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Inscrições abertas para o 4º Prêmio C6 de Jornalismo

Inscrições abertas para o 4º Prêmio C6 de Jornalismo

Estão abertas até 31 de outubro as inscrições para a quarta edição do Prêmio C6 de Jornalismo, realizado pelo C6 Bank, que tem o objetivo de valorizar trabalhos sobre cidadania e educação financeira e finanças pessoais.

Podem ser inscritos conteúdos veiculados durante 2022, até 31 de outubro. O prêmio tem duas categorias, uma para reportagens impressas e online, e outra voltada para conteúdos veiculados em podcasts, rádios, TV ou YouTube. O vencedor de cada categoria receberá R$ 18 mil. Cada jornalista pode inscrever até três trabalhos.

Interessados devem preencher a inscrição no site do prêmio e é preciso realizar o upload de arquivo em formato PDF ou inserir o link no caso de trabalhos em formato audiovisual.

Os trabalhos serão julgados com base em didatismo, relevância, qualidade e ineditismo. Os três finalistas de cada categoria serão conhecidos em 20 de dezembro, e os vencedores, em 5 de janeiro de 2023.

Leia também: 

Subjetividades: Jornalistas clamam por uma imprensa mais diversa e inclusiva

Um conteúdo:

O #diversifica, hub de conteúdo multimídia para Diversidade, Equidade e Inclusão do Portal dos Jornalistas, lançou nesta semana o especial Subjetividades em formato de revista digital. Nele, seis jornalistas, cada um representando um grupo minorizado pela sociedade e pela imprensa, levantam discussões, provocações e pensamentos em busca de um jornalismo mais diverso e inclusivo.

O conteúdo foi extraído a partir da série de entrevistas comandadas por Luana Ibelli durante a primeira temporada do videocast #diversifica. Participaram dos encontros Caê Vasconcelos (LGBTQIA+), do UOL; Jairo Marques (Pessoas com Deficiência), da Folha de S.Paulo; Luciana Barreto (Negritude), da CNN Brasil; Nayara Felizardo (Territórios), do The Intercept Brasil; Luciene Kaxinawá (Indígenas), da Amazônia Real; e Erick Mota (Neurodivergentes), da RIC TV/Record-PR.

“Nesta edição, cheia de Subjetividades, assumimos lados para mostrar que a transformação do jornalismo a partir da diversidade não só é legítima, como também urgente”, alerta Luana. “A crise da nossa profissão, que luta para ter credibilidade junto ao público, não é só de formato, mas também de reconhecimento”.

Apoiaram esta iniciativa: Ajor (Associação de Jornalismo Digital), ICFJ (International Center for Journalists), Meta Journalism Project, Itaú, Rádio Guarda-Chuva, Imagem Corporativa, AngloAmerican, Klabin, McDonalds, PMI, GPA, Oboré Projetos Especiais e Énois Conteúdo.

Confira a edição.

Repórter da ESPN é assediada ao vivo por torcedor do Flamengo

Repórter da ESPN é assediada ao vivo por torcedor do Flamengo

Jéssica Dias, repórter da ESPN no Rio de Janeiro, foi assediada ao vivo por um torcedor do Flamengo enquanto cobria os arredores do Maracanã antes do jogo entre o time carioca e o Vélez Sarsfield, da Argentina, pela Libertadores. O autor do ato, Marcelo Benevides Silva, foi detido e teve prisão preventiva decretada.

Jéssica falava ao vivo para o programa SportsCenter, com torcedores do Flamengo cantando ao fundo, quando de repente Marcelo lhe deu um beijo, e logo em seguida saiu do quadro da imagem. A repórter ficou claramente desconfortável com a situação. Ele também passou a mão em Jéssica antes da entrada ao vivo. A equipe que acompanhava a repórter conseguiu segurar o agressor e pediu à polícia que o encaminhasse para a delegacia.

No estúdio, Marcela Rafael, uma das apresentadoras do SportsCenter, solidarizou-se com Jéssica: “A torcida estava tão legal e aí vem um palhaço e termina deste jeito o nosso SportsCenter. Jessica, eu sinto muito. Eu sei o que é isso porque já passei muito por isso”.

