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Especial Jornalismo nas veias: Família que trabalha unida…

Especial Jornalismo nas veias: Família que trabalha unida...

Jeline Rocha, assessora de imprensa de Felipe Peixoto, coordenador de Cidade Inteligente da Prefeitura do Rio de Janeiro; Guilherme Barros, CEO da GBR Comunicação; e a filha Marina Barros

Por Jeline Rocha

Fevereiro de 2008! Estava eu de férias em Fortaleza quando recebi um telefonema da Marina, então com 16 anos e no primeiro dia do 3º ano do Ensino Médio. Aflita, dizia que a escola estava dividindo as turmas por áreas, ao que eu respondi perguntando o por que da ansiedade, se ela desde os 7 dizia que ia fazer Direito, pensando até em ser juíza? E ouvi a resposta: “Não quero mais fazer Direito. Quero fazer Jornalismo, mãe!”. Aí eu que fiquei nervosa e perguntei: “Então você desistiu de fazer direito para fazer errado?”. E bati, literalmente, o telefone. Em seguida liga o então namorado Patrick, hoje marido da Marina e pai dos seus três filhos, me pedindo para compreender porque era o que ela queria, escolha que eu também tinha feito. Chorei de nervoso! Afinal, eu sabia das dificuldades para conciliar família e crescer nessa profissão que exige muito trabalho com salários nem sempre compatíveis nem tão bons como os da turma do Judiciário, o primeiro caminho escolhido por Marina, a do meio das minhas três filhas…

Fato é que em janeiro de 2009 Marina fez a primeira fase do vestibular para Comunicação, mas por conta de uma septicemia causada pelo apêndice supurado, que lhe rendeu três meses de hospital, perdeu as outras provas. Por um verdadeiro milagre se recuperou, teve alta em abril e, atendendo aos meus pedidos, começou a fazer Direito em agosto daquele ano. O Guilherme não quis se envolver, dizendo apenas que ela, mais do que nunca, deveria seguir a carreira que quisesse e ser feliz… E após o primeiro dia de aula do segundo semestre do curso, Marina me ligou e disse que se eu não a deixasse fazer Comunicação desistiria de estudar e iria trabalhar. “A única coisa que eu quero é ser jornalista, mãe!”.

Chocada, telefonei para o Guilherme que, ao contrário de mim, ficou muito feliz… Em fevereiro de 2010 ela iniciou, enfim, o curso de Comunicação, e como um dos primeiros trabalhos da faculdade entrevistou o jornalista Gilson Monteiro sobre a profissão. Claro que veio me mostrar e já no lide me emocionei e procurei o Guilherme para dividir o que vi de cara: ela não poderia mesmo seguir outra carreira, a não ser o Jornalismo. Pensei e repensei, e vi que muito da sua decisão tinha a ver com o fato de ela ter crescido no meio de jornalistas, e mais, produzida por dois jornalistas workaholics. É mesmo uma questão do Jornalismo no DNA, como bem definiu o Aziz Filho, na época editor do jornal O Dia, ao ver o pedido de estágio da Marina: “Chico e Joana, o DNA da Marina não poderia ser melhor: Jeline Rocha e Guilherme Barros. Por favor levem isso em consideração na seleção dos candidatos para os próximos testes. Abraço”.

Assim escreveu o Aziz num e-mail para os então chefe de Reportagem e editora da Rio em relação a Marina, que havia passado dois anos no jornal O Fluminense – onde se fazia de tudo, e eu e o Guilherme também trabalhamos –, antes de uma temporada na Publicom e na assessoria de imprensa do Sindicato dos Policiais Federais do Rio. Começou em 2014 no Caderno Niterói de O Dia, onde ficou até 2016. Em janeiro de 2017, após vencer os receios normais do trabalho em família, começou na GBR Comunicação, onde hoje é sócia do pai.

Acertou o Aziz e acertou o Guilherme, pois Marina é realmente feliz com a profissão. E eu? Ah! Muito orgulhosa da filha jornalista que, como ouvi de diversos coleguinhas meus (hoje também dela), que foram seus chefes e professores, já demonstrava rapidez nos textos perfeitos em gramática, muita responsabilidade, objetividade e um potencial para crescer. E cresceu! Cresceu com um perfil que herdou do pai: a facilidade em fazer notas para colunas. Tanto que volta e meia me ajuda nessa produção. Afinal, família que trabalha unida, permanece unida…

