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terça-feira, junho 23, 2026

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Gênero e Número lança laboratório de inteligência de dados

Já está no ar o labGN (labgn.generonumero.media), novo laboratório de inteligência e comunicação de dados da Gênero e Número. Criado a partir da experiência acumulada pela organização ao longo de dez anos produzindo, analisando e comunicando evidências sobre gênero, raça e sexualidade, o labGn oferecerá serviços de pesquisa qualitativa e quantitativa, análise de dados, comunicação estratégica, visualização de dados, cursos e projetos desenvolvidos sob medida para organizações da sociedade civil, fundações e iniciativas de impacto.

Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número

“Criamos uma frente de serviços para ajudar organizações a transformar informações em evidências acessíveis, capazes de orientar decisões, fortalecer estratégias e ampliar impacto social”, explica Vitória Régia da Silva, diretora executiva da Gênero e Número. “Nosso diferencial está na combinação entre rigor analítico, comunicação estratégica e a LIA (Lente Interseccional Aplicada), nossa metodologia própria que cruza dimensões como gênero, raça, território e classe para produzir análises mais precisas e relevantes para quem atua na promoção de direitos e justiça social”.

Mais informações pelo [email protected].

A hora da decisão – Veículos criam consórcio de debates nas eleições

Por Cristina Vaz de Carvalho, editora do Portal dos Jornalistas no Rio

Uma iniciativa inédita reúne 11 veículos importantes, e concorrentes entre si, para criar o consórcio A hora da decisão, rede formada para cobertura das eleições deste ano no País. Os parceiros são CNN Brasil, Exame, Metrópoles, Nova Brasil FM, Rádio Itatiaia, RedeTV!, Rede Vida, SBT, SBT News, Terra e Veja+ TV.

Serão transmissões simultâneas em televisão aberta e por assinatura, rádios, plataformas digitais, portais de notícias e serviços de streaming, o que amplia em muito o alcance dos encontros entre candidatos, e a qualificação e eficiência da produção. Apesar da organização e transmissão conjunta, cada mídia terá independência editorial.

Haverá debates no primeiro e no segundo turno. Duas datas já estão decididas, em comum acordo com os principais partidos. O primeiro debate presidencial está marcado para 14/9, segunda-feira. O encontro dos candidatos a governos estaduais será na mesma semana, na sexta-feira 18/9. De início, devem ser reunidos os candidatos ao governo de São Paulo. As datas dos demais estados serão definidas oportunamente.

O consórcio tem por objetivo ampliar o acesso da população às propostas dos candidatos, fortalecer a pluralidade de vozes e a circulação de informações confiáveis durante o processo eleitoral. Esse novo modelo de cooperação entre concorrentes em torno da informação de interesse público, para os cargos majoritários, pode ser replicado por veículos regionais para os cargos proporcionais.

Stellantis repatria João Veloso para comandar Comunicação Corporativa

João Veloso Jr.

A Stellantis, um dos maiores conglomerados automotivos do mundo, anunciou em 3/6 uma importante reestruturação em suas lideranças para a América Latina, movimento este que resultou em mudanças no comando da Comunicação Corporativa do Grupo.

Com a criação da área de AI Transformation, Erica Schwambach, até então responsável por Business Development and Corporate Strategy, assume o novo setor, sendo substituída por Fabricio Biondo, que era vice-presidente de Comunicação Corporativa desde a fusão entre os grupos PSA e FCA, que deu origem à Stellantis.

Para a vaga de Biondo, foi contratado João Veloso Jr., que deixa o BMW Group, onde completaria dez anos de atuação no próximo mês de agosto. Contratado em 2016 como Head de Comunicação Corporativa para o Brasil, ele havia sido promovido a diretor da área para América Latina em 2022, quando passou a atuar a partir da Cidade do México. Antes, passou pela Máquina Cohn & Wolfe, foi diretor de Comunicação Corporativa da Nissan e atuou também na Comunicação da Fiat, inclusive durante o período de fusão com a Chrysler, que mais tarde resultaria no nascimento da FCA.

“Feliz e honrado em integrar o time da Stellantis na América do Sul, líder de mercado, e apoiar aos objetivos estratégicos da empresa na região”, celebrou Veloso em mensagem enviada a este J&Cia. “Ansioso por fazer parte do time do Hernander Zola e estar mais próximo dos colegas jornalistas. Também quero desejar toda a sorte ao Biondo em seus novos desafios na companhia”.

