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domingo, abril 12, 2026

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Relatório aponta que alertas à liberdade de imprensa subiram 222% no Brasil

A Voces del Sur (VDS), rede de que a Abraji e outras 12 entidades jornalísticas fazem parte, divulgou a terceira edição do Relatório Sombra.
A Voces del Sur (VDS), rede de que a Abraji e outras 12 entidades jornalísticas fazem parte, divulgou a terceira edição do Relatório Sombra.

A Voces del Sur (VDS), rede de que a Abraji e outras 12 entidades jornalísticas fazem parte, divulgou em 20/7 a terceira edição do Relatório Sombra. Um informe baseado nos dados coletados, registrados e relatados pelas organizações à VDS, que evidenciou um crescimento de 222% em alertas contra violações à liberdade de imprensa, liberdade de expressão e ao acesso à informação no País.

Os dados são uma comparação entre 2019 e 2020.

Com a finalidade de rastrear o progresso em direção ao indicador do objetivo 16.10.1 para a agenda 2030 da ONU de Desenvolvimento Sustentável da América Latina, além do Brasil, o monitoramento é realizado em Argentina, Bolívia, Colômbia, Cuba, Equador, Guatemala, Honduras, México, Nicarágua, Peru, Uruguai e Venezuela.

Os dados de monitoramento mostram que, na pandemia, as tendências autoritárias aumentaram na América Latina. No ano passado, o relatório sublinhou que o jornalismo praticado na região estava cada vez mais ameaçado “pela rápida deterioração das liberdades fundamentais em um contexto de crescente populismo e convulsão social”. Em 2020 essa tendência piorou.

O informe registrou 3.350 alertas nos 13 países pesquisados. Foram 2.521 alertas nos dez países em 2019 contra 734 em 2018. A contagem de 2018 não incluiu o Brasil, já que a Abraji só passou a integrar o Voces del Sur a partir de 2019.

Os governos são os principais autores das violações. Assim como em 2018 o número era de 55% e de 75% em 2019, a maioria dos alertas (59%) em 2020 identificava os governos como autores das violações. Os cinco mais problemáticos são, pela ordem: Venezuela, 352; México, 349; Cuba 328; Brasil, 312; e Nicarágua. 204.

De acordo com o relatório, considerando que o Estado é responsável por garantir e “proteger a liberdade de expressão, a liberdade de imprensa, o acesso à informação e a segurança e proteção dos jornalistas, essa tendência representa uma contradição e é um
grande obstáculo para a melhoria da situação dessas liberdades fundamentais na região”.

Cuba e Brasil foram os que mais chamaram atenção.

Em Cuba, que atualmente enfrenta grandes protestos da população contra o regime comunista, a perseguição contra jornalistas intensificou-se com a pandemia, com 344 alertas registrados, inclusive com 114 detenções arbitrárias e 36 alertas de restrições na internet.

No Brasil, a Abraji registrou um total de 419 alertas, o que representa aumento de 222%  quando comparado ao ano de 2019. O número maior em relação ao anunciado pela entidade em março de 2021 (367) é explicado pela metodologia da VDS, que considera um caso a cada vítima.

Ainda de acordo com o levantamento, os ataques e agressões verbais e físicas cresceram em 489%. O Estado foi identificado como agressor em 74% de todos os casos. Há sinais claros de assédio judicial: os processos judiciais criminais e civis contra a mídia e jornalistas aumentaram de 8 para 39 alertas em 2020, ou 388%.

Outro indício de declínio foi que as detenções arbitrárias aumentaram 200%, o discurso estigmatizante, 169%, as restrições à Internet, 167%, as restrições ao acesso à informação, 86%, e o uso abusivo do poder do Estado, 83%. Outros dois problemas foram colocados como preocupação

O documento pontua que a propagação de desinformação durante a pandemia também desencadeou tentativas de risco à privacidade dos cidadãos. Cita o PL das Fake News como uma ameaça às liberdades fundamentais sob o pretexto da legitimidade e lembra que a misoginia é uma característica particular dos ataques, já que as mulheres jornalistas são as que mais recebem ameaças on-line.

Termina hoje o primeiro turno dos +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar

Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde, Ciência e Bem-Estar
O Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar entrou na última semana de votação. Só será aceito um voto por pessoa.

Você é jornalista especializado na cobertura jornalística de Saúde e Bem-Estar ou passou a atuar nesta cobertura por força da pandemia da Covid-19?

Integra a equipe de alguma agência de comunicação com clientes nessa área?

Faz parte da comunicação empresarial de alguma organização da área de Saúde e Bem-Estar?