Marina e Guilherme Barros

Por Marina Barros

O Jornalismo é parte da minha história. Filha de Guilherme Barros e Jeline Rocha, dois grandes nomes da profissão que eu tenho orgulho de ter seguido, lembro bem de estar em um shopping com meu pai e ter que sair correndo, literalmente, em busca de papel para que ele pudesse registrar a apuração de um telefonema despretensioso. Lembro também de ver minha mãe muitas vezes sair às 4h30 de casa para acompanhar gravações do Bom Dia Rio e voltar tarde da noite. Toda dedicação dos dois sempre foi um exemplo para mim. Entrei para a faculdade em 2010 e comecei a estagiar em 2012. Na minha vez não teve matéria “batida” em máquina de escrever ou textos enviados por fax, mas consegui trabalhar em redações tradicionais antes de passar para agência.

É um privilégio prazeroso ter conhecido a moda old school do Jornalismo que, sem dúvidas, vem se transformando. As redes sociais, por exemplo, ganham cada vez mais peso no consumo da informação, mas a visão de especialista do jornalista sempre será a melhor fonte. Acredito que os próximos anos ainda serão de transformação para a profissão, com novas lideranças chegando ao mercado com demandas de comunicação cada vez mais integradas e “fora da caixa”. Até por isso o jornalista tem que estar cada vez mais atento a todas as formas de comunicar, a cada nova oportunidade. Tem que pensar sempre no plus, para além do que já é feito pelos usuários comuns da internet.

Esse mundo da Comunicação que não para de se reinventar esteve sempre presente em todos os meus 30 anos de vida. E hoje posso dizer que é uma honra poder trabalhar e aprender com o meu pai, que foi por muitos anos um dos maiores colunistas de economia do País, até formar sua própria empresa, em 2013, sendo um líder sem igual, que inova a cada dia. Quero contribuir cada vez mais com a GBR e ver a agência conquistar cada vez mais o reconhecimento que merece.

Por Guilherme Barros

Com uma grande amiga, mãe das minhas filhas, e uma filha assim, ambas tão talentosas, brilhantes jornalistas que me inspiram todos os dias na minha vida, como não ser totalmente feliz com o Jornalismo?

A “atração fatal” da imprensa pelo jornalismo declaratório

A “atração fatal” da imprensa pelo jornalismo declaratório

Por Luciana Gurgel, especial para o J&Cia

Luciana Gurgel

O Reino Unido deu um exemplo negativo de sexismo e misoginia no jornalismo, que em vez de combater a discriminação na sociedade preferiu refleti-la.

No domingo (25/4), o Mail on Sunday publicou uma reportagem sobre Angela Rayner, vice-líder do partido do Partido Trabalhista, parlamentar aguerrida que defende suas ideias sem as mesuras dos ingleses da elite como Boris Johnson, educado na sofisticada Eton e formado em Oxford.

O jornal diz ter ouvido em off de parlamentares conservadores a afirmação de que Rayner utiliza atributos físicos para distrair Johnson durante os embates entre os dois partidos, sobretudo quando substitui o líder Keir Starmer na sabatina semanal.

Ali, cruzaria e descruzaria as pernas ao estilo Sharon Stone no filme Atração Fatal, valendo-se da configuração em que lideranças da oposição e do governo sentam-se de frente uns para os outros.

A razão seria a falta de capacidade intelectual para confrontar a sapiência de Johnson, já que largou os estudos aos 16 anos para trabalhar. Assim, usaria as pernas.

Para confirmar a suposta veracidade da história, o jornal cravou que ela teria admitido a prática em conversa informal com uma das fontes da matéria.

A história virou um escândalo político. Não há sinais de que Boris Johnson esteja por trás ou endosse as declarações. Mas elas foram feitas por integrantes do partido liderado por ele.

Parlamentares e jornalistas têm compartilhado episódios de assédio e abusos físicos por parte de parlamentares. Há várias investigações em curso no Parlamento.

Embora a matéria tenha sido feita por um jornal, práticas da mídia entraram na linha de tiro. Em apenas um dia, mais de 5 mil reclamações foram protocoladas no IPSO, órgão de controle da mídia impressa.

Integrante do Associated Newspapers, de propriedade do respeitado Lord Rothemere, herdeiro do jornal fundado por seu bisavô, o Mail on Sunday (versão dominical do Daily Mail) apoia o Partido Conservador. Críticas aos trabalhistas fazem parte da linha editorial.

Mas será que, sob padrões jornalísticos, a matéria pode ser classificada como crítica? O conjunto da obra sugere mais a ridicularização de uma mulher que não faz parte da elite, usando um recurso que não combina com a sua biografia.

