainda incerto. Todas as decisões têm como objetivo principal manter a sustentabilidade do seu propósito no longo prazo”. A RBS informou ainda que cortes nos salários e nas jornadas de trabalho dos profissionais estão sendo feitos de acordo com as demandas de cada área da empresa.

Deixe uma resposta

O seu endereço de e-mail não será publicado. Campos obrigatórios são marcados com *