João Veloso Jr.

Para liderar a segunda área recém-criada, de Customer Journey Excellence, Ricardo Gouveia, atualmente head de Commercial Operations da Jeep no Brasil, foi promovido a vice-presidente.

Alexandre Frota (PDT) se oferece para pagar multa de jornalista perseguido por Carla Zambelli

O vereador Alexandre Frota (PDT), de Cotia (SP), se ofereceu para pagar a multa de R$ 2.216,30 imposta ao jornalista Luan Araújo por difamação contra a ex-deputada federal Carla Zambelli. Desempregado e com dificuldades econômicas, Luan não pagou a quantia, que foi convertida em prisão em regime aberto pela Justiça de São Paulo.

Em um post nas redes sociais no qual o jornalista comentou sobre sua situação e dificuldades financeiras que vinha enfrentando, Frota comentou que estaria disposto a pagar a multa na íntegra, e pediu aos advogados de Luan que entrassem em contato com ele. Até o momento da publicação deste texto, não temos a confirmação de que Luan aceitou a oferta.

Entenda o caso

Em 2022, às vésperas das eleições presidenciais, Luan foi perseguido por Carla Zambelli, que estava com uma arma de fogo em mãos, até um estabelecimento comercial. Segundo a ex-deputada, ela se desentendeu com apoiadores do então candidato Lula e só sacou a arma pois teria sido empurrada por Luan e teria ouvido o som de um tiro. Testemunhas e vídeos que viralizaram na época desmentiram a versão de Zambelli. No ano passado, o Supremo Tribunal Federal (STF) condenou a ex-deputada a cinco anos e três meses de prisão por porte ilegal de arma de fogo e constrangimento ilegal por conta do episódio.

Em publicação nas redes sociais, Luan escreveu que Zambelli “faz parte de uma extrema direita mesquinha, maldosa e que é mercadora da morte”. Por causa do comentário, o jornalista foi condenado por difamação contra a ex-deputada, e a Justiça determinou o pagamento de uma multa, que não foi paga por Luan, o que ocasionou agora o pedido de prisão.

O jornalista apresentou comprovação de incapacidade econômica e solicitou o parcelamento da dívida, pedido que foi indeferido pela Justiça. Sua defesa ingressou com pedido de habeas-corpus, alegando que Luan “encontra-se em situação de hipossuficiência econômica comprovada” e, portanto, não tem condições financeiras de pagar a multa.

Entidades defensoras do jornalismo e da liberdade de imprensa repudiaram a decisão judicial que converteu a multa em prisão. Em nota conjunta, Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) e o Sindicato dos Jornalistas de São Paulo (SJSP) escreveram que, devido ao comentário que publicou nas redes sociais, “Luan foi condenado por difamação, indevidamente em nosso entender, e passou a responder por obrigações financeiras que não possui condições de cumprir”.

Luan também entrou com uma ação contra Zambelli por danos morais. Sua situação econômica, porém, segue delicada, sem emprego e com dificuldades de reinserção no mercado de trabalho. Para resolver pendências financeiras, e custear despesas processuais, o jornalista lançou uma campanha de financiamento coletivo. Contribua aqui.

Datena deixa a EBC e deve ser candidato nas eleições

José Luiz Datena (Crédito: Paulo Pinto/Agência Brasil)

O apresentador José Luiz Datena rescindiu seu contrato com a Empresa Brasil de Comunicação (EBC) após alguns meses de trabalho. Segundo informações de Gabriel Vaquer, do F5 (Folha de S.Paulo), ele negocia com o PSB para disputar as eleições deste ano como candidato a deputado federal.

Em nota enviada à imprensa, a EBC confirmou a saída de Datena: “A diretoria da EBC agradece ao profissional pela dedicação nos serviços prestados ao longo de 2026. Em sua passagem pelos veículos da EBC, Datena manteve o profissionalismo que marcou sua carreira, como um dos grandes comunicadores deste país”.

Datena assinou com a EBC no início de 2026 e desde então comandava o programa de entrevistas Na Mesa com Datena, na TV Brasil, e o Alô Alô Brasil, na Rádio Nacional. Na nota, a EBC informou que a participação do apresentador na programação da emissora ficará no ar até 30 de junho, data limite para que candidatos às eleições deste ano sigam no ar com projetos em rádio e televisão.

