Por Assis Ângelo

As ceguinhas de Campina Grande, como ficaram conhecidas as irmãs Maria das Neves Barbosa, Regina Barbosa e Francisca Conceição Barbosa, foram durante muito tempo exploradas pelo próprio pai que as alugava ao eito para o cabo da enxada. Sofreram muito até que conseguiram uma casa própria, depois de participarem de um filme sobre a sua história. Tocante. Uma vez estive na casa delas junto com o amigo Chico Pereira (1944-2025) e minha filha mais velha, Ana Maria. Há registro desse encontro. A conferir num clique.

Muitos cantadores tentaram e ainda tentam cantar aqui e acolá aos moldes de Zé Limeira. Até um mote especial foi criado sobre o destabocado repentista paraibano: Eu querendo também faço/Igualzinho a Zé Limeira.

Não conheci Zé Limeira, claro. Eu tinha 2 anos de idade quando ele morreu, em 1954. Mas conheci, e muito bem, o seu biógrafo Orlando Tejo (1935-2018). Tomamos muita água de coco no Ponto de Cem Réis, no centro da capital paraibana. Conheci também o mestre do repentismo Otacílio, o mais novo dos irmãos Batista.

Muita gente andou dizendo que Tejo inventou muito, enaltecendo assim o nome de Limeira.

Perguntei mais de uma vez a Otacílio Batista se conhecera Zé Limeira. Sim e até cantou com ele.

O livro de Tejo, Zé Limeira, o Poeta do Absurdo, foi prefaciado pelo ilustre José Américo de Almeida (1887-1980), senador e governador da Paraíba e autor de muitos livros, entre os quais A Bagaceira (1928).

Zé Américo de Almeida morreu cego.

E como uma coisa puxa outra, cego ficou em vida o poeta Zé Laurentino (1943-2016). É dele o engraçado poema Matuto no Futebol.

Como Graciliano Ramos, que ficou praticamente cego na infância, Laurentino também ficou cego, só que nos últimos anos da sua vida.

Graciliano recuperou seus olhos, como aconteceu exatamente com Laurentino.

Em junho de 2000 encontrei Zé Laurentino em Campina Grande após palestra que dei no Teatro Severino Cabral. Há registro.

Rômulo Nóbrega, radialista Mica, poeta Zé Laurentino, escritor Bráulio Tavares e Assis Ângelo

Tirando onda, Zé Laurentino me premiou com a seguinte quadrinha:

 

Da cintura pra cima

Sou cego de dá pena

Da cintura pra baixo 

Sou a gota serena

 

Então tá, né?

Contatos pelo http://assisangelo.blogspot.com.

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