Heraldo Pereira está deixando a equipe do Bom Dia Brasil, da TV Globo, para assumir como âncora do DF1, no Distrito Federal. Ele substituirá a Fabiano Andrade, que apresenta o noticiário local desde 2023. Este passará a trabalhar como repórter especial do Jornal Nacional. A mudança, que será efetivada a partir de 23/4, foi antecipada em primeira mão pela colunista Mônica Bergamo, da Folha de S.Paulo.
Heraldo vinha participando do BDB com entradas ao vivo de Brasília desde 2021, comentando os bastidores da política nacional. Ele continuará a fazer parte do rodízio de apresentadores do JN, como um dos substitutos de César Tralli aos sábados e feriados.
“O DF é a minha casa”, afirmou Heraldo. “Vivo aqui há 38 anos, minhas filhas nasceram aqui e tenho um amor profundo por esse quadrado e por sua gente guerreira. Será uma enorme alegria poder falar do cotidiano dessa terra que me adotou com tanto carinho”. A Globo ainda não definiu que o substituirá no Bom Dia Brasil.
Está aberta a votação para o prêmio +Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026. Em sua sexta edição, a iniciativa reconhecerá os jornalistas e veículos preferidos na cobertura do setor pela avaliação dos demais colegas de profissão.
Assim como nas edições anteriores, serão dois turnos de votação. Neste primeiro, de livre indicação, os eleitores podem escolher até cinco candidatos por categoria. Os nomes mais indicados classificam-se para o segundo turno, de votação dirigida, em que os eleitores selecionarão seus favoritos ranqueando-os do 1º ao 5º colocado. Confira o regulamento geral.
Depois do sucesso da última edição do prêmio, quando o número de +Admirados Jornalistas do Ano saltou de 30 para 50, a Comissão Organizadora decidiu manter o número de homenageados, garantindo ainda mais relevância para a premiação. Além da categoria profissional, também serão reconhecidos os TOP 3 +Admirados Veículos nas categorias Agência de Notícias, Áudio, Canal de Vídeo, Periódico Especializado, Programa de TV Especializada, Programa de TV Geral, Site/Portal e Veículo Geral.
Para participar, basta acessar o link de votação até 16 de abril, preencher um rápido cadastro e informar até cinco profissionais ou veículos por categoria.
A eleição dos +Admirados da Imprensa do Agronegócio 2026 conta até o momento com os patrocínios de BHP, Copersucar e Syngenta, apoios de Bosch, Cargill, Elanco e Yara, e apoio institucional da Rede Agrojor.
Está chegando ao mercado Um homem chamado Opinião (L&PM Editores), novo livro de Márcio Pinheiro, que narra a trajetória de Fernando Gasparian (1930-2006), empresário da indústria têxtil que depois do golpe militar de 1964 foi perseguido e asfixiado economicamente pelo governo devido a suas posições liberais e acabou se exilando na Inglaterra. De volta ao Brasil no início da década de 1970, criou o semanário Opinião, que entre 1972 e 1977 seria um dos principais e mais ousados veículos da imprensa a enfrentar a ditadura e sua censura.
Marcio Pinheiro
No prefácio do livro, Marcelo Rubens Paiva destaca: “A comparação com o Pasquim – mais representativo e bem-sucedido editorialmente entre os símbolos da imprensa alternativa – é tão óbvia quanto natural. Porém, ao contrário do irmão mais velho e mais escrachado, o jornal Opinião, desde o seu lançamento, veio para ocupar uma faixa própria, deixando bem claro o que o aproximava e o que o distanciava dos demais jornais”.
O autor, Márcio Pinheiro, vale lembrar, também escreveu Rato de redação: Sig e a história do Pasquim (Matrix).
A BM&C News, veículo especializado em mercado financeiro, política e negócios, anunciou Paula Moraes como sua nova CEO e publisher. Com a mudança, Luiz Messici passa a atuar como chairman da empresa. As novidades fazem parte de uma nova etapa da BM&C News, visando a expansão do negocio.
Na prática, Paula passa a atuar com foco na operação do canal, trabalhando também o relacionamento da emissora com o mercado e o desenvolvimento de novas frentes de negócio. E Luiz será responsável direto pela visão estratégica e posicionamento da companhia. A ideia é, nos próximos meses, consolidar a audiência qualificada, aprofundar a monetização do ecossistema BM&C e expandir institucionalmente a marca por meio de novos produtos, formatos e projetos estratégicos.