Mail on Sunday: sexismo e misoginia

Outra discussão é sobre o off, que de certa forma isenta o jornal de responsabilidade por uma notícia mesmo quando é editada de forma a levar o leitor a crer nela.

Informantes são essenciais para o jornalismo investigativo. Mas revelações precisam ser confirmadas ou embasadas em fatos e documentos.

Apesar de criticados por excessos, os tabloides fazem às vezes um trabalho relevante. No caso do Partygate (festas na sede do governo durante o lockdown), vários furos foram dados por eles, confirmados por trocas de e-mails e imagens.

Não foi o que aconteceu agora. A acusação foi negada por Rayner antes da publicação, inclusive a suposta conversa em que teria admitido usar as pernas. Ela implorou para que a matéria não saísse, em nome dos filhos adolescentes que não mereciam ver a mãe retratada dessa forma, sem sucesso.

O Mail usou o “jornalismo declaratório”, em que as duas partes foram mencionadas, como se fosse suficiente sob a ótica da responsabilidade da mídia.

Rayner ficará marcada como a parlamentar da história das pernas. E mudou a conduta, coisa que nenhuma mulher deveria ter que fazer. Em uma entrevista na terça-feira, trocou as habituais saias por calças compridas.

O chefe do Parlamento ameaçou revogar a credencial do editor de política do Mail, Glen Owen, que assina a matéria. E convocou o diretor de Redação para uma reprimenda.

O Mail reagiu invocando liberdade de imprensa e independência da mídia. E disse que não vai.

Vale lembrar que o Mail (considerando edição de domingo e da semana) só perde em circulação para o Metro, gratuito. E que a circulação de domingo quase bate a da semana toda. Ou seja, muita gente teve acesso à “reportagem”

A reflexão aqui é se liberdade e independência são salvo-condutos para publicar qualquer coisa, incluindo suspeitas sem provas e negadas pelos envolvidos.

O caso é um retrocesso diante de tantos avanços em diversidade e inclusão na mídia britânica. Jornalistas e veículos responsáveis não mereciam isso, em uma era em que a falta de confiança na imprensa ameaça a todos.


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Carlos Tramontina deixa a Globo após 43 anos

Carlos Tramontina deixa a Globo após 43 anos

Apresentador do telejornal local SP 2, Carlos Tramontina está deixando a Globo. O anúncio foi feito dois dias depois de ele comandar o telejornal do Sambódromo antes da transmissão dos desfiles das escolas de samba de São Paulo.

“Tramonta”, como é conhecido, entrou na Globo em 1978, como estagiário. Apresentou o Bom Dia São Paulo por sete anos. Era âncora do SPTV Segunda Edição, o SP 2, desde 1998. Em 2000, passou a apresentar também o Antena Paulista, aos domingos.

Ao se despedir do telejornal na noite de 26/4, não deu nenhuma dica de que seria a última vez. Disse apenas: “O nosso ‘SP segunda edição’ termina por aqui. Quero mandar um abraço para todos vocês. Muito obrigado pelo carinho, boa noite”.

Em comunicado interno, o diretor de Jornalismo Ali Kamel escreveu: “Tramontina deixa hoje a Globo, uma saída em comum acordo. Quis se despedir com duas bonitas ancoragens do SP 2, no Sambódromo, e a transmissão da apuração das Escolas de Samba de São Paulo. Ele deseja dedicar mais tempo para a mulher, os dois filhos e a neta Alice, que nasceu em março. Correr agora não será mais atrás da notícia, mas apenas para manter a forma, como sempre gostou”. José Roberto Burnier, hoje no comando do Conexão GloboNews, na emissora a cabo do grupo, assumirá o SP 2.

Em seu perfil no Instagram, Tramontina reafirmou os termos da mensagem de Kamel, registrando que a saída ocorreu “em comum acordo”. Ele se disse “honrado por ter apresentado todos os telejornais da Globo em rede nacional − Bom Dia Brasil, Jornal Hoje, Jornal Nacional e Jornal da Globo. E todos os de São Paulo”. (Com informações de Maurício Stycer)

Brasileiros são finalistas em sete categorias do Prêmio de Excelência Jornalística da SIP

Brasileiros são finalistas em sete categorias do Prêmio de Excelência Jornalística da SIP

Veículos e comunicadores brasileiros são finalistas em sete das 14 categorias do Prêmio de Excelência Jornalística 2022, da Sociedade Interamericana de Imprensa (SIP). Os vencedores devem ser anunciados em agosto, e a cerimônia de premiação será na assembleia anual da entidade, em Madrid, na Espanha, de 27 a 30 de outubro.

