Transparência Internacional – Brasil e Abraji levarão jornalistas da Amazônia para Congresso de Jornalismo Investigativo
A Associação Brasileira de Jornalismo Investigativo (Abraji) e a Transparência Internacional – Brasil estão lançando um edital para levar dez jornalistas investigativos que atuam na Amazônia para a versão presencial do 17º Congresso Internacional de Jornalismo Investigativo da Abraji, a ser realizado de 5 a 7 de agosto, em São Paulo. As inscrições vão até 8 de junho.
A ideia é levar profissionais de imprensa com atuação local nos estados da chamada Amazônia Legal (Acre, Amapá, Amazonas, Mato Grosso, Pará, Rondônia, Roraima e Tocantins e Maranhão). Os selecionados terão acesso a palestras, rodas de conversas, cursos e oficinas, realizados no campus da Fundação Armando Alvares Penteado (Faap). Passagens aéreas, hospedagem e ingresso do Congresso serão pagos por Abraji e Transparência Internacional − Brasil.
Interessados em se inscrever devem ter feito ao menos uma reportagem sobre questões relacionadas a transparência e integridade, abordando temas como meio ambiente, obras de infraestrutura, licitações e obras públicas, entre outros, publicadas em qualquer meio. O edital valoriza a diversidade de gênero, etnia, raça e região na seleção, e podem participar jornalistas experientes ou em início de carreira.
Os selecionados serão anunciados em 13 de junho. Mais informações e inscrições aqui. Em caso de dúvidas, é preciso enviar um e-mail para [email protected] com o assunto “Edital Abraji/TI”.
Amara Moira estreia coluna de esportes com viés LGBT+ no UOL

Travesti e doutora em crítica literária pela Unicamp, Amara Moira estreou uma coluna no UOL sobre esportes com viés LGBT+, feminista e antirracista. Em seu primeiro artigo, fala sobre a relação entre travestis e o futebol ao longo do tempo:
“Alguns anos atrás, se você digitasse “travesti” + “futebol” no Google, todas as matérias que apareceriam seriam de algum escândalo com jogadores famosos envolvendo travestis. (…) Se vocês fizerem hoje o mesmo experimento, o resultado vai ser diferente. Pelo menos quando eu digitei essas palavrinhas mágicas, os primeiros resultados eram de matérias a respeito de pessoas trans começando a ocupar espaços no futebol e em outros esportes. (…) Mas a nossa presença num esporte tão popular não se resume a estarmos dentro do campo. Vocês acham que travesti não torce pra time de futebol?“
Por meio de seu perfil do Twitter, Amara revela que tudo começou quando Milly Lacombe a sondou sobre a possibilidade de se tornar colunista do UOL Esporte, e que foi uma das propostas mais inesperadas que já recebeu. “Mas vocês acham que eu não ia aceitar? Inesperada é meu sobrenome”, brinca.
Amara é torcedora do Palmeiras e afirma que vem daí sua relação de amor ao esporte. Apesar disso, ela precisou manter-se afastada dos estádios por dez anos, a partir do momento que iniciou sua transição de gênero, por medo de violência:
“[O estádio] é um espaço em que a LGBTfobia é muito forte, mas ontem eu fui e quero contar um pouco disso, de como os LGBT’s estão começando a fazer parte desse universo que antigamente se pensava que não tinha nada de LGBT”, declarou, em live do Canal UOL no YouTube.
Além da coluna no UOL, Amara Moira escreve sobre transexualidade e feminismo para o BuzzFeed Brasil.
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Diversidade, Equidade e Inclusão: a mídia, de estilingue a vidraça
Por Luciana Gurgel

Não é de hoje que a DEI (diversidade, equidade e inclusão) entrou na agenda das grandes companhias, expostas a cobranças do público e de investidores.
No jornalismo, a cobrança demorou mais a chegar. Mas veio com força, colocando empresas de mídia na situação em que elas raramente se encontram: a de vidraça, e não de estilingue.
Em todo o mundo multiplicam-se pesquisas demonstrando o que os que vivem no mundo da imprensa já sabem: com raras exceções, a mainstream media continua privilegiando homens brancos e da elite.
Correspondentes de cinco países que colaboram para o Especial DEI do MediaTalks, que circula na semana que vem, relataram situações diversas. Em alguns mercados, o problema é gênero; em outros, a representação de povos originários.
Na Europa uma das grandes questões sociais é a aversão aos migrantes, criminosamente promovida por governantes de extrema direita, e que que não é endossada pela grande imprensa. Pelo menos não de forma explícita.
O Reino Unido é um exemplo dessa ambiguidade. Com exceção de tabloides mais radicais, a narrativa anti-imigração do Brexit não foi incorporada formalmente pelos grandes veículos.