Tanto a repórter da ESPN quanto o torcedor foram encaminhados ao Juizado Especial Criminal localizado no Maracanã para prestar depoimento. Após a audiência de custódia, Marcelo foi preso de forma preventiva. O torcedor estava acompanhado de um filho menor de idade, e a ESPN e os advogados do Flamengo se colocaram à disposição para dar assistência ao jovem.

Em seu perfil no Instagram, Jéssica comentou o ocorrido: “‘Foi só um beijinho no rosto’. Não. Não foi. Antes tiveram muitos xingamentos e importunação porque o ao vivo demorava. Pedi calma e para que não ficasse xingando, não precisava. Vieram os ‘pedidos de desculpa’ com alisamentos nos ombros e um beijo no local. (…) Eu sofri importunação sexual enquanto trabalhava e isso é crime. Eu não queria beijo, não queria carinho, não queria passar 3h em uma delegacia. Eu só queria trabalhar. O ser humano que fez isso estava com um filho menor de idade que se desculpou pelo pai”.

O caso ganhou enorme repercussão negativa nas redes sociais. Colegas e entidades repudiaram o ocorrido e prestaram solidariedade a Jéssica. Em nota, a ESPN escreveu que “atitudes como essa não cabem hoje no nosso planeta, seja em um jogo de futebol ou na casa de qualquer mulher. (…) Jéssica, como toda mulher deve fazer, registrou boletim de ocorrência. A ESPN e a Disney repudiam qualquer tipo de agressão contra as mulheres. A empresa vai dar todo apoio a nossa repórter e esperamos que o agressor seja punido com todo o rigor que a lei permite”.

O Flamengo também repudiou o ocorrido: “É lamentável que atos repugnantes como este, que não representam a Nação Rubro-Negra, ainda aconteçam”.

No Twitter, Marcela Rafael publicou que “beijar uma mulher sem que ela queira é assédio. Acreditem, tem gente que não sabe isso. (…) 2022 e isso ainda acontece. Eu já passei por isso e sei o quanto é humilhante. Ninguém tem esse direito. Ela estava trabalhando e um homem acha que pode beijar a repórter porque sim. Um dia especial de semifinal de Conmebol Libertadores e terminamos com raiva e tristes. Mas a gente reage e segue. Porque somos fortes e não vamos parar! Nem nos calar!”.

Jornalista é morto a tiros em Pedro Juan Caballero

Jornalista é morto a tiros em Pedro Juan Caballero

Humberto Andrés Coronel Godoy, jornalista paraguaio da Rádio Amambay, foi assassinado a tiros na terça-feira (6/9) em Pedro Juan Caballero, cidade do Paraguai vizinha de Ponta Porã (MS). Godoy é o segundo jornalista morto na região desde 2020.

Segundo autoridades, o crime ocorreu em frente ao prédio da rádio onde Godoy trabalhava. Ele se preparava para entrar em seu veículo. A Rádio Amambay pertence à família de José Carlos Acevedo, ex-prefeito de Pedro Juan Caballero, morto em atentado na mesma cidade em maio deste ano. Em 2016, dois criminosos lançaram granadas contra a emissora, mas por sorte, elas não explodiram.

Em junho passado, Godoy e o colega Gustavo Manuel Báez Sanchez foram à delegacia para denunciar que tinham sofrido ameaças de morte. Na ocasião, ao sair de casa, Sánchez encontrou na rua um cartaz que dizia: “Sabe muitas coisas. Vamos apagar o que sabe muito. Gustavo e Umbertito”, em referência aos dois jornalistas. No dia seguinte à denúncia, a Justiça nomeou um agente policial para dar proteção a Sánchez.

A cidade Pedro Juan Caballero é marcada por violência, assassinatos e presença de integrantes de facções criminosas, muitos deles ligados ao Primeiro Comando da Capital (PCC). Em fevereiro de 2020, o jornalista brasileiro Léo Veras foi assassinado com 11 tiros enquanto jantava com a família. Investigações iniciais apontaram que ele havia sido morto por integrantes do PCC.

Boris Jonhson: como a despedida pavimentou o caminho para a volta ao jornalismo

Boris Jonhson: como a despedida pavimentou o caminho para a volta ao jornalismo e a entrada no mundo das palestras

Por Luciana Gurgel

Luciana Gurgel

O ex-jornalista Boris Johnson deixou o cargo de primeiro-ministro britânico na terça-feira (6/9) com a mesma habilidade com a mídia que o transformou em um dos políticos mais populares da atualidade.

