A imprensa esportiva e o coronavírus (III)

Foto: Shutterstock/Reprodução

Por Victor Félix, da equipe de J&Cia

Em meio à pandemia do coronavírus, editorias como Política, Economia, Saúde, Ciência e Cidades cresceram exponencialmente no que se refere à audiência, número de cliques e visualizações. Nesse contexto, seguindo os mesmos padrões, os veículos noticiosos de internet também obtiveram um aumento grande de audiência. Mas será que isso se aplica à editoria de Esportes desses veículos que utilizam a internet e as redes sociais como principal meio de propagação de informações?

Gabriel Carneiro

Gabriel Carneiro, repórter esportivo do UOL, conversou com J&Cia sobre os impactos do coronavírus no site. Em relação ao conteúdo produzido, contou que, em reunião, a equipe de Esportes decidiu o que era relevante produzir neste momento, uma vez que os eventos e competições esportivas estão suspensos: “Nós definimos quatro pilares principais de conteúdo. sssO primeiro dele refere-se a entrevistas e perfis de jogadores, treinadores e todas as outras pessoas envolvidas com esporte, além de histórias pouco conhecidas. O segundo pilar é composto por matérias de números, dados e curiosidades, como, por exemplo, quantos gols determinado jogador fez naquele campeonato, quem é o maior pontuador desta liga, quem tem mais assistências, entre outros. O terceiro pilar são listas, enquetes, lembranças de acontecimentos, vídeos especiais, lances memoráveis, em resumo, conteúdo para ser consumido mais rapidamente. E, por fim, histórias relacionadas ao coronavírus, misturando hard news, impactos no mundo dos esportes, análises, mas também matérias especiais que trazem uma perspectiva mais humana sobre o assunto”.

O repórter do UOL também contou que a equipe de Esportes está trabalhando em um novo projeto chamado Futebol Moleque, que mistura futebol com humor. Serão vídeos engraçados e curtos, com conteúdo das redes sociais, dirigido a um público mais jovem, com o objetivo de atingir novos segmentos. A atração também terá a participação do humorista Rudy Landucci.

Sobre mudanças no dia a dia dos profissionais, Gabriel disse que toda a equipe do UOL está em home office: “Nas primeiras semanas de março, foi decretado home office, mas estamos conseguindo manter o ritmo, a qualidade e intensidade de trabalho mesmo em casa; as escalas seguem normais, o grupo da manhã, da tarde e da noite; fazemos reuniões semanais sobre conteúdo e audiência; enfim, tudo segue normal na medida do possível”.

Talyta Vespa

No UOL, a grande maioria da equipe de Esportes foi mantida. Apenas os repórteres Talyta Vespa e Arthur Sandes foram deslocados para Notícias, porém os dois foram consultados antes da mudança ocorrer. Talyta comentou esse processo de transição do trabalho presencial para o home office: “O UOL nos forneceu computadores e notebooks para trabalhar, além da possibilidade de levar o próprio desktop para casa. E para as reportagens de rua, temos acesso a máscaras, luvas e todos os equipamentos de segurança. Em relação à comunicação trabalhando de casa, creio que estamos bem organizados, utilizamos a plataforma Microsoft Teams para conversar e fazer reuniões”.

Em relação aos impactos econômicos causados pela pandemia no UOL, incluindo possíveis cortes de salário ou demissões, tanto Gabriel como Talyta disseram que, até onde sabem, não houve nada do tipo e ninguém foi afetado.

Embora outras editorias tenham ganhado audiência nesse período, Gabriel afirmou que o número de visualizações e cliques em Esportes não aumentou, mas também não teve uma queda drástica: “Pelo que eu vejo, a audiência varia bastante de acordo com o conteúdo de outras editorias no dia. Por exemplo, se em um determinado dia houver notícias relevantes e em grande quantidade em Política, Saúde e Economia, a audiência da parte esportiva cai, pois essas matérias serão destacadas na home, ficarão no topo. Na minha opinião, essa queda é normal e está ocorrendo em diversos veículos jornalísticos do País. Mas em alguns dias conseguimos manter a audiência no mesmo patamar, dentro do esperado; depende bastante do conteúdo produzido no dia”. 

Talyta contou que os números de audiência nas outras editorias seguem aumentando: “Em abril, o UOL bateu um recorde histórico de audiência, com mais de um bilhão de acessos. Em março, chegamos perto dessa marca, com aproximadamente 950 milhões, então seguimos mantendo um índice interessante de audiência. Antes, o recorde de audiência tinha sido em 2018, durante as eleições”. Segundo ela, a cobertura do UOL sobre a pandemia do novo coronavírus e outras notícias, como as saídas de Sérgio Moro do Ministério da Justiça e de Luiz Henrique Mandetta, do Ministério da Saúde, fizeram o site bater a marca de 200 milhões de acessos, estabelecida em 2018.


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