Na categoria Caricatura, é finalista Marcus Vinícius Luna dos Santos Billo, do Jornal Tribuna Independente (AL), com a charge Quando o fake news prevalece. Em Cobertura Noticiosa, o Poder360 está entre os finalistas com a cobertura da Lava Jato.

Na categoria Direitos Humanos e serviço à Comunicade, o coletivo Artigo 19 aparece entre os finalistas, com a campanha Já imaginou perder o lar?. E em Opinião, Andreia Pereira da Silva, colunista do Jornal Hoje em Dia (MG), é finalista com sua Coluna Perspectiva Racial.

O podcast A Vida Secreta de Jair, do UOL Investiga, é finalista na categoria Jornalismo em Profundidade. Apresentado pela colunista Juliana Dal Piva, o projeto teve participação de Gabriela Sá Pessoa, Amanda Rossi, João Pedro Pinheiro (edição de áudio), Eric Fiori, Santhiago Lopes, Natália Mota, Gisele Pungan e René Cardillo. A coordenação é de Juliana Carpanez e Flávio Costa.

O CNN Sinais Vitais está entre os finalistas na categoria Jornalismo sobre Saúde com sua cobertura especial sobre Cuidados Paliativos. E em Jornalismo Universitário, Brenda Aparecida Furtado Marchiori é uma das finalistas com o artigo Produção científica na USP é marcada por desigualdade de gênero, aponta estudo, publicado no Jornal da USP.

Especial Jornalismo nas veias: Jornalismo de hoje é feito por inércia

Especial Jornalismo nas veias: Jornalismo de hoje é feito por inércia

Costábile Nicoletta, que hoje atua com sua própria empresa no desenvolvimento de produção e edição de conteúdo sob encomenda, e o filho Gustavo Nicoletta

Quando meu filho Gustavo Sterza Nicoletta decidiu ser jornalista, senti uma pontinha de orgulho. Não tive interferência em sua escolha, mas o caminho pelo qual optou me leva a crer que minha conduta profissional lhe tenha sido uma boa referência.

Ele ingressou na Cásper Líbero, em 2005, com uma das melhores colocações no vestibular. Em 2006, começou um estágio na Editora Lumière (revistas sobre iluminação e o setor de eletricidade). No fim desse ano, transferiu-se, também como estagiário, para a Ketchum, a fim de fazer assessoria de imprensa para a Viacom.

Nessa mesma época, eu trabalhava como editor adjunto do semanário Meio & Mensagem. Ele nunca me contou, mas fiquei sabendo por meio de uma profissional da Ketchum à época que Gustavo lhe pedira para não participar de pautas que eventualmente envolvessem um contato comigo, pois a Viacom atua na área de mídia, um dos assuntos de interesse do Meio & Mensagem.

Senti outra pontinha de orgulho. Mesmo nos primeiros passos da profissão, Gustavo demonstrou um cuidado ético do qual muitas vezes até alguns colegas veteranos parecem se esquecer. Sua passagem pelo mundo da comunicação corporativa, no entanto, foi efêmera. Pouquíssimo tempo depois de entrar na Ketchum, foi para a Reuters, onde tinha prestado um concurso e o chamaram para um estágio na editoria de commodities.

Ficou lá até meados de 2008, quando passou a trabalhar na mesa de notícias internacionais da Agência Estado, que publica informação em tempo real sobre economia, política e mercado financeiro. Em 2012, transferiu-se para a Agência CMA, também de notícias em tempo real para o mercado financeiro, primeiro como editor de notícias internacionais e depois como editor-chefe, cargo que exerceu até o final do ano passado, quando se mudou para a Agência TradeMap, divisão de notícias da plataforma de investimentos TradeMap, como coordenador de jornalismo. Aos 36 anos de idade, ele compartilha a seguir seus anseios e aflições sobre a profissão.

Por que você se decidiu pelo jornalismo?

Primeiro para satisfazer minha curiosidade. Eu queria entender como as coisas funcionavam e por que algumas delas funcionavam tão mal. Poderia ter feito isso em outras profissões, mas no jornalismo achei que teria ferramentas melhores para encontrar respostas e para divulgá-las. Vale lembrar que tomei essa decisão 20 anos atrás, quando a internet e as redes sociais eram muito menos presentes na vida das pessoas. Hoje talvez não seguisse o mesmo caminho. O outro motivo foi porque queria participar dos acontecimentos relevantes que viriam à frente − ainda que fosse apenas narrando.