E boa parte da mídia condenou o plano recente do governo de Boris Johnson de criar um centro de migrantes em Ruanda. Lá, os que chegarem ao país pelo Canal da Mancha ficarão aguardando os vistos serem processados.
Mesmo assim, alguns jornais abriram espaço para colunistas defenderem o projeto. E noticiaram com certo entusiasmo a desistência de pedidos de asilo por parte de migrantes que temiam ser levados para o país africano.
O tratamento dúbio em relação aos imigrantes pode ser resultado do que acontece da porta para dentro das redações. Disparidades sociais, de raça, de gênero e diferenças em remuneração resistem firmes, embora sejam admitidas nos acompanhamentos feitos pelas próprias empresas de mídia.
Se o problema é reconhecido e as transformações não acontecem na velocidade esperada, outras formas de pressão, além de reclamar, começam a emergir.
Nos EUA, negros e hispânicos se organizaram em associações para exigir igualdade de condições na mídia.
E 140 entidades assinaram uma carta aberta aos organizadores do Pulitzer pedindo que relatórios de diversidade, equidade e inclusão sejam levados em conta para qualificar empresas jornalísticas a receberem o cobiçado prêmio, o mais importante do setor.
O reconhecimento principal deste ano foi para o Washington Post, com uma série reconstruindo o antes, o durante e o depois da invasão do Capitólio, em 2021.
Se a regra proposta no manifesto estivesse em vigor, talvez ele não fosse premiado. O sindicato de jornalistas do Post divulgou um relatório atualizando a situação da DEI no jornal, que não é boa. E piorou em um ano, apesar de uma editora-chefe mulher, Sally Buzbee, ter assumido o comando.
Em um painel conduzido pelo Media Diversity Institute do Reino Unido no congresso internacional de jornalismo de Perugia, em abril, um dos debates foi sobre se diversidade deve virar critério para o financiamento do jornalismo de interesse público, geralmente custeado por governos ou pelas taxas cobradas da população.
Exemplos como o de Joe Biden, que nomeou a negra, imigrante e gay Karine Jean-Pierre para o cargo de porta-voz, são importantes para dar o recado de que há gente diversa capacitada a ocupar posições de destaque.
Entrevistado para o especial do MediaTalks, o professor de jornalismo da Universidade Carlos III de Madri Luis Albornoz, autor do capítulo de mídia do mais recente relatório da Unesco sobre diversidade na indústria cultural, defende as cotas de discriminação positiva em locais onde as desigualdades são mais acentuadas.

Em alguns países, elas começam na academia. Deborah Berlinck relata em nossa edição especial o funil existente na França para acesso às poucas escolas de jornalismo, que acabam sendo frequentadas por filhos da elite.
Mudar não é fácil, embora caminhos existam. Sem vontade, contudo, o difícil vira impossível.
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Maria Gal estreia programa de entrevistas sobre inclusão racial
Fazer uma comunicação “com a cara do Brasil”. Esse é o papel da inclusão racial na TV, segundo Maria Gal. Estreando como apresentadora, ela está à frente do Preto no Branco, programa de entrevistas focado no protagonismo negro que discutirá a inclusão racial em diferentes espaços. Com seis episódios, a primeira temporada da produção independente estreia nesta quinta-feira (26/5), às 23h30, pela BandNews TV.
Um diferencial da produção é que a diversidade está também atrás das câmeras: mais da metade da equipe é formada por pessoas negras, além de lideranças femininas, como Kelly Castilho, diretora do programa.
Entre os convidados estão Liliane Rocha, Lia Schucman, Teo Van Der Loo, o jogador Aranha, Renato Meirelles, pastor Henrique Vieira, Joana Mendes, Erica Malunguinho e Gabriela Mentes.
Em entrevista ao Portal dos Jornalistas, Maria Gal falou sobre a atual situação do negro no audiovisual brasileiro, as motivações para a criação do novo programa, e sobre a importância da diversidade racial na comunicação. Confira a íntegra:
Portal dos Jornalistas – Atualmente, qual a situação do negro no audiovisual brasileiro? O que você vê como conquista e o que falta para termos mais equidade nessa área?