Datena deixou em janeiro a RedeTV justamente para focar seus esforços no trabalho na EBC. Ele estava no canal desde junho de 2025. Antes, em sua trajetória, atuou na cobertura esportiva em Globo, Bandeirantes e Record, como repórter e narrador. Foi na Record, inclusive, que ele fez sua transição de carreira como apresentador de telejornais policiais. Comandou o Cidade Alerta, de 1998 a 2002. Um ano depois, em 2003, foi para a Bandeirantes e assumiu o Brasil Urgente, programa que apresentou por mais de 20 anos, até junho de 2024, quando teve de interromper as funções para concorrer à Prefeitura de São Paulo.

Inscrições abertas para treinamento gratuito de instrutores em Jornalismo de Soluções

Crédito: Márcio Nagano

A Solutions Journalism Network (SJN) abriu inscrições para um treinamento gratuito voltado a instrutores em Jornalismo de Soluções no Brasil. É a primeira iniciativa vez que a iniciativa será realizada em língua portuguesa. As inscrições vão até 8 de julho.

O treinamento será adaptado à realidade brasileira, com exemplos e práticas para a aplicação do Jornalismo de Soluções na agenda climática. As aulas serão ministradas por Daniel Nardin, Gerente da Iniciativa da SJN para o Brasil e diretor do Amazônia Vox; e pelas instrutoras acreditadas da SJN no Brasil, Marcela Martins e Letícia Klein, com apoio de Amanda Magnani. O treinamento terá ainda a presença de convidados especiais. As aulas serão realizadas nos dias 10, 12, 14, 17 e 19 de agosto, às 19h.

Ao fim do curso, os participantes receberão instruções para realizar o credenciamento como instrutores acreditados da rede da SJN e poderão concorrer a uma ajuda de custo de 500 dólares para promover treinamentos sobre o assunto em suas localidades ou redações, além de participar de um encontro presencial em dezembro de 2026.

Podem se inscrever profissionais de imprensa nos mais diversos cargos, de mídi tradicional ou independente, vindos de qualquer local do Brasil. A SJN também incentiva a participação de professores de cursos universitários de comunicação e de outros profissionais que trabalhem com instrução em jornalismo.

Para garantir a inscrição, os selecionados deverão participar do webinar Introdução ao Jornalismo de Soluções, em 3 de agosto, às 19h.

Confira mais detalhes e inscreva-se aqui.

Preciosidades do acervo Assis Ângelo: O cego na História (58)

Cego Sinfrônio (Crédito: Creative Commons)

Por Assis Ângelo

– Puxa, Assis, gostei. O Cego Sinfrônio existiu mesmo ou é invenção de algum cordelista?

– Sim, existiu. E tinha uma memória incrível, tanto que guardava com facilidade na cachola embates pra ninguém botar defeito. O embate a que se referem Cascudo, Rodrigues e Mota chegou até aqui por Sinfrônio tê-lo guardado na memória.

– Guardava tudo mesmo ou ele aqui e acolá inventava alguma coisa?

– É possível, é possível.

– Mais uma coisinha, Assis. Bem… Sinfrônio relata como ocorreu o encontro poético entre Jerônimo e Zefinha. Zefinha é muito bem descrita por Jerônimo. Não seria o caso de ela mostrar como era ele?

– Sim, Flor Maria, você tem razão. Vamos lá:

Cego Sinfrônio (Crédito: Creative Commons)

 

Ella ahi me arrespondeu 

Largando de rijo a taca: 

Gerome, tú tás doente,
Toma purga de jalapa,
Quebra o ovo e bebe a gemma 

Que tú dessa não escapa…

 

– Senhora Dona Zefinha,
Eu sou moleque teimoso,
Sou pobre, dou-me ao respeito, 

Sou preto, porém mimoso…


Vou lhe dá um enxarope 

De nove pau amargoso:
Parreira com manacá,
Gordião com fedegoso,
Milome com cabacinha, 

Melão-caetano verdoso,
Pereiro com quina-quina,
São nove pau rigoroso…
Tudo isso é bom remédio 

P’ra quem soffre de nervoso…

 

– Gerome, eu tou conhecendo 

Que você sabe cantá…
Você sabe e eu também sei: 

Temo nós que desbulhá,
Temo nós que picá fumo,
Daqui p’r’a barra quebrá.

 

– Desgraçada da cantora 

Que eu lhe ganhá na batida…
Si eu não pegá no descanço, 

Pego sempre na drumida;

Boto laço nas verêda,
Boto tinguí na bebida:
Você me paga o que deve 

Ou um de nós perde a vida!