Quais foram as suas principais referências no jornalismo?

Você e praticamente todas as pessoas com quem eu trabalhei, além do Jamil Chade, que sempre li, mas nunca conheci.

Quais as principais diferenças entre o jornalismo que você idealizava ao entrar na faculdade, ao dar os primeiros passos na profissão depois de formado e atualmente?

Quando comecei a faculdade, esperava o jornalismo que via nos filmes e vivenciava indiretamente ouvindo o que você me contava. Esse jornalismo era feito de movimento. Repórteres indo até as fontes, indo até os fatos. Ele ainda existe em algumas áreas e para alguns profissionais, mas na maioria das redações, hoje, o que se vê é o processo inverso: as fontes e os fatos vão até os jornalistas. Um jornalismo feito de inércia.

O resultado disso é que a profissão pode ser bem menos empolgante do que se imagina, principalmente para quem está começando. Vira um trabalho de escritório. Nenhum jornalista que conheci, seja na faculdade, seja nas redações, entrou nessa achando que ficaria oito horas olhando para a tela de um computador.

Qual sua avaliação acerca das transformações pelas quais a profissão vem passando nos últimos anos?

Eu estou do lado dos pessimistas. Jornalismo bem-feito é algo precioso, porque expõe o bom, o mau e o feio da sociedade de forma tão clara que provoca mudanças positivas. Tudo que é precioso, porém, tem um preço, e nem todo mundo consegue pagar. Num país como o Brasil, onde cerca de metade da população ganha pouco mais de um salário mínimo, notícia é um serviço caro.

Há assinaturas digitais com preço baixo − algumas a R$ 10 por mês, por exemplo −, mas isso implica que o leitor precisa ter um dispositivo eletrônico (como um celular) e acesso à internet, e que está disposto a gastar sua franquia de dados para consumir o trabalho dos jornalistas. Isso sem considerar questões financeiras, como o fato de que a maioria das pessoas de baixa renda está endividada e precisa contar com qualquer dinheiro que seja para sair desta situação.

Isso restringe o público do jornalismo às grandes capitais e às famílias de alta renda, e, consequentemente, descola o que é produzido pelos grandes veículos da realidade de boa parte da população. Quem não tem condição de pagar e não encontra algo útil nos jornais procura em outros lugares.

Há muitas empresas e organizações interessadas em aproveitar esse vácuo deixado pelo jornalismo para falar diretamente com o público. As eleições passam cada vez menos por debates eleitorais − onde em geral há intermediação de jornalistas − e cada vez mais por redes sociais, por exemplo. A imprensa sofre diretamente os efeitos disso: redações com menos jornalistas, troca de profissionais mais experientes por outros mais jovens, com salários menores.

Como você procura adaptar-se a essas transformações?

Tento entender como as coisas estão evoluindo e pensar no jornalismo como uma coisa maior do que apurar e publicar uma história. Hoje há vários meios de divulgar uma notícia, e há informações que interessam a muita gente, mas recebem pouca atenção. Tento encontrar esses caminhos. Sem público não tem jornalismo.

Que legado considera ter recebido da geração que atuava no jornalismo quando você começou na profissão e qual legado imagina deixar para a próxima geração?

A geração que já estava nas redações quando eu cheguei era muito técnica. Acho até hoje que tinham um texto melhor e mais bem acabado, e se esforçavam muito para não deixar o leitor na mão. A premissa era de que nosso trabalho era entregar respostas, e não dúvidas.

Esses valores são muito importantes até hoje, mas neste momento o que espero deixar de legado é o compromisso com os fatos. Isto é mais importante que qualquer outra coisa na profissão.

Qual a importância do jornalismo para a sociedade nos dias de hoje?

A de sempre. Separar o joio do trigo e entregar isso de bandeja para os leitores. Mas há cada vez menos gente para separar, e cada vez mais dúvida sobre o que é o joio.

Diego, do Flamengo, ridiculariza repórter do SBT em entrevista

Viralizou nas redes sociais um vídeo em que o jogador Diego Ribas, meio-campista do Flamengo, interrompe uma entrevista do repórter Venê Casagrande, do SBT, com o também jogador flamenguista Thiago Maia, com o intuito de ridicularizá-lo.

O caso ocorreu na sala de imprensa do CT Ninho do Urubu, enquanto Venê preparava-se para conversar com o volante rubro-negro, e foi interrompido por Diego, que entrou no local gravando um vídeo em seu celular e disparando comentários sarcásticos contra o repórter.