“Popular” não é empregado aqui no sentido de admirado. Depois de quase um ano de desgastes na imagem por escândalos como o recebimento de doações para redecorar a residência oficial com papel de parede folheado a ouro, o Partygate e o acobertamento a colegas de partido acusados de assédio sexual, ele se retirou com um gosto amargo.

A última pesquisa do instituto YouGov revelou que só 22% dos britânicos acham sua gestão boa ou ótima, enquanto 55% a avaliam como ruim ou terrível.

Um resultado lamentável para quem entregou o Brexit, apoiado por metade do país. E que reverteu a má impressão inicial sobre a gestão da pandemia com um programa de vacinação que fez o povo esquecer dos primeiros dias de caos.

Mas o evento midiático da partida não espelhou isso. Foi marcado para 7h30 da manhã, hora em que dificilmente muitos que se opõem a ele estariam no centro de uma Londres chuvosa para protestar.

Johnson, ou algum de seus assessores − quem sabe sua mulher, Carrie, ex-diretora de comunicação do Partido Conservador −, pensou bem ao marcar o horário.

Uma claque formada por funcionários públicos e parlamentares do círculo próximo aplaudiu o líder.

Imagens da saída da casa, enfrentando um corredor polonês de assessores batendo palmas quando ele se dirigia ao pódio para falar à nação, foram reproduzidas durante todo o dia nas TVs.

O mundo cor de rosa projetado por Johnson no discurso entusiasmado foi um movimento de comunicação destinado a contornar uma crise de imagem maior, que pode custar ao Partido Conservador a perda do governo nas próximas eleições gerais, marcadas para 2025, mas que podem ser antecipadas.

Ele não escondeu o ressentimento pelo que considera uma manobra do partido para forçar uma renúncia e assim evitar uma derrota em uma votação de não-confiança. Mas logo emendou em uma declaração de apoio à nova primeira- ministra, Liz Truss.

E fez uma comparação com o mundo animal de Downing Street para pedir união no partido desgastado pela briga pública entre os dois concorrentes ao cargo, Truss e Rishi Sunak, durante os debates eleitorais. Johnson disse que todos devem se entender como se entenderam seu cão Dylan e o lendário gato da sede do governo, Larry.

Muitos indagam agora sobre o futuro de Boris Johnson. Poderia ser desastroso, caso ele tivesse saído do governo logo após a renúncia.

Boris Johnson (Crédito: Ben Shread / Cabinet Office, OGL 3)

Mas em seu estilo ousado, ele desafiou o padrão e ficou até a passagem do bastão para Liz Truss, aproveitando o tempo para reparar sua imagem com visitas à Ucrânia e eventos midiáticos para consolidar sua reputação de líder “fazedor”.

Há rumores sobre sua possível volta como primeiro-ministro eleito, por ser o nome mais forte do partido Conservador para disputar eleições gerais e evitar a perda do governo para o Partido Trabalhista.

Antes disso, o midiático Johnson deve aproveitar a visibilidade para voltar ao jornalismo, escrevendo colunas − como as que publicava no jornal Daily Telegraph antes de assumir o comando do governo − e ingressar no milionário mundo das palestras.

Embora cultive um estilo exótico, com os cabelos despenteados fazendo a alegria dos cartunistas, Boris Johnson inscreveu seu nome na política global. E defende teses caras ao empresariado, como deixou claro seu discurso de despedida, em que enalteceu a iniciativa privada.

Parece um recado para possíveis contratantes, que podem ajudá-lo a cumprir suas novas metas.

Segundo fofocas da imprensa britânica, ele gostaria de arrecadar 3 milhões de libras em um ano, dinheiro suficiente para comprar uma casa nova, sustentar seu alto padrão de vida e cumprir obrigações com uma penca de filhos de casamentos e relacionamentos anteriores.

Pela aula de RP que deu na despedida, não vai ser difícil.


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Bolsonaro ataca Amanda Klein após pergunta sobre imóveis em dinheiro vivo

Bolsonaro ataca Amanda Klein após pergunta sobre imóveis em dinheiro vivo

O presidente Jair Bolsonaro irritou-se com uma pergunta feita por Amanda Klein, durante sabatina realizada pela Jovem Pan News, sobre a compra de imóveis em dinheiro vivo por ele e seus familiares. Ao responder, o presidente atacou a jornalista e a acusou de ser “leviana”.