– Eu canto na mansidão;
Mas quando eu mudo o rotêro, 

Tocó touro marruá,
Dou em gallo campinêro,
Açoito pirú de roda 

Quando chega em meu terrêro.

– Zefinha, quando eu me assanho, 

Sou gado do Piôhy…
Sou estreito como ganga,

Estiro: sou sarnambi…
Cheiro mais do que extracto, 

Fêdo mais do que tipi,
Queimo que nem cansansão, 

Travo mais do que oiti,
Amargo mais do que fel,
Mato mais do que tingui…

 

– Vou fazê-lhe uma pergunta 

P’r’o senhô me respostá:
Como é que a moça foge 

Sem ella querê casá?

 

– Senhora Dona Zefinha,
Eu posso lhe ispilicá:
É o home que se casa 

P’ra despois enviuvá;
A muié deixou dois fío,
Elie torna a se casá;
A madrasta de judia 

Bate o aço a judiá;
Um dia, vão a um passeio,

Entréte o dia por lá;
Os menino fica em casa 

Logo pega a conversá: 

“Maninha, nós temo vó 

O que podia nos criá,
P’ra botá nós numa escola, 

P’ra nos mandá ensiná;


Vive-se aqui nesta casa 

Morrendo só de apanhá, 

Dormindo só pelo chão,
Sem tê onde se deitá…
A moça pensou naquillo,
Foi p’ra dentro se arrumá, 

Foi-se emboi-a mais o mano: 

Fugiu sem. querê casá…

 

Mulher no repente (Crédito: Cícero Lourenço)

– É isso mesmo, Gerome,
O sinhô sabe cantá:
Qual foi o bruto no mundo 

Que aprendeu a falá,
Morreu chamando Jesus 

Mas não poude se salvá?!…

 

– Isso nunca foi pergunta 

Pra ninguém me perguntá:
Foi o papagaio dum véio 

Que elle ensinou a falá: 

Morreu chamando Jesus 

Mas não poude se salvá…

 

– Pois eu agora, Gerome, 

Numa pergunta lhe enterro: 

Quero que Você me diga
O que é mais duro que ferro.

 

– Zefinha, tua pergunta

Ê besta já por demais:

O que é mais duro que ferro 

E nenhum ferreiro faz 

É a palavra do home,
Inda que seja um rapaz:
Trinca o ferro e se arrebenta,
O home não volta atraz!

 

– Gerome, tú pra cantá 

Fizesses pauta c’o cão…

 

– Pois bem, aí está. Pelo menos parte do que se acha no relato popular.

– Agora uma provocaçãozinha: você seria capaz de improvisar umas quadrinhas sobre Zefinha?

– Hiiii…. Vou tentar, assim:

 

Era bom testemunhar

Zefinha do Chabocão 

Derrubando cantador 

Metido a valentão 

 

Fez isso muitas vezes

Sem sequer pestanejar

De tudo que mais gostava

Era à viola cantar

 

Eu vi com os meus olhos

Cego Sinfrônio penar

Na unha de Nha Zefinha 

Catando verso sem achar

 

 

– Muito bem, seu Assis. Gostei de ver você pondo as zuinhas pra fora.

– Tá bom, tá bom. Obrigado e inté!

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com

 

O adeus a Fernando Portela, um dos fundadores do Jornal da Tarde

O adeus a Fernando Portela, um dos fundadores do Jornal da Tarde
Fernando Portela (Crédito: Facebook)

Morreu em 2/6 o jornalista, escritor, editor e roteirista Fernando Portela, um dos fundadores do extinto Jornal da Tarde, aos 82 anos. O velório e cerimônia de despedida foram em 3/6, em Vargem Grande Paulista (SP). Deixa a esposa, Miriam, e os filhos Mariana e Antonio.

Fernando fez parte da equipe de fundadores do Jornal da Tarde, histórica publicação do Grupo Estado que circulou por quase 50 anos revolucionou a imprensa brasileira, com reportagens que marcaram os anos 1960 e 1970. O jornal foi encerrado em 2012. Fernando assinou matérias de fôlego na publicação, incluindo Guerra de Guerrilhas no Brasil, especial sobre a guerrilha do Araguaia, que acabou se tornando livro posteriormente. Também atuou na comunicação da Fiat no Brasil por mais de sete anos.