“O homem das meias verdades. Como que estamos? Que momento! O homem das meias verdades diretamente do Ninho do Urubu… Que momento nós estamos vivendo, Mengão. Vale tudo”, provocou o camisa 10.

 

Durante o vídeo, é possível perceber que o próprio Thiago Maia mostrou-se incomodado com a atitude do companheiro de elenco e chegou a perguntar se Diego estava se dirigindo a ele. Após filmar a cena, o meia deixou o local, e horas depois o vídeo se espalhou pelas redes sociais.

Em apenas um dos perfis que reproduziu o conteúdo, mais de 800 mil visualizações foram atingidas em menos de cinco horas.

Mais tarde, Casagrande publicou um vídeo em seu canal em que atribui a reação do atleta a uma possível retaliação a matéria Panelas, atrasos e jogadores mandando: os bastidores da crise no Flamengo, assinada por ele e por Lucas Felbingerem, e que foi publicada em 2021 pelo jornal O Dia.

Dias depois da reportagem, o Flamengo garantiu o título do Campeonato Brasileiro, e Diego, ao lado de outros companheiros, publicou um vídeo provocando o jornalista.

Pesquisador recebe ameaças após denunciar ataques ao STF no YouTube

Pesquisador recebe ameaças após denunciar ataques ao STF no YouTube

Desde março, o pesquisador e programador Guilherme Felitti, que atuou como jornalista até 2016, vem recebendo diversos ataques e ameaças nas redes sociais após denunciar youtubers de extrema direita que estão excluindo vídeos com ataques ao Supremo Tribunal Federal (STF) e ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE). Muitos deles anunciam suas pré-candidaturas para as eleições de outubro.

Em 2016, Felitti criou a Novelo Data, empresa de dados digitais, e passou a estudar canais de extrema direita no YouTube. Em 2018, criou um robô para coletar dados e mapear vídeos bolsonaristas que ganhavam relevância na plataforma.

Uma pesquisa dele mostrou que, em 2020, um dia após a operação policial de busca e apreensão de computadores e celulares na casa do blogueiro Allan dos Santos, o Terça Livre, canal do blogueiro, tirou do ar 272 vídeos, a maioria deles pedindo o fechamento do STF e por um golpe militar.

No caso atual, os robôs de Felitti mostraram que youtubers bolsonaristas como Gustavo Gayer, Fernando Lisboa e Fred Rodrigues fizeram uma “faxina virtual”, excluindo vídeos com ataques ao STF e TSE, direcionados principalmente aos ministros Alexandre de Moraes e Luís Roberto Barroso.

Ao Intercept Brasil, Felitti contou que divulgou os dados e os repassou a alguns jornalistas. Logo depois, os ataques começaram, vindos de seguidores e dos próprios youtubers: “O Fernando Lisboa me ameaçou de processo e eu respondi: ‘Boa sorte’. Porque, basicamente, o que estamos fazendo é a análise de dados gratuitos e abertos. Qualquer um pode fazer. Já o Gustavo Gayer mudou títulos de vídeos dele para fazer ameaças jurídicas contra mim”. O pesquisador enviou ao Intercept prints de títulos de vídeos que o ameaçam.

De acordo com o levantamento de Felitti, Gustavo Gayer tem mais de 800 mil seguidores no YouTube e, no começo de abril, deletou mais de 50 vídeos, a maioria contendo mentiras e críticas ao STF. O Intercept destaca que Gayer é hoje uma das principais vozes bolsonaristas no YouTube e amigo de deputados como Carla Zambelli, do PL paulista, e Daniel Silveira, do PTB fluminense, “que defende com unhas, dentes e vídeos (agora deletados)”.

Leia a reportagem do Intercept na íntegra.

ICFJ e YouTube lançam programa de combate à desinformação nas eleições

O Centro Internacional para Jornalistas (ICFJ) lançou o programa Jogo Limpo, em parceria com o YouTube Brasil, que tem o objetivo de apoiar novos projetos de combate às fake news sobre as eleições deste ano. As inscrições vão até 15 de maio.

O programa distribuirá um total de US$ 150 mil, com um limite de até US$ 25 mil por projeto, para ajudar na produção de conteúdo, desenvolvimento de tecnologia e difusão de iniciativas de alfabetização midiática, com foco no combate à desinformação sobre as eleições de outubro. Os selecionados terão três meses de orientação especializada com mentores escolhidos pela equipe do ICFJ. As propostas selecionadas terão apoio de divulgação do ICFJ e do YouTube Brasil.