Paula é uma das fundadoras da BM&C News, tendo atuado como âncora do canal, entrevistando personalidades do mundo da economia e dos negócios. Antes, trabalhou por mais de 11 anos no jornalismo da RecordTV, atuando como apresentadora, repórter e correspondente internacional em Nova York, nos Estados Unidos. E Luiz, também fundador da BM&C News, ao lado de Paula, atuou como CEO e presidente do conselho da empresa. Foi também diretor do InfoMoney, de 2014 a 2017.
Em uma de suas edições mais disputadas dos últimos anos, o prêmio +Admirados da Imprensa Automotiva anuncia em primeira mão nesta edição especial, os 39 jornalistas e 12 veículos vencedores de 2026. A disputa foi tão intensa que a Comissão Organizadora do prêmio decidiu ampliar de 25 para 30 o número de profissionais homenageados entre os +Admirados Jornalistas do Ano.
“É um prêmio que vem crescendo ano após ano e atraindo cada vez mais a atenção dos profissionais e das marcas que fazem deste um setor tão competitivo”, destaca Vinicius Ribeiro, diretor de Projetos da Jornalistas Editora e responsável pela Comissão Organizadora do prêmio. “Foi um movimento natural de crescimento, que já adotamos em outras premiações da série +Admirados e que, graças ao apoio de nossos patrocinadores, também chegou para destacar ainda mais o trabalho dos jornalistas da área”.
Dentre os profissionais, destaque para o excelente desempenho das mulheres, especialmente em um setor que ainda registra predominância masculina. Dos 39 profissionais homenageados, 14 são mulheres. Elas também dominaram as categorias especiais, estando presentes em todas, sendo maioria entre os Jornalistas Especializados em Duas Rodas e Jornalistas Especializados em Veículos Comerciais, e ocupando as primeiras posições na recém-criada categoria Jornalistas Especializados em Negócios Automotivos.
Igualmente foram três entre quatro dos profissionais homenageados em outra categoria que não os TOP 30: Andrea Ramos (Vozes do Transporte), em Jornalistas Especializados em Veículos Comerciais, e Alzira Rodrigues (AutoIndústria) e Giovanna Riato (Jornal do Carro), em Jornalistas Especializados na Cobertura Automotiva. Entre os homens, aparece o campeão geral de 2025 Boris Feldman (AutoPapo), que também está concorrendo em Colunista.
Nas categorias dedicadas às publicações, o destaque ficou para a marca Autoesporte, que terá produtos seus homenageados em três categorias: Áudio, com CBN Autoesporte, e em Periódico e Site/Portal, com as versões digital e impressa da Autoesporte. Curiosamente, seu “coirmão”, o programa Auto Esporte, da TV Globo, também está novamente entre os três vencedores da categoria Vídeo.
Na cerimônia de premiação, marcada para 11 de maio, em São Paulo, além das homenagens a todos os vencedores, serão conhecidos os TOP 5 +Admirados Jornalistas do Ano e o primeiro colocado de cada uma das oito categorias temáticas.
Koichiro Matsuo receberá Troféu Luiz Carlos Secco – Pelo terceiro ano consecutivo a Comissão Organizadora da eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva homenageará um profissional do setor com o Troféu de Contribuição à Imprensa. Desta vez o prêmio especial será concedido a Koichiro Matsuo, que fundou e dirige há mais de 40 anos a Textofinal de Comunicação.
Criada em 2024, a primeira edição do Troféu foi entregue a Luiz Carlos Secco. Após a morte dele, em janeiro de 2025, o prêmio foi rebatizado e ganhou seu nome. A primeira homenageada no ano passado, já com a nova denominação, foi Alzira Rodrigues, cofundadora e diretora do portal AutoIndústria.
A eleição dos +Admirados da Imprensa Automotiva 2026 conta com os patrocínios de Bosch, Ford, Honda,Renault e Volkswagen Caminhões e Ônibus, os apoios de Pirelli, Volkswagen, Portal dos Jornalistas e PressID, a colaboração da Scania e o apoio institucional da Abraciclo.