Amanda perguntou sobre a origem dos recursos da família Bolsonaro, citando a reportagem do UOL que revelou que Bolsonaro e seus familiares negociaram 107 imóveis desde 1990, sendo que ao menos 51 foram adquiridos de forma total ou parcial com dinheiro em espécie. Ela citou também suspeitas de corrupção envolvendo a família Bolsonaro, como a prática de rachadinhas pelos filhos do presidente, e funcionários fantasmas quando Bolsonaro era deputado federal em Brasília.

Em sua resposta, Bolsonaro disse: “Amanda, você é casada com uma pessoa que vota em mim. Não sei como é o teu convívio com ele na sua casa…”. A jornalista reiterou que sua vida pessoal não estava em pauta. Bolsonaro então perguntou: “E a minha (vida) particular está em pauta por quê?” Amanda respondeu que ele era uma figura pública, o presidente da República. Bolsonaro então disse: “Respeitosamente, essa acusação tua é leviana”.

Em sua resposta, Bolsonaro disse ainda que que pediria a certidão dos imóveis do marido de Amanda para ver se foram comprados com dinheiro vivo, e questionou se a jornalista o estava rotulando de corrupto: “Se a Folha de S.Paulo faz essa investigação sem pé nem cabeça para me atingir, me perseguem há mais de quatro anos, agora você, da Jovem Pan, vai querer endossar a Folha de S. Paulo?”, disse o presidente, confundindo o jornal com o UOL.

Em entrevista ao canal de Cíntia Chagas, em abril, Amanda, que é casada com o empresário Paulo Ribeiro de Barros, contou que o marido é eleitor de Bolsonaro, e que “às vezes, dá briga no jantar. (…) O fato de ele votar no Bolsonaro e eu não, não quer dizer que a gente não tenha pontos em comum”, disse ela na entrevista.

Vale lembrar que esta não é a primeira vez que o presidente ataca mulheres jornalistas. No mês passado, durante o primeiro debate entre os candidatos à Presidência organizado por Bandeirantes, Folha de S.Paulo, UOL e TV Cultura, Bolsonaro atacou Vera Magalhães após a jornalista fazer uma pergunta sobre vacinas. O presidente disse que Vera era “uma vergonha para o jornalismo brasileiro”.

Conajira repudia racismo sofrido por Katya Dangeles

Conajira, da Federação Nacional dos Jornalistas repudiou a fala racista do candidato ao governo do Piauí Silvio Mendes contra Katya Dangeles.
Conajira, da Federação Nacional dos Jornalistas repudiou a fala racista do candidato ao governo do Piauí Silvio Mendes contra Katya Dangeles.

Um conteúdo:

A Comissão Nacional dos Jornalistas pela Igualdade Racial (Conajira), da Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj), repudiou a fala racista do candidato ao governo do Piauí Silvio Mendes contra Katya Dangeles, da TV Meio Norte.

Em entrevista a Katya na quarta-feira (31/8), Mendes disse: “Você é quase negra na pele, mas é inteligente”.

Diante do ocorrido, a Conajira afirmou ser inadmissível que um candidato ao Governo do Estado do Piauí expresse uma fala racista e pejorativa sobre a população negra, “além de demostrar total desconhecimento e desrespeito em relação às várias tonalidades da pele negra”.

Na nota, a Comissão relembrou que diariamente jornalistas negras enfrentam o racismo e a misoginia no País, além de ressaltar que o presidente da República age de forma que estimula ódio e preconceitos.


O #diversifica é um hub de conteúdo multiplataforma sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Ele conta com os apoios institucionais da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project, Imagem Corporativa e Rádio Guarda–Chuva.

Abertas as inscrições para a segunda edição da Conferência Latino-Americana sobre Diversidade no Jornalismo

O Centro Knight abriu inscrições para a Segunda Conferência Latino-Americana sobre Diversidade no Jornalismo.
O Centro Knight abriu inscrições para a Segunda Conferência Latino-Americana sobre Diversidade no Jornalismo.