Jogo Limpo incentiva a inscrição de propostas de jornalistas, fact-checkers, publicitários, acadêmicos, pesquisadores e estudantes universitários. Todos os projetos devem estar obrigatoriamente relacionados ao combate à desinformação sobre as eleições no Brasil, demonstrar forte senso de criatividade e inovação e ter um forte cunho jornalístico.

Os projetos escolhidos serão anunciados em 21 de junho. Os processos de desenvolvimento, financiamento e mentoria ocorrerão de 23 de junho até 23 de setembro, mas as propostas devem estar prontas para serem lançadas até 16 de agosto, quando a campanha eleitoral oficial começa no Brasil.

Confira mais informações e inscreva-se aqui.

João Anacleto é o +Admirado Jornalista da Imprensa Automotiva 2022

Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto

Andrea Ramos, Boris Feldman e Karina Simões, e as publicações Quatro Rodas, Autoesporte, Jornal do Carro, FullCast, AutoPapo e Acelerados também foram premiados pelo concurso

Foram homenageados na noite dessa segunda-feira (25/4), em São Paulo, os +Admirados da Imprensa Automotiva 2022. O concurso, que chegou neste ano à quarta edição, elegeu João Anacleto, de A Roda, como o +Admirado Jornalista do Ano.

Da esquerda para a direita: Eduardo Ribeiro, diretor da Jornalistas Editora, João Anacleto e Fernando Soares, editor do J&Cia Auto (Foto: Doug Zuntta)

Dois representantes de Pernambuco completaram o pódio, que teve na segunda posição Jorge Moraes, apresentador dos programas AutoMotor e CBN Auto, e colunista do UOL Carros, e Silvio Menezes, do programa Carro Arretado, em terceiro lugar. Boris Feldman, do AutoPapo, e Bob Sharp, do Autoentusiastas, ocuparam, respectivamente, a quarta e a quinta posições.

Nas categorias temáticas, João Anacleto levou mais um troféu, desta vez como +Admirado Influenciador Digital. Além dele, foram premiados os jornalistas Karina Simões (KS1951), em Jornalista Especializado em Duas Rodas; Andrea Ramos (Estradão), em Jornalista Especializado em Veículos Pesados; e Boris Feldman (AutoPapo), como Colunista.

Já entre as publicações, os prêmios foram para Fullcast (Fullpower), na categoria Áudio – Podcast; AutoPapo, Áudio – Rádio; Jornal do Carro, em Jornal/Caderno Automotivo; Quatro Rodas, em Revista e Vídeo/Redes Sociais); Autoesporte, em Site; e Acelerados, em Vídeo/Programa de TV.

Além dos resultados anunciados durante a cerimônia (confira a transmissão na íntegra no YouTube), uma edição especial, que circulará nesta sexta-feira (29/4), trará detalhes da festa e da emoção dos premiados.

A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva conta com os apoios de Abraciclo, Audi, Bosch, General Motors, Honda, Scania, Volkswagen e Volkswagen Caminhões e Ônibus.

Confira a relação completa dos homenageados na quarta edição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2022:

Jornalistas – Geral

  • Alex Ruffo (Máquinas na Pan)
  • Alzira Rodrigues (AutoIndústria)
  • André Barros (AutoData)
  • André Deliberato (Webmotors)
  • André Marinho (Guia Automotivo)
  • André Paixão (Autoesporte)
  • Andrea Ramos (Estradão)
  • Bob Sharp (Autoentusiastas)
  • Boris Feldman (AutoPapo)
  • Charles Marzanasco Filho (Quatro Rodas)
  • Claudia Carsughi (Site do Carsughi)
  • Cleide Silva (O Estado de S.Paulo)
  • Emilio Camanzi (Carros com Camanzi)
  • Fernando Calmon (UOL Carros)
  • Giovanna Riato (Automotive Business)
  • João Anacleto (A Roda)
  • Jorge Moraes
  • Karina Simões (KS1951)
  • Marcus Lauria (CarPoint News)
  • Paulo Brandão (TV Auto)
  • Paulo Cruz (AutoNews)
  • Sérgio Dias (Alpha Autos)
  • Sérgio Quintanilha (Guia do Carro)
  • Silvio Menezes (Carro Arretado)
  • Tarcísio Dias (Mecânica Online)
  • Zeca (Zeca ao volante)

 

Jornalistas – Duas Rodas

  • Karina Simões
  • Suzane Carvalho
  • Thiago Moreno (Motor1)

 

Jornalistas – Veículos Comerciais

  • Adamo Bazani (Diário do Transporte)
  • Andrea Ramos (Estradão)
  • Pedro Trucão

 

Colunistas

  • Boris Feldman (AutoPapo)
  • Charles Marzanasco (Quatro Rodas)
  • Tarcísio Dias (Mecânica Online)

 

Influenciadores Digitais

  • João Anacleto (A Roda)
  • Jorge Moraes
  • Silvio Menezes (Carro Arretado)

 

Caderno/Jornal

  • Carro Arretado (Jornal do Commercio – PE)
  • Jornal do Carro (Estadão – SP)
  • Jornal Motocycle

 

Canal Digital

  • Auto News
  • Carros com Camanzi
  • Quatro Rodas

 

Podcast

  • CBN Autoesporte
  • Fullcast (FullPower)
  • Motor 1

 

Rádio

  • AutoPapo
  • Guia Automotivo
  • Máquinas na Pan

 

Revista

  • Autoesporte
  • Motor Show
  • Quatro Rodas

 

Site/Blog

  • Autoesporte
  • Quatro Rodas
  • UOL Carros

 

TV

  • Acelerados
  • Auto Esporte
  • Carro Arretado

Especial Jornalismo nas veias: Acompanhar as transformações

Especial Jornalismo nas veias: Acompanhar as transformações

Carlos Ferreira, comentarista de esportes da TV Liberal e colunista no jornal O Liberal., e o filho, Carlos Fellip

Escolhi o nome do meu filho − Carlos Fellip − com as mesmas iniciais do meu (Carlos Ferreira) já pensando na hipótese de ele ser jornalista, mas torci para que escolhesse outra profissão. Cedo, porém, decidiu seguir o meu caminho. Então, já o preparando para o jornalismo e para a vida, sempre que me pedia dinheiro eu apresentava uma reportagem de jornal e exigia um comentário escrito. Ao mesmo tempo, eu estava mostrando que dinheiro é resultado de trabalho e provocando o exercício do jornalismo crítico.

Fellip herdou de mim a paixão, o entusiasmo, o esmero no trabalho, com a mesma preocupação de ter diferenciais. A trajetória dele em oliberal.com, de estagiário a editor executivo em 12 anos, mostra que está construindo uma bela carreira. É muito bom vê-lo numa posição de liderança, influenciando colegas com os seus valores e convicções, conduzindo um projeto exitoso, cheio de perspectivas. Melhor ainda é ser uma espécie de consultor para o meu filho. Fellip costuma me ouvir sobre seus problemas no trabalho, suas estratégias, conquistas, agruras… É uma troca. Eu aprendo muito, principalmente sobre os recursos tecnológicos do webjornalismo e sobre os desafios das relações interpessoais no trabalho.

Essas questões dominaram nossas conversas nas transformações feitas na redação de O Liberal, com o avanço do jornalismo digital dentro da estrutura do impresso. A resistência de quem não entendeu esse processo irreversível, muito estresse na preocupação de não cometer injustiça… Muita pressão! Mas os resultados são gratificantes e geram credenciais para os profissionais que lideram esse salto do oliberal.com e adaptação do tradicional O Liberal, como também do jornal Amazônia.

A geração de Fellip trabalha no divisor de águas, numa pororoca de conflitos com profissionais da era analógica que não conseguem se adaptar. E vive a amarga experiência de ser um para-choque nessa transição. Eu me vejo num meio termo. Depois de três décadas no jornalismo de base analógica, esforcei-me para acompanhar as transformações e acho que estou conseguindo. Tenho o olhar voltado para as possibilidades abertas na era digital, principalmente na televisão, onde interajo a todo momento com jovens muito “antenados”. Tenho com eles a mesma relação de complementaridade que tenho com o meu filho, e ganho muito com isso.

As transformações são também conceituais, com novas funções sociais para o jornalismo, diante da avalanche de fake news nas redes sociais, das inúmeras pautas derivadas das redes sociais, das novas formas de violência, do crescente clamor em defesa do meio ambiente… O mundo nunca mudou tão celeremente. O jornalismo está desafiado diariamente a informar e interpretar, na prestação dos serviços, como nesses tempos de pandemia.

E vejo com admiração o meu filho na vanguarda desse processo, entre o cansaço físico/mental e a glória de ver sua equipe conquistando prêmios importantes, de ver os números de audiência crescendo, de viver o sucesso do trabalho. Tudo isso numa caminhada que está apenas começando, para um jovem de 32 anos. Que Deus o abençoe!

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