Não está em nenhuma das situações, mas admira o trabalho essencial dos jornalistas nessa terrível jornada de enfrentar os riscos para levar à população a melhor e mais confiável informação sobre a pandemia?

Então temos um convite a fazer: queremos a sua participação e o seu voto no Prêmio Einstein +Admirados da Imprensa de Saúde e Bem-Estar, que homenageará os profissionais e veículos que mais tem se destacado nessa cobertura. O primeiro turno vai até esta quinta-feira, 22 de julho.

Vote agora, clicando aqui.

Thiago Herdy é o novo colunista do UOL

Thiago Herdy, ex-presidente da Abraji e especialista na cobertura de política, passou a integrar em 20/7 o time de colunistas do UOL.
Thiago Herdy, ex-presidente da Abraji e especialista na cobertura de política, passou a integrar em 20/7 o time de colunistas do UOL.

Thiago Herdy, ex-presidente da Abraji, passou a integrar em 20/7 o time de colunistas do UOL.

Especializado na cobertura de política e direitos humanos, segundo ele seu principal compromisso na nova coluna será atentar-se aos valores essenciais da profissão, bem como o compromisso com a verdade, além de “acessar novas trilhas sobre o passado e o presente, olhando não apenas para os fatos, mas também seus significados”.

Com passagens por veículos como O Globo, Época, Estado de Minas, Diário da Tarde e Diário do Comércio, deve também reforçar a equipe de jornalismo investigativo do UOL, que nos últimos tempos contratou profissionais como Juliana Dal Piva e Ruben Berta.

“Pretendo publicar relatos em profundidade, de preferência obtidos mediante apuração feita predominantemente por mim e pelos repórteres com quem irei trabalhar”, afirmou Herdy à redação da nova casa.

XCOM realiza webinar sobre gerenciamento de reputação em tempos de crise

Portal dos Jornalistas é um dos apoiadores do evento

A XCOM realiza em 19 de agosto, às 17h, um webinar gratuito sobre gerenciamento de reputação em tempos de crise. O Portal de Jornalistas e a newsletter Jornalistas&Cia estão entre os apoiadores do debate.

Em release sobre o evento, a agência destaca que a pandemia fez com que as empresas enfrentassem, além da crise sanitária, um cenário de crise econômica e outros processos corporativos, como a adaptação ao trabalho remoto, saída de clientes e preocupação com a saúde mental de funcionários e colaboradores. Nesse contexto, discutir gerenciamento de crise torna-se ainda mais importante.

Participam Melissa Agnes, fundadora e CEO do Crisis Ready Institute, dos Estados Unidos; e Valéria Café, diretora de vocalização e influência do Instituto Brasileiro de Governança Corporativa (IBGC). A mediação é do escritor David Cohen.

Sobre o debate, Viviana Toletti, sócia-diretora da XCOM, declarou que “toda empresa, independente do porte ou gestão organizacional, pode enfrentar imprevistos, conflitos internos e externos ou até mesmo problemas de operação, que se não forem bem administrados podem causar danos irreversíveis. Estar preparado para a crise é cuidar da governança e da reputação da empresa. Nossa expectativa é muito positiva, teremos profissionais qualificados debatendo, em alto nível, um tema em constante transformação. Além disso, será uma oportunidade de conhecer a fundo o mercado de comunicação e estreitar relacionamentos com todos os participantes”.

As inscrições, gratuitas, podem ser feitas por meio deste formulário. A transmissão será via Zoom.

TV Senado comemora 25 anos

Eduardo Ribeiro, publisher deste Portal, da newslettter Jornalistas&Cia e do site MediaTalks, participa da série TV Senado 25 anos.
Eduardo Ribeiro, publisher deste Portal, da newslettter Jornalistas&Cia e do site MediaTalks, participa da série TV Senado 25 anos.

Eduardo Ribeiro, deste Portal dos Jornalistas, participa de especial da emissora

Com o tema Jornalismo x Opinião, Eduardo Ribeiro, publisher deste Portal dos Jornalistas, da newslettter Jornalistas&Cia e do site MediaTalks, participa de um dos programas da série TV Senado 25 anos, que vai ao ar nesta sexta-feira (23/7), às 20 horas. Ele e Ricardo Fabrino Mendonça, doutor em Comunicação Social e professor do Departamento de Ciência Política da UFMG, com mediação de Sylvio Guedes, da TV Senado, analisam a editorialização do jornalismo atual e falam sobre as fronteiras entre jornalismo, jornalismo de opinião e a opinião expressa em blogs e outros canais digitais.