Um conteúdo:

O Centro Knight abriu inscrições para a Segunda Conferência Latino-Americana sobre Diversidade no Jornalismo. O evento, online e gratuito, patrocinado pela Google News Initiative, será em 9 e 10/9, em espanhol. As inscrições devem ser feitas pelo site.

Durante a conferência, a discussão se aprofundará em DEI (Diversidade, Equidade e Inclusão), com painéis e apresentações sobre populações indígenas e afrodescendentes na América Latina; diversidade sexual; migração e novas narrativas, veículos e iniciativas que promovem DEI no jornalismo latino-americano.

A primeira edição, em março de 2021, atraiu mais de 2 mil jornalistas latino-americanos e se concentrou em quatro temas: perspectiva de gênero, orientação sexual, questões raciais e étnicas e pessoas com deficiência.


O #diversifica é um hub de conteúdo multiplataforma sobre Diversidade, Equidade e Inclusão (DEI) do Portal dos Jornalistas e da newsletter Jornalistas&Cia. Ele conta com os apoios institucionais da Associação de Jornalismo Digital (Ajor), International Center for Journalists (ICFJ), Meta Journalism Project, Imagem Corporativa e Rádio Guarda–Chuva.

RSF: Ataques contra a imprensa aumentam após participações de candidatos na TV

Texto publicado originalmente em 1º/9/2022 pela Repórteres Sem Fronteiras

A segunda semana da campanha eleitoral foi marcada por uma explosão de insultos contra jornalistas e meios de comunicação nas redes sociais. As sabatinas com candidatos à presidência no Jornal Nacional mobilizaram centenas de milhares de ataques contra a TV Globo, e uma fala agressiva do presidente Jair Bolsonaro contra a jornalista Vera Magalhães, durante o primeiro debate televisionado com os candidatos, desencadeou uma onda de insultos contra a apresentadora. A Repórteres sem Fronteiras (RSF) alerta para um cenário de crescente hostilidade e deslegitimação da imprensa.

Na segunda semana da campanha eleitoral no Brasil, a Repórteres sem Fronteiras (RSF) registrou 2.749.125 de tuítes contendo termos associados a ataques contra a imprensa. No mesmo período foram identificadas 140 hashtags ofensivas ao jornalismo e à mídia em geral, totalizando 937.870 tuítes com menções a ao menos uma delas. A hashtag com maior repercussão foi #GloboLixo, citada 377.007 vezes.

O engajamento geral nas contas dos 120 jornalistas monitorados nesse levantamento aumentou de cerca de 600 mil tuítes na semana anterior para quase 1,5 milhão nessa segunda semana de campanha eleitoral oficial. E os ataques também cresceram na sequência. Os jornalistas que mais receberam agressões na semana foram: Miriam Leitão, Milton Neves, Vera Magalhães, Andreia Sadi, Renata Vasconcellos, Eliane Cantanhêde, Ricardo Noblat, William Bonner, Reinaldo Azevedo, Bernardo Mello Franco e Marina Dias.

Também foi possível identificar no Twitter as contas que mais utilizaram as hashtags de ataques a jornalistas e veículos de imprensa. As cinco primeiras foram @marinaaddarosa @francorosito1, @cesarmo70820605, @mia41278514 e @romerossouza. As contas possuem semelhanças no teor de suas publicações, declarando abertamente o apoio ao presidente Jair Bolsonaro por meio de foto de perfil, retweets e frases da bio.

Alvos da semana

Os destaques da semana foram as entrevistas de candidatos à Presidência ao Jornal Nacional da Rede Globo, do dia 22 ao dia 26 de agosto, e o debate com candidatos transmitido pelo Grupo Bandeirantes e organizado em parceria com TV Cultura, UOL e Folha de São Paulo, no dia 28 de agosto. Esses dois momentos de grande visibilidade da cobertura eleitoral aumentaram o volume dos ataques contra jornalistas.

Na primeira semana, a hashtag #GloboLixo havia alcançado 5.473 menções. Nesta segunda semana, foram mais 377 mil citações – um aumento de cerca de 70 vezes. Entre as hashtags mais compartilhadas nesse período, se destacam as que mencionam os apresentadores do Jornal Nacional, William Bonner e Renata Vasconcellos, que conduziram as entrevistas com os presidenciáveis, como #BonnerDitador (481), #BonnerLixo (292), #RenataMentirosa (281), #Bonnermentiroso (217), #BonnerIdiota(179), #RenataVasconcelosMentirosa (165) e #BonnerVaiTomarNoCool (141).