O Carro Esporte Clube, projeto criado por Thiago Ventura, completou 10 anos de atividade no último sábado (21/3). O canal nasceu com a proposta de produzir conteúdo independente, com foco no consumidor e linguagem simples, aproximando o público das informações sobre carros, mobilidade e trânsito.
Atualmente, a plataforma conta com conteúdo veiculado em site, YouTube, redes sociais, que, somadas, ultrapassam 500 mil seguidores; e em rádio, na América FM 107,1, de Belo Horizonte, com uma coluna semanal.
Thiago Ventura, criador do Carro Esporte Clube
“Desde o início, a ideia foi construir um canal de jornalismo automotivo independente, com linguagem direta e foco no consumidor. Chegar aos 10 anos mostra que existe espaço para um conteúdo especializado, mas que conversa de forma simples com quem gosta de carro”, afirma Thiago Ventura, que ao longo de sua carreira também acumula passagens por Estado de Minas, portal Vrum, TV Alterosa e DomTotal, e atualmente colabora com noticiário automotivo para a CNN Brasil e TV Bandeirantes.
Texto publicado originalmente por Letycia Bond, repórter da Agência Brasil, em 31 de março.
O jornalista Fernando Busian, integrante da equipe de comunicação do Partido Socialismo e Liberdade (Psol), denuncia que tem sido alvo de ameaças desde a última quarta-feira (25).
O caso foi registrado na segunda-feira (30) na Delegacia de Crimes Cibernéticos da Polícia Civil de São Paulo, e o comunicador acredita que a motivação é violência política. “Discurso bem de extrema-direita”, classifica em entrevista à Agência Brasil.
Busian conta que os ataques começaram depois do envio de um comunicado à imprensa sobre a troca de comando da Federação PSOL-Rede. O texto foi enviado a uma lista com 1,7 mil destinatários de diferentes partes do país.
No mesmo dia, mensagens sobre cemitérios e serviços funerários começaram a chegar, e um perfil falso em seu nome foi criado na plataforma GetNinjas, usada para a contratação de prestadores de serviços. A partir desse cadastro, ele relata que recebeu orçamentos de mais serviços funerários e de empresas de segurança.
“Bloqueei o primeiro [orçamento falso], o segundo. O terceiro já veio com um portfólio de serviços de segurança. Aí, disse, opa. Com cemitério e serviço de segurança, eu fiz o link”, conta.
Endereço e familiares
A situação se agravou ainda na quinta-feira (26), quando mensagens anônimas no WhatsApp fizeram referência à região onde o jornalista mora e ao nome de sua mãe.
“Ela sabe que o filho dela é um lixo?”, dizia uma das mensagens, segundo o comunicador, que acredita que as ameaças tenham conotação política por conta de sua atuação profissional junto ao Psol.
“Só para começo de conversa: não sou filiado, nada. Inclusive, o pessoal me contratou por isso, porque já trabalhei para outros políticos, outras tendências políticas e tenho trânsito na imprensa. Então, tenho um bom nome, credibilidade. Não sou uma pessoa militante”, afirma.
Violência contra jornalistas
Em nota conjunta, o Sindicato dos Jornalistas Profissionais no Estado de São Paulo (SJSP) e a Federação Nacional dos Jornalistas (Fenaj) classificam o caso como grave, por envolver ameaças de morte que se estendem a familiares do jornalista, além de vigilância e vazamento de dados pessoais.
“Trata-se de um episódio gravíssimo, que não pode ser naturalizado. O SJSP e a Fenaj prestam toda a solidariedade e apoio ao jornalista e cobrarão das autoridades a devida investigação, em especial no âmbito dos crimes virtuais e do uso indevido de dados pessoais, para que os responsáveis sejam identificados e punidos.”
Durante a pandemia de covid-19 e o governo de Jair Bolsonaro, os ataques chegaram ao patamar recorde de 430 casos, em 2021, número que caiu para 181 em 2023.
GetNinjas
Em nota, o GetNinjas afirma que identificou o uso indevido de dados, prestou assistência à vítima e a orientou a registrar boletim de ocorrência. A companhia diz ainda estar disponível para colaborar com o que for necessário.
“A plataforma reforça que conta com rigorosos mecanismos de validação e monitoramento. Diante de qualquer atividade atípica, age prontamente para interromper suspeitas e fortalecer controles. O GetNinjas reitera que o uso indevido de dados por terceiros é contrário às políticas da plataforma e reafirma o compromisso com a segurança e a privacidade.”