E mais…

22/7 (quinta-feira) – O programa Iluminuras, da TV Justiça, reprisa, às 22h30, a entrevista com Wagner Willian, vencedor do Prêmio Jabuti na categoria História em Quadrinhos. Formado em Propaganda e Marketing, pintor, ilustrador, desenhista e escultor, Wagner vem se consagrando no mercado dos quadrinhos. No ano passado, venceu os principais prêmios nacionais de Literatura e da indústria dos HQs: o Jabuti e o troféu HQMIX. Em conversa com a jornalista Rafaela Vivas, ele apresenta Silvestre, seu livro mais recente.

22 e 23/7 (quinta e sexta-feiras) – Sessão de abertura e simulações de sessões plenárias do Politeia 2021, projeto de ensino, pesquisa e formação política da UnB em parceria com a Câmara dos Deputados, que consiste na preparação de estudantes universitários para uma simulação das atividades legislativas. A edição deste ano será virtual, transmitida ao vivo pelo canal da Câmara no YouTube. O evento contará com a participação de 135 estudantes, 115 dos quais simularão o trabalho de deputados federais e os outros 20 farão o papel da imprensa, em atividades de assessoria ou de reportagem. A edição virtual deste ano possibilitou a reunião de 36 cursos universitários de 44 instituições diferentes, localizadas em 16 estados e no DF. Na quinta, às 13h, e na sexta, às 9h30 e às 13 horas.

Campinas ganha novo jornal semanal

O Diário Campineiro é o novo veículo de comunicação impresso de Campinas, lançado em comemoração aos 247 anos da cidade, celebrados em 14/7.
O Diário Campineiro é o novo veículo de comunicação impresso de Campinas, lançado em comemoração aos 247 anos da cidade, celebrados em 14/7.

O Diário Campineiro é o novo veículo de comunicação impresso de Campinas, lançado em comemoração aos 247 anos da cidade, celebrados em 14 de julho. Com circulação aos sábados, nasce com a pretensão de ser uma nova fonte de informações para a cidade, prezando pela qualidade editorial e abordando temas diferenciados que vão além do noticiário.

Com edição executiva de Helio Paschoal, a equipe é composta por Cláudio Liza Jr., Rodrigo de Moraes, Jorge Massarolo, Eunice Gomes, Carlo Carcani Filho, Márcia Marcon, Marita Siqueira e o fotógrafo Matheus Pereira

Também participam do projeto as colunistas fixas Cris Soutelo, arquitetura e decoração; e Bianca Massafera, gastronomia. A parte social fica a cargo de Guilherme Gongra

A publicação é uma aposta do CEO Donizete Ribeiro e tem parceria de conteúdo com o portal de notícias RadarC.

E mais:

Eliane Brum e Adriana Zehbrauskas vencem o Maria Moors Cabot 2021

Eliane Brum e Adriana Zehbrauskas, vencedoras do Maria Moors Cabot 2021
Eliane Brum e Adriana Zehbrauskas, vencedoras do Maria Moors Cabot 2021

Pela primeira vez premiação homenageia apenas jornalistas mulheres

A repórter Eliane Brum e a fotojornalista Adriana Zehbrauskas estão entre as premiadas do Maria Moors Cabot 2021. A iniciativa é uma das mais tradicionais e antigas distinções do jornalismo mundial e é oferecida anualmente pela Columbia University School of Journalism, de Nova York.

O anúncio foi feito nesta quarta-feira (21/7) e além das representantes brasileiras, foram homenageadas a mexicana Adela Navarro Bello e a norte-americana Mary Beth Sheridan. É a primeira vez, desde que o prêmio foi criado em 1938, que todos os vencedores são mulheres. A cerimônia de premiação está marcada para 12 de outubro e os vencedores receberão, além de medalha, um prêmio em dinheiro de US$ 5 mil.

Gaúcha de Ijuí, Eliane é a +Premiada Jornalista da História Brasileira, segundo a última edição do Ranking dos +Premiados da Imprensa do Brasil, levantamento promovido anualmente por este Portal dos Jornalistas. São mais de 30 prêmios, entre reconhecimentos nacionais e internacionais, entre eles os prêmios Jabuti, Esso e SIP (duas vezes cada), Vladimir Herzog e Comunique-se (cinco vezes cada) e Mulher Imprensa (em seis oportunidades). “È uma das vozes mais respeitadas do jornalismo brasileiro“, destacou o comunicado da premiação sobre Eliane, que desde 2013 é colunista do El País Brasil.

Já sobre Zehbrauskas, o texto afirmou que “seu trabalho contribui muito para a compreensão das Américas“. Brasileira radicada nos Estados Unidos, Adriana é especializada em Comunicação e em Linguística e Fonética pela Sorbonne, em Paris. Durante sua carreira profissional, trabalhou na Folha de S.Paulo e atualmente contribui regularmente para importantes veículos de comunicação internacionais, como The Guardian e The New York Times.