Maria Gal – Antes de falar como que está o profissional negro nessa área do audiovisual hoje, é importante lembrar que a gente está falando de um setor, o audiovisual, que é um dos que tem o maior PIB no Brasil. Maior que o da indústria farmacêutica, inclusive. E a situação hoje do profissional negro é que está no início de uma caminhada, de uma mudança. Estamos falando de um setor que tem a maioria branca, e homens brancos principalmente, nas posições de maior poder. Falo de produtores, diretores, roteiristas, quem assina os cheques. Enquanto o profissional negro, pensando em quem está à frente das câmeras, como atrizes e atores negros, eles ficam à mercê desse olhar do outro, que muitas vezes é estereotipado, até racista, em relação ao tipo de personagens que os atores e que as atrizes podem fazer. Existe uma pesquisa da Ancine que demonstra isso, feita, se não me engano, em 2017, e ela mostra que, dos filmes produzidos no Brasil, apenas 4,4% tinham atrizes negras no protagonismo. Na função de diretores, roteiristas, e produtores, [o número] era ínfimo, a porcentagem quase não aparecia no gráfico, de tão baixa.
É claro que está mudando, e essa mudança está vindo de forma um pouco mais contundente após o assassinato de George Floyd. Então é importante lembrar que, infelizmente, para a gente ter uma mudança mais contínua como estamos vendo agora, teve que acontecer um fato tão cruel como aquele para o mundo se mobilizar, para as empresas mundiais se mobilizarem. Então, o que eu posso dizer é que a gente está no início de uma caminhada, e que precisamos de mudanças urgentes, rápidas, e mais radicais.
PJ – O que vocês prepararam para este novo programa? E o que esperam alcançar com ele?
MG – Esse programa veio justamente após o assassinato do George Floyd. Primeiro eu ocupei a rede [social] da atriz Bianca Bin, fazendo algumas entrevistas lá. E conversando com uma amiga, que foi a Rosane Svartman, veio essa ideia da importância de continuar essas entrevistas. Também me inspirei em alguns programas norte-americanos, um deles, o da Oprah, que é o The Oprah Conversation. O objetivo é educar a nossa sociedade. A gente viveu o mito da democracia racial por longos anos, e ainda tem muita gente hoje que acredita na meritocracia e no mito da democracia racial, então o que a gente quer é educar, letrar a sociedade. Cada episódio terá um tema diferente e trará um entrevistado, negro ou branco, que tenha um trabalho consistente a respeito do tema da diversidade. Eles falarão para podermos debater e escutar, é um programa que propõe o diálogo, e para isso, é de extrema importância que as pessoas estejam na escuta.
PJ – Você tem aplicado a inclusão na prática, em sua produtora, contratando uma maioria de profissionais negros. Muitos gestores alegam que é difícil fazer isso. Você concorda? O que é preciso fazer para ter uma equipe realmente diversa?
MG – A mudança em qualquer empresa tem que vir de cima pra baixo, não tem jeito. São os grandes gestores, os grandes executivos, os líderes, que têm que estar letrados a respeito desse tema. Dizer que “é difícil encontrar profissionais negros qualificados”, a questão é, onde se está procurando? Onde está se fazendo essa busca? Porque profissionais existem, obviamente, o que falta é a oportunidade. E se a gente quer de fato uma sociedade mais justa, com maior equidade, é de extrema importância que esses gestores, esses executivos, líderes, comecem a se reeducar a respeito dessa pauta.
PJ – Quais são os benefícios da diversidade e inclusão racial para a comunicação?
MG – Os benefícios são inúmeros. Desde a questão da empregabilidade, de poder contratar mais pessoas negras para esse setor que é tão complexo, até a gente ter de fato uma comunicação, uma TV, um cinema com a cara do Brasil. As pessoas querem se ver. Às vezes, eu ligo a TV e me sinto na Dinamarca, aliás, ouso dizer, às vezes nem na Dinamarca [risos], porque mesmo nos países nórdicos, a gente tem visto muitas, muitas pessoas negras. Então, a importância desse tema na comunicação é da gente ter uma comunicação real, uma comunicação de fato com a cara do Brasil, onde as pessoas possam se identificar. Ao contrário disso, elas vão fazer como eu faço, eu conheço muitas pessoas que fazem, que é colocar no streaming, num conteúdo que ela de fato possa se identificar, se reconhecer. É o que a gente fala inclusive do black money, se eu não me vejo, não consumo, simples assim. Então, a gente tendo uma comunicação mais inclusiva, onde as pessoas de fato possam se ver, a gente obviamente vai ter uma visibilidade até dos próprios patrocinadores apoiando esse tema e essa causa tão necessária no Brasil e na sociedade. Nesse sentido, para as grandes empresas é uma possibilidade fantástica, podendo trazer mais recursos e mais visibilidade.
#diversifica
Curso gratuito discute saúde mental de jornalistas
O Instituto de Tecnologia e Sociedade do Rio (ITS Rio) e o Redes Cordiais realizam o curso gratuito online Jornalistas e saúde mental: como encontrar o equilíbrio, que mostrará mecanismos de apoio emocional para profissionais de imprensa e como explorar uma relação mais saudável com as redes sociais. O treinamento tem apoio do Meta Journalism Project. As inscrições vão até 30 de maio.