*Reportagem ampliada às 17h para acréscimo de posicionamento da plataforma GetNinjas.
Seguem abertas até 5 de abril as inscrições para o 1º Prêmio Cremilda Medina de Pesquisa e Formação em Jornalismo, organizado pela Associação Brasileira de Ensino de Jornalismo (ABEJ), que valoriza, incentiva e premia Trabalhos de Conclusão de Curso (TCCs) da área de comunicação. O objetivo da iniciativa é dar o devido destaque ao campo acadêmico, sobretudo da graduação em jornalismo.
O prêmio tem duas categorias: Monografia e Memorial de Produto. Podem se inscrever estudantes ou egressos que tenham defendido seu TCC em 2025 com a nota mínima de 8,5. Não há limites para a quantidade de trabalhos inscritos por instituição. Para fazer a inscrição, além do trabalho, é preciso anexar no formulário de inscrição a ata de defesa em banca. Os vencedores serão anunciados durante o 25º Encontro Nacional de Ensino de Jornalismo (ENEJor), entre os dias 22 e 24 de abril, na Universidade de Brasília.
O nome do prêmio faz homenagem a Cremilda de Araújo Medina, pesquisadora e professora titular sênior da Universidade de São Paulo, autora de livros e coletâneas nas áreas de comunicação, jornalismo e literatura. É uma das grandes responsáveis pela implementação dos TCCs de Jornalismo na USP.
“A ideia do projeto pioneiro foi de José Marques de Melo (1943-2018), então chefe do Departamento de Jornalismo da ECA/USP em 1986-87. E eu, que então voltava à USP após dez anos de afastamento por conta da ditadura militar, fui nomeada pelo saudoso colega, junto com Ciro Marcondes (1948-2020) e Jerusa Pires Ferreira (1938-2019) para organizar o regulamento dos TCCs. Meus parceiros propunham um trabalho de cunho teórico (monografia), mas eu acrescentei a possibilidade de uma reportagem-ensaio com um anexo de interrogantes teóricas, o que deu corpo à divisória do atual regulamento que vocês anunciam”, relembrou Cremilda.
O comentarista Chico Lang está de saída da TV Gazeta após mais de 30 anos de trabalho. Ele estava na Fundação Cásper Líbero, dona da TV Gazeta, desde 1990, e atuou em diversas funções, como repórter, além de comentarista. Em nota, a emissora agradeceu o profissional pelos anos de trabalho.
A trajetória de Lang se confunde com a própria história da TV Gazeta. Ele iniciou sua passagem no canal como repórter do jornal A Gazeta Esportiva. Pouco depois, passou a atuar na equipe de esportes da emissora, como comentarista dos programas Gazeta Esportiva e Mesa Redonda, cargo que ocupou até sua saída.
No Mesa Redonda, inclusive, fez dupla marcante com o apresentador Roberto Avallone, potencializando a audiência do programa de debate nos anos 1990. Corintiano apaixonado, Lang ficou conhecido por comentários e críticas ao próprio time e conquistou o carinho de torcedores alvinegros. Nos últimos anos, o comentarista sofreu com alguns problemas de saúde e chegou a se afastar do dia a dia na Gazeta em algumas ocasiões.
Em um momento em que a confiança se torna um ativo cada vez mais escasso no ecossistema digital, um dado chama atenção – e, ao mesmo tempo, desafia previsões recorrentes sobre o “fim” dos meios tradicionais: o rádio segue como o veículo mais confiável entre os norte-americanos.
O resultado, apontado pelo estudo Media Trust Study 2026, conduzido pelo Katz Radio Group, revela que 85% dos entrevistados classificam o rádio como uma fonte “muito confiável” ou “confiável”. O índice coloca o meio à frente de jornais (77%) e televisão (73%), consolidando uma liderança que não se explica apenas por tradição – mas por resiliência.
(Crédito: Katzradiogroup)
A pesquisa, realizada com 600 adultos nos Estados Unidos, também evidencia um movimento importante: enquanto a confiança no ambiente digital vem se deteriorando – com três em cada quatro pessoas afirmando confiar menos no que leem online –, o rádio mantém estabilidade em todas as faixas etárias. Em um cenário marcado por algoritmos, desinformação e conteúdos sintéticos, essa consistência torna-se um diferencial estratégico.