Histórico

Com o resultado deste ano, Eliane e Adriana entram para um seleto grupo de jornalistas brasileiros laureados com o Maria Moors Cabot. No ano passado, entre os vencedores, estava Patrícia Campos Mello, da Folha de S.Paulo, mas também já receberam a medalha nomes como Fernando Rodrigues, Carlos Castello BrancoClóvis RossiDorrit HarazimJosé Hamilton RibeiroJoão Antonio BarrosMauri KönigMerval Pereira e Miriam Leitão.

Oito projetos brasileiros foram selecionados para o Desafio da Inovação do Google

O Google News Iniciative anunciou nesta quarta-feira (21/7) os 21 projetos selecionados para o Desafio da Inovação GNI na América Latina, que receberão apoio financeiro por meio de um fundo de US$ 2 milhões para desenvolver novos produtos de notícias e modelos de negócio. Oito dos selecionados são brasileiros.

Os projetos do Brasil são de Associação Fiquem Sabendo, Folha de S.Paulo, Estado de Minas, AppCívico, Rede Gazeta, Revista AzMina, Marco Zero Conteúdo e Projeto #Colabora. Também foram selecionados projetos de Argentina, Peru, Bolívia, Colômbia, Costa Rica, Guatemala, México e El Salvador.

A Associação Fiquem Sabendo vai criar a plataforma Agenda Transparente, que monitora em tempo real as agendas de autoridades e agentes públicos brasileiros, a partir de informações disponibilizadas de modo disperso e não padronizado na internet.

A Folha pretende usar o auxílio financeiro para o Voz Delas, ferramenta de monitoramento que vai apontar em tempo real aos jornalistas a representatividade de mulheres nos diversos conteúdos em produção do jornal. Por meio de machine learning e inteligência artificial, os profissionais receberão sugestões de mulheres especialistas que podem ser entrevistadas para cada tema.

O Estado de Minas vai criar a plataforma Scoop, baseada em inteligência artificial, para identificar pautas e tendências por meio do monitoramento de redes sociais, gerando alertas personalizados para os jornalistas na redação.

O projeto do AppCívico é o Facts-NFT, que cria um novo modelo de negócios para o jornalismo, convertendo conteúdos jornalísticos históricos em produtos digitais exclusivos, os NFTs (non-fungible token), que poderão ser comprados, colecionados e revendidos.

A Rede Gazeta planeja investir no Gazeta SDK, pacote de soluções digitais voltadas à otimização da produção, edição e gerenciamento de conteúdo multimídia

A revista AzMina vai criar o Amplifica, ferramenta que visa a facilitar a participação da comunidade em sites de notícias, usando ferramentas de monitoramento de redes para organizar um fluxo orgânico de conteúdo, aproximando as pessoas e enriquecendo discussões importantes.

O Marco Zero Conteúdo, em colaboração com outros nove sites jornalísticos nordestinos e a Universidade Católica de Pernambuco (Unicap), vai lançar um projeto para diagnosticar problemas de acessibilidade em sites jornalísticos e identificar conteúdos de qualidade, acessíveis e inclusivos.

O Projeto #Colabora vai monitorar Diários Oficiais de municípios brasileiros e, por meio de machine learning, extrair informações de atos públicos sobre temas ambientais e disponibilizá-los de modo organizado para jornalistas, empresas e ONGs.

Projeto Motor abre canal de esportes no YouTube

O Projeto Motor Jornalismo, especializado em automobilismo, anunciou a criação do Projeto Esporte, canal voltado ao setor esportivo no YouTube, que seguirá a mesma linha editorial adotada pelo Projeto Motor.

O objetivo é contar grandes histórias, falando sobre a trajetória de personagens interessantes e explicando acontecimentos de forma mais profunda, contextualizada e técnica, mas agora não só de automobilismo, mas de vários esportes.

Bruno Ferreira, sócio e membro do Comitê Editorial da Projeto Motor Jornalismo, declarou que a criação do braço de esportes gerais é um grande marco: “As mais diferentes modalidades esportivas possuem infinitas histórias riquíssimas, sendo que muitas delas transcendem o mundo das competições e se tornaram importantes para a sociedade de uma forma geral. Então, queremos contar estas histórias de maneira acessível, didática e descomplicada, com o mesmo cuidado e capricho que já fazemos com o Projeto Motor”.