O episódio de maior destaque, entretanto, foi a onda de ataques direcionada à jornalista Vera Magalhães, que teve início após sua participação no debate entre candidatos à presidência na TV Bandeirantes. O presidente e candidato à reeleição Jair Bolsonaro reagiu de forma agressiva a uma de suas perguntas: “acho que você dorme pensando em mim. Você não pode tomar partido em um debate como esse, fazendo acusações mentirosas a meu respeito. Você é uma vergonha pro jornalismo brasileiro.”

A fala desencadeou imediatamente uma série de ataques contra a jornalista. A hashtag #VeraVergonhadoJornalismo foi compartilhada 10.273 vezes em poucas horas. E a expressão “Verba Magalhães”, que faz referência a uma informação falsa sobre o salário da jornalista na TV Cultura, foi citada 10.816 vezes no Twitter. Ao total, as postagens circularam 69.659.701 vezes nos feeds dos usuários da plataforma.

Ao analisar outros termos e referências comuns nos ataques à jornalista, identifica-se um padrão de agressões que articulam ilações e informações falsas sobre sua ética profissional com manifestações misóginas. A sincronização do ataque a Vera Magalhães também fez com que os termos “verba Magalhães” e “VeraVergonhadoJornalismo” alcançassem os Trending Topics no Twitter no dia seguinte à realização do debate.

Para visualizar a ação coordenada de ataque a partir da fala do presidente Bolsonaro, o grafo abaixo revela os usuários (pontos maiores) que mais obtiveram popularidade (recebendo mais retuítes/RTs) atacando a jornalista com a hashtag e a expressão. Os três usuários que mais repercutiram promovendo ataques foram Leandro Ruschel, influenciador Bolsonarista, Paulo Figueiredo Filho, comentarista da Jovem Pan e forte apoiador do Presidente Bolsonaro e Monica Marinho, jornalista e apoiadora do Presidente Bolsonaro nas redes.

O caso de Vera Magalhães traz luz a vários elementos típicos dos ataques online contra jornalistas. Agressões misóginas, informações falsas, deslegitimação de seu trabalho e de sua ética profissional, coordenação entre perfis e declarações de autoridades públicas. Quando esse mecanismo se repete e se multiplica à exaustão, em grande quantidade e em intervalos de tempo curtos, temos uma ameaça séria à liberdade de imprensa a partir da intimidação e tentativa de constrangimento da jornalista.

Autoridades públicas e os ataques dentro e fora das redes

Um dos elementos demonstrados pelo ataque coordenado a Vera Magalhães e pelos ataques aos apresentadores do Jornal Nacional é a conexão entre falas públicas de autoridades e a repercussão dessas falas com novos ataques nas redes sociais por perfis associados.

Essa sistemática de ataques massivos nas redes sociais geralmente segue o caminho aberto por perfis de grande repercussão, muitas vezes de autoridades públicas que utilizam a visibilidade de suas plataformas de comunicação para dar continuidade a ataques feitos pelo Presidente da República em outros espaços. Os posts do ministro das Comunicações, Fábio Faria, exemplificam o mecanismo. Cada uma dessas postagens teve alcance de cerca de um milhão de perfis e foi feita em complementação à postura hostil do Presidente Bolsonaro na entrevista ao Jornal Nacional. O ex-ministro do Meio Ambiente e atual candidato a deputado federal Ricardo Salles também é um exemplo disso, como vemos abaixo.

Sobre o projeto

Durante as eleições (16 de agosto a 30 de outubro), a Repórteres sem Fronteiras (RSF) realiza um monitoramento sistemático das redes sociais, em particular do Twitter, para analisar e decifrar o alcance e os padrões por detrás dessa hostilidade crescente contra o jornalismo. Até o final do segundo turno, 120 jornalistas e comentaristas, além de perfis de autoridades públicas e candidatos às eleições, serão acompanhadas diariamente em parceria com o Laboratório de Estudos sobre Imagem e Cibercultura (Labic) da Universidade Federal do Espírito Santo (UFES), centro de pesquisa de referência especializado em análise de redes sociais e tendências digitais.

A RSF publica análises semanais com base nos levantamentos realizados, que serão compilados nesta página.

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