Além da atuação no jornalismo, Fernando fez carreira na literatura de não-ficção, escrevendo livros de contos e novelas, como História do Brasil: Verdades e Mentiras, A Velha Chama e A Negra Solidão.

Último dia de inscrições para o 13º Prêmio Sebrae de Jornalismo

Termina nesta segunda-feira (8/6) o período de inscrições para a 13ª edição do Prêmio Sebrae de Jornalismo, organizado pelo Serviço Brasileiro de Apoio às Micro e Pequenas Empresas (Sebrae), que valoriza e incentiva trabalhos sobre empreendedorismo e negócios de pequeno porte no Brasil.

O prêmio tem quatro categorias para profissionais de imprensa: TextoÁudioVídeo e Fotojornalismo, além da categoria especial Jornalismo Universitário, voltada a estudantes de comunicação. O melhor trabalho entre as categorias profissionais será reconhecido com o Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo. Podem ser inscritos trabalhos veiculados entre 9 de junho de 2025 e 7 de junho de 2026.

O primeiro colocado de cada uma das categorias profissionais receberá um notebook, enquanto o vencedor da categoria universitária será premiado com um celular de última geração. Já o Grande Prêmio Sebrae concederá também um notebook e um celular de última geração.

O Sebrae traz uma lista de temas recomendados sobre o universo do empreendedorismo e de pequenos negócios, como Bioeconomia, Negócios Verdes e Sustentabilidade; Acesso a Crédito e Gestão Financeira; Produtividade e Competitividade; Inclusão Produtiva e Desenvolvimento Territorial; Transformação Digital; Empreendedorismo Feminino; Políticas Públicas e Legislação; Inovação e Startups; Empreendedorismo Social; e Educação Empreendedora.

Vale lembrar que o prêmio é realizado em três etapas: a primeira, em nível estadual, classificará os concorrentes para a etapa regional, que definirá os finalistas da etapa nacional. A cerimônia de premiação, que revelará o vencedor do Grande Prêmio Sebrae de Jornalismo, está prevista para novembro, com data ainda a ser divulgada.

Mais informações e inscrições aqui.

100 anos de Rádio no Brasil: Dados nacionais podem mudar toda a indústria do podcast brasileiro

Renato Bontempo-Castnews

Por Álvaro Bufarah (*)

Durante anos, o mercado brasileiro de podcasts tentou entender a si mesmo olhando para métricas importadas dos Estados Unidos. O problema é que a lógica do consumo de áudio no Brasil nunca foi exatamente igual à do mercado norte-americano – e os dados começam finalmente a comprovar isso.

A divulgação do segundo mês consolidado do Castnews Index marca um ponto de virada importante para o ecossistema brasileiro de mídia sonora. Não porque os números sejam definitivos, mas porque começam a formar aquilo que faltava historicamente ao setor: uma série consistente de dados locais capazes de revelar padrões estruturais do comportamento do podcast brasileiro.

Renato Bontempo-Castnews

Um único mês é fotografia. Dois meses começam a formar tendência.

E quando os dados passam a se repetir deixam de ser curiosidade estatística para se transformar em diagnóstico de mercado.

O novo conjunto de gráficos divulgado pelo índice ajuda justamente a desmontar algumas das narrativas mais repetidas sobre o podcast nacional. A principal delas talvez seja a ideia de que o Brasil estaria apenas “atrasado” em relação ao modelo norte-americano de produção.

Os números mostram outra coisa: o Brasil simplesmente opera sob uma lógica diferente.

O primeiro dado já desmonta um dos mitos centrais do setor. Entre os 209 mil episódios publicados por podcasts brasileiros entre janeiro e abril de 2026, 54,8% têm menos de 20 minutos de duração. Outros 16% ficam entre 20 e 40 minutos. Episódios superiores a uma hora e meia – formato dominante em parte da elite global do podcasting em inglês – representam apenas 6,3% da produção nacional.

A diferença não é pequena. Ela revela um padrão cultural de consumo. Enquanto o mercado norte-americano consolidou formatos longos, conversacionais e altamente baseados em retenção prolongada de audiência, o Brasil parece estruturar seu ecossistema sobre conteúdos rápidos, recorrentes e altamente cadenciados – especialmente podcasts religiosos e jornalísticos de atualização diária.

Isso muda praticamente tudo: formato, monetização, dinâmica de produção e expectativa de audiência.