Em clima de Olimpíadas, o primeiro vídeo do Projeto Esporte é sobre o maratonista brasileiro Vanderlei Cordeiro de Lima, que foi segurado por um invasor nos Jogos Olímpicos de 2004, em Atenas.

O Projeto Motor é um site e canal no YouTube independente, especializado em automobilismo, que não foca em notícias do dia a dia, mas em reportagens profundas com explicações técnicas e históricas, além de curiosidades do universo das corridas de carro.

“Nossa missão é descomplicar e explicar este esporte tão fascinante, sempre com conteúdo 100% original”, diz o site do projeto.

Diversidade na mídia: uma montanha a ser escalada

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O mundo corporativo está cheio de poderosas CEOs liderando grandes organizações. Mas o jornalismo não repete o modelo. A falta de diversidade de gênero na mídia persiste nos altos escalões, a despeito de tantas iniciativas para mudar o quadro.

Por isso, a chegada de Sally Buzbee ao comando do Washington Post, há uma semana, é um fato a ser comemorado. Primeira mulher a dirigir a redação de um dos mais influentes jornais do mundo em 144 anos, ela se tornou notícia não apenas pelo currículo (ocupava cargo semelhante na Associated Press), mas por representar uma virada que muitas organizações globais têm procurado fazer.

Sally Buzbee

Algumas já fizeram. O Financial Times entronizou Roula Khalaf como editora-chefe em 2020, depois de quatro anos como subeditora. Foi a primeira mulher no cargo em 131 anos. A Reuters alçou em abril passado Alessandra Galloni ao comando. A italiana é a primeira mulher em 170 anos a liderar as operações globais da agência de notícias.

São avanços, mas ainda quase exceções em um universo dominado por homens, apesar de as mulheres serem maioria nas redações em vários países.

Um estudo do Instituto Reuters revelou em 2020 que apenas 23% dos chefes de veículos online e off-line em dez mercados, incluindo o Brasil, eram mulheres.

Uma desproporção, considerando que o mesmo estudo mostrou que 40% do conjunto de profissionais de imprensa eram mulheres na época. No Brasil a taxa é superior a 50%.

Com os exemplos de Buzbee, Khalaf e Galloni os números já mudaram. Mas ainda assim há muito a fazer para que o jornalismo seja mais inclusivo para as mulheres, tanto nas redações quanto na cobertura.

A nova edição do Global Media Monitoring Project, lançada na semana passada, mostrou que a baixa representação de mulheres na mídia levará ao menos 67 anos para ser sanada.

A partir do exame de mais de 30 mil reportagens, o estudo mostra que a proporção de mulheres como fontes e personagens aumentou significativamente em cinco anos. Mas ainda está em 25%. E diminuiu na pandemia.

A situação piora com a idade. Apenas 3% das mulheres retratadas em matérias têm mais de 65 anos. Entre os homens, a taxa é de 15%.

Mas o problema não é apenas diversidade de gênero. Ao assumir o cargo no Post, na semana passada, Sally Buzbee dirigiu-se aos leitores para apresentar suas prioridades.

Uma das questões destacadas foi o compromisso de garantir que as várias vozes na redação sejam ouvidas, e que o jornal conte histórias que reflitam as experiências de seus leitores diversos.

A mensagem é clara. Mais do que nomear mulheres para liderar redações, o jornalismo tem uma montanha muito maior a escalar para espelhar o conjunto da sociedade.

Livro examina diversidade na América Latina

Um e-book (gratuito) lançado pelo Centro Knight para o Jornalismo nas Américas, dirigido pelo brasileiro Rosental Calmon Alves, demonstra isso.

Diversidade no Jornalismo Latino-Americano reúne ensaios de 16 profissionais de imprensa da região, apresentando reflexões e experiências bem-sucedidas de inclusão.

O livro é dividido em quatro seções abordando a diversidade em gênero, orientação sexual, questões raciais e étnicas e deficiência.

Paula Cesarino Costa, primeira editora de diversidade da Folha de S.Paulo, escreveu sobre inclusão racial: “Em mais de 30 anos de trabalho em redação, me sobram dedos nas mãos para contar o número de jornalistas negros com quem convivi”.

Embora os debates sobre diversidade na mídia se concentrem mais em raça e gênero, há outras áreas que merecem atenção em projetos de inclusão. Uma delas é o tratamento da mídia a pessoas com deficiência.

A chilena Andrea Medina, autora do ensaio no livro sobre o tema, acha que elas devem ser representadas como agentes ativos, protagonistas de suas próprias notícias, pois muitas vezes são as outras pessoas que falam por elas, com uma abordagem assistencialista.

A subida é longa, mas o livro é um ótimo mapa para alcançar o cume da montanha da inclusão.


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