Mas talvez o dado mais revelador esteja na ascensão dos podcasts. Segundo o estudo, cerca de 70% dos adultos consideram esse formato confiável – um índice que o coloca no mesmo patamar das revistas e a apenas três pontos percentuais da televisão. Não se trata mais de uma mídia emergente: os podcasts passam a ocupar um espaço consolidado no repertório informativo contemporâneo.
Essa aproximação entre rádio e podcast revela mais do que uma disputa entre formatos – aponta para uma convergência baseada em um elemento comum: a voz. Diferentemente das plataformas sociais, onde o conteúdo circula de forma fragmentada e descontextualizada, o áudio mantém uma relação mais direta, contínua e, sobretudo, humana com o público.
Não por acaso, as redes sociais aparecem na última posição do ranking de confiança, com apenas 49%. A distância de mais de 30 pontos percentuais em relação ao rádio não é apenas estatística – é sintomática. Ela evidencia uma ruptura crescente entre produção profissional de conteúdo e ambientes mediados por algoritmos, em que a curadoria é substituída por engajamento.
Esse cenário torna-se ainda mais relevante quando analisado sob a ótica geracional. O rádio apresenta índices de confiança praticamente homogêneos: 85% entre adultos de 35 a 54 anos e 83% tanto entre jovens de 18 a 34 quanto entre pessoas com mais de 55 anos. Trata-se de uma estabilidade rara em um ambiente midiático cada vez mais fragmentado.
Os podcasts, por outro lado, revelam um comportamento mais volátil. Embora atinjam 77% de confiança entre jovens e públicos mais velhos, o índice cai para 67% entre adultos de meia-idade. Essa oscilação sugere uma “lacuna de percepção” relevante – indicando que, embora os podcasts tenham expandido sua credibilidade para além de seu público original, ainda enfrentam resistência em segmentos mais ligados às marcas tradicionais de mídia.
Esse contraste ajuda a compreender o papel complementar que rádio e podcast passam a desempenhar no atual mix de mídia. O rádio mantém sua força como meio de alcance massivo, presença local e credibilidade consolidada. Já os podcasts avançam como espaço de aprofundamento, segmentação e consumo sob demanda.
Ambos, no entanto, compartilham um ativo cada vez mais raro: a construção de vínculo. A familiaridade com vozes, apresentadores e narrativas cria uma relação de confiança que dificilmente é replicada em ambientes digitais automatizados. Em um feed algorítmico, o conteúdo aparece; no áudio, ele acompanha.
(Crédito: Vecteezy)
Esse aspecto ganha ainda mais relevância diante do avanço de tecnologias como inteligência artificial generativa e deepfakes, que ampliam a capacidade de produção de conteúdo – mas também intensificam a desconfiança do público. Quanto mais abundante e automatizada se torna a informação, maior tende a ser o valor atribuído àquilo que é percebido como humano, contextualizado e verificável.
Do ponto de vista do mercado, as implicações são diretas. A confiança passa a operar como um ativo econômico. Em ambientes midiáticos considerados confiáveis, mensagens publicitárias não apenas alcançam o público – elas são mais facilmente assimiladas, acreditadas e convertidas em ação. É o chamado “efeito halo”, no qual a credibilidade do meio se transfere para a marca anunciante.
Nesse contexto, o rádio não sobrevive apenas por inércia histórica. Ele se reposiciona como uma das poucas infraestruturas de confiança estável em um sistema comunicacional marcado pela volatilidade.
E talvez seja justamente essa a principal inversão do cenário contemporâneo: enquanto novas tecnologias prometem eficiência, escala e personalização, são os meios mais antigos – baseados em presença, recorrência e relação – que seguem sustentando o que há de mais difícil de construir na comunicação: a confiança.
Você pode ler e ouvir este e outros conteúdos na íntegra no RadioFrequencia, um blog que teve início como uma coluna semanal na newsletter Jornalistas&Cia para tratar sobre temas da rádio e mídia sonora. As entrevistas também podem ser ouvidas em formato de podcast neste link.
(*) Jornalista e professor da Fundação Armando Álvares Penteado (Faap) e do Mackenzie, pesquisador do tema, integra um grupo criado pela Intercom com outros cem professores de várias universidades e regiões do País.