O contraste torna-se ainda mais relevante quando comparado ao relatório The State of Video Podcasting 2026, da MillionPodcasts, que aponta que episódios longos entregam, em média, 6,5 vezes mais ouvintes no mercado internacional em língua inglesa. O Brasil segue exatamente na direção oposta.

O dado não sugere atraso. Sugere identidade. O ecossistema brasileiro parece funcionar mais próximo de uma lógica de consumo fragmentado e cotidiano – integrada ao deslocamento urbano, à rotina de trabalho e ao hábito de consumo rápido de informação. Em outras palavras: menos “podcast-evento” e mais “podcast-fluxo”.

A consequência disso é profunda. Grande parte das estratégias importadas de mercados estrangeiros simplesmente não conversa com o comportamento real da audiência brasileira.

O segundo conjunto de dados revela outra camada importante: maturidade de catálogo.

Entre os 10.414 podcasts ativos monitorados, cerca de 32% têm menos de 25 episódios publicados. No extremo oposto, pouco mais de mil programas ultrapassaram a marca de 500 episódios.

Isso evidencia um padrão clássico da economia criativa digital: altíssima renovação na base e forte permanência no topo.

A maior parte do mercado ainda é jovem, instável ou experimental. Já o núcleo veterano concentra consistência, recorrência e profundidade de catálogo – fatores fundamentais para retenção de audiência e monetização.

E talvez esteja aí um dos dados mais relevantes de todo o levantamento: no podcast, permanência importa mais do que viralização.

A lógica algorítmica das plataformas frequentemente privilegia novidade, mas os dados indicam que o áudio ainda opera fortemente sobre recorrência e hábito. Podcasts veteranos não são necessariamente os mais inovadores – são os que sobreviveram tempo suficiente para construir rotina de escuta.

O terceiro gráfico é provavelmente o mais brutal – e talvez o mais importante.

O 1% dos podcasts mais produtivos do Brasil responde sozinho por 21,6% de todas as horas publicadas em 2026 até maio. Os top 10% concentram quase 60% de toda a produção. Já metade do mercado ativo produz, somadas, apenas 4,1% das horas totais.

Quando analisado historicamente, o fenômeno fica ainda mais evidente: os 10% maiores concentram 85,4% de todas as horas acumuladas do ecossistema.

É praticamente a materialização da curva de Pareto dentro do podcast brasileiro.

E isso importa porque desmonta outra ilusão recorrente da indústria: a ideia de que o podcast seria um ambiente naturalmente horizontalizado ou igualitário.

Assim como ocorre em plataformas de vídeo, música, streaming e redes sociais, a atenção no áudio também se concentra fortemente em poucos produtores capazes de manter volume, frequência e construção contínua de comunidade.

Mas há um detalhe importante: concentração não significa necessariamente injustiça estrutural.

Mercados de atenção funcionam precisamente assim. A audiência é limitada, o tempo de escuta é finito e milhares de criadores competem simultaneamente pelo mesmo recurso cognitivo: disponibilidade humana.

A questão relevante, portanto, não é tentar “corrigir” a concentração. É entender como navegar dentro dela.

Isso muda completamente a leitura estratégica do mercado. Em vez de imaginar que todo podcast precisa disputar espaço entre os gigantes nacionais, talvez o desafio seja construir relevância sustentável dentro de nichos específicos, recorrência editorial e profundidade de relacionamento com audiência.

No fundo, os quatro gráficos apresentados contam a mesma história sob perspectivas diferentes.

O podcast brasileiro é curto, recorrente, altamente concentrado e sustentado por produtores veteranos com grande profundidade de catálogo. A maioria dos projetos nasce pequena, permanece pequena – e isso faz parte da dinâmica natural do setor.

O mais importante, porém, talvez seja outra coisa. Pela primeira vez, o mercado brasileiro começa a ter uma régua própria para interpretar a si mesmo. E isso pode ser mais transformador do que qualquer crescimento pontual de audiência.

Porque indústrias maduras não se desenvolvem apenas quando crescem. Elas amadurecem quando finalmente conseguem medir a própria realidade sem depender de referências importadas.

Talvez o podcast brasileiro esteja entrando exatamente nessa fase agora.


Sugestões de fontes para aprofundamento

Álvaro Bufarah

Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.

(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País. Ao longo da carreira, dedicou quase duas décadas ao rádio, em emissoras como CBN, EBC e Globo.

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