Serão cinco aulas ao vivo, via plataforma interativa do ITS Rio. As aulas abordarão temas como o panorama da saúde mental no Brasil e no mundo, a influência de marcadores sociais, como gênero e raça, no bem-estar de jornalistas, e dicas de como lidar com coberturas potencialmente traumáticas e prevenir-se de ataques digitais.
A ideia é promover a saúde mental de profissionais de imprensa, considerando o trabalho intenso na cobertura de grandes eventos, como a pandemia de Covid-19 e as eleições deste ano, conforme explicou Clara Becker, cofundadora do Redes Cordiais: “Identificamos a necessidade de agir, buscando explicações e caminhos. Não bastava apresentar o problema. A ideia foi apresentar soluções”.
Os alunos devem acessar ao menos 75% das aulas gravadas e ao vivo, em até 15 dias após o curso, para receber o certificado. Mais informações e inscrições aqui.
IMS lança site Testemunha ocular, com a memória da fotografia jornalística
Entra no ar em 2/6 o site Testemunha ocular. Criado pelo Instituto Moreira Salles, reúne imagens produzidas por repórteres fotográficos, além de textos críticos, depoimentos em vídeo e fotos históricas. Com projeto de Flávio Pinheiro – que foi superintendente do IMS entre 2008 e 2020 –, a edição do site coube a Mauro Ventura, e Leo Aversa respondeu pela edição das imagens.
O espaço está dividido em seis seções. A primeira apresenta a produção e trajetória dos repórteres fotográficos cujos acervos estão sob a guarda do IMS, como profissionais que pertenceram aos quadros da revista O Cruzeiro, e mais Evandro Teixeira, Custódio Coimbra e Walter Firmo. Para cada um, há uma página com a biografia, uma amostra de 50 imagens e dossiês bibliográficos.
A seção seguinte traz o trabalho de 44 fotógrafos de diversas regiões do Brasil, e que não integram o acervo do IMS. A seleção inclui tanto veteranos quanto jovens em ascensão, e homenageia dois grandes nomes da imprensa brasileira que faleceram neste ano, Orlando Brito e Erno Schneider. Os profissionais de diferentes estados têm uma página no site, com a biografia e uma seleção de 20 imagens.

A seção dedicada a fotos históricas, provenientes do acervo dos Diários Associados – adquirido em 2016 – e de outras coleções do IMS, terá um conjunto de imagens acompanhadas de um texto de contextualização. O site publica ainda comentários críticos sobre determinadas fotos, produzidos por acadêmicos e escritores. Mário Magalhães, por exemplo, comenta uma imagem feita em 1976, por Orlando Brito, que registra um tenente do Exército envergando uma braçadeira com a inscrição ‘Imprensa’.
Há também conteúdo em vídeo. Na seção Relance, profissionais contam a história de uma imagem que marcou sua carreira. O núcleo Vida longa traz depoimentos de fotógrafos sobre suas carreiras. O site contará ainda com notícias sobre a fotografia no jornalismo atual, destacando premiações e registros marcantes.
Flávio Pinheiro comenta o projeto: “Os 50 profissionais que mostram seus trabalhos no site foram e são perspicazes observadores da cena brasileira com toda sua diversidade social e regional, de raça e de gênero. Revelam que, apesar do avanço das imagens em movimento, as imagens fotográficas ainda produzem forte impacto e são necessárias para o entendimento da realidade”.
Jamil Chade lança newsletter com cartas para personalidades
O colunista do UOL Jamil Chade estreia nesta terça-feira (24/5) uma newsletter, exclusiva para assinantes do UOL, na qual escreverá cartas para personalidades de diversos ramos. A ideia é que os textos abram “um debate sobre que futuro queremos construir”.
“Os leitores podem esperar questionamentos, provocações, mas acima de tudo reflexões sobre como reconstruir o futuro que tanto a pandemia como a guerra (da Ucrânia) nos exigem hoje”, explicou Jamil.
A primeira carta é direcionada ao presidente dos Estados Unidos Joe Biden. O jornalista faz uma cobrança para que o político assuma suas responsabilidades de representar a democracia. Assinantes podem conferir o texto aqui.
Autor de sete livros, três deles finalistas do Prêmio Jabuti, Jamil Chade pretende lançar o oitavo no segundo semestre, escrito em parceria com Juliana Monteiro. A obra falará sobre a troca de cartas entre dois brasileiros que vivem fora do Brasil, o próprio Jamil, correspondente em Genebra, na Suiça, e Juliana, que mora